23 abril 2017

NOS E NÓS





   A Junta de Freguesia de Malcata, num documento enviado à Associação Malcata Com Futuro, mas ao qual tive também acesso, fez saber que
“a pedido da NOS e após estudo das possíveis alternativas ( tendo em conta a cobertura, a optimização de recursos existentes – energia, segurança, espaço público e rentabilidade para a Junta de Freguesia de Malcata”, foi depois apresentado projecto à Câmara, à semelhança de outros em várias freguesias do concelho”.
   […a Câmara após análise feita pelo DPUOT, licenciou as obras.
   A NOS iniciou as obras sem qualquer contestação da população, e na boa fé preparou
a colocação da antena de telecomunicações…]
   
   Como já escrevi e demonstrei noutros artigos, o processo da antena já vem desde 25 de Outubro de 2016, data em que o DPUOT enviou para a Câmara Municipal informação rela-
cionada com a instalação das antenas em várias aldeias do concelho. A Freguesia da Bismula, porque não aceitou as condições apresentadas, ficou de fora.
   E em Malcata o que é que se está a passar? De 25 de Outubro a 29 de Dezembro de 2016 não houve tempo para reunir uma Assembleia de Freguesia, ou pedir ao senhor prior
para ler o EDITAL Nº104/2016 onde se publica este processo da antena?
   À Junta de Freguesia de Malcata parece que lhe tinha saído uma cautela da lotaria de
Natal, pois sem nada fazer, a NOS instalava na freguesia uma antena. O mesmo já não
posso dizer em relação aos nossos autarcas dos Fóios, que se mexeram por iniciativa
própria para resolver o problema da deficiente rede telemóvel. José Manuel, o professor,
o nosso “Alberto João Jardim” que enquanto presidente mostrou sempre o sangue raiano
que de criança lhe corre pelas veias, enfrentou os bois das operadoras com o seu forcão
e qual D.Quixote, lutou até vencer: estávamos no ano 2008 e o nosso herói desencadeou um processo para melhorar as comunicações móveis, pois os seus paisanos fojeiros andavam sempre a encher-lhe aqueles ouvidos dizendo-lhe que as chamadas caíam, não eram capazes de enviar uma sms ao amigo e pior era os donos dos restaurantes que não
podiam sair do seu lugar porque o telemóvel falecia e desfalecia e os clientes e fornecedores estavam sempre a dizer-lhe que assim, sem sinal no telemóvel, perdiam
esperança na resolução do problema das deficientes comunicações. A primeira ideia foi conjuntamente com a Aldeia do Bispo, conseguir a antena que servisse ambas as freguesias. Mais tarde, essa ideia foi abandonada e segundo nos disse o “professor”,
por uma questão de economia, acabaram por abandonar essa ideia e decidiram colocar uma antena bastante próxima da povoação, visto que já não seria necessário instalar qualquer PT ( posto de transformação ) que a operadora teria que pagar à EDP.
 
   E voilà! Fóios melhorou as suas comunicações móveis, graças ao trabalho e persistência
dos representantes do poder local. Perante uma dificuldade e uma necessidade, pensando
no benefício comum, os fojeiros e quem os visitar, não se importam nada de ouvir telemóveis a tocar, a fotografar e partilhar por todo o mundo que nos Fóios é que se
está bem a beber água na nascente do rio Côa ou a deliciar-se com boa comida.
  Deixo esta pergunta:
  Tendo em conta a cobertura, a optimização dos recursos existentes-energia, segurança da saúde das pessoas, desvalorização do património particular, terreno público, aprovaria a
instalação da(s) antena(s) noutro local de Malcata (ex: junto ao cemitério e junto ao campo da bola)
sítios com energia da EDP ?
 Em Malcata há muitos que acreditam que os almoços são gratuitos. Mal vai a freguesia que perante as dificuldades e sempre que lhe é oferecido um presente, não haja quem
se interrogue e interpele o porquê dessa dádiva.
   Como sou um homem de fé e crente, não perdi a esperança e sei que um dia os problemas das comunicações no território de Malcata vão funcionar à maneira.
  
