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19/11/2023

MALCATA: HÁ COGUMELOS QUE SÓ SE COMEM UMA VEZ!

 

Chefe Valdir Lubave, aprendeu e ensinou
a apreciar cogumelos silvestres.


   Estamos no tempo das castanhas e dos cogumelos silvestres, dois sabores característicos do mundo rural e da nossa aldeia também. E porque é importante transmitir e divulgar o nosso comum, as tradições e os saberes dos nossos antepassados, venho chamar a atenção dos malcatenhos para a riqueza que são estes e outros produtos, como o mel e a batata e que ainda se vão encontrando na freguesia.
   A nossa aldeia é igual às outras terras vizinhas e há muitas coisas em comum, são saberes e costumes que foram transmitidos de geração em geração. Somos aldeias beirãs e as pessoas mantêm boas relações humanas e que se fortaleceram através dos casamentos e dos convívios ocasionais.
   Muitos costumes e tradições estão a desaparecer e não existem registos desse património, pois quando a pessoa morre leva com ela esses segredos. 
E é pena que se perca esta riqueza natural e tradicional, por não existir nenhum projecto que os preserve e guarde.
   

Engº Henrique Gravito, um amigo dos cogumelos silvestres,
pessoa com muitos conhecimentos científicos e experiências de campo
no vasto mundo dos cogumelos silvestres, em particular, as 
espécies existentes na nossa região beirã.

   
   A nossa freguesia devia fazer e ainda não fez o que já se falou em encontros e reuniões. Dar mais atenção a estes dois produtos deve ser uma das prioridades a ter em conta.  Com a castanha e os cogumelos silvestres e alguma imaginação e visão a longo prazo, podemos trazer mais desenvolvimento, mais negócios, mais bem-estar aos que vivem na freguesia. Com um pouco de imaginação e muita vontade, por exemplo, promover os percursos pedestres que existem na nossa aldeia, associar um grupo de pessoas e abrir uma espécie de cooperativa, com. as caminhadas e os passeios pelos castanheiros e pinhais e levar as pessoas à descoberta da castanha e do míscaro ou boleto. Tantas outras actividades que se  podem organizar! Podem ser aqueles projectos que há muito se fala e que ajudarão a melhorar as condições de vida, contribuindo para a manutenção e fixação de gente jovem e activa na região. 
   Lembro-me do meu tempo de criança que as pessoas se preocupavam com limpar os pinhais e as carvalheiras. Juntavam a caruma e a folha e levavam este material para os campos e substituíam os adubos e serviam para fazer a “cama” aos animais. E os míscaros, quando se via a terra gretada, a minha mãe espetava um pau aguçado na ponta e lá saltavam inteiros. Esta espécie de cogumelos são muito saborosos e bem cozinhados, a minha mãe dizia que sabiam bem melhor que alguma carne! São mesmo deliciosos!
   E se pensam que os cogumelos e as castanhas são dois produtos normais, pouco apreciados, ou que não existe pessoas que procuram estas iguarias gastronómicas, digo-lhes que por falta de conhecimento e informação, não sabem os sacrifícios que essa gente está disposta a passar! Alguns viajam centenas de quilómetros e vão de GPS ligado até aquele pequeno lugar, meio escondido, numa rua estreita e só a pé lá se entra, empurradas pelos aromas vindos da cozinha da casa lá do canto, sorrindo umas para as outras por não se terem perdido no caminho e desejam experimentar o famoso "arroz de míscaros" da Avó Bi - Sabores de Malcata"!
   Esta riqueza oferecida de forma quase gratuita pela Natureza, pode e deve merecer muito mais atenção e como todas as outras riquezas naturais, necessitam de ser cuidadas, respeitando o seu ciclo normal de vida. Por isso é importante aprender a conhecer e a respeitar o seu habitat, o seu mundo.
   E para que os recursos naturais, mesmo aqueles que crescem no campo, nos montes e florestas, onde não há poluição industrial ou lá despejada por homens, não sejam culpados e riscados da nossa alimentação, deixo aqui um conselho em forma de AVISO sério que as autoridades de saúde há muito que não se cansam de divulgar. É importante ler e seguir estes conselhos:
   
   
   

   



   

 

15/11/2023

MALCATA: UM MAGUSTO TRADICIONAL PRECISA DE CARUMA SECA

 

Castanhas assadas sobre a mesa

    Como se preservam as tradições e ao mesmo tempo se defende e fortalece a identidade cultural de uma comunidade, de uma freguesia rural?
    E que importância têm as tradições  e costumes que essa mesma comunidade teima em realizar?
    O reconhecimento da importância das tradições e o continuar com elas, para salvaguardar as tradições do passado e com isso fortalecer a identidade cultural dos malcatenhos, já é um passo certo no sentido de preservar o património imaterial da nossa comunidade. E o património imaterial, vai para além do património material, como é o caso dos monumentos, concretamente, a torre do relógio, as fontes, a igreja matriz, as ruas... Esse é o que chamamos património material, porque são bem visíveis e  estão à vista de todos. Mas o modo de ser, sentir, celebrar os costumes, as tradições, as festas  pagãs e cristãs, a oralidade  e expressões que as pessoas recorrem no dia a dia e durante muitas gerações,  funcionam como bilhete de identidade da comunidade deste lugar de Malcata. É o conjunto destas expressões  e  rituais, transmitidas de geração em geração e que permanecem que valorizam importante todo o património material e imaterial.  Por isso, sempre que se realizam eventos na aldeia, é uma oportunidade para os malcatenhos conhecer  a relação que temos com a nossa história como povo, sendo por isso importante cimentar as relações entre as pessoas e o fortalecimento do sentimento de pertencer a este povo.
    A tarefa de preservar o nosso património deve ser assumida por todos e não apenas pelas associações ou pela Junta de Freguesia. Cada um de nós deve preocupar-se por olhar para o património como seu e que o  deve manter e preservar, divulgar a quem deseja conhecer. Contudo, cabe às instituições públicas o dever de fazer um esforço maior e preservar esses tesouros e contribuir para uma melhor compreensão e um maior interesse em preservar a história, a tradição e costumes, um legado que nos deixaram aqueles que nos antecederam. 
    O facto de se organizarem eventos como os magustos, que anualmente se organizam, não significa imediatamente que estamos a preservar uma tradição ou os costumes da nossa aldeia.
     Preservar uma tradição exige muito mais que um mero convívio durante uma tarde. A envolvência da comunidade, a utilização das ferramentas e dos métodos tradicionais e não trocar esses rituais por modas novas, ou outras ferramentas,  mais rápidas e práticas, como é a utilização do assador que veio substituir o monte de caruma e todos os passos necessários a promover um magusto tradicional, deve ser tido em conta. A verdadeira tradição e um magusto tradicional é ir aos pinhais buscar caruma seca, fazer o monte e nele deitar as castanhas e esperar que o fogo as asse, no ritmo próprio e não apressado. O assador tem vantagem em relação ao monte de caruma, sem dúvida, desde a maior quantidade de castanhas que se podem assar ao mesmo tempo, á rapidez em que é feito e com menos trabalho.
     E a tradição esquece-se? O magusto está a ser tomado pela modernice deste assador e que mais não é do que uma réplica do assador de outra aldeia vizinha. Com a introdução deste super assador de castanhas, a tradição de as assar  no monte da caruma, num largo ou numa rua, está a esfumar-se das memórias e vivências dos mais jovens e a tradição deixa de existir. Os cheiros e os fumos da caruma a arder e castanhas a assar, são rituais que não se podem substituir pelo uso de grandes assadores. Estes grandes e super assadores são mais indicados para assar carnes e até castanha, mas nunca para celebrar e preservar o magusto tradicional.
    O facto de conviver e comer castanha assada, não significa que se trata de um magusto tradicional, é apenas uma tentativa de recriar a tradição popular, tão banal como ligar um forno lá de casa.

