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18 janeiro 2019

CIDADANIA PARTICIPATIVA PRECISA-SE

Concerto de Natal 2018, igreja de Malcata


   A nossa aldeia deveria ser o orgulho de todos os malcatenhos e defendida como se fosse o nosso jardim de eleição entre todos os outros das outras aldeias do país.
   Cada roca tem o seu fuso, lá diz o povo. Eu diria que cada aldeia tem o seu próprio jardim, isto é, a sua própria história, os seus usos e costumes, o seu quintal mais bem arranjado e que todos gostam.
   Como acontece com os jardins e os quintais, quando não são devidamente cuidados, quando não colocamos amor e dedicação no nosso quintal, estamos a colocar em risco de perdermos o que resta da nossa terra, porque a estamos a abandonar à sua sorte. Malcata não está morta, mas está cada vez mais frágil, desprotegida, deserta de gente culta e trabalhadora.
   Constato que durante estes últimos anos, com muita tristeza e preocupação, que em Malcata reina o desconforto e o alheamento da participação das pessoas no que a eventos culturais diz respeito. Sinto que poucos são os interessados em participar nos vários eventos culturais que se vão realizando na nossa freguesia. Uns porque não lêem os cartazes distribuídos pela aldeia. Outros porque não têm computador, não têm telemóvel e muito menos internet. Mesmo quando se tem o cuidado de enviar ao pároco da freguesia o aviso dos (s) eventos culturais de pouco adianta, não se inscrevem, não participam e escolhem viver com o que já sabem!
   Expliquem-me por que razão ao longo destes últimos anos, sempre que se organizam eventos de diversão, de tradição sazonal (matança, festa da carqueja, baile de São João e Fim de Ano, etc.), a adesão e participação é tão alta? E mais me espanta as pessoas participarem em determinados eventos, quando a maioria da população residente na aldeia nem sequer foi informada da realização dessa actividade lúdica e com alguma cultura popular. Às vezes dou comigo a interrogar os meus botões em voz baixinha, que área cerebral, gustativa e olfactiva possui alguns malcatenhos ou que “cenoura” os atrai e deixa-os felizes e contentes.
   Todos conhecemos a frase que diz “Nem só de pão vive o homem”. E voltando ao nosso quintal (Malcata), há que cuidar dele com alegria, com amor e com sabedoria. Saibamos todos dar as mãos, uns com uma ferramenta outros com outra. Bom ano 2019.
  

02 dezembro 2018

MALCATA: A FOGUEIRA DE NATAL ESTÁ A PERDER CALOR

  O Natal na minha aldeia sempre foi presépio grande na igreja e uma grande fogueira no adro da igreja. Ainda hoje se mantém essa tradição. A fogueira lembra-me a preparação para enfrentar o frio e a chuva do inverno rigoroso que se sente, mas também um velho costume que cabia aos jovens arranjarem a lenha para a fogueira. Acendia-se antes de começar a Missa do Galo e depois era ao seu redor que ali ficavam as pessoas a cantar, a comer e beber, principalmente jovens rapazes e homens. O ano passado observei durante algum tempo a construção da fogueira. Já não é como era, deixou de ter graça e passou quase a ser uma obrigação assumida pelos mais adultos, talvez para não deixar desaparecer a tradição da fogueira de Natal. Os jovens são ou não desafiados a participar na montagem da fogueira? Não compreendo a sua ausência e o seu pouco interesse em manter esta tradição.
   Antigamente juntavam-se os jovens e alguns, mas poucos adultos, manhã cedo, lá iam com os carros puxados com juntas de vacas em busca da lenha para a fogueira. O malcatenho José Rei escreveu no seu livro Malcata e a Serra esta passagem:
     "Noutros tempos competia aos mancebos que já tinham ido à inspecção militar arranjar os madeiros para a fogueira e garantir que a mesma ardia até ao nascer do sol. Habitualmente, os madeiros (grandes troncos e raízes de castanheiro) eram colocados no adro da igreja com antecedência, sendo a lenha de atear arranjada ao fim da tarde da noite da consoada. Uma vez que a lenha escasseava, quando a hora de fazer a fogueira se aproximava, os donos das casas tratavam de acautelar os paus que tinham nos currais, deixando apenas à vista o molho de lenha, palha ou carqueja que queriam dar. Caso o dono da casa não deixasse contributo, podia haver retaliações gravosas. Casos se contam em que foram arrancados portões de madeira, roubadas e queimadas cancelas, charruas e arados, assim como abatidas cerejeiras e nogueiras, árvores estimadas. A rapaziada também não admitia que alguém se assomasse à janela e ou viesse à porta. Quando tal acontecia, retaliava à barrocada
 
