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24/02/2026

GUARDAR CABRAS EM MALCATA

 




 Entre Quadrazais e Meimão e a 10 Km da cidade do Sabugal, existe há centenas de anos um lugar de nome Malcata. Escapou ao apagão da última reforma administrativa que se fez em Portugal e mantém a Junta de Freguesia. Com uma população bastante envelhecida, vivem pouco mais de duzentas pessoas, a Junta de Freguesia é o que resta da presença do Estado.

 Há uns anos perdemos a escola primária e a creche, numa daquelas facadas vindas de Lisboa, sem dó nem piedade. Não justificava estarem de portas abertas porque crianças não havia em número satisfatório para pagar os honorários dos professores. O mesmo aconteceu ao Posto Fiscal, que durante muitos anos esteve sempre ao serviço do Estado.
 O afastamento das pessoas que procuraram assim encontrar melhores condições de vida noutras terras, noutros países, é uma das causas de tanto encerramento e de tento sofrimento. Foram ficando os mais idosos, que foram e vão resistindo dia a dia, até que embarquem na última viagem, com bilhete 
só de ida.



 Infelizmente esta é a realidade na nossa aldeia e também nas outras da nossa região raiana. E o pior disto tudo é sentir que estamos abandonados, atirados à nossa sorte, remetidos à vida humilde e sem grande sentido. Muitos são os que não fazem ideia de que a nossa aldeia existe, o que ouvem é falar do famoso lince ibérico, que desapareceu, fez o que muitas pessoas também fizeram, saltou a cerca e afastou-se para outras terras à procura de sustento, de coelho de boa qualidade e que não lhe complicasse a saúde. Ficaram na floresta outros animais e aves e uns sobrevivem, outros vão andando como a natureza lhes permite andar. Acabam por se afeiçoar aos humanos e desistem das caçadas nocturnas na aldeia. É que até as pitas
são cada vez menos e só encontram capoeiras vazias, não vale a pena arriscar a vida!
 É uma lástima geral, logo agora que todas as ruas e becos estão calçadas, não haver quem as pise durante a maior parte do ano.
 Não acham que é tempo de mudar alguma coisa? Continuar a fazer o mesmo, não dizer quase nada sobre as cabras, os pastores, os cabritos, sim os cabritos já pulam lá para a serra e não largam as tetas da mãe, lá vão indo algumas pessoas caminho arriba e regressam com imagens de tudo para mostrar que estiveram por lá, mas nada falam, nada explicam a quem já nem tem forças para ir à festa da carqueja. Afinal, o que andam a fazer nos baldios e o que andam os compartes a engendrar para o futuro? Alguém que fale.  



22/02/2026

ACEITAR OS DADOS DO CORAÇÃO

    

                                    

  O homem foi criado com inteligência, vontade e liberdade.
  Deus criou toda a natureza para estar ao serviço do Homem, que
 deve viver e respeitar, eleger, agir para desejar a felicidade.
  O pecado deforma a pessoa.
  O demónio personifica o mal e é ele pega o incêndio de ódio nos corações, dando origem às invejas, às guerras e todas as outras desordens morais.
 No mundo há muitas pessoas e organizações que trabalham para o demónio, algumas apresentam-se como ofertas envenenadas.
 Ter fome é uma coisa normal e temos necessidade de comer.
 Vivemos numa era da manipulação das pessoas, com falsas promessas de emprego, falsas propostas políticas e de ídolos tik tok que lhes chamam "influencers", que nascem todos os dias e nos matraqueiam sem parar, pedem-nos amizades interesseiras que só duram até ao que lhes interessa e convém fazer, dispensada antes até que a outra pessoa descubra que de amizade não tem nada. 
 A grande tentação, ou uma das grandes tentações dos nossos tempos é aquela que o povo mais facilmente se deixa ir: um emprego, algum dinheiro, uma casa para viver, mesmo sem olhar à forma de fazer., porque o que interessa é que a pessoas se sinta protegida por essa pessoa.
 