    Quando as pessoas se reúnem para celebrar a tradição do magusto, respeitar a forma tradicional de assar castanhas é fundamental. Isto é, se o objectivo for reviver um magusto à antiga! E se a estes cuidados de respeitar as tradições, seja do magusto ou da matança, juntarmos a participação de pessoas vindas de fora, visitantes que buscam experiências genuínas e rurais, que procuram  sabores diferentes e só existentes no campo, estamos a criar valor acrescentado e a promover o desenvolvimento sustentável da nossa aldeia e das nossas gentes. Porque organizar convívios na nossa aldeia até  tem sido muito fácil e  há sempre quem apareça. Agora organizar eventos com o objectivo de preservar e mostrar o valor das tradições e vivências rurais, respeitando a história, as pessoas ainda vivas, as tradições, já é coisa bem diferente e necessita de mais cuidados na sua realização.
    Há ainda um trabalho por realizar no que toca ao nosso património imaterial que se quer preservar e através disso, ter em mente o desenvolvimento sustentável da nossa freguesia e do modo de vida dos que vivem todo o ano nela. Cativar as pessoas de fora para conhecer a aldeia, as pessoas, os monumentos, os recursos naturais únicos e raros, cuja qualidade e riqueza da experiência levam as pessoas a percorrer centenas de quilómetros para vivenciar dias diferentes. O hábito de organizar eventos que apenas se dirigem aos malcatenhos, é não acreditar no valor do que temos na freguesia. Organizar também estes convívios para as pessoas de fora pode funcionar como alavanca de desenvolvimento dos negócios locais. É uma das estratégias que devemos adoptar na nossa aldeia para a dinamizar. E com tantos dias que tem o ano, com tantas tradições que merecem ser promovidas, haverá sempre convívios voltados para aqueles que vivem sempre neste paraíso malcatenho.

                                                 José Nunes Martins



 

02/11/2023

BEBER ÁGUA DA BARRAGEM SEM MEDO

 

Albufeira da barragem do Sabugal

   Na freguesia de Malcata houve uma época em que se vivia numa luta por causa da água destinada às regas. A população para ter água potável em suas casas, tinha de ir encher os cântaros de barro às fontes da aldeia. Uma dessas fontes era abastecida da água que nascia na mina, que foi aberta no sítio das Eiras e custou grandes sacrifícios à população, principalmente aos homens que lá tiveram de trabalhar.

   Uns bons anos depois, o Município do Sabugal construiu a Rede de Abastecimento Público de Água ao domicílio e o saneamento básico. Com a entrada em funcionamento dessa rede de abastecimento, todos os habitantes passaram a ter água própria para consumo humano nas suas casas. Para que isso fosse possível a Junta de Freguesia em exercício nessa altura chegou a um acordo com a Câmara Municipal para que a aldeia passasse a ser abastecida com água proveniente do furo a construir no sítio do Vazão e bombeada para o depósito existente na Rasa. A Junta de Freguesia apresentou as suas razões e o povo aprovou, ou pelo menos consentiu que a nossa água não viria da albufeira da barragem, pois na aldeia havia boas e fartas nascentes, com água em abundância e muito melhor que a da barragem.
   Durante muitos anos Malcata foi uma terra onde não faltava a água. O aumento da população na aldeia, o aumento das épocas de calor, a água passou a faltar nas torneiras lá de casa. Os bombeiros eram chamados para abastecer de água o depósito da aldeia, chegando a fazê-lo duas vezes por semana.  A rede de abastecimento de água de Malcata nem sempre funcionava de igual forma para todas as zonas da freguesia. Algumas pessoas, que vivem em lugares mais altos, passaram anos sem uma gota de água nas torneiras e não tinham ligação ao saneamento básico. A Câmara Municipal justificou esta situação irregular porque os proprietários tinham assinado um documento. Para que o sistema funcionasse na perfeição também foi necessário construir uma ETAR ( Estação de Tratamento para as Águas Residuais) tendo sido escolhido o lugar do Vazão.
   Desde que a Rede de Abastecimento de Água Pública foi aberta,  já passaram passaram alguns anos. Desde que isso aconteceu, já se registaram algumas faltas de água e uma das maiores operações de melhorias no abastecimento foi realizada em 2021, com a entrada em funcionamento de dois grupos de bombas que estão a garantir uma pressão mais precisa e que veio melhorar a circulação da água e finalmente todos têm água em casa.
   Há dois dias, com data de 31 de Outubro, li um aviso do Município, dirigido aos cidadãos residentes em Malcata, alertando-os para redobrar os cuidados na utilização da água fornecida pela Câmara Municipal. E nos meus ouvidos soaram alguns alarmes e que pensei úteis num futuro próximo. É mais que sabido que a nossa aldeia tem direito a um serviço de abastecimento público de água própria e segura para consumo humano.
   A pergunta que tenho para fazer é esta;
   Porque Malcata ainda é abastecida com recurso a um furo e a um depósito em vez de ser fornecida água de qualidade com origem na albufeira da Barragem do Sabugal?
   A freguesia esteve tantos anos à espera da rede de abastecimento e quando chegou em 2008, eu acreditei que seria um benefício para todos poder ter tanta água, que depois de tantos incómodos e sacrifícios passados, que a aldeia teve de passar, o mínimo era passar a receber água com qualidade,  tratada devidamente,  respeitando todos os parâmetros que a lei exige e poder beber com confiança, era mesmo a cereja no topo do bolo da festa. Infelizmente esse meu pensamento estava enganado e a notícia que divulguei aqui  
 https://aldeiademalcata.blogspot.com/2007/12/qual-melhor-gua.html
vinha a confirmar isso mesmo.

   Hoje ainda estou à espera de colocar a deliciosa cereja no bolo e celebrar com os malcatenhos a ligação da Rede de Abastecimento Público de Água de Malcata à Rede Pública de Abastecimento de Água ao concelho do Sabugal e a outros concelhos vizinhos. Seria a melhor cura para todos. Quem se atreve a responder à pergunta que fiz?
                                                                             
                                                      José Nunes Martins
  

  

 










 



14/10/2023

CEGOS, SURDOS E MUDOS

 






   A aldeia de Malcata à medida que cresceu as casas foram-se espalhando por cabeços, moitas, tapadas e barreirinhas? Se virmos a aldeia do alto ficamos com essa sensação. As pessoas quando se casavam, procuravam arranjar casa. Os primeiros habitantes começaram por ocupar os espaços mais próximos uns dos outros e com o crescimento do número de pessoas, as ruas começaram a ligar-se umas às outras, mantendo o nome que já lhes chamavam a esses sítios. A rua da Ladeirinha, rua da Moita, rua do Cabeço, Rua da Barreirinha, Rua da Tapadinha, Rua do Carvalhão. Todos estes nomes são os próprios topónimos pelos quais o povo os conheceu e conhece hoje? Tudo leva a crer que assim foi e manteve-se durante muitos anos.
   Geralmente as igrejas das aldeias portuguesas desenvolvem-se em volta da Igreja Paroquial ou alguma capela. No caso da aldeia de Malcata isso não aconteceu e continua a não aumentar a edificação à volta da igreja Matriz, nomeadamente nos terrenos que se situam atrás da sacristia. Eu só encontro uma explicação para esta singularidade da nossa aldeia, que muito cresceu e em contraposição aos costumes das outras terras, não se constrói nos campos que estão ali ao lado. Esses terrenos, chãos e lameiros, eram de boa terra para a agricultura e para o pasto dos animais. Por ali me lembro de ver bons campos de batatas, de milho, de centeio e verdejantes pastagens, lameiros como lhe chamamos na nossa aldeia. Esta característica relacionada com a qualidade das terras e o tipo de ocupação, terá sido tão forte que ninguém ousou construir por ali uma casa para morar? É uma particularidade que se pode constatar quando por ali alguém passar, à esquerda e à direita um vale extenso e plano, subdividido em campos delimitados por muros e arvoredo.
   Outra estranheza e particularidade da malha urbana da nossa aldeia e no que respeita ao nome das ruas, estranhamente, não existe uma rua com o nome de rua da igreja ou rua do cemitério. Mais um motivo para pesquisar as ruas da aldeia, que infelizmente,
a cada ano que passa, aumenta o número de casas vazias, acabando por ir caindo aos poucos. Algumas já foram recuperadas e outras ainda estão a ser.
   Aqui há que fazer uma pausa e perguntar se aquilo que não vemos ou não ouvimos falar não existe? Muitos dos habitantes da aldeia passam todos, ou quase todos os dias, numa determinada rua ou beco. Caminham lestos ou devagar e só olham para a frente e nada de distrações. Eu sempre que caminho pelas mesmas ruas e becos, olho em todas as direcções e por vezes, vejo cada fenómeno!  Desde mamarrachos, telhados que já não abrigam nada, paredes “grávidas” e outras sem barro e com pedras soltas, uma casa vazia, com portas e janelas entreabertas e a cair de podridão, muros de cimento colados às paredes de pedra de xisto, outros muros pequenos, que não descansaram até se encostar às pedras de granito trabalhado e que passaram de elemento principal a pedras vulgares, sem importância nenhuma, esquecendo que antes do muro e do cimento, já elas, as pedras, embelezaram o sítio. Quem as abandonou e as despromoveu continua a não se interessar por lhes dar uso, devolvendo a importância e o respeito que elas merecem e o património comum exige.
   Acreditem, se houvesse o prometido orçamento participativo, uma das ideias que eu sugeria seria a compra de alguns pares de óculos para os autarcas da nossa freguesia e fazer aprovar uma regra de obrigatoriedade do uso desses óculos, no mínimo, uma vez por mês, quando o trio fazia a verificação atenta do estado da coisa comum em Malcata.
   PS: Esta é uma opinião pessoal. Qualquer situação aqui retratada é pura imaginação minha e se alguém pensar que lhe diz respeito, é uma simples coincidência.

