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08/02/2026

UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE ÁGUA


  

 

Vala para a água

  Durante muitos anos, a água que chegava à aldeia não dependia de empresas concessionárias. Vinha directamente da nascente, conduzida por canalização construída pelos próprios habitantes da freguesia e mantida pela Junta de Freguesia.
  A população de Malcata, herdou e habituou-se a ir à fonte das bicas, encher os cântaros de barro com água para beber e no tanque pequeno, enchia os caldeiros, para os animais. Quando faltava água nas bicas, tiravam o ar à fonte para a água voltar a jorrar. Isto acontecia no Verão. 
  Foram os habitantes da aldeia que, a pedido do senhor António Nita, presidente da Junta de Freguesia, nos anos 30 (1935, 1936 e 1937), se juntaram e abriram a vala, carregaram tubos às costas e durante semanas fizeram a obra, construindo um sistema simples e prático, inteiramente comunitário e que nos legaram ao longo de várias gerações e que ainda hoje funciona.
  A aldeia manteve-se independente da rede municipal de abastecimento de água até aparecer a empresa municipal, Serviços de Águas e Saneamento Sabugal. Mesmo assim, quando a barragem do Sabugal foi construída a nossa freguesia, representada pela Junta de Freguesia à época dos acontecimentos, recusou integrar a rede pública que abastece o concelho e optou por proceder à abertura de um furo próprio, com canalização directa desde o local do poço até 
ao reservatório da freguesia. A obra foi realizada e ao contrário do que alguns contavam, todos os consumidores foram obrigados a instalar contadores para registar
 mensalmente o consumo da água gasta em suas casas. Também a vigilância e controlo da água passou
responsabilidade da Câmara Municipal do Sabugal. 
Trabalho voluntário

 A gente da nossa aldeia, ainda que lentamente, aceitou e resignou-se passando também a pagar factura da água, do saneamento e do lixo sólido urbano.
  A fonte das bicas resistiu a todas estas alterações na rede de abastecimento público de água para consumo humano. Ainda continua a jorrar a água vinda da nascente e através das tubagens que apenas foram substituídas uma vez , ouve-se dizer aos mais idosos…
  Na nossa aldeia, a água continua a jorrar na Fonte das Bicas e a descer pelas barrocas que o povo abriu. Cada gota transporta consigo a memória de uma comunidade que sempre lutou de forma silenciosa mas firme, de gente que resistiu com todas as suas forças que atravessou gerações e ainda hoje nos deixam orgulhosos. Foram eles os construtores e os que souberam manter e cuidar da água que bebiam e regava os campos. Saibamos nós ser capazes de continuar a defender a água que se bebe na aldeia, que é nossa e não do município, é da mina construída pelos nossos antepassados e que nós agora não estamos a saber manter e preservar com a mesma vontade que eles tiveram.
  Enquanto houver água na mina, enquanto a população continuar a afirmar que a água da fonte da Torrinha é para ser bebida, porque é nossa, é do povo e não se nega água a ninguém, a nossa autarquia só tem de se empenhar na defesa, manutenção e preservação desta água. Esta é a água e a fonte identitária da aldeia, desde 1937. Um testemunho e um símbolo da autonomia e que ainda
ninguém conseguiu destruir. 


MALCATA: AUMENTO DA FACTURA DA ÁGUA

  

Água um recurso cada vez mais caro



  A chuva, o vento forte estão a fazer estragos por todo o país. Mais uma vez a natureza mostra o seu poder e coloca-nos a todos em alerta constante.

  As pessoas afectadas pelas tempestades estão a ficar cansadas e com receio do futuro imediato, pois sentem-se impotentes e sem capacidade de proteger
as suas vidas e os seus bens materiais.
  Nestas duas semanas os portugueses estão a sentir os efeitos devastadores causados por uma série de tempestades, depressões e descargas da água armazenada nas albufeiras das barragens.
  Isto não é uma guerra, mas os seus efeitos também são arrasadores. Nestas alturas a união da comunidade é extremamente importante. Uma aldeia dividida não é fácil de dominar, mas um povo unido, ganha força e coragem para enfrentar todo o tipo de contrariedades.