                                                                                                       José Nunes Martins
                                                                                                      josnumar@gmail.com

22 abril 2017

A NOSSA TERRA TEM FUTURO





Toda a gente deseja  que uma aldeia tenha vida, pessoas com trabalho, bem sucedidas e com muita esperança no futuro. Está nas mãos de cada um de nós contribuir para um desenvolvimento sustentável da nossa  terra. O sucesso da nossa aldeia é o de todos. O mérito também é de cada malcatenho, da nossa paróquia, das nossas associações e também daqueles cidadãos que têm exercido funções na Junta de Freguesia.
   Na aldeia de Malcata não conheço nenhuma pessoa que faça milagres e o mesmo digo em relação a todas as instituições. Contudo, era bom que não nos esqueçamos ou apaguemos da nossa memória aquilo que era a aldeia de Malcata há 40, 50 anos atrás. E essa é mesmo a pergunta importante que devemos fazer:
   Sabemos o que queremos?
   Queremos uma aldeia que faz jus à sua tradição autêntica de uma aldeia ligada à serra e à floresta, aos  rebanhos e ao cabrito, ao queijo e ao mel ?
   Queremos uma aldeia que aproveita e valoriza uma  albufeira e um parque eólico que proporcionam uma atração invulgar a quem nos visita?
   As infraestruturas existem, mas há muito trabalho por fazer para que a albufeira, a floresta e o parque eólico sejam efectivamente bem aproveitadas e sejam fontes de rendimento.   Para além do paredão, que permitirá a manutenção do nível da água junto ao Parque de Lazer junto à aldeia, a construção de alguns ancoradouros para pequenas embarcações, a construção de um parque de campismo, a melhoria da ASA de Malcata (Área Serviço Autocaravanas junto ao campo de futebol ), são elementos de valorização e de aproveitamento da albufeira, uma beleza natural que ninguém fica indiferente, fazendo de Malcata uma aldeia também voltada para o turismo de natureza, com tranquilidade, com sítios onde dormir e comer um delicioso cabrito assado, um naco de saboroso pão cosido no forno comunitário e uma não menos deliciosa fatia de queijo entregue pela queijaria da rua do Meio.
   Ou então queremos uma aldeia cada vez mais velha, com os seus idosos acomodados confortavelmente num lar e a guardar para si próprios todo o seu saber da vida de Malcata, deixando que todas as suas memórias , ricas em experiências, de conhecimento da vida da aldeia e que desapareça assim como estamos a deixar cair as casas mais antigas, aumentando o número de casas vazias e o silêncio nas ruas porque não há crianças a correr acima e abaixo, nem precisamos de baloiços no parque infantil, uma terra vencida, sem ambição e sem futuro?
   Eu não tenho dúvidas sobre a aldeia que sonho e desejo. E este desejo não começou com aminha participação numa associação, mas aumentou e muito essas minhas esperanças,  porque também acreditam que é possível dar a volta à nossa terra. E mesmo longe, ao longo destes anos, tem sido pelos malcatenhos que continuo a falar e a escrever sobre o passado, o presente e o futuro de Malcata.
   É urgente e importante trabalhar em conjunto, em rede, como dizemos agora. O longe torna-se mais cerca, porque hoje temos ferramentas que nos permitem uma maior aproximação, uma maior colaboração,uma mais rápida sintonia e eficácia.
   Para mim e para muitos malcatenhos, quando a liberdade de pensamento e acção ligada a um associativismo activo, sério, visionário em união com o poder local e os cidadãos, será aquele tão desejado milagre de Abril.
   Este verdadeiro milagre só será realidade quando cada um de nós entendermos e agirmos de forma diferente do passado. O dia de amanhã será bem diferente quando hoje fizer algo diferente daquilo que ontem fiz. Porque se hoje faço o mesmo que ontem fiz, o dia de amanhã será igual ao dia de hoje. Temos que mudar o paradigma e pensar, acreditar, trabalhar para o futuro diferente.

   Vamos acreditar?
   Eu acredito.
  
  
  

  



  

18 abril 2017

O QUE MOVE O PODER EM MALCATA?