                                                     José Nunes Martins
                   

 

 

 

      

 

 

 

 

 

 

11/10/2023

A ENERTECH - Sabugal 2023 - PORQUÊ ?


 

ENERTECH-1ªEdição-Secretariado


   Hoje a marca ENERTECH-Sabugal é conhecida no nosso país de norte a sul e em algumas províncias espanholas. A Enertech-Sabugal é uma feira anual realizada no concelho do Sabugal, tendo como tema principal as Energias. Felizmente guardo boas memórias da primeira edição, a original feira da energia que provém da biomassa florestal. Esta feira partiu da iniciativa do engenheiro José Escada da Costa, pessoa formada e com grande experiência na área da biomassa, com funções de gestão de importantes empresas nacionais. 
   Quantas vezes nós não somos traídos pelas nossas memórias quando revisitamos as imagens das duas primeiras edições! Foi a Visão e a Estratégia que levou o engenheiro José Escada a apresentar ao executivo camarário a ENERTECH-Sabugal e nela participou activamente como especialista na área e nos conhecimentos das entidades nacionais mais influentes no mercado da biomassa. Sei que muita gente pensou que seria uma ideia sem sentido, sem qualquer interesse, com fim anunciado à nascença. Felizmente aconteceu que o engenheiro teve uma ideia boa e ainda hoje por aí anda, apesar de alterações feitas sem a concordância do principal visionário, pois a biomassa dilui-se em demasiadas fontes de energia também ditas verdes. Mas essa discordância não justificava o que se seguiu após a 2ª edição da ENERTECH. Ainda bem que há documentação, protocolos assinados entre a AMCF, Câmaras Municipais...em sessão pública realizada na ENERTECH e que hoje o executivo do Município do Sabugal ignora e ainda mete na gaveta um dos primeiros parceiros desta feira e que agora, a Câmara Municipal e a sua empresa satélite ADES, simplesmente despreza, ignora e apoderando-se completamente da ideia como se destas duas entidades tivesse saído. Nem sequer no filme de promoção da ENERTECH 2023 existe um segundo em que seja reconhecido o trabalho do passado. Fica aqui registado o meu protesto pessoal, não pedi sequer licença para o fazer, porque isso nunca é o meu sentir e forma de pensar. Se alguém devia ter vergonha na cara pela atitude assumida conscientemente, eu sei e eles também sabem quem são, pois trabalham todos para o mesmo "Dono" vaidoso, de semblante altivo e dominador, sem sequer se dignar respeitar a competência, o trabalho, a entrega, o tempo e a visão do bem comum. Hoje se a ENERTECH tivesse sido uma "ideia" má, não se estava ansioso para abrir as portas da feira de 2023 e uma simples tenda de "mercado" chegava para iludir o cidadão.
   Para uma verificação e confirmar o que escrevo, basta consultar a página oficial do Município:

                                 https://www.facebook.com/sabugal.concelho
                                        
                                               ... e da AMCF:

                                 https://www.facebook.com/malcatacomfuturo



                                                                                  José Nunes Martins

06/10/2023

SABUGAL: FALTA CORAGEM PARA LUTAR POR MELHORES CUIDADOS DE SAÚDE

    

A rampa é para os veículos e quem vai a pé que suba as escadas !
Há anos que assim está e ninguém se incomoda com a situação.

   Na última sessão da Assembleia Municipal do Sabugal, realizada no passado dia 29 de Setembro de 2023, o senhor Presidente da Mesa, MANUEL AUGUSTO MEIRINHO MARTINS, eleito pela lista do PPD/PSD, votou contra o reforço de médicos no Centro de Saúde do Sabugal. Esta foi a minha conclusão, depois de ser apresentada, nesta sessão da Assembleia Municipal, uma Moção "Sobre a falta de médicos no Centro de Saúde do Sabugal", que foi apresentada pelo grupo municipal da CDU. Eu já li o documento e é bom que mais pessoas também conheçam a moção em causa. Cada leitor/cidadão, após a leitura tire as conclusões que quiser, mas quando um presidente do órgão autárquico e municipal  no momento de votar, anuncia aos presentes na sala onde se está a realizar a sessão, que vota contra, está ou não a dar indicação aos seus "amigos políticos" para o seguir e votar no mesmo sentido? 
   Os que são titulares de cargos de órgãos municipais, como é ser presidente da Mesa da Assembleia Municipal, têm a obrigação de se mentalizar que estão a exercer um serviço público, de conduzir e orientar os trabalhos e em representação de todos os cidadãos do concelho. 
   A moção sobre a falta de médicos, é mais uma iniciativa de mostrar o descontentamento do mau serviço nos cuidados de saúde primários que o Centro de Saúde do Sabugal presta aos que ali vão, principalmente pela falta de médicos... Ou será que, por se saber que a ULS da Guarda  já abriu concurso para remodelar o Centro de Saúde do Sabugal? Querem lá ver, que o concelho vai ter edifício remodelado e os gabinetes novos dos médicos mas vazios de doutores e doutoras? Outra razão do voto contra a moção sobre a falta de médicos, será que tem a ver com aqueles "protocolos de colaboração no âmbito dos cuidados de saúde primários entre a Câmara Municipal" e algumas aldeias do concelho? Basta ler a Acta da Reunião de 15 de Fevereiro de 2023 e encontramos lá alguma informação, como os nomes das freguesias e o valor que cada uma recebe da Câmara, para colmatar a falta de médicos no Centro de Saúde! Ficamos a saber que: a Aldeia do Bispo recebe 3000€; Águas Belas 1.500€; Alfaiates 3000€; UF Lageosa e Forcalhos 3000€; UF Pousafoles, Penalobo e Lomba 4.200€; Malcata 3000€.   Cada uma destas Juntas de Freguesia oferece,  uma vez por mês, consulta médica, com conhecimento do Centro de Saúde do Sabugal. Ora os cuidados de saúde primários devem chegar a todos os utentes que necessitam de cuidados. Não sei se este  protocolo é extensível a todas as freguesias e quintas ou lugares do Sabugal ou se apenas beneficiam um pequeno número de aldeias.         Estou a pensar nas razões que levaram o senhor doutor professor, político e presidente da Assembleia Municipal, a votar contra a moção. Sei que não reside no concelho e  não se tratando da presidência de um clube ou tuna académica, só porque a moção foi apresentada pelas mentes interventivas e inquietas, defensoras do bem e da saúde de todos, decide carregar no botão "on" do microfone que tem sempre à mão, e dizer que vota contra, porque às tantas, nem sequer teve o cuidado de escutar a leitura da moção e se lembrou do  vogal que entrou na administração da ULS Guarda, de nome António Robalo  e que ainda alguns lhe chamam presidente, que deixou de ser, tendo passado a vogal, sem experiência e provas das suas competências na área da saúde,  mas já toda a gente sabe que há se arranja um emprego sem ter que ir para a fila do IEFP. E como ainda não se manifestou publicamente sobre a falta de médicos no Centro de Saúde do Sabugal, nada de dificultar o caminho novo. 