 Há pessoas que facilmente confundem os dois campos, porque têm a sua consciência mal formada. Estou a lembrar-me de uma pessoa que depois de não ter ganho uma questão em tribunal, que envolve uma determinada quantia de dinheiro, em dívida à Segurança Social. O que essa pessoa nunca aceitou é que o réu, durante o tempo que pertenceu aos corpos sociais da instituição que ele mesmo e um grupo de amigos criou, o povo sempre o apoiou e a assembleia geral aprovou o seu desempenho, deixando obra feita e cofre cheio. Agora que tudo estava resolvido, esta pessoa parece querer mais e não perdoa a negligência praticada, mas  esquece-se que também a praticou durante algum tempo, mas disso nada fala. Se havia dinheiro para pagar e sanar de vez o problema, então porque insistir novamente em sentar o outro no “mocho” do tribunal?
 Há momentos na nossa vida em que necessitamos de sair da confusão em que vivemos e ir para um lugar mais isolado, em busca do essencial.   Precisamos de parar o que andamos a fazer, entender quem somos, onde estamos, o que fazemos e com que objectivos vivemos.
 O homem cristão não fecha o seu coração aos problemas. E a primeira etapa para superar o problema, é admiti-lo. Façamos todos nós um esforço para perdoar aqueles que nos magoaram e não guardar mais ressentimentos. Por que precisamos nós de guardar rancor? É apenas porque gostamos de estar nos comandos? Talvez seja altura de abandonar a nossa necessidade de dominar e controlar os outros. Perdoar alguém não é fácil, mas quando pedimos ajuda a Deus conseguimos perdoar. O passado já lá vai, é para ir esquecendo o mal e não continuarmos no presente a viver dominados por feridas do passado.

 

18/02/2026

QUARENTA DIAS ATÉ À PÁSCOA

 

Ninguém está irremediavelmente perdido!

“Reconhecer os nossos pecados para nos convertermos é já um presságio e um testemunho da ressurreição: significa, efetivamente, não nos determos nas cinzas, mas levantarmo-nos e reconstruirmos.”

Papa Leão, na homilia da Missa de Quarta-feira de Cinzas de hoje.

16/02/2026

AS DUAS VERDADES

 


 Contam que numa pequena aldeia
havia um lavrador muito rico.
 Ele propôs desafiar os moradores da aldeia
e o desafio era em forma de mímica. 
Quem o vencesse ganharia um grande prémio em dinheiro. 
 Acontece que muitas pessoas apareceram para desafiá-lo e ninguém o vencia.

 Certo dia, um estudante universitário
foi passar o fim de semana nesta aldeia,
soube do facto e resolveu desafiar o lavrador.
 Desafio aceite, o lavrador mostrou-lhe um dedo.
 O jovem estudante mostrou-lhe dois dedos.

 O lavrador mostrou-lhe três dedos.
 O jovem mostrou-lhe a mão fechada como se
fosse dar-lhe um soco.
 O lavrador ofereceu-lhe uma maçã.
 O jovem recusou e mostrou-lhe um pão.
 O lavrador abraçou-o e entregou-lhe o prémio.
                     -- // --

Ao perguntarem ao jovem como é que ele tinha conseguido ganhar o desafio, ele respondeu:

- Foi a coisa mais banal do mundo.
 Ele mostrou-me um dedo como que a dizer-me
que iria furar o meu olho. Então mostrei-lhe dois dedos, como a dizer-lhe que furaria os dois olhos dele.

 Ele mostrou-me três dedos, como quem iria arranhar-me a cara. Eu mostrei-lhe um punho fechado,
mostrando que iria dar-lhe um soco na cara.
Então ele ofereceu-me uma maçã,
como se estivesse a pedir desculpa.
Eu, porém, mostrei-lhe o meu pão,
mostrando-lhe que não queria a maçã que ele me oferecia.

Ele abraçou-me e entregou-me o prémio!

As pessoas acharam isso tão absurdo, que decidiram perguntar ao fazendeiro e ele então respondeu:

- Quando o jovem chegou eu mostrei-lhe um dedo,
dizendo com isso que Deus era um só.