  Na última reunião da Câmara Municipal do Sabugal, realizada em 4 de Fevereiro de 2026, a água da rede de abastecimento público foi tema de discussão. A Câmara Municipal apresentou as tarifas para este ano de 2026. Os números que apresentou confirmam que a factura da água vai aumentar. A oposição votou contra as tarifas apresentadas e contra as justificações dadas pelo senhor presidente da Câmara Municipal. Este, justificou-se com as recomendações/obrigações impostas pela APAL-SIM, a entidade que é responsável pela rede de abastecimento público de água ao concelho do Sabugal.
  A empresa APAL-SIM é uma empresa intermunicipal, que integra os municípios da Guarda, Manteigas, Celorico e Sabugal. É esta empresa a responsável pela rede de água para consumo humano nestes quatro concelhos.
  Qual a razão para aumentar a factura da água?
  Quanto tempo têm os equipamentos da rede de abastecimento?
  Em Malcata, quantos anos andaram os consumidores a pagar a água que vinha do furo do Vazão? Portanto, a rede de abastecimento era exclusivamente para a freguesia,  limitando-se às ligações do reservatório até às casas das pessoas. Contudo, andámos a suportar toda a restante rede do concelho e que se abastecia da água da barragem. Recordo também que durante anos e anos, os consumidores pagaram as suas facturas de água aos Serviços Municipais da Câmara do Sabugal. Quem não pagasse, cortavam-lhe o abastecimento ou tinham de pagar com juros. Já ninguém fala da dívida que a Câmara juntou ao decidir não pagar a factura enviada pela empresa que explorava a rede de abastecimento no nosso concelho ( Águas do Zêzere e Côa…), mas a dívida foi aumentando e os consumidores nunca deixaram de pagar a água à Câmara do Sabugal. Para que serviu esse dinheiro recebido dos consumidores se não foi para pagar à empresa? Onde está esse dinheiro? Eu sei que a Câmara assinou um acordo para pagar a dívida…em 15 anos! Mas isso não explica onde foi ou onde está o dinheiro recebido. Ficamos a saber apenas que a Câmara do Sabugal não se livrou de pagar o que ficou a dever. O que isto prova é somente o incumprimento assumido pelo município em relação ao fornecimento em Alta da água para o concelho. E neste acordo de pagamento da dívida há um pormenor que é de grande interesse para a freguesia de Malcata. Consta no documento que a Câmara do Sabugal acordou com a empresa a resolução do problema da Estação Elevatória de Malcata, ou seja, ficou combinado que a ETA de Malcata iria ser deslocada para um local mais afastado da água da albufeira, evitando que todos os Invernos fique submersa de água. Para quem não está a entender do que estou a falar, refiro-me à estrutura que existe no antigo Campinho e que bombeia a água do saneamento (e outras) do Campinho para a vão ETAR do Vazão.
Esta estação elevatória do Campinho devia ter sido construída uns bons metros mais acima do local onde está, afastada do limite de pleno enchimento da albufeira. A situação já se arrasta há duas décadas e nunca foi corrigida. Ora as obras desta deslocação, segundo a Câmara Municipal, ficaram na responsabilidade da Águas do Zêzere e Côa e ser descontadas ao valor da dívida que o Sabugal está a pagar durante 15 anos!
  Voltando ao aumento da água, informo que na reunião da Câmara Municipal do dia 4 de Fevereiro, apenas o PSD votou favoravelmente as tarifas apresentadas. O PS, o Chega e também a CDU, já vieram a público dizer porque não aprovam estes aumentos. Há dias ao escutar a reunião da Câmara de Manteigas, que também pertence à APAL-SIM, fiquei a saber que as Câmaras municipais mantiveram os preços de água mais baixos porque assumiam do seu bolso o excedente dos custos. Foi uma opção dos políticos, só que nunca o assumiram publicamente, talvez com medo de serem castigados nas eleições, aguentaram artificialmente um preço que não era o verdadeiro. Agora, vamos todos de pagar porque o dinheiro que pediram para as obras, tem de ser pago e aqui é que a porca torce o rabo, paga-se com dinheiro, doa por onde doer!  E as desculpas desta vez são por causa das grandes obras que têm de ser feitas…alguém vai ter de as pagar…porque se deixaram de artifícios para esconder o que andam a fazer.
  Dito isto, o que vamos ter a partir de agora,  a política da água tem de ser transparente, verdadeira e sem esconder aos consumidores o que andam a fazer.
O que agora se exige à Câmara do Sabugal é que não esconda o que enda a fazer, se a despesa é para o consumidor pagar, que o diga claramente, explique as verdadeiras razões e não ande a discursar uma coisa e a executar outra. Pelo menos o Presidente da Câmara de Manteigas assumiu que foi um erro dos anteriores executivos e agora há que assumir as responsabilidades, custe o que custar, não vão poder continuar a omitir informação.
  A água pode ficar mais barata? Pode, basta que se administre bem a APAL-SIM.
  Lembro que a rede de abastecimento e saneamento em Malcata já está velha, cansada e com muitos remendos.
  Nota: na factura da água estão também as tarifas de saneamento e lixo.
  Dizem que a subida é inevitável.
   É bom recordar que se “pode enganar todas as pessoas por algum tempo e algumas pessoas durante todo o tempo. Mas não se pode enganar todo o Mundo por todo o tempo”