   Agora vou deixar-vos a ler a moção sobre a qual me levou a escrever o que senti e sobre o estado a que está a chegar o cuidado de saúde das pessoas  no concelho ou que por ele andam.

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Sobre a falta de médicos no Centro de Saúde do Sabugal

1-Considerando que no Centro de Saúde do Sabugal há uma gritante falta de médicos, o que prejudica gravemente a população do concelho;

2- Considerando que o Ministério da Saúde tem a obrigação de fazer investimentos no Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente valorizando os seus profissionais;

3- O Serviço Nacional de Saúde é uma das mais importantes conquistas resultantes da Revolução do 25 de Abril de 1974 e está consagrado na Constituição da República Portuguesa e em muita legislação;

- A Assembleia Municipal do Sabugal, reunida a 29 de Setembro de 2023, exige que o Ministério da Saúde promova a colocação de mais médicos no Centro de Saúde do Sabugal, no sentido de garantir o direito à saúde por parte dos habitantes do concelho.

- Insta a Câmara Municipal a mostrar a sua indignação com o que está sucedendo e que, no âmbito das suas competências, pressione o Ministério da Saúde a resolver a situação da falta de médicos.

Os membros da Assembleia eleitos pela CDU

João Carlos Taborda Manata e João Manuel Aristides Duarte

Aprovada com 2 votos contra: 1 do presidente da AM e outro 

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                                                                    José Nunes Martins

05/10/2023

MONARQUIA, REPÚBLICA, DEMOCRACIA - EM MALCATA TANTO FAZ!

Na falta da bandeira, hasteei o galhardete

    

   

   O Cinco de Outubro de 1910 foi uma revolução organizada pelo Partido Republicano e que acabou com o regime monárquico para passar a uma República. Desde 1143 a 1910 o nosso país foi governado segundo a vontade dos Reis, tendo sido D. Manuel II o último a reinar. Foi para o estrangeiro porque o país estava ingovernável e no dia 5 de Outubro de 1910, pela manhã, foi proclamada a República Portuguesa.
   Este acontecimento acabou por se transformar num dia "feriado nacional". Mas é um dia que passa ao lado dos residentes na nossa freguesia. Até parece que na aldeia vivem noutra República, bem diferente da que é celebrada em Lisboa, Porto, Coimbra e outros locais do país. São muitas as pessoas que até sabem que hoje é feriado nacional, mas fazem de conta e que o que se passou há mais de cem anos pouco interesse lhes desperta. Provavelmente, quem trabalha na terra está a fazer o que faz todos os dias e o que pede é que o deixem em paz. 
   E à noite, quem sabe lhe apeteça ligar o televisor para ver as notícias e então sim, tem uns momentos disponíveis para ouvir falar do dia 5 de Outubro de 1910, porque o de 2023 lembra-se perfeitamente daquilo que andou a fazer. 
   Nada disto é coincidência e na nossa freguesia não se passa nada, nem sequer a Bandeira Nacional é hasteada num dos mastros da sede da Junta de Freguesia, a entidade institucional que representa o Estado Republicano Português. Quando os representantes legais do povo perante a presença das mais altas individualidades políticas e governativas tem atitudes assim, alguma vez os residentes estão motivados a celebrar dias importantes como o dia de hoje? Sou levado a crer que é mais provável ver num sítio bem alto e visível, seja numa janela ou numa varanda, uma daquelas bandeiras do Sporting ou do Benfica ou do Porto em vez da Bandeira Nacional onde até já colocaram três mastros!
   Enfim, se os mastros e os feriados são a fazer de conta, acabem com isso tudo.

                                                               José Nunes Martins

02/10/2023

OIGP TERRAS DO LINCE - Malcata

       


   Está a decorrer até ao dia 3 de Novembro de 2023, a Consulta Pública da proposta para o projecto que a AIGP-Terras do Lince-Malcata vai implementar nos próximos tempos.
   Trata-se de um documento de interesse para a nossa freguesia. Apelo aos malcatenhos que leiam e procurem esclarecer alguma dúvida. E para além da leitura, se acharem que têm alguma sugestão a fazer, também o podem fazer. Podem enviar as sugestões para a Câmara Municipal do Sabugal de duas formas: pela internet ou escritas em papel e entregues no Balcão Único, na Praça da República, no Sabugal. Em Malcata deve estar acessível, para consulta, na sede da Junta de Freguesia. 

   

   A Consulta Pública decorre durante o período de 30 dias uteis, de 21 de setembro a 03 de novembro de 2023. Acompanhe as novidades no sitio da internet da Direção-Geral do Território.

   Todos os interessados podem consultar e apresentar sugestões, em suporte de papel, no Balcão Único do Município do Sabugal e no Município de Penamacor das 9H às 16h.

   As participações podem também consultadas nos sítios e internet dos municípios de Sabugal e Penamacor e enviadas, em suporte digital, para o email: opaflor@gmail.com

Para mais informações e esclarecimentos poderá contactar a Entidade Gestora: OPAFLOR – Associação de Produtores Florestais da Serra da Opa;

Rua Dr. João Lopes nº 17, 6320-420, Sabugal

E-mail – opaflor@gmail.com

   Também podem saber mais aqui:
   https://www.dgterritorio.gov.pt/Operacao-Integrada-de-Gestao-da-Paisagem-Terras-do-Lince-Malcata

 

01/10/2023

EM MALCATA NÃO SE DEBATE POLÍTICA

 


   O debate político em Malcata está morto e há muito tempo. Na nossa aldeia a política não é assunto de conversa e muito menos de discussão, sendo os próprios autarcas, esses sim, exercem funções políticas, mas nenhum deles tem sido um divulgador das políticas que norteiam as suas acções. Na nossa terra não há pessoas que tenham coragem e iniciativa para um debate de ideias, de políticas locais. As eleições são para ir votar e a partir do dia seguinte só os vencedores celebram. Quem perde, desaparece e foge da política, que mais parece o diabo a fugir da cruz.
   Nestas últimas votações autárquicas a política foi mesmo maltratada por aqueles que dela parece precisar. A política em Malcata foi posta de lado pelos socialistas e nem sequer se apresentaram a votação. Por isso, a lista dos sociais-democratas (PPD/PSD)
tinham o caminho desimpedido para um segundo mandato.
   Chegados ao meio deste mandato, pelo rumo que a política está a ir, é quase certo imaginar o futuro político em relação ao poder local autárquico. A oposição foi de férias e ninguém sabe quando regressam à política. Alguns pensam que dois anos é ainda muito tempo e demasiado cedo para entrar em cena e no debate político. Os que defendem ou que simplesmente votaram, alguns nem sequer sabem em quem, também não estão para complicar ou para se maçarem e façam lá o que fizerem, a resposta é que “eles é que sabem”. E falar agora de estratégia é falar chinês, não entendem e nem querem entender.
   Em Malcata, pensar e falar em lugares públicos tem que manter-se vigilante e atento às movimentações em redor. Eles e elas veem e poem-se disfarçadamente à escuta para depois contar ao seu Senhor. E aquelas pessoas que só falam com quem concordam? Falam e ouvem tudo, mas nem a um bom-dia ou boa-tarde respondem? Falta de cultura e inteligência não é com toda a certeza o digo. São pessoas que sabem ler e escrever, com cursos e cargos em grandes empresas e algumas até acompanham a política nacional, a regional e a concelhia. A idade pesa cada vez mais e sem se darem conta,
são dominados por atitudes impróprias, incompreensíveis e incorrectas na forma como se relacionam com quem fala e pensa diferente, deixam simplesmente de saudar e em vez de olhar olhos nos olhos, fixam o olhar nas pedras da calçada.
   E assim vai o debate político na nossa freguesia…comer e calar, porque se houver atrevimento de perguntar, discutir, combinar a constituição de uma lista de outra cor que não a cor laranja, alguém se encarregará de lançar a confusão e não descansarão até acabar com as ideias de outras pessoas.
                                                                              José Nunes Martins