Ele mostrou-me dois dedos,
dizendo-me que Deus era Pai e Filho.

Eu então mostrei-lhe três dedos,
dizendo que Deus era Pai, Filho e Espírito Santo.

Ele mostrou-me a mão fechada,
dizendo-me que Deus era os três reunidos num só.

Então, eu mostrei-lhe a maçã
dizendo-lhe que por causa de um fruto 
o homem cometeu o pecado.

E ele ao mostrar-me o pão,
disse que Deus deu o seu próprio corpo
para livrar-nos do pecado.

Logo, ele mereceu ganhar o prémio! 

MORAL: CADA PESSOA ACREDITA
       NA SUA VERDADE, NO QUE ENTENDE!!

10/02/2026

O REI VAI NÚ EM MALCATA

  TODOS NA ALDEIA TEMIAM QUE ACONTECESSE!
  AGORA SIM, O CIMENTO VAI SERVIR DE COLA.

  A Junta de Freguesia de Malcata informou a população de que se encontra cortado o acesso automóvel à Rua da Barreirinha, devido a um desmoronamento, que coloca em risco a segurança pública. O acesso pedonal está também condicionado e as pessoas são aconselhadas a seguir o percurso alternativo.
  A Junta de Freguesia apelou à compreensão de toda a população até decorrerem os trabalhos necessários para garantir a segurança e repor a circulação habitual e normal.

                   
  O Aviso à População foi feito, mas não basta, a comunicação é curta e não revela com clareza o que realmente se desmoronou. A Rua da Barreirinha tem o seu início na Rua da Fonte e termina no entroncamento com a Rua da Moita. O que se sabe é muito pouco, nem se trata de informação oficial, isto é, tornada pública pela Junta de Freguesia, mas sim uma informação efectuada por pessoa residente na aldeia e que simpaticamente respondeu a uma pergunta de outra pessoa, que sendo natural da nossa aldeia e alertada para o dito aviso à população, quis ficar mais bem informada acerca de possíveis vítimas do dito desmoronamento.
  Ocorrências como são os desmoronamentos devido às fortes chuvas e ventos, que saturaram os solos e tornaram muitas estruturas instáveis e acrescidas fragilidades de sustentação, é assunto que diariamente têm colocado as pessoas e as entidades em atitude de maiores cuidados e vigilância constante. Fazendo fé na informação da nossa conterrânea, estou em crer que o desmoronamento é no início da Rua da Barreirinha, nas primeiras habitações (palheiros) que ali existem há muitos anos e cujas paredes, também há muitos anos, estão mesmo à espera de se
esbarrondar para a via pública. Toda a freguesia conhece o estado daquelas paredes e são visíveis os sinais de insegurança e nada do que agora sucedeu nos deve surpreender. O desmoronamento podia ser evitado? Podia. Não houve vítimas e não houve danos materiais, para além das pedras caírem na via pública. Graças a que não ia pessoa ou veículo a circular no preciso instante em que
a coisa aconteceu, vamos todos bater palmas e respirar fundo, pois ainda bem que assim foi. Coisa bem diferente é que aquelas paredes, da Rua da Barreirinha, estão em risco de desmoro-namento há pelo menos dois anos!
  O que eu lamento é o desinteresse e desleixo com que são tratadas certas casas, palheiros, que já não servem para nada, mas que têm dono.
  O estado de degradação e abandono é profundo. E na nossa aldeia os avisos e alertas para os perigos não têm adiantado para quase nada. Se calhar terá que alguém ser vítima para depois se tomar as medidas necessárias e a sério.
           NÃO ME VENHAM COM HISTÓRIAS, 
                     EU ALERTEI PARA A SITUAÇÃO:

28/05/2010 - A SEGURANÇA VOLTOU À RUA DA MOITA

https://aldeiademalcata.blogspot.com/2010/05/seguranca-voltou-rua-da-moita.html

12/02/2023 - CUIDAR DE MALCATA

https://aldeiademalcata.blogspot.com/2023/02/cuidar-de-malcata.html

14/10/2023 - CEGOS, SURDOS E MUDOS

https://aldeiademalcata.blogspot.com/2023/10/cegos-surdos-e-mudos.html

14/01/2024 - PREVENÇÃO CUSTA MENOS A TODOS

https://aldeiademalcata.blogspot.com/2024/01/prevencao-custa-menos-todosr.html

  Os alertas foram sempre acompanhados por imagens dos locais:
                        Rua da Barreirinha:

