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| Rebanho nos Baldios de Malcata Foto de Maria Nabais |
“Vemos, ouvimos e lemos,
não podemos ignorar”.
Basta olhar, ouvir as notícias que
circulam à nossa volta. O que vemos, lemos e ouvimos muitas vezes são sinais de
muita turbulência no mundo e que nos atormenta a vida. E como humanos, tudo o
que está a acontecer no mundo faz-nos sentir cúmplices e ignoramos o sofrimento
dos outros, as injustiças a que são sujeitos, às guerras que não podem fugir.
Mas é assim o nosso mundo e isso também
não podemos ignorar. Temos de olhar, ver e ouvir e depois tomar uma decisão e
fazer alguma coisa para mudar a situação. O ficar só a ver e a ouvir é pactuar
com o que não queremos e não gostamos que aconteça. Simplesmente não podemos
pensar que sempre assim foi, desde que nos lembramos foi assim feito e não
podemos fazer nada. Não, nós podemos fazer alguma coisa. Precisamos é de
acordar para a realidade, para o nosso pequeno mundo onde vivemos o nosso dia-a-dia
e tantas coisas boas e más acontecem, mas que nós nem nos damos conta. Muitas
coisas que acontecem e que até nos parece bem, aplaudimos e até participamos
porque achamos que temos direito a elas, às vezes, são situações de
doutrinação, de propaganda política disfarçada de muitas formas e feitios. E
nós, porque gostamos, deixamo-nos levar e como se estivéssemos
num mundo maravilhoso, vimos para casa alegres, bem-dispostos e não nos calamos
de elogiar o trabalho dos outros, nem nos preocupamos dos verdadeiros
propósitos do trabalho dos outros. Mas os outros, que não estão adormecidos,
sabem bem o que precisam e o que cada um de nós vale. Eles querem controlar o
nosso mundo e a vida de quem vive nele. Estando o mundo nas suas mãos, está nas
mãos deles a vida de cada um de nós. E quando assim é, isso dá-lhes força e genica
de prosseguir o seu caminho.
Nós precisamos de levar a vida mais a
sério. Fazer o que se pode fazer e o que se tem de fazer. Por pouco que
fizermos, ganhamos ou perdemos, mas pelo menos
somos nós próprios e queremos viver a nossa vida e não a dos outros.
“Ah, ao fim e ao cabo são todos iguais”.
Não, não somos todos iguais. Só somos iguais porque nascemos e morremos. Todos
já sabemos disso e mais tarde ou mais cedo, sabemos que isso vai acontecer. Mas
até que a morte chegue, há que viver os anos que nos forem oferecidos.
A vida tem de servir para alguma coisa, não
acham?

