27/09/2023

MALCATA: A PORTA DA JUNTA É SERVENTIA DOS FREGUESES DE MALCATA

 


   











   Esta semana
houve sessão ordinária da Assembleia de Freguesia da nossa aldeia. Não estive presente mas costumo marcar presença sempre que posso.     Desta vez, soube da dita reunião muito em cima da data e também por “impedimentos” de assistência à família não deu para me deslocar de Matosinhos a Malcata.
   Podem não acreditar no que eu estou a pensar, mas tenho um feeling que  as cadeiras reservadas ao público só ocuparam espaço e nem sequer aqueceram.
   Dessa reunião da Assembleia de Freguesia de Malcata, realizada, supostamente, na Junta de Freguesia, sei o mesmo que os fregueses que residem na nossa aldeia: nada! Ora antes da reunião, já eu sabia que o pato nada…a pescada já o é, mesmo antes de ser pescada…e como todos os peixes, também nada!
   E eu que esperava que, desta vez, alguém da Junta de Freguesia viesse dar uma palavra de esperança e de conforto a todos os malcatenhos, sobretudo aos emigrantes, sobre a verdade das contas da festa deste ano…esclarecer o que é verdade e o que é mentira e que tem andado a ser empurrada e ignorada sem qualquer mostra de preocupação do nome da nossa freguesia estar a ser enxovalhado pela região como uma terra de “amigos do alheio” e que não sabem fazer contas certas...foi apenas um sonho meu, porque moro longe daí e tanto gostava de ler notícias vindas de longe! Sonho meu!
   Sei que há assuntos muito mais importantes para se debater nas assembleias. Mas com uma Ordem de Trabalhos tão abrangente, também se arranjam uns minutos para a assembleia se pronunciar sobre as festas da freguesia, em especial a deste ano, ou não? E como está a água da barragem, a ruptura dos tubos que conduzem a água até às bicas da fonte? E então o bardo lá prós baldios já se encheu de mé més ou o rebanho perdeu-se por falta de orientação? E que diz a Junta e a Assembleia sobre a consulta pública que está a decorrer de 21 deste mês de Setembro a 3 de Novembro? Já resolveram o problema das bombas que abastecem o depósito localizado à Rasa?
   Ah, lembro ao senhor Presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia e aos restantes membros da dita, para ler com atenção o Regimento da Assembleia de Freguesia, nomeadamente o Artº. 25º-1,  é que eu não entendo o que lá diz. Para mim faria muito mais sentido que, neste ponto 1 do referido artigo, estivesse dito que as Assembleias de Freguesia são reuniões de porta aberta, por isso são públicas e fixar que, nos termos do Regimento da Assembleia, um período para intervenção e esclarecimento ao público. Agora regimentar no sentido de depois de terminada a sessão, os membros poderem continuar a trocar ideias e mimos, sugestões e outras coisas...que o tivessem feito durante a sessão! Os cidadãos do público presentes na sala para intervir na reunião têm de o fazer no seu período reservado à Intervenção do Público.  E os membros da Assembleia como não gostam de ouvir o público antes deles falarem, aprovaram um regimento que os obriga a aguentar em silêncio e de boca calada assistir ao desenrolar da reunião, ficando sem compreender metade do que eles dizem porque alguns membros da Assembleia estão sentados de costas para o Zé Povinho e depois admiram-se que quem está nas cadeiras reservadas ao público, perca muitas vezes o fio à meada e como não pode interromper o orador, membro por direito e primeiro a falar...a vontade é levantar-se e pela calada sair da sala para apanhar ar porque preciso dele para viver mas passa bem sem aqueles que estava a tentar ouvir. Ainda não percebi a lógica deste regimento da assembleia de freguesia. Ter um período reservado ao público no fim da ordem de trabalhos, no meu entender, é quase um pedido para não aparecer nas reuniões. Posso ir, sentar-me e ninguém me pede para sair ou falar, o regimento não permite. Tenho que aguentar que todos os outros assuntos sejam apresentados, discutidos e votados. Já dá para perceber um pouco as causas que afastam o cidadão do poder local. O cidadão cansa-se de tanto tempo à espera e desinteressa-se, aborrece-se e por isso não nasceu para ficar tanto tempo mudo e calado.  Alterem o actual Regimento da Assembleia de Freguesia tendo em conta o Artigo 25º, ponto 1 e coloquem a Intervenção do Público no início das sessões. Com esta alteração e uma sensibilização pública na freguesia, convocando uma vez por ano a sessão da Assembleia de Freguesia para fora da Junta de Freguesia, com espaço para pessoas, cadeiras, instalação sonora, e uma Ordem de Trabalhos ambiciosa, até a juventude vai estar lá! E para que isto seja real, precisamos da boa vontade dos membros da assembleia de freguesia.
                                                           José Nunes Martins

24/09/2023

MALCATA: AS TARDES DOS DOMINGOS



                                                            
  
    Lembro-me do tempo em que havia baile aos domingos. De manhã o povo ia rezar a missa e depois do jantar (almoço) os rapazes iam aparecendo ao Rossio. As moças ficavam por casa a acabar de lavar os pratos e panelas, a varrer a cozinha e sempre com os ouvidos atentos para ouvir a concertina do Carlos Coelho ou do Fernando Cego (era invisual e daí esta alcunha) anunciando que ia haver baile.
   Missa, jogo de cartas e baile eram as três coisas mais importantes que se faziam aos domingos à tarde na nossa aldeia. O Rossio e os namoros no baile ao som da concertina aconteciam à vista de toda a gente, em especial à vista das famílias dos dançantes. O baile era um momento romântico, aceitado pelas mães das raparigas como uma prova de carinho, de respeito, mesmo que o par controlasse os sentimentos e um aperto ou um beijo, o par continuava a sua dança.
   Algumas vezes havia rapazes a quem as raparigas respondiam que não queriam dançar com eles. Às vezes o rapaz ficava envergonhado pela recusa retirava-se e os amigos faziam mangação dele porque tinha acabado de levar uma “tampa”. E nalguns casos,
acabavam em zaragata, com murros e empurrões, copos e garrafas partidas em cabeças, alguns pontapés e a certa altura os agressores desapareciam para nunca mais serem vistos no baile daquele domingo.
   Vale a pena voltar a lembrar as tardes do domingo na aldeia, se vale!