 

                   




    Todos na aldeia sabem de situações parecidas a esta da Rua da Barreirinha e ninguém se importa, todos sabem mas ficam calados perante estas situações de perigo. Eu que não resido na freguesia fico preocupado e tenho denunciado diversas situações destas, por ser filho da terra e não gostar de andar por aí com o coração nas mãos por causa dos perigos que estão à vista de todos. Eu sei que sou uma espécie de fedelho, um pequeno estupor que tem sempre coisas a denunciar e que não me calo em bradar através da escrita o que me vai na mente. Tomo estas atitudes a que muitos chamam "coisas de garoto", que é de "pessoa mazinha", mas com toda a sinceridade e clareza, tomo estas atitudes e acções por acreditar nas pessoas e na sua capacidade de mudar a sua forma de estar, de exercer as tarefas para as quais se voluntariaram a desempenhar, concretamente falo dos autarcas da freguesia. Por acreditar que as coisas possam mudar para melhor eu penso que é útil denunciar, avisar, alertar, chamar a atenção das coisas e situações que estão menos bem e podem causar prejuízos que podem ser evitados. Reclamar e alertar é exigir melhores condições de segurança para todos, para os nossos haveres e bens e juntos e unidos transformar a nossa aldeia em território seguro, apelativo para nele viver em paz e segurança.
  Gostava que mais pessoas em Malcata se tornassem mais sensíveis a estas situações e que se importem 
mais pelo bem de todos. Estas denúncias não adiantam nada se a seguir não houver compromissos e respeito que todos merecem.





 

 

08/02/2026

UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE ÁGUA


  

 

Vala para a água

  Durante muitos anos, a água que chegava à aldeia não dependia de empresas concessionárias. Vinha directamente da nascente, conduzida por canalização construída pelos próprios habitantes da freguesia e mantida pela Junta de Freguesia.
  A população de Malcata, herdou e habituou-se a ir à fonte das bicas, encher os cântaros de barro com água para beber e no tanque pequeno, enchia os caldeiros, para os animais. Quando faltava água nas bicas, tiravam o ar à fonte para a água voltar a jorrar. Isto acontecia no Verão. 
  Foram os habitantes da aldeia que, a pedido do senhor António Nita, presidente da Junta de Freguesia, nos anos 30 (1935, 1936 e 1937), se juntaram e abriram a vala, carregaram tubos às costas e durante semanas fizeram a obra, construindo um sistema simples e prático, inteiramente comunitário e que nos legaram ao longo de várias gerações e que ainda hoje funciona.
  A aldeia manteve-se independente da rede municipal de abastecimento de água até aparecer a empresa municipal, Serviços de Águas e Saneamento Sabugal. Mesmo assim, quando a barragem do Sabugal foi construída a nossa freguesia, representada pela Junta de Freguesia à época dos acontecimentos, recusou integrar a rede pública que abastece o concelho e optou por proceder à abertura de um furo próprio, com canalização directa desde o local do poço até 
ao reservatório da freguesia. A obra foi realizada e ao contrário do que alguns contavam, todos os consumidores foram obrigados a instalar contadores para registar
 mensalmente o consumo da água gasta em suas casas. Também a vigilância e controlo da água passou
responsabilidade da Câmara Municipal do Sabugal. 
Trabalho voluntário