31/01/2026

SABUGAL : SEM MÉDICO DURANTE O DIA DE HOJE

   

O aviso voltou este domingo ao 
Centro de Saúde do Sabugal. 






 É com tristeza e preocupação que leio estes avisos nas redes sociais. O Centro de Saúde do Sabugal ultimamente encontra-se de portas fechadas, com um aviso afixado na porta principal a avisar que das 8H até às 20H está sem atendimento a emergências.   O aviso já não espanta quem ali chega e bate com o nariz no vidro. O que me surpreende é a apatia dos senhores governantes do poder local, isso sim surpreende e magoa tanta ligeireza como estão a tratar da saúde dos habitantes deste território.

Sei que o assunto não é da responsabilidade do Município, que o Município não tem e não pode (segundo os senhores ) interferir no funcionamento daquele “departamento” que a ULSGuarda tem que gerir e manter em funcionamento.

É uma tristeza. E o povo do Sabugal vive feliz e contente,  não é para preocupação, se chegar à porta do Centro de Saúde e estiver fechada a porta, paciência, volta-se para casa com as mesmas dores e menos uns euros na bolsa. Coitados, se calhar os doutores e os enfermeiros foram chamados para acudir aos de Leiria, esses coitados, esses é que estão a sofrer…
E assim andamos, não se grita, não se exige o cumprimento do dever de cuidar da saúde do cidadão. Arranja-se sim a troco de pagar o que é um direito básico ao mais comum ser humano.
Para que sonham em multiusos e coisas grandes, quando as pessoas fogem das terras que não lhes asseguram os serviços de saúde básicos? Tudo será brevemente encerrado e algum nem aviso na porta. Compreendo o aviso, mas não aceito que o afixem tantas e tantas vezes ali e só na porta que está tão distante de Malcata, de Inguias ou Bendada…deixem-se de subsídios que não resolvem o problema e apenas enche os egos pessoais. Saúde é uma necessidade, não é luxo, não é a fazer de conta que me dói um dente ou um dedo da mão.
Quando é que o povo se mobiliza a sério?
Onde estão aqueles senhores que anunciaram a chegada de novos médicos ao Centro de Saúde do Sabugal, a quem lhes foi oferecido casa e mais regalias?
Será que a saúde não importa?
O Sabugal e todos os residentes e visitantes do concelho necessitam de Serviços de Apoio Permanente aberto 24 horas. 
Deixem de ser mesquinhos e egoístas! Muitos não têm dinheiro para usufruir de serviços de saúde em estabelecimentos particulares ou de meios de mobilidade próprios, são idosos, sem carta de condução, sem forças e sem saúde…

24/01/2026

PRESERVAR A TRADIÇÃO DA MATANÇA DO PORCO

 

Desmancha do porco em Malcata
(Tio Manel Augusto, avô João Pires e Carmo, minha companheira)

 A Associação Cultural e Desportiva de Malcata, na freguesia de Malcata, organizou para amanhã, 25 de Janeiro de 2026, mais um almoço convívio, (matança do porco).
 Neste almoço é o porco o rei da ementa, a fazer lembrar as matanças. O cartaz limita-se a publicitar o almoço e claro que está subentendido que os participantes poderão saborear pratos associados à carne do porco. O programa é omisso e não revela qualquer animação ou actividade para além do dito almoço convívio entre os participantes. 