                                                                 José Nunes Martins



20/09/2023

AOS QUE PARTIRAM E AOS QUE PARTEM DE MALCATA BUSCANDO A SORTE NOUTRAS PARAGENS

                                                     


                               


GENTE QUE AMA A SUA TERRA

   Vou dirigir-me aos malcatenhos emigrantes. A sua presença na aldeia durante a semana da festa verificamos que os emigrantes continuam a marcar presença e então no domingo da festa fazem questão de passar o dia na aldeia. Quem não vem à festa, segue o desenrolar da festa através da internet. Quem vem, já não é como nos primeiros anos, vêm de carro, de avião ou apanham lugar nas carrinhas de transporte de passageiros, conduzidas por conhecidos e que também são da mesma terra.
   São os emigrantes que fazem transbordar a aldeia. Muita animação, boa disposição, enchem os cafés, a Zona de Lazer e há filas nos minimercados. No dia de mercado, vão todos para o Sabugal e os feirantes vendem tudo o que têm. O mês de Agosto é o melhor mês para quem tem um negócio. As comissões de festas anseiam pela chegada dos emigrantes e de bom tempo.
   Na nossa aldeia cada família teve ou tem gente emigrante. Os mais idosos já gozam a sua reforma francesa, bem mais recheada que os que não foram para longe trabalhar. Há dias no café os três homens falavam sobre a importância que os emigrantes tiveram e têm no desenvolvimento do nosso país, em particular da nossa freguesia. Longe vão as partidas à pressa, pela calada da noite e um meio retrato no bolso. Iam a “salto” e quando chegassem a França, procuravam a pessoa que tinha na sua posse o outro meio retrato e juntando as duas partes a pessoa via que tudo estava certo. Tinha valido a pena tantos sacrifícios para chegar ao destino. Há casos de pessoas que não tiveram a mesma sorte, foram apanhadas pelas autoridades e se não foram presos, eram recambiados para o buraco onde nasceram. Muitos emigrantes fugiam da guerra que Portugal estava a levar a cabo na África. Ou quem se casava, não conseguia enriquecer mesmo que trabalhassem de sol a sol. Tinham que sair da terra e procurar nas grandes cidades do país, indo a maioria para o estrangeiro em busca de uma vida melhor, onde pudessem ganhar dinheiro e mandá-lo para os bancos em Portugal. Os emigrantes dos anos 50, 60 e 70, tinham poucos estudos ou mesmo nenhuns. Uma das maiores dificuldades foi o não entender a língua francesa, depois também nem sonhavam como era a casa onde iam morar e com que companhia a partilhavam. Mas a razão que os levou a chegar à França, foi tão forte que aguentaram tudo. E foi focados nessa “vida melhor” para a família, aumentavam as possibilidades de oferecer educação aos filhos, construir uma casa e viver a vida sem depender das saias dos pais, que tantos decidiram emigrar.
   É para estes malcatenhos que vai a minha homenagem, o meu sincero abraço e mesmo que hoje tudo seja diferente para melhor, venham mais vezes à aldeia, fiquem por aqui mais uns dias porque quem vive na aldeia, gosta da vossa presença e do vosso
interesse pelas tradições e costumes da terra.
   Termino com um pedido feito em nome dos bons conterrâneos: rezem a Oração de São Francisco, também conhecida pela Oração da Paz…que lembra:

              Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa Paz.
              Onde houver ódio, que eu leve o amor.
              Onde houver discórdia, que eu leve a união.
              Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
              Onde houver erro, que eu leve a verdade.
              Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
              Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
              Onde houver trevas, que eu leve a luz.

                                   Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
                                   consolar, que ser consolado;
                                   compreender, que ser compreendido;
                                   amar, que ser amado.
                                   Pois é dando que se recebe.
                                   É perdoando que se é perdoado.
                                   E é morrendo que se vive para a vida
                                   eterna. Amén!


         Porque uma aldeia e um povo é muito mais que uma festa!

                                                 José Nunes Martins


                                                                                           

18/09/2023

MALCATA PRECISA DE LIMPAR O QUE ESTA SUJO

 

   Espero que esta minha carta vos chegue à caixa do vosso correio cerebral. Eu fico bem, graças a Deus. Tenho a necessidade de desabafar convosco e espero ajudar a interpretar os acontecimentos que se passaram durante o mês de Agosto na nossa aldeia. Então lá vai:

   Muitas vezes quando uma festa corre mal, o povo procura encontrar uma espécie de válvula de escape para acabar com a insatisfação do povo. Noutras épocas e noutras terras o pau servia de arma de arremesso e varriam os impuros da sua terra. Mas para isso acontecer havia que primeiro encontrar o tal “bode”.
   É um pouco assim que eu descrevo o que se tem passado na aldeia onde nasci. Será que assim se consegue perceber as contas da festa? É um mordomo culpado de tudo?
Sim e a mordoma e o povo. E porquê o povo? E eu expondo: porquê a mordoma?
   Hoje estamos a acusar uma pessoa, amanhã estaremos a acusar outras pessoas, porque tem de haver sempre quem deve ser culpado de não ter chegado o dinheiro para pagar as despesas da festa. Encontrado o “bode expiatório” há que o condenar e depressa, não pode continuar sem castigo. E pensamos nós que se não for assim, mais aumenta a insatisfação e mais vingança pedimos. E com tanto ruído, acabamos a compreender mal o que se está a passar e ainda contribuímos para abrir mais a ferida, esquecendo-nos de que cada um de nós também tem a sua quota-parte da culpa e do estado a que se chegou. O mordomo que todos querem encontrar frente a frente acaba por ser o único que praticou os crimes, os abusos, os acordos com os fornecedores de bebidas, de espectáculos, de receber ofertas e deitá-las no mesmo saco preto e opaco.
Todos nós nos transformamos em juízes e rimos à farta uns com os outros daquele mordomo que já não tem uma casa na aldeia para se esconder e cheio de medo desaparece para longe da vista porque quer continuar a viver.
   É difícil provar a inocência e quanto mais tempo demorar a explicar, mais culpa as pessoas lhe atribuem. Eu interrogo-me porque deixaram o maquinista continuar a levar o comboio sozinho até esbarrar na última estação? Durante a viagem ainda alguns se mostraram insatisfeitos e na ausência de mudanças da linha, avisaram o maquinista que se ia esbarrar na última estação, mas a fé e o saber fazer, convenceu o maquinista que conseguia chegar ao destino e depois, direitinho para férias…Não foi assim que aconteceu e ainda hoje se desconhecem os verdadeiros motivos de faltar tanto dinheiro para pagar as contas da festa que bastava entrar o valor que havia a receber e pagavam a festa, porque a partir daí, seria só lucro. Estas foram as palavras que me lembro, de ter lido em Abril deste ano na página Mordomos 2023.
   E agora como vai a freguesia lavar a cara?
                                                        José Nunes Martins

15/09/2023

COM FESTAS E BOLOS SÓ SE ENGANAM OS TOLOS

 

   As festas em geral são eventos que as pessoas gostam de vivenciar e divertir. Mas o facto de as pessoas gostarem de se divertir, em nada estão impedidas de, perante os números até agora apresentados pela Comissão de Mordomos, de acharem que a festa não correu bem. Aliás, o achar que não correu bem peca por defeito. A festa de Malcata foi muito participada pelo povo da aldeia. O que os mordomos não conseguiram foi alcançar resultados positivos. E esses resultados positivos seriam alcançados se no mínimo tivessem dinheiro para pagar todas as despesas que a festa custou.
   Este ano a mordomia não pode justificar os resultados negativos com a falta de adesão das pessoas e das contribuições que muitos ofereceram. Estou a escrever tendo por base um prejuízo na ordem de oito mil e tal euros que tanta falta fazem nas contas. Tratando-se de um valor considerável, maior se torna quando se trata da festa numa aldeia rural como é o caso da nossa. O valor da dívida até pode vir a ser reduzida, mas estes números que apresentaram no fim da festa, provam que nem tudo correu bem e ao contrário daquilo que as pessoas observaram durante os dias da festa, aconteceram situações que merecem ser esclarecidas pelos mordomos.
   E a falta de dinheiro para o pagamento das despesas fez acordar aqueles que andaram a dormir durante meses. Deixaram a coisa andar e nunca se mostraram descontentes com a caminhada dos mordomos. Depois da festa e do atraso da apresentação das contas, é que muitos se aperceberam que alguma coisa má estava para ser anunciada.