 A gente da nossa aldeia, ainda que lentamente, aceitou e resignou-se passando também a pagar factura da água, do saneamento e do lixo sólido urbano.
  A fonte das bicas resistiu a todas estas alterações na rede de abastecimento público de água para consumo humano. Ainda continua a jorrar a água vinda da nascente e através das tubagens que apenas foram substituídas uma vez , ouve-se dizer aos mais idosos…
  Na nossa aldeia, a água continua a jorrar na Fonte das Bicas e a descer pelas barrocas que o povo abriu. Cada gota transporta consigo a memória de uma comunidade que sempre lutou de forma silenciosa mas firme, de gente que resistiu com todas as suas forças que atravessou gerações e ainda hoje nos deixam orgulhosos. Foram eles os construtores e os que souberam manter e cuidar da água que bebiam e regava os campos. Saibamos nós ser capazes de continuar a defender a água que se bebe na aldeia, que é nossa e não do município, é da mina construída pelos nossos antepassados e que nós agora não estamos a saber manter e preservar com a mesma vontade que eles tiveram.
  Enquanto houver água na mina, enquanto a população continuar a afirmar que a água da fonte da Torrinha é para ser bebida, porque é nossa, é do povo e não se nega água a ninguém, a nossa autarquia só tem de se empenhar na defesa, manutenção e preservação desta água. Esta é a água e a fonte identitária da aldeia, desde 1937. Um testemunho e um símbolo da autonomia e que ainda
ninguém conseguiu destruir. 


MALCATA: AUMENTO DA FACTURA DA ÁGUA

  

Água um recurso cada vez mais caro



  A chuva, o vento forte estão a fazer estragos por todo o país. Mais uma vez a natureza mostra o seu poder e coloca-nos a todos em alerta constante.

  As pessoas afectadas pelas tempestades estão a ficar cansadas e com receio do futuro imediato, pois sentem-se impotentes e sem capacidade de proteger
as suas vidas e os seus bens materiais.
  Nestas duas semanas os portugueses estão a sentir os efeitos devastadores causados por uma série de tempestades, depressões e descargas da água armazenada nas albufeiras das barragens.
  Isto não é uma guerra, mas os seus efeitos também são arrasadores. Nestas alturas a união da comunidade é extremamente importante. Uma aldeia dividida não é fácil de dominar, mas um povo unido, ganha força e coragem para enfrentar todo o tipo de contrariedades.