 Mais uma almoço que se destaca apenas pelo ajuntamento de algumas pessoas que a organização aceitou durante o prazo de inscrição.
 O foco desta actividade está bem longe da tradicional matança e da preocupação na preservação cultural da matança do porco. Ao valorizar o convívio de comer carne de porco, a convite da associação, nada tem de especial, pois em qualquer altura do ano se pode comer carne de porco. Sim, é verdade que valoriza o convívio entre as pessoas que participam e a associação quer mostrar que está a defender e a preservar as tradições da matança. Estará mesmo interessada em lutar pela preservação da tradição? O convívio à mesa é sempre bom e deve ser sempre cultivado. Preservar, valorizar, enaltecer, divulgar os saberes e sabores da matança à moda da nossa aldeia, é muito mais trabalhoso e exigente, tanto na sua preparação como na apresentação e realização no dia combinado. Assim como vai fazer a ACDM, é pouco ambicioso e perde-se a oportunidade de transmitir às gerações do futuro uma tradição que nos foi legada pelos nossos antepassados (avós, pais). Porque uma matança do porco não é apenas comer carne de porco. E a associação, que tem nos seus estatutos defender, preservar, valorizar a cultura e o desporto, preocupa-se somente em juntar os sócios e não sócios para conviver e comer.
 É claro que para comer e conviver, num evento que junta pessoas de todas as idades e que até vêm de vários pontos do país para comer e conviver umas horas, a sala tem enchente garantida.
 A mim o que me deixa preocupado não é o almoço e as pessoas que nele vão participar. O que me deixa um pouco triste e cabisbaixo é verificar que as tradições que são a minha identidade com a aldeia onde nasci e cujas tradições vivi na minha infância com os meus familiares, vizinhos e todos os habitantes da aldeia, se esteja a desvalorizar, a aligeirar e a esquecer
toda a sua autenticidade. É por isto que participar num mero almoço convívio, que se pretende “colar”, “fazer crer”, que se está a preservar e a recriar a matança do porco de antigamente, teria que haver momentos bem mais ambiciosos e diferentes dos que estão no programa de amanhã. Mesmo com as imposições das leis, mesmo que o “marrano” tenha que ser abatido no matadouro autorizado, todos os passos seguintes da matança tradicional podem e devem ser feitos. E são tantos os passos da matança que dão para os participantes observar e até viver a experiência única de ajudar a “grande família de Malcata” a preservar a tradição da matança. Pegar na palha para queimar a pelugem, com a ajuda da carqueja ou de uma pedra, esfregar a pele do porco ao mesmo tempo que lhe deitam água quente em cima, entregar um troço enrolado de palha a um dos forasteiros, para ele levantar o rabo do animal e proceder à limpeza interna…ou então introduzir um par de unhas do animal, no bolso do casaco do emproado e distraído e soltar umas gargalhadas quando ele metesse as mãos ao bolso…ajudar a levar aos ombros o porco para ser pesado com a roldana e segurar no chambaril que o  vai sustentar de cabeça para baixo, por dois ou três dias…e a desmancha?
 Ah, isso é coisa de homens. E as mulheres ficam a ver? Calma Manel, sossega que para as mulheres não ficarem a olhar os homens a trabalhar e a rir, para elas e as filhas, está uma tarefa diferente, mais delicada e com responsabilidade muito grande. A tarefa das mulheres é acompanhar as Marias da aldeia até ao ribeiro e ajudar a lavar as tripas…enquanto outras ficam na cozinha da associação com a tarefa de olhar e aprender a cozinhar nas panelas de ferro.
 E isto que acabo de lembrar é apenas parte da matança do porco, à moda dos nossos antepassados. A desmancha, por exemplo, é também uma parte importante da matança. O pegar na “enchideira” e na tripa numa mão e com a outra cheia de carnes, enfiar tripa abaixo até cima, atar o baraço e sorrir pelo ter conseguido encher uma morcela, chouriça ou mesmo um “colhoto”…
 A matança dava muito trabalho. E preservar a cultura popular também.
 Vale a pena pensar nestas tradições, nos convívios e nos valores que as tradições têm na identidade cultural e social da nossa terra.
 Com um programa cultural como o que descrevi ou mesmo mais bem pensado ou até aligeirado, a freguesia de Malcata ganhava outra importância e a união e entre ajuda contribuiriam para a transmissão destes princípios de vida aos malcatenhos vindouros.
 Para comer carne de porco, fico-me por aqui, que diga-se a verdade, os rojões de porco à moda do Minho, estavam no ponto!
 Bom apetite para amanhã.

22/01/2026

VIVER A VIDA SEM PASSADO NÃO PRESTA



 Não deixem que o passado se apague, devemos todos fazer alguma coisa para que tal não aconteça. E essa luta não a podemos atirar para cima das costas da Junta de Freguesia. Há pessoas na aldeia, logo há cérebros e inteligência humana. Por isso, as pessoas de Malcata devem manifestar e exigir o que é melhor para todos, para os filhos e netos.