 Autor: José Rato


 Autora: Ondília Nabais


Autora: Zita Martins



    É com mágoa e alguma tristeza que  não compreendo a postura da nossa junta de freguesia em ignorar completamente a Exposição Colectiva de Pintura “Pintores Sabugalenses”, que esteve patente na sede da Associação Malcata Com Futuro, na Praça do Rossio, em Malcata, de 26 de Fevereiro a 15 de Abril de 2017.
    Tratou-se de uma atitude reprovável que, a mim malcatenho que sou, tenha recebido a informação que durante este tempo todo a junta não tenha tido tempo para fazer uma visita a este evento cultural.  Os artistas que amavelmente responderam à iniciativa da dita associação, nomeadamente os três pintores naturais de Malcata a saber: José Rato, Zita Martins e Ondília Nabais, bem como os dois artesãos, que a convite da associação, aproveitaram para expor os seus trabalhos, Porfírio Nabais e Isabel Martins e ainda os outros pintores que quiseram participar, lamento dizer isto, mas para mim foi desprezar a cultura e mais uma vez  a junta   de freguesia não soube destrinçar as funções institucionais  e respeito pelos cidadãos que os elegeram.
    É incompreensível que o poder local não perceba que quanto maior envolvimento houver dos cidadãos, seja através das actividades da junta ou das associações locais, mais união e maior desenvolvimento ocorrerá na nossa aldeia.
    E sabendo todos os malcatenhos que as associações, nomeadamente a AMCF, se apresentou com a missão de ser uma associação dinâmica e que se tem esforçado por divulgar o nosso território, as nossas potencialidades e os nossos valores culturais, por vezes através de eventos novos para a nossa aldeia, queira também ter alguma receptividade e apoio por aqueles que têm o dever de apoiar tudo o que seja iniciativa de desenvolvimento.
   Para terminar, só quero deixar aqui escrito que, para além de ser associado da AMCF, sou também malcatenho e sou e serei sempre um malcatenho livre.
   José Nunes Martins
   (João do Carvalhão)
   josnumar@gmail.com

09 abril 2017

A MALCATA DOS 3 AS

ALDEIA RIBEIRINHA
                             ALDEIA EM ÁREA PROTEGIDA
                  ALDEIA AUTOSSUSTENTÁVEL
                             




   A “7 Maravilhas de Portugal”, são responsáveis pela organização do concurso de as
“7 Aldeias Maravilha de Portugal”. É um projecto privado, apoiado por diversos organismos públicos e empresas privadas e este ano 322 aldeias foram aceites nesta prova.
   As regras para seleccionar as 7 Aldeias Maravilha de Portugal são muito apertadas. Este ano, a Junta de Freguesia de Malcata e bem, decidiu participar em duas das categorias do concurso: Aldeias Ribeirinhas e Aldeias em Áreas Protegidas.
   Estes dois grupos têm que ter em conta:
   “As aldeias ribeirinhas são aquelas aldeias que se localizam junto a cursos de água, lagos ou albufeiras e cuja identidade reflecte essa proximidade”.
   “As aldeias em áreas protegidas são as aldeias cujos territórios são delimitados e geridos com o objectivo de conservar o seu património natural, que inclui elementos ecológicos, históricos, geológicos e culturais. As áreas protegidas são delimitadas pelo ICNF”
   Para além destes pressupostos, o Conselho Científico, que é constituído por 49 especialistas, guiou-se ainda por mais quatro critérios:
- Importância e valorização do património da aldeia;
- A sua qualidade arquitectónica, cultural, social e ambiental;
- A relevância das acções empreendedoras, em harmonia com o meio ambiente;
- Preservação e melhoria estética do local.
  
Para a aldeia de Malcata terminou a espera no dia 7 de Abril quando foram conhecidas as 49 aldeias escolhidas pelos especialistas. Apesar de Malcata se ter candidatado a duas categorias, apenas podia ficar nomeada numa.
   Estes concursos são sempre aproveitados para promover e valorizar as aldeias do nosso país. E no meu entender, Malcata apresentou-se com as “armas” que hoje possui. Valeu pela participação, pela oportunidade de promover e divulgar a nossa terra. Vejam que em apenas duas semanas nas redes sociais, foi visto 10.571 vezes e 47 pessoas partilharam com os amigos.
Todos gostaram das imagens e das fotografias e a aldeia ficou mais conhecida. Talvez as imagens aéreas façam nascer a vontade de mais pessoas querem ir conhecer a serra e a Reserva Natural da Malcata, a albufeira da barragem e todo o nosso território.
   Valeu a iniciativa e o que foi conseguido. Sinto que Malcata tem potencial para ir mais além e aqui deixo aos malcatenhos dois desafios:
1º - Conhecer aquelas aldeias que continuam nos grupos das Aldeias Ribeirinhas e das Aldeias em Áreas Protegidas e procurar descobrir o que têm essas aldeias que Malcata ainda não tem.
2º- Trabalhar afincadamente e transformar a nossa terra na
 1ªALDEIA EUROPEIA AUTOSSUSTENTÁVEL.