(pedrada)." José Rei defendia que "esta forma estranha de louvar o Menino Jesus integrava uma espécie de ritual de passagem dos mancebos para o estado adulto. Mostravam eles a sua força e determinação substituindo as vacas dos carros. Eles próprios puxavam o carro das vacas".
   Hoje, os reboques e tractores são conduzidos pelos seus donos e o trabalho faz-se num dia. Carne assada, pão e vinho ainda hoje ajudam a terminar a montagem da fogueira.Com o andar das coisas, a fogueira na véspera do dia de Natal terá o mesmo fim que a ribeira e os moinhos.
                             José Nunes Martins
                              
josnumar@gmail.com

MALCATA: CONCERTO DE NATAL EM DEZEMBRO



   O ano 2018 está quase a terminar os seus dias. É um sinal que o 25 de Dezembro está a chegar e o Natal também.
   Quem vive numa das nossas aldeias do interior profundo quase não dá pela proximidade desta quadra festiva. As pessoas que habitam nos meios urbanos já há uns dias que ao andar pelas ruas das cidades notam que há muito mais gente a ver montras mais atraentes e mais iluminadas, as músicas de Natal e os vendedores de balões seguram por fios o homem das barbas grandes e brancas antes que ele decida dar uma voltinha. Não faltam as passadeiras vermelhas ou verdes a convidar os clientes a entrar e a gastar, a provar uma fatia de bolo-rei, ou bolo-rainha, pois porque até nestas coisas não pode haver desigualdades. Bem, a verdade é que ambos são deliciosos para os apreciadores de doces.
   Para Malcata vão muitos de nós que por variadas circunstâncias da vida, vivemos e trabalhamos longe da nossa terra. Continuamos a gostar de ir passar o Natal junto da família. Este é o grande motivo para irmos até Malcata.
   E o que tem Malcata para nos oferecer neste Natal, o que há diferente dos outros dias de Dezembro?
   Iluminação nas ruas principais da nossa aldeia? Alguma árvore de Natal gigante e bem iluminada?
   Não sei se algum destes cenários irei ter a oportunidade de ver e admirar. Um dia, quem sabe no próximo ano, as ruas da aldeia respirem luz e mais luzes e muitas famílias a ver o festim.
   Este ano em Malcata vamos poder assistir a um concerto com músicas alusivas à quadra festiva. A convite da A.M.C.F (Associação Malcata Com Futuro), a Academia de Música e Dança do Fundão vai animar os corações de todos nós. No dia 7 de Dezembro, depois da missa, aí pelas 19H30, na Igreja Matriz de Malcata terá lugar o I Concerto de Natal em Malcata. O programa está divulgado por diversos lugares e meios de comunicação social. Vozes, acordeões e saxofones bem afinados oferecerão melodias alusivas ao Natal que vale a pena ouvir. A entrada no concerto é gratuita e os artistas vêm com vontade de surpreender.
   Sei que não é obrigatório ir assistir ao concerto e ficar em casa é sempre uma escolha vossa. Como o Natal é tempo de partilha, de receber e oferecer presentes, ir até à igreja de Malcata ouvir um grupo de coralistas e dois grupos de músicos é outra escolha. Para mim é uma boa escolha, um bom motivo para sair de casa nesse dia 7 de Dezembro. E este ano quando se encontrar com amigos e familiares tem novidades para contar…
  
  


                                                                                       José Nunes Martins
                                                                                        josnumar@gmail.com

12 novembro 2018

A IMPORTÂNCIA DA TOPONÍMICA EM MALCATA


  


 
   É na Praça do Rossio que tem início a Rua da Fonte. Continua a ser a rua mais longa da aldeia, mas não a mais habitada como já foi noutros tempos. É a rua mais movimentada da aldeia, pois é por ela que mais pessoas e veículos entram e saem e tem ligações para as outras ruas ou becos. Por ser uma das ruas mais movimentadas e conhecidas da nossa terra e por ela andamos quase todos os dias e várias vezes, podem pensar que é uma rua que não nos escapa nada aos olhos. Mas andamos por ela tão depressa e tão ocupados com as nossa vidas, que não damos importância a pequenos mas importantes problemas que precisavam de ser resolvidos. A começar pela defeituosa e ausência de informação quanto ao seu início e ao seu final. Na Praça do Rossio, a falta da placa toponímica a indicar o início da Rua da Fonte há muito que acontece; segue-se a existência de casas com número de “polícia” repetido e mais à frente, na fonte velha, quantas vezes que passamos por cima da Fonte de Mergulho sem dar por isso. Ficou lá por baixo da calçada e do betão e de nada tem servido o quadrado envidraçado, porque ninguém no seu perfeito juízo, fica ali parado ou ajoelhado a ver e admirar o monumento, por muito interessante que ele seja e onde as pessoas enchiam de água os cântaros em barro para levar e colocar na cantareira lá de casa. Não pode haver o mais pequeno descuido, porque na rua circulam automóveis, camionetas e outros veículos motorizados. Há uns tempos ao passar por aquele local perguntei à Ti Benvinda o que havia ao fundo das escadas. A Ti Benvinda olhou para mim e apontando o seu dedo para o fundo das escadas respondeu assim:” Eu sei onde fica a Fonte de Mergulho! Basta desceres essas escadas e já vês tudo às claras. Olha João, lembraram-se de pôr aqui este painel solar e de noite dá luz para as pessoas verem. Verem o quê? Não há aqui escrito a indicar o que aqui está por baixo! Também eles bem podiam ter posto aqui uma daquelas placas, olha assim como aquelas que vês ali na Barreirinha a dizer “Junta de Freguesia” e escreviam “Antiga Fonte de Mergulho”! Se calhar assim vinham mais pessoas ver a fonte, a verdadeira fonte de mergulho.
Isto é trabalho de quem não quis dar-se ao trabalho de fazer as coisas como devem ser. Tanto dinheiro aqui se gastou e não puseram a fonte à mostra. Não pensam nas coisas, não perguntaram ao povo e olha aqui está a obra que ninguém quer ver, porque também não sabe que existe, só os da terra é que vão vendo. Podiam pensar melhor, ai isso podia.    A Rua da Fonte tem início na Praça do Rossio e termina onde? Já ouvi dizer que era ao chegar ao Camões. E existe o Largo de Camões? As placas toponímicas são afixadas ao início e ao fim da referida rua, no mínimo é assim que deve ser. Ao início não existe e a que existe a indicar o seu fim está na casa errada, pois a rua não acaba junto ao P.T. (antiga cabine da luz),mas muitas casas mais acima, ali ao Camões.