  Na última reunião da Câmara Municipal do Sabugal, realizada em 4 de Fevereiro de 2026, a água da rede de abastecimento público foi tema de discussão. A Câmara Municipal apresentou as tarifas para este ano de 2026. Os números que apresentou confirmam que a factura da água vai aumentar. A oposição votou contra as tarifas apresentadas e contra as justificações dadas pelo senhor presidente da Câmara Municipal. Este, justificou-se com as recomendações/obrigações impostas pela APAL-SIM, a entidade que é responsável pela rede de abastecimento público de água ao concelho do Sabugal.
  A empresa APAL-SIM é uma empresa intermunicipal, que integra os municípios da Guarda, Manteigas, Celorico e Sabugal. É esta empresa a responsável pela rede de água para consumo humano nestes quatro concelhos.
  Qual a razão para aumentar a factura da água?
  Quanto tempo têm os equipamentos da rede de abastecimento?
  Em Malcata, quantos anos andaram os consumidores a pagar a água que vinha do furo do Vazão? Portanto, a rede de abastecimento era exclusivamente para a freguesia,  limitando-se às ligações do reservatório até às casas das pessoas. Contudo, andámos a suportar toda a restante rede do concelho e que se abastecia da água da barragem. Recordo também que durante anos e anos, os consumidores pagaram as suas facturas de água aos Serviços Municipais da Câmara do Sabugal. Quem não pagasse, cortavam-lhe o abastecimento ou tinham de pagar com juros. Já ninguém fala da dívida que a Câmara juntou ao decidir não pagar a factura enviada pela empresa que explorava a rede de abastecimento no nosso concelho ( Águas do Zêzere e Côa…), mas a dívida foi aumentando e os consumidores nunca deixaram de pagar a água à Câmara do Sabugal. Para que serviu esse dinheiro recebido dos consumidores se não foi para pagar à empresa? Onde está esse dinheiro? Eu sei que a Câmara assinou um acordo para pagar a dívida…em 15 anos! Mas isso não explica onde foi ou onde está o dinheiro recebido. Ficamos a saber apenas que a Câmara do Sabugal não se livrou de pagar o que ficou a dever. O que isto prova é somente o incumprimento assumido pelo município em relação ao fornecimento em Alta da água para o concelho. E neste acordo de pagamento da dívida há um pormenor que é de grande interesse para a freguesia de Malcata. Consta no documento que a Câmara do Sabugal acordou com a empresa a resolução do problema da Estação Elevatória de Malcata, ou seja, ficou combinado que a ETA de Malcata iria ser deslocada para um local mais afastado da água da albufeira, evitando que todos os Invernos fique submersa de água. Para quem não está a entender do que estou a falar, refiro-me à estrutura que existe no antigo Campinho e que bombeia a água do saneamento (e outras) do Campinho para a vão ETAR do Vazão.
Esta estação elevatória do Campinho devia ter sido construída uns bons metros mais acima do local onde está, afastada do limite de pleno enchimento da albufeira. A situação já se arrasta há duas décadas e nunca foi corrigida. Ora as obras desta deslocação, segundo a Câmara Municipal, ficaram na responsabilidade da Águas do Zêzere e Côa e ser descontadas ao valor da dívida que o Sabugal está a pagar durante 15 anos!
  Voltando ao aumento da água, informo que na reunião da Câmara Municipal do dia 4 de Fevereiro, apenas o PSD votou favoravelmente as tarifas apresentadas. O PS, o Chega e também a CDU, já vieram a público dizer porque não aprovam estes aumentos. Há dias ao escutar a reunião da Câmara de Manteigas, que também pertence à APAL-SIM, fiquei a saber que as Câmaras municipais mantiveram os preços de água mais baixos porque assumiam do seu bolso o excedente dos custos. Foi uma opção dos políticos, só que nunca o assumiram publicamente, talvez com medo de serem castigados nas eleições, aguentaram artificialmente um preço que não era o verdadeiro. Agora, vamos todos de pagar porque o dinheiro que pediram para as obras, tem de ser pago e aqui é que a porca torce o rabo, paga-se com dinheiro, doa por onde doer!  E as desculpas desta vez são por causa das grandes obras que têm de ser feitas…alguém vai ter de as pagar…porque se deixaram de artifícios para esconder o que andam a fazer.
  Dito isto, o que vamos ter a partir de agora,  a política da água tem de ser transparente, verdadeira e sem esconder aos consumidores o que andam a fazer.
O que agora se exige à Câmara do Sabugal é que não esconda o que enda a fazer, se a despesa é para o consumidor pagar, que o diga claramente, explique as verdadeiras razões e não ande a discursar uma coisa e a executar outra. Pelo menos o Presidente da Câmara de Manteigas assumiu que foi um erro dos anteriores executivos e agora há que assumir as responsabilidades, custe o que custar, não vão poder continuar a omitir informação.
  A água pode ficar mais barata? Pode, basta que se administre bem a APAL-SIM.
  Lembro que a rede de abastecimento e saneamento em Malcata já está velha, cansada e com muitos remendos.
  Nota: na factura da água estão também as tarifas de saneamento e lixo.
  Dizem que a subida é inevitável.
   É bom recordar que se “pode enganar todas as pessoas por algum tempo e algumas pessoas durante todo o tempo. Mas não se pode enganar todo o Mundo por todo o tempo”

31/01/2026

SABUGAL : SEM MÉDICO DURANTE O DIA DE HOJE

   

O aviso voltou este domingo ao 
Centro de Saúde do Sabugal. 






 É com tristeza e preocupação que leio estes avisos nas redes sociais. O Centro de Saúde do Sabugal ultimamente encontra-se de portas fechadas, com um aviso afixado na porta principal a avisar que das 8H até às 20H está sem atendimento a emergências.   O aviso já não espanta quem ali chega e bate com o nariz no vidro. O que me surpreende é a apatia dos senhores governantes do poder local, isso sim surpreende e magoa tanta ligeireza como estão a tratar da saúde dos habitantes deste território.

Sei que o assunto não é da responsabilidade do Município, que o Município não tem e não pode (segundo os senhores ) interferir no funcionamento daquele “departamento” que a ULSGuarda tem que gerir e manter em funcionamento.