 Veja-se alguns exemplos de investimentos de milhares de euros, dinheiro de todos nós, e que resultados estão à vista?  O alojamento local instalado no antigo quartel da Guarda Fiscal, o rebanho das cabras sapadoras, dois empreendimentos avultados e importantes para o desenvolvimento económico e social da nossa terra. Alguém sabe como estão, como funcionam, quem os procura? Poucos estão informados e parece que também não lhe dão importância. Há muito a ganhar e Malcata tem muito a ganhar se as pessoas de Malcata mostrarem interesse em ganhar e dar a ganhar.

 

21/01/2026

MALCATA : LUGAR ÀS TRADIÇÕES DA MATANÇA

 


No dia 25 de Janeiro, próximo domingo, a ACDM (Associação Cultural e Desportiva de Malcata), vai realizar um Almoço Convívio centrado na Matança do Porco. A poucos dias do evento, com toda a certeza, já alguns associados estão a tratar do que há a tratar, e bem, porque preparar um almoço para muitas pessoas é sempre trabalhoso, ou seja, precisa-se de tempo e muita loiça para bem servir. E quando a associação convida, há que receber bem.
 O convite é claro, convida-se para participar um almoço de convívio, com comida e boa disposição. Não se exige ou pede colaboração para ajudar a queimar o marrano com palha ou lavar a pele do bicho com água aquecida. Essa tarefa já está atribuída a um grupo e eles e elas tratam de todas as coisas, aos convidados basta reservar o lugar à mesa e sentar para comer.
 Ora assim sim, é um almoço convívio, festivaleiro e a matança é mesmo o que menos interessa…o que não deixa de ser engraçado e preocupante diria eu! É claro que para os participantes o que importa é haver o que comer, mesmo que seja a pagar, é pelo convívio que ali vão. Bem, mas por onde estou eu a caminhar a escrita? Valha-me Deus, os almoços das matanças, mais chamados “jantares” davam cá uma trabalheira à minha mãe, vou-vos contar, a pobre mulher acabava tão cansada, mas contente por tudo ter corrido bem e já tinha sustento para o ano.
 A nossa vida às vezes dá voltas e reviravoltas e por muitas coisas que aconteçam, regressamos aos momentos onde fomos felizes. E a época das matanças, ainda agora, chamam muita gente quando se anunciam.
 Mas quem liga à matança do porco? Quem se dispõe a percorrer quilómetros de estrada para comer carne de porco? Quem no seu juízo perfeito valoriza a matança tradicional, a que agora envergonha e em vez de preservar o que defendem é esconder, suavizar o que antigamente era como pão para a boca, era a regra da boa sustentabilidade familiar? Todas estas perguntas não existiriam se as pessoas fossem convidadas a participar numa matança tradicional, daquelas cenas da nossa aldeia que se matavam porcos todos os dias, durante uma a duas semanas não se fazia outra coisa, matança hoje na casa da Ti Irene, amanhã era o Ti Manel, depois a da Benvinda, a da Ti Rosa, do Ti Quim Triste…ia-se ajudar para ser ajudado. E depois do trabalho, então sim, era hora do jantar e do convívio.
 Hoje organizam-se almoços de convívio, não se diz que primeiro há trabalho para se fazer, carne a aprontar e que vai ser para comer fresca, logo assada na brasa só com umas areias de sal grosso e em cima do naco do pão, meter na boca, mastigar e beber para ajudar a ir… cheiro a carne por todo o lado, pele queimada, unhas negras e rabo esfolado, mas o bicho bem lavadinho e limpo pelo troço da couve, levado por quatro homens que antes de o pendurarem no chambaril, deve ser pesado e bem pesado com a balança “romana” essa barra de ferro com umas marcas e um peso, sem grandes instruções de uso, mas certeira para revelar as arrobas do marrano.  
 E isto é só uma pequena parte do trabalho que dava uma matança tradicional! Portanto, um almoço convívio como o de 25 de Janeiro, não tem nada a ver com a tradição da matança do porco! As tradições e os usos dão muito trabalho, mesmo quando se trata de demonstração, recriação! No almoço convívio não se ensina quase nada sobre a matança, está tudo morto e pronto à mesa, é só comer. Já me imagino um garoto a perguntar ao avô o que era a matança dos tempos quando andava na escola e ele simplesmente lhe responde que era a vida, era preciso matar o porco se queriam comer carne e agora, se o neto quiser saber mais, que abra a janela do computador e espreite com atenção, lá ensinam tudo, até dizem como faziam a matança!!!!
 Pois é meus caros, a pressa da nossa sociedade é inimiga da tradição. Por isso mesmo e porque não se preserva a tradição da matança, não sou eu que me meto à estrada para participar num almoço convívio, mais uma das actividades habituais organizadas por uma associação cultural…mas na verdade a cultura não é da mesma casta que eu conheci. Estamos a caminhar para o esquecimento da tradição genuína e que representava a essência do nosso povo, identificava os costumes e os usos e esses valores de convívio e entreajuda só se encontram e sentem cada vez que há celebrações nesse sentido e com esse propósito de continuar a mostrar as nossas raízes, as nossas identidades e o nosso amor aos nossos antepassados, à nossa terra.
 Eu tanto gostava de estar a escrever sobre o trabalho árduo mas essencial, do programa das actividades culturais da associação e o seu objectivo de promover e preservar a cultura dos malcatenhos, tenho que me contentar pela divulgação habitual de mais um almoço convívio em Malcata. Bom almoço para todos! Deixo aqui o cartaz:





 


 

 

OS SEGREDOS DA SUSTENTABILIDADE DAS FAMÍLIAS DE MALCATA

  

          Foi durante séculos um dos pilares
   da sustentabilidade económica de muitas famílias.

O marrano era também porco

 

 
A matança do porco era uma tradição que se fazia em muitas aldeias do nosso país. Por várias razões e mais alguma que eu não sei, esta tradição, pelo menos em Malcata, está a desaparecer. Agora já se contam pelos dedos de uma mão as famílias que ainda criam porcos para a matança. As facas para matar o porco ainda existem à venda. Mas a tecnologia também já chegou ao povoado, até o chamuscar do animal deixou de ser com palha e agora usam um maçarico a gás que tosta mais depressa os pelos e para o lavarem, ainda não vi usar aquelas máquinas de lavar automóveis, mas se calhar estou enganado e já se lavam os porcos como se lavam os automóveis, sem sabão mas como muita água e a sair com pressão para limpar de vez sem esfregar com carqueja ou pedras.

 Eu em criança nunca gostei de ver ou ouvir o porco a morrer. Outros garotos faziam a festa logo pela manhã, brincavam e entretinham-se a segurar o porco pelo rabo…não fosse ele fugir.
 O período das matanças eram dias e dias a comer e a fazer o mesmo. Os homens e as mulheres já faziam aquilo de olhos fechados.
 Hoje a lei já permite a realização da matança. Claro que há regras a respeitar e as autoridades andam vigilantes, as associações de defesa dos direitos dos animais também espreitam estas épocas para se dar a conhecer.
 Em Malcata, há é a necessidade de defender melhor esta tradição, mesmo que com as alterações a que a lei faz referência, hoje é possível reviver o espírito da tradicional matança do porco.
 E embora a matança já não signifique o arrecadar da carne para o ano inteiro, as pessoas continuam a gostar da carne de porco, das morcelas, chouriças e presuntos. Outras iguarias são também apreciadas, como os rojões, o cozido português, o vinho, um entrecosto grelhado e claro a festa. 
 PS: enviem as suas histórias sobre o tema.

18/01/2026

QUALIDADE DA ÁGUA EM MALCATA

    ´

      ÁGUA DA FREGUESIA NÃO É TOTOLOTO!
              Pode estar em risco
                  a saúde pública.
                
 


Reservatório de água


 As pessoas que residem permanentemente na nossa aldeia, devem mostrar maior interesse e preocupação pelo que vai acontecendo na freguesia, por exemplo, sobre a água da rede pública que abastece a aldeia.

