O exercício da cidadania é um direito de todos e, muitas vezes, é ao lermos documentos oficiais que ficamos a saber e a conhecer a realidade nua e crua da forma como estão a gerir a nossa freguesia. Ainda recentemente, eu solicitei que me fosse enviado cópia da minuta da acta relativa à sessão da Assembleia de Freguesia que se realizou no dia 28 de Setembro de 2026. Curiosamente, foi nessa mesma reunião, que os membros desse órgão do poder local decidiram aprovar, por unanimidade,
o "voto de repúdio" contra a minha pessoa devido ao uso da palavra
"macacada" numa publicação que eu tinha feito na minha página pessoal do Facebook. Como órgão democraticamente eleito, respeito o tempo que todos tiveram para censurar a opinião de um cidadão. Contudo, ao ler a minuta da dita acta, cruzei-me com situações infinitamente mais graves, que envolve a saúde pública dos moradores e visitantes da nossa terra, a forma como tratam um trabalhador e a gestão de dinheiro público.
Enquanto se debruçaram em votar moções sobre uma palavra incompreendida, o documento oficial pôs a nu e confirmava a existência de problemas bem mais importantes.
Ora, de acordo com aquilo que ficou registado na minuta, a Junta de Freguesia foi questionada sobre uma forte praga de pulgas que afecta o rebanho das