    Para surpresa da comunidade os Mordomos de 2023 divulgaram um comunicado, que eu li nas redes sociais, pedindo ajuda financeira para poderem pagar a todos os fornecedores. Ao fazer o apelo à ajuda antes da apresentação das contas veio agravar ainda mais a situação pela qual estavam a passar. Se a esta decisão adicionarmos as contas provisórias, feriram de morte o crédito e o apoio de muita gente, incluindo pessoas amigas ou ligadas por laços de convivência.
   Em qualquer terra as festas são uma forma de promover a dita freguesia, que as tradições e os costumes ajudam a alcançar esse fim. E quando a festa apresenta contas limpas, transparentes, fundamentadas com documentos, movimentos de dinheiro justificados e verificados, toda a gente aplaude e encerram-se as contas. Não fosse um desvio tão elevado entre receita e despesa se calhar não se falava tanto ou se apontavam as causas desse desvio. Mas o errado não está no prejuízo que há, mas as causas que levaram a que isso acontecesse. Quem anda à chuva corre o risco de se molhar, mas se eu sair à rua e estiver a chover, faço-o com o guarda-chuva aberto!  Isto só para dizer que a prevenção pode ser boa conselheira.
   E quem nunca errou que atire a primeira crítica! Todos já falhámos e nas nossas vidas há momentos menos felizes. O que temos a fazer é aprender com o erro e mudar a nossa actuação para não repetirmos os mesmos erros.
   Aplicando esta minha teoria aos Mordomos 2023, quem vier a seguir tem que trabalhar, delegar, responsabilizar, organizar e confiar uns nos outros. Vejam o trabalho realizado por uma equipa da F1 e interroguem-se sobre as razões de tanto êxito. É graças ao trabalho em equipa que os pilotos ganham as corridas. Cada elemento da equipa sabe a função que deve executar e tem a consciência que um erro vai afectar o bom desempenho da marca do carro. Na equipa a confiança, a responsabilidade e a entrega resulta numa festa na pista.

   Os mordomos de 2023, convocaram o povo para o dia 16 de Setembro, pelas 17 horas, na sede da Junta de Freguesia. Dizem nessa convocatória que ali vão apresentar todas as contas e todos os documentos que têm sobre a festa.
   Muitas pessoas mostraram interesse em estar presentes. Desejo que quem estiver presente tenha a capacidade e paciência de distinguir o essencial e importante que aconteceu na festa e esquecer o acessório. Defender aquilo que não tem defesa, não vale a pena estar a perder tempo, porque o povo sempre gostou da festa e da música, do baile e da procissão. Detesta é ser enganado e enxovalhado.
                                                           José Nunes Martins


  

12/09/2023

MALCATA: VEM AÍ REFORÇO DA REDE DE TELEMÓVEIS?

 

 

Retirado da Acta da Reunião CMS
realizada a 2 de Agosto 2023

As populações das nossas freguesias do Sabugal continuam a desconhecer o que a Câmara e as Juntas de Freguesia andam a “cozinhar” secretamente para algumas freguesias. Digo secretamente porque, ouvi falar que estão a projectar a instalação de “infraestruturas de suporte de estações de radiocomunicações” ( retirado da acta da Reunião de Câmara do Sabugal). O pedido é feito pela NOS e sem que se consultem os cidadãos das terras abrangidas, votam favoravelmente o pedido. Isto aconteceu na reunião de 02-08-2023, cuja acta foi colocada “on Line” já esta semana, em Setembro.
  E pela sua leitura fico a saber que os vereadores do Partido Socialista votaram contra “porque não estão reunidas todas as condições para votar favoravelmente”.
  Parece não ter aprendido nada e continuam a governar sem informar e esclarecer o que se passa. Então as Assembleias de Freguesia não têm uma palavra a dizer?
  Isto eu chamo, simplesmente, desconsideração pela população e um abuso de poder. E a nossa Junta de Freguesia também não está isenta de culpa, pois tem um historial de executar obra sem dar conhecimento atempado. Lembro o caso da “antena” que queria instalar no jardim da Junta e que lá continua inacabada, sem utilidade.  O que não entendo é porque é que continuam a fazer assim isto? Têm medo que as pessoas se oponham outra vez? Pois não sei.
  Em Malcata a dificuldade em obter informações é mais difícil. Sem oposição, com o poder absoluto, estar a perguntar é mais como estar a perguntar a uma parede. Mesmo assim, deixo a pergunta no ar: vai em breve ser instalada uma “estação de radiocomunicações” pela NOS TECHNOLOGY SA ?  Onde?
   Fico à espera de respostas.

                                                                 José Nunes Martins

   Nota: Sou sempre a favor do desenvolvimento sustentável da freguesia de Malcata e o reforço da qualidade da transmissão das comunicações contou sempre com o meu apoio, desde que tudo se faça com transparência e na defesa do bem-estar de todos.

10/09/2023

MALCATA: FESTAS 2023 FORAM DE ARROMBA

 


A Festa de Malcata deste ano foi de arromba! As imagens que alguns malcatenhos divulgaram nas redes sociais não são fáceis de escolher, porque todas estão bonitas e mostram bem como foi este ano a nossa festa.

   Foi uma semana que certamente as crianças não vão esquecer, pois festa é sinal de alegria, de música, de boa e muita comida e descontrolo nas guloseimas.
   A festa deste ano teve de tudo e as pessoas participaram em todas as actividades e cerimónias que a mordomia preparou ao longo de meses de muito trabalho, sacrifícios e algumas dores de cabeça, sintomas normais e que qualquer comissão de festas sabe que faz parte dessa responsabilidade voluntariamente assumida, pois o povo sempre se divertiu nas festas de Verão.
   Agora que a festa já passou, ainda andam as pessoas na ressaca, vão olhando para as fotos, os vídeos, uns riem-se às gargalhadas, orgulhosos de segurar no andor do santo ou na opa que lhe deram na igreja para segurar num dos paus do pálio ou das lanternas.
   Tudo nos é mostrado com orgulho e cada foto expõe a grandeza da festa, das diversas coisas que foram feitas e todas contribuíram no engrandecimento da festa. Houve garraiada, jogos populares, feira de artesanato com danças e cantares sevilhanos, bandas de música popular e dj´s durante as madrugadas. Bailaricos todas as noites, com bar sempre aberto, onde se comeu, bebeu, sei lá, tantos petiscos e tremoços que a cerveja não ajudou a engolir. O trabalhão que os jovens tiveram atrás do balcão, sempre prontos a estender a mão com aquilo que lhe era pedido. Com um balcão tão comprido e o ter que andar lijeirinho, os moços e moças nem deram conta que pisavam um estrado novo e que lhes mantinham os pés firmes, mesmo que as cabeças andassem cansadas.
   Muito trabalharam e aos mordomos deste ano é que todos devemos estar agradecidos pela festa que prepararam. Sem dúvida, as imagens falam mesmo e não há, porque não aconteceu, nenhum dos eventos que decorreram durante a festa, sinais de descontentamento ou de desânimo. O povo foi parte da festa, disso não se pode apontar ao povo e aos que vieram de outras terras.
   No fundo de tudo, a festa mostrou ser grande e rija, muita diversão, muita música, calor, suor, ramo, quermesse, bailes e espuma, nem a procissão e a missa ficou esquecido, pois, a festa foi em honra de São Barnabé.
   Houve Festa em Malcata. Foi uma Festa de arromba porque o povo assim pensa uns dias depois da festa acabar.
   Nota: especial agradecimento aos que tiraram as fotos. Obrigado



Cartaz da Festa de 2023

                                     Não é um erro, é um enorme esquecimento, o não ter 
                                     impresso "2023" , ano destas festas. 