   Todos os malcatenhos ficámos com uma certeza: Malcata é mesmo uma Maravilha Natural, mas também todos devemos reconhecer que nos falta trabalhar muito para chegar ao topo. É a mim e a cada um de vós, a cada instituição e associação, à junta e à Câmara Municipal que cabe a obrigação de crescer e ir mais além da linha do horizonte. É hora de a nossa geração mostrar que sabe e quer transformar Malcata. Aproveitar o momento e a oportunidade de nos unirmos à volta do mesmo objectivo: desenvolver Malcata.
  
As 7 aldeias que nos deixaram pelo caminhos foram estas:


   " A dádiva fortalece a vida
     o comodismo e o isolamento enfraquecem-na".

                                           Papa Francisco

TODOS POR MALCATA



  
Os ladrões do nosso tempo não são diferentes dos que viveram nos tempos passados: a inveja, o ressentimento, a hostilidade e a vingança. São estes sentimentos e atitudes que nos roubam o tempo, as energias e a vontade de mudar, nos fragilizam e deixam intranquilos.
   Não há que ter medo e viver a vida, com harmonia, com sossego e tranquilidade, com verdade. Colocar de lado o ressentimento, a hostilidade e a ânsia de vingança de cada vez que uma outra pessoa, uma outra instituição, seja ela pública ou sem fins lucrativos, decida discordar, falar, escrever acerca do que vai acontecendo no mundo. Umas vezes concordamos com o que acontece e outras vezes mostramos as razões porque não concordamos e porque faríamos de outro modo.
   A crítica, quando é bem utilizada e bem compreendida, quando é feita como chamada de atenção e deixar um alerta, pode tornar-se numa vitamina saudável. Contudo, às vezes é mal vista, mal interpretada, principalmente se a quem se dirige a considerar uma afronta, uma hostilidade, um ressentimento ou uma vingança.
   Vem isto tudo a propósito de alguns relatos e críticas que eu escrevi acerca de algumas situações que já se passaram e outras que se estão a passar na nossa aldeia.
   Quando escrevo para elogiar ou para criticar faço-o como forma de dar a minha opinião e mostrar a minha vontade em favor do bem-fazer, do alerta para possíveis omissões ou erros (no meu entender é claro) involuntários, esperando sempre que dessa forma obtenhamos resultados melhores, o espírito de cooperação seja cada vez maior.
   Quem tenha nascido em Malcata e passados estes 40 anos de poder autárquico, tenha vivido sempre longe da nossa aldeia, facilmente repara nas mudanças que entretanto aconteceram: iluminação pública em todas as ruas, água nas torneiras das casas, saneamento básico dirigido para uma ETAR, ruas calçadas com cubos de granito, novos arruamentos e algumas alterações noutros, jardins novos, estrada e ponte bem melhor que há 40 anos atrás…e tantas coisas mais que mudaram!   E nós, os malcatenhos também mudámos como mudou o Mundo? Atrevo-me a dizer que alguns mudaram muito, outros assim-assim e também há quem continue como há uma quarentena de anos atrás, apenas viveram mais vezes o mesmo ano, porque os dias são todos iguais, os anos também.
   A verdade é que hoje devíamos ser mais cultos, menos pobres e mais organizados e participativos. Todos e cada um dos malcatenhos estão a viver um momento único da sua história pessoal e da sua história como povo, como aldeia ribeirinha ou aldeia integrada numa zona protegida.
   Malcata tem pela frente o desafio e a obrigação de mostrar ao país que somos um povo unido, capaz, imaginativo e determinado a criar oportunidades de trabalho, de olhar para a serra e ver toda a floresta e não só um pinhal. Olhem para todas as instituições e associações que existem em Malcata, desde a Paróquia e as suas confrarias, a Junta de Freguesia, a ASSM (Associação de Solidariedade Social de Malcata…Lar),a ACDM (Associação Cultural e Desportiva de Malcata) e a ACPM (Associação de Caça e Pesca de Malcata),a Assembleia de Compartes de Malcata e a equipa dos Sapadores Florestais, A ZIF de Malcata e a sua entidade gestora, AMCF (Associação Malcata Com Futuro). Temos a obrigação de crescer para além da Machoca e da Albufeira da Barragem. Malcata precisa de continuar o seu caminho, os elogios e as críticas fazem parte da vida e o importante é não perder a oportunidade de marcarmos a história da nossa terra. Se não queremos ser irrelevantes, está na hora de todos arregaçarmos as mangas e pôr os pés ao caminho. Ninguém pode ficar de fora e todos são importantes.
                                                                     José Nunes Martins