É uma tristeza. E o povo do Sabugal vive feliz e contente,  não é para preocupação, se chegar à porta do Centro de Saúde e estiver fechada a porta, paciência, volta-se para casa com as mesmas dores e menos uns euros na bolsa. Coitados, se calhar os doutores e os enfermeiros foram chamados para acudir aos de Leiria, esses coitados, esses é que estão a sofrer…
E assim andamos, não se grita, não se exige o cumprimento do dever de cuidar da saúde do cidadão. Arranja-se sim a troco de pagar o que é um direito básico ao mais comum ser humano.
Para que sonham em multiusos e coisas grandes, quando as pessoas fogem das terras que não lhes asseguram os serviços de saúde básicos? Tudo será brevemente encerrado e algum nem aviso na porta. Compreendo o aviso, mas não aceito que o afixem tantas e tantas vezes ali e só na porta que está tão distante de Malcata, de Inguias ou Bendada…deixem-se de subsídios que não resolvem o problema e apenas enche os egos pessoais. Saúde é uma necessidade, não é luxo, não é a fazer de conta que me dói um dente ou um dedo da mão.
Quando é que o povo se mobiliza a sério?
Onde estão aqueles senhores que anunciaram a chegada de novos médicos ao Centro de Saúde do Sabugal, a quem lhes foi oferecido casa e mais regalias?
Será que a saúde não importa?
O Sabugal e todos os residentes e visitantes do concelho necessitam de Serviços de Apoio Permanente aberto 24 horas. 
Deixem de ser mesquinhos e egoístas! Muitos não têm dinheiro para usufruir de serviços de saúde em estabelecimentos particulares ou de meios de mobilidade próprios, são idosos, sem carta de condução, sem forças e sem saúde…

24/01/2026

PRESERVAR A TRADIÇÃO DA MATANÇA DO PORCO

 

Desmancha do porco em Malcata
(Tio Manel Augusto, avô João Pires e Carmo, minha companheira)

 A Associação Cultural e Desportiva de Malcata, na freguesia de Malcata, organizou para amanhã, 25 de Janeiro de 2026, mais um almoço convívio, (matança do porco).
 Neste almoço é o porco o rei da ementa, a fazer lembrar as matanças. O cartaz limita-se a publicitar o almoço e claro que está subentendido que os participantes poderão saborear pratos associados à carne do porco. O programa é omisso e não revela qualquer animação ou actividade para além do dito almoço convívio entre os participantes. 

 Mais uma almoço que se destaca apenas pelo ajuntamento de algumas pessoas que a organização aceitou durante o prazo de inscrição.
 O foco desta actividade está bem longe da tradicional matança e da preocupação na preservação cultural da matança do porco. Ao valorizar o convívio de comer carne de porco, a convite da associação, nada tem de especial, pois em qualquer altura do ano se pode comer carne de porco. Sim, é verdade que valoriza o convívio entre as pessoas que participam e a associação quer mostrar que está a defender e a preservar as tradições da matança. Estará mesmo interessada em lutar pela preservação da tradição? O convívio à mesa é sempre bom e deve ser sempre cultivado. Preservar, valorizar, enaltecer, divulgar os saberes e sabores da matança à moda da nossa aldeia, é muito mais trabalhoso e exigente, tanto na sua preparação como na apresentação e realização no dia combinado. Assim como vai fazer a ACDM, é pouco ambicioso e perde-se a oportunidade de transmitir às gerações do futuro uma tradição que nos foi legada pelos nossos antepassados (avós, pais). Porque uma matança do porco não é apenas comer carne de porco. E a associação, que tem nos seus estatutos defender, preservar, valorizar a cultura e o desporto, preocupa-se somente em juntar os sócios e não sócios para conviver e comer.
 É claro que para comer e conviver, num evento que junta pessoas de todas as idades e que até vêm de vários pontos do país para comer e conviver umas horas, a sala tem enchente garantida.
 A mim o que me deixa preocupado não é o almoço e as pessoas que nele vão participar. O que me deixa um pouco triste e cabisbaixo é verificar que as tradições que são a minha identidade com a aldeia onde nasci e cujas tradições vivi na minha infância com os meus familiares, vizinhos e todos os habitantes da aldeia, se esteja a desvalorizar, a aligeirar e a esquecer
toda a sua autenticidade. É por isto que participar num mero almoço convívio, que se pretende “colar”, “fazer crer”, que se está a preservar e a recriar a matança do porco de antigamente, teria que haver momentos bem mais ambiciosos e diferentes dos que estão no programa de amanhã. Mesmo com as imposições das leis, mesmo que o “marrano” tenha que ser abatido no matadouro autorizado, todos os passos seguintes da matança tradicional podem e devem ser feitos. E são tantos os passos da matança que dão para os participantes observar e até viver a experiência única de ajudar a “grande família de Malcata” a preservar a tradição da matança. Pegar na palha para queimar a pelugem, com a ajuda da carqueja ou de uma pedra, esfregar a pele do porco ao mesmo tempo que lhe deitam água quente em cima, entregar um troço enrolado de palha a um dos forasteiros, para ele levantar o rabo do animal e proceder à limpeza interna…ou então introduzir um par de unhas do animal, no bolso do casaco do emproado e distraído e soltar umas gargalhadas quando ele metesse as mãos ao bolso…ajudar a levar aos ombros o porco para ser pesado com a roldana e segurar no chambaril que o  vai sustentar de cabeça para baixo, por dois ou três dias…e a desmancha?
 Ah, isso é coisa de homens. E as mulheres ficam a ver? Calma Manel, sossega que para as mulheres não ficarem a olhar os homens a trabalhar e a rir, para elas e as filhas, está uma tarefa diferente, mais delicada e com responsabilidade muito grande. A tarefa das mulheres é acompanhar as Marias da aldeia até ao ribeiro e ajudar a lavar as tripas…enquanto outras ficam na cozinha da associação com a tarefa de olhar e aprender a cozinhar nas panelas de ferro.
 E isto que acabo de lembrar é apenas parte da matança do porco, à moda dos nossos antepassados. A desmancha, por exemplo, é também uma parte importante da matança. O pegar na “enchideira” e na tripa numa mão e com a outra cheia de carnes, enfiar tripa abaixo até cima, atar o baraço e sorrir pelo ter conseguido encher uma morcela, chouriça ou mesmo um “colhoto”…
 A matança dava muito trabalho. E preservar a cultura popular também.
 Vale a pena pensar nestas tradições, nos convívios e nos valores que as tradições têm na identidade cultural e social da nossa terra.
 Com um programa cultural como o que descrevi ou mesmo mais bem pensado ou até aligeirado, a freguesia de Malcata ganhava outra importância e a união e entre ajuda contribuiriam para a transmissão destes princípios de vida aos malcatenhos vindouros.
 Para comer carne de porco, fico-me por aqui, que diga-se a verdade, os rojões de porco à moda do Minho, estavam no ponto!
 Bom apetite para amanhã.

22/01/2026

VIVER A VIDA SEM PASSADO NÃO PRESTA



 Não deixem que o passado se apague, devemos todos fazer alguma coisa para que tal não aconteça. E essa luta não a podemos atirar para cima das costas da Junta de Freguesia. Há pessoas na aldeia, logo há cérebros e inteligência humana. Por isso, as pessoas de Malcata devem manifestar e exigir o que é melhor para todos, para os filhos e netos.

 Veja-se alguns exemplos de investimentos de milhares de euros, dinheiro de todos nós, e que resultados estão à vista?  O alojamento local instalado no antigo quartel da Guarda Fiscal, o rebanho das cabras sapadoras, dois empreendimentos avultados e importantes para o desenvolvimento económico e social da nossa terra. Alguém sabe como estão, como funcionam, quem os procura? Poucos estão informados e parece que também não lhe dão importância. Há muito a ganhar e Malcata tem muito a ganhar se as pessoas de Malcata mostrarem interesse em ganhar e dar a ganhar.