   Porque este pequeno problema se pode transformar num grande problema e numa grande confusão? Vou referir-me a apenas à correspondência do Estado, ou seja, Finanças, Tribunais,Escolas, Autoridades Policiais, Reformas, Cartas do Instituto Emprego, etc… por azar no dia da entrega é feita por um novo funcionário dos correios. Imaginemos que esse funcionário não conhece nada de Malcata, não tem o à vontade como o “velho” carteiro e não está para andar a perder tempo à procura do número da porta…não encontra, leva a correspondência para trás.

   Até pode não ser importante, mas também pode ser URGENTE e IMPORTANTE que o destinatário receba a correspondência!

                                                                             José Nunes Martins

03 novembro 2018

NOVEMBRO EM MALCATA




   Por estes dias os cemitérios transformaram-se nos jardins mais floridos das nossas terras. As variedades de flores vão desde crisântemos brancos, rosas de muitas cores, arranjos florais com várias flores e  adornados com uns verdes.
   Este ano na aldeia o cemitério apresentou-se vestido de branco graças à tinta e aos artistas que durante dias pensaram nos que ali passam os seus dias e noites num profundo silêncio e escondidos do mundo. 
   Quantas vezes nos perguntamos se a morte é o fim ?
   Acreditamos ou não na vida para lá da morte?
    Porque muitos de nós vão aos cemitérios em Novembro?
   Saberão os crentes cristãos como comportarem-se nas cerimónias religiosas?
   O que importa é enfeitar e rodear a lápide mal se entra no cemitério ? Ou primeiro devemos acompanhar o padre, orar em comunidade por todos os Santos e só depois as famílias se juntarem a rezar pelos seus familiares? Nestas cerimónias a pressa fica fora dos muros. É importante que o povo reze em comunidade e primeiro sob a orientação do padre que ali se encontra a orientar as orações pelas intenções de todos e a maior parte das vezes, o padre é o único que não tem um familiar ali enterrado, mais um motivo para todos o rodearem e orar em uníssono. A Fé e o Respeito todos o merecemos.
   Deus é amor!












01 novembro 2018

CEMITÉRIOS: UM DIA DIFÍCIL DE PASSAR



  

   Dia 1 de Novembro 2018
   Dia de todos os santos.
   Por conveniência, também se costuma ir aos cemitérios lembrar os “fiéis defuntos”. Na aldeia de Malcata, os mortos serão lembrados hoje com a celebração de uma missa pelas 11.30, seguida de romagem ao cemitério.

  
As tradições vão mudando um pouco ao sabor das mudanças e das conveniências da Igreja e os fiéis não têm outro remédio que aceitar.
   Eu, por princípio, não gosto de nada feito por obrigação, ir porque os outros também vão ou ir para depois não ter que explicar porque não fui, não é a minha maneira de agir. Ir ao cemitério, apenas neste dia, vir para casa com a ideia de dever cumprido e talvez com uma “selfie” para mostrar aos amigos que estive lá,
mesmo que a mente tivesse ido passear para bem longe daquele lugar cheio de corpos sem vida. Tenho saudades e muitas da minha mãe e de outras pessoas que passaram pela minha vida e com elas vou mantendo diálogos ao longo da minha vida.
   Cada um de nós deve é tratar bem dos vivos enquanto vivem e não sentir a obrigação de enfeitar aquele espaço com flores de plástico e velas, com cores bonitas mas sem cheiro, sem o cheiro da cera e que em vida, tanto eles apreciaram. E o momento é agora, porque amanhã pode já ser tarde!

                                                   José Nunes Martins