 A água nem sempre se encontra nas melhores condições de ser consumida pelas pessoas e animais. O ano passado ficou marcado pelo corte da água da rede. A presença de coliformes e outras bactérias associadas, puseram em risco a saúde dos consumidores. A empresa que faz a gestão da rede de abastecimento viu-se forçada a difundir um aviso a proibir o consumo de água da rede, nem mesmo fervida, devia ser utilizada para confeccionar alimentos! As queixas foram aparecendo e algumas pessoas manifestaram publicamente os problemas por que estavam a passar ou passaram e nunca os associaram à água da rede pública. Foram precisos vários dias e duas análises para ser reposta a água nos canos da rede pública. Felizmente que a Junta de Freguesia se preocupou com a situação e tudo fez para resolver favoravelmente a situação. Foram dias difíceis e de grande preocupação para todos. Agora que a água já corre na rede há quatro meses, alguém já quis saber sobre a qualidade da água que agora está a consumir? A APAL-SIM, empresa responsável pelas redes de água pública no concelho do Sabugal, tem no seu calendário anual, a obrigatoriedade de efectuar recolhas de amostra da água e enviar para análises trimestralmente e deve publicar os resultados obtidos e caso necessário, agir em conformidade. Ora como o quarto trimestre já passou, já os consumidores deviam ter acesso aos resultados das análises que fizeram. Visitei o site da APAL-SIM e a Zona de Abastecimento de Água na nossa freguesia não consta o último trimestre de 2025, o trimestre posterior ao período da contaminação. E já se
deviam conhecer as análises que incluem os últimos três meses do ano passado! A ausência de informação deve deixar as pessoas da nossa freguesia em alerta, pois é importante conhecer as análises á água da rede.
 Já agora, quem sabe a proveniência da água que abastece actualmente a nossa aldeia? Eu lembro que, em Setembro de 2025, foi afirmado e confirmado por escrito, que a nova adutora (conduta) de abastecimento de água até ao reservatório da Rasa, estaria para muito breve, estava somente à espera da chegada e respectiva montagem do contador da entrada de água no reservatório! De Setembro de 2025 ao dia de hoje, passaram mais de 90 dias.
Qual é o Local de Abastecimento da água da rede pública que se consome na freguesia de Malcata?
 É dever, do poder local e da APAL-SIM, prestar esclarecimentos aos cidadãos.
 Nota: ainda não está disponível o resultado das análises da água da rede pública, da Zona de abastecimento de Malcata, relativa ao quarto trimestre de 2025. E é preocupante verificar que o quarto trimestre do ano de 2025 se seguir o caminho dos anteriores boletins de análises de 2024, só estarão visíveis e para consulta no Site da APAL-SIM em Março de 2026... digamos que é tarde demais para a divulgação dos resultados dos meses de Outubro, Novembro e Dezembro!
 

10/01/2026

ASSEMBLEIA GERAL DA ACDM - Malcata

   


 No próximo dia 24 de Janeiro vai realizar-se a Assembleia Geral da Associação Cultural e Desportiva de Malcata. A convocatória já foi publicada nas redes sociais. É a oportunidade dos sócios interessados em cumprir o seu dever cívico de associado, como os Estatutos determinam. Não era e não é fácil a muitos sócios deslocarem-se às Assembleias, mas deixo aqui o apelo aos que se encontram nas proximidades do concelho do Sabugal ou os que vivem na nossa terra, para pensarem na sua participação, pois é importante para o futuro da Associação que assim aconteça. O lugar da assembleia é no sítio do costume, não precisam de ir no comboio ou transporte público, chegam lá mesmo a pé e rápido.

 A participação dos sócios nas assembleias é importante e é sempre um contributo positivo para continuação da associação de portas abertas. É nestas ocasiões das assembleias que se reforçam os conhecimentos e os debates dos assuntos em discussão e muitos outros que apareçam. Tudo e todos juntos contribuem para o debate, o esclarecimento e ajudam na resolução dos problemas e dos programas futuros.
  Nesta assembleia de Janeiro vão estar na ordem de trabalhos pontos importantes para a associação. A apresentação das contas do ano que passou e a sua aprovação; segue-se a apresentação, votação do Plano de Actividades para 2026 e termina com aqueles assuntos que os sócios acharem por bem discutir.
 Eu, pecador confesso e assumido, sei que não tenho sido bom exemplo como sócio e estou em falta no que diz respeito ao pagamento das quotas anuais. Tenho as minhas justificações e não vou estar em pessoa na reunião agora anunciada para Janeiro. A verdade é que nunca me foi solicitado que procedesse ao meu pagamento. Também é verdade que nunca me perguntaram se havia ou existe alguma razão para não regularizar a situação. Sou sócio não pagante e não participante nas assembleias e nas actividades que a associação vem fazendo desde 2016, sim já vai para dez anos. Muitas coisas mudaram e muita água já passou por baixo da ponte. Também ultimamente nada muda porque nada se faz para mudar ou acrescentar, pois as actividades anuais que são aprovadas repetem-se todos os anos e não espelham as tradições, os costumes e os saberes malcatenhos, valores que nos legaram os nossos antepassados. Quando decidirem caminhar juntos por outros caminhos e para alcançar outros objectivos que promovam a freguesia, a sua cultura e desporto, podem convidar e irei.
 Bom ano para todos. 