08/09/2023

MALCATA: À ESPERA DA PROVA DOS NOVE

  

Banda da música na Festa da aldeia de Malcata,
quando ia a casa dos mordomos dar as boas vindas.
(Carvalhão, dois mordomos ali viviam)

   

   Então como foi a festa?
   A resposta é tão variada e tão geral que se resume a uma frase:
   "Fala-se que...olha, não quero saber disso"!
   Até agora, a Comissão de Mordomos de 2023, passados estes dias todos, ainda não apresentou todas as contas relativas à festa em honra de São Barnabé (foi assim que o arraial foi divulgado como podemos ler no cartaz).
   A falha na apresentação das contas, dar conhecimento do que se fez com o dinheiro da comunidade, está a ser um erro grande. É que o dinheiro existente na conta e o que entretanto foi angariado, não pertence à Comissão de Mordomos e muito menos é uma bolsa de crédito ao dispor dos membros da  comissão de mordomos. Todos sabem que, o dinheiro está à guarda dos mordomos e que eles(as), aceitaram voluntariamente a missão de organizar uma festa, contando para isso com o dinheiro. O que se espera das comissões de mordomos, é que tenham e exerçam uma gestão responsável, na forma como usam o dinheiro,  o destino que lhe vão dando. É por isso que, é de suma importância uma constante prestação de contas e das actividades que se vão desenvolvendo nos meses anteriores à festa, dando a saber e publicar os diversos movimentos de dinheiro. E como existe muita gente que vive fora da aldeia, é ainda mais importante e necessário explicar como se está a usar!  chegando mesmo ao mundo das redes sociais, para informar. Todos têm o direito a essas informações periódicas, porque quem vive na aldeia e ainda mais os que vivem fora, ao perceberem  como os mordomos vão gastando o dinheiro, como é o meu caso, que vivo muito distante daqui, se tiver acesso a informação séria e actualizada, acabamos por nos sentir mais parte da comunidade, sentimo-nos acarinhados e sensibilizados por,  mesmo longe, contam connosco. A falta de prestação de contas tem como consequência o aparecimento de falatórios e de criticas negativas, arrastam sentimentos de desconfiança e incertezas, aumentando o desânimo na aldeia.
   Ver as contas, não é sempre sinal de transparência e mesmo quando não há contas apresentadas, aumentam as desconfianças, vêm os desânimos e cada vez maiores.
   Quando há dinheiro envolvido, seja muito ou pouco, a atitude a ter é, que se trata de dinheiro da comunidade,  um recurso que os mordomos precisam de usar  respeitando os valores da transparência e responsabilidade. É que não há outra forma de organizar uma festa e no fim ter êxito. Fazer as coisas com transparência e não esquecendo as obrigações legais quanto aos contratos de bens e serviços. Dando periodicamente informação, mesmo quando não a pedem, é assunto que interessa a todos, porque agindo nestes moldes tudo é mais fácil de controlar e ao mesmo tempo estamos a fazer as contas aos poucos e com controlo apertado. Gerir bem o dinheiro é não ter medo de apresentar as contas, nada para esconder, porque é tudo claro, assinado e conferido. E sempre que surgem dúvidas, alertas e avisos, é necessário parar para pensar e antes de continuar a ignorar, com o intuito de no fim esclarecer, procurar deixar tudo claro, com o conhecimento de toda a equipa. Ficar calado e não dizer nada, ou, fazer de conta e ficar à espera da próxima escorregadela, é no meu entender, atitude irresponsável, porque o erro, ou a falha, quanto mais depressa se anular, melhor.
   Viver o espírito de mordomo é trabalhar em equipa.
   Ora pensem comigo um pouco:
   Uma Comissão de Festas organiza um baile, procura apoios e encontra. Tudo pronto, divulga o programa, os preços e os objectivos que quer alcançar. Para chamar gente, contratam quem anime e quem cozinhe. Há trabalho, há mesas prontas e espaço preparado para receber os convidados pagantes, pois o fim do baile é angariar dinheiro para pagar a festa mais lá para a frente.
   A festa/baile/caminhada/encontro ou o que lhe queiram chamar, acontece e decorre no local indicado e na data anunciada. Nunca mais se ouviu falar do baile, do dinheiro que conseguiram angariar…quanto dinheiro fizeram??? Só depois de alguns “ais” e “diz-se que…fala-se que” e aparecem as contas, fica-se a saber que a organização, apesar das ajudas dadas, tiveram prejuízos. O que vai pensar o povo dessa freguesia?
   A resposta é simples: “Assim, não vamos a lado nenhum”
   As coisas aconteceram e todos se calaram. Porque se calaram todos? Quem percebeu que tinha havido má gestão, porque não pediram a apresentação das contas?
   Este foi o início do que mais tarde viria a repetir-se?
   O risco de assim acontecer, era enorme! Só não viu quem não quis e nunca quis saber, salvando-se aqueles valentes e corajosos mordomos que bateram a tempo com a porta e saíram.
   Há valores na vida humana que nunca devemos abdicar deles. E agora Malcata?

    

                            José Nunes Martins


30/08/2023

LÁ VAMOS ANDANDO COM A CABEÇA ENTRE AS ORELHAS

 

O importante é um lugar na mesa, não venham pedir
para sentar numa cadeira da Assembleia de Freguesia.

   Na nossa freguesia de vez em quando sente-se algum burburinho sobre algumas situações, obras à vista de todos, desleixos e por causa disso, há certas coisas que se alteram.
   Todos sabem que vai haver sempre pessoas revoltadas por situações que vão acontecendo, umas a favor e outras contra. E isso pode ser por dar a cara e toda a gente fica a saber a sua opinião, mesmo que seja contrária à maioria. Pela minha experiência,
continuamos a pregar no deserto. As opiniões só contam quando vêm dos amigos. Quanto aos outros, como estão fora, continuarão a “chover no molhado” porque a maioria dos habitantes está-se nas tintas e a borrifar para essas merdinhas.
   Por muita razão que haja, aqueles que publicamente dizem o que pensam, ficam a fazer parte da lista negra, passam a fazer parte das ovelhas negras, sempre os mesmos. E claro que quando isso se repete, acaba por desmotivar e transformam-se em “Maria que vai para onde as outras também vão e deixam de ser ovelhas ranhosas.
   Em Malcata ainda há alguns bons exemplos e são a réstia de esperança que me leva a não parar. Não falta gente a viver a sua vidinha, com todo o direito a viver sem se incomodar com os problemas da aldeia. E esta maneira de ver as coisas, faz-me recordar um médico pediatra que acompanhou as minhas filhas durante uns anos. O doutor entrava mudo no consultório e saía calado…era preciso fazer-lhe perguntas para sabermos mais sobre o estado das crianças.
   E é isto que acontece na nossa aldeia, havendo pouco a fazer contra quem silencia e faz caixinha de segredo. Quanto menos perguntas, menos há que explicar e afinal as maiorias absolutas legitimam as decisões que são tomadas e as que não são. Há quem
diga que é a democracia a funcionar e quem manda pode, quem está fora, racha lenha!
   Que importância tem não colocar a bandeira na sede da Junta de Freguesia? Ninguém se importa que lá não esteja! Para que serve uma piscina estragada e sem licença? No estado em que estava, o melhor é fazê-la desaparecer e quem quiser divertir-se dentro de água, basta dar uns mergulhos mais à frente. As crianças que chateiem os avós ou os pais para uns chapadolas na água. E se não estiver lá, acabam-se as chatices com os fiscais; não é preciso arranjar as escaleras da zona de lazer, quem quer ir à praia fluvial tem a outra rua; e qual é o mal em chamar Zona de Lazer em vez de Praia Fluvial? ;  que mal faz o homem pôr a porra do cartaz do café na torre do relógio? Os outros que pusessem também e pronto! Olha que o muro ali até fica bem, vamos ir à fonte e temos onde esperar a nossa vez, mas sentados! Ah, mas aquele rego ali, quando chover muito, no Inverno aquilo ali vai ganhar gelo e alguém vai partir uma perna;  também implicar com uma coisa de nada, um alto daqueles qualquer um passa e vai à sua vida e assim facilita a vida a quem mora nessas casas e quer entrar com o carro sem bater no chão…o mal já está feito, agora deixem ficar assim, a mim não me chateia; olha as cabras que venham quando eles quiserem, podes crer que não fui ainda ver o bardo novo e o que me disseram é que é grande, as cabras vão ter franqueza, dizem que não há pastores, não sei como se vão safar quando lá tiverem as cabras... ele que se amanhem como puderem!
   Rabugento, eu? Não senhor. 
   Falo pelos que não falam e queixo-me pelos que vivem na nossa terra, principalmente os idosos que há muito andam com a cabeça entre as orelhas, alguns ainda não sabem escrever, nem uma cruz no boletim e vão pedir ajuda a quem não devia dar.
   Sendo o mundo assim, anda tudo como dantes e tá-se bem!
                                                               José Nunes Martins