09/01/2026

O MAIOR REBANHO DE CABRAS NA SERRA DA MALCATA

 

   


Rebanho na Malcata
 (Foto JFM)

  Será que em Malcata já se falou sobre a necessidade de haver cabras nos montes?
  Há poucos dias, nos finais do ano passado, surgiu a notícia que as cabras estavam de regresso à serra da nossa aldeia. E o anúncio veio acompanhado de algumas fotografias do novo rebanho. Ora as cabras para os malcatenhos não é novidade, pois noutros tempos as cabras eram um dos sustentos para as famílias. Por isso, pelo menos duas ou três cabeças era o habitual ver nas lojas. A notícia é importante por causa do número de animais que chegaram ao mesmo tempo, são muitas cabeças e realmente pelas imagens o rebanho ultrapassa a centena de exemplares. As tão faladas cabras sapadoras finalmente instalaram-se no novo curral/bardo que a Junta de Freguesia mandou construir nos terrenos dos baldios da aldeia.
  É provavelmente o único rebanho na nossa freguesia. Já dá para perceber que vão dar muito trabalho aos pastores e outras pessoas da nossa terra. A grandeza do rebanho, para além do número de cabras, está plasmada no enorme potencial que ainda está por explorar. E gerir bem é meio caminho para alcançar os objectivos pretendidos com o projecto em causa. Estão feitos os primeiros passos para que se faça renascer a pastorícia.  E isto faz-me recuar aos meus tempos de escola primária, que era normal encontrar o pastor com o seu rebanho pelas ruas da aldeia a caminho dos montes. Via cabras nas ruas, nos lameiros, nas bermas dos caminhos a devorar silvas e ramalhos e se havia petisco que elas apreciavam, era roubar de vez em quando umas folhas de couve ou nabo do chão do vizinho.
  Quando apareceram as empresas de celulose a fazer plantações lá para os Alísios, a Machoca, os Forninhos, Espigal, Chãos da Serra, parece que trouxeram maus ventos, foi uma debandada de pessoas, animais, desapareceu a agricultura e as pastagens nas clareiras dos pinhais, tudo ficou plantado com espécies novas e da mesma família das resinosas, mas cresciam muito mais em direcção aos céus. Foram plantados milhares de pinheiros, bem alinhados e com bons caminhos para as máquinas das limpezas. O que ninguém vislumbrou foi o que se seguiu anos depois. Os pinhos cresceram, foram bem mantidos e por lá se desenvolveram e desenvolvem. O pior foi o restante da floresta, dos bichos e dos humanos. Nos pinhais não cresceu e não cresce quase mais nada, o que havia foi sendo engolido, o solo está cheio de caruma, pinhas e pequenos arbustos, os coelhos deram à sola e os gatos bravios e linces, os lobos e as raposas não se ficaram a rir, abalaram também porque não tinham o que comer. Os humanos foram empurrados para fora da serra porque era mais importante preservar o habitat natural do lince ibérico. Qualquer tentativa de cultivo ou intrusão na floresta natural da serra, era castigada com repreensões e desagrados. O mato foi crescendo ao lado dos pinhos e das giestas. Os carvoeiros foram embora e partiram para a França, lá eram mais bem pagos e reconhecido o seu trabalho. Tudo foi caindo e morrendo, esquecido e o povo voltou as costas à floresta.

  Agora, quando olho para as imagens deste rebanho, já me estou a ver a comer queijo com pão. E estou a sonhar com aquele queijo fresco, de dois dias de cura, feito em casa, com a coalhada dentro do acincho e o soro a escorrer pelo bico da francela até cair no alguidar. Esse é que é o verdadeiro queijo fresco, feito de leite e algum cardo, sem farinha, mas com algumas pedrinhas de sal grosso. Quem não tem essas imagens na cabeça e a boca a salivar, nunca passou pela boa experiência do que é comer queijo fresco. E é disto que fico à espera de um dia voltar a experimentar. Eu ficarei satisfeito e quem estivar comigo, sentirá que vale a pena consumir produto bom, genuíno e além da excelente qualidade e sabor, alegra a comunidade, aconchega o estomago e faz aumentar a autoestima de todos.
  As cabras, os que as tratam e cuidam, são por isso importantes em todo esta fileira da pastorícia.
  Acredito que o rebanho das cabras serranas pode alterar a vida das pessoas que residem na nossa aldeia. É um projecto que a nossa gente tem de acarinhar, valorizar e estar disposto a colaborar no crescimento desta empreitada. Que ele seja uma das alavancas do desenvolvimento sustentável e da criação de uma rede económica baseada na ideia da economia circular.
  Deus ajuda sempre, nós é que temos de fazer a nossa parte.
  Vamos lá apoiar as cabras e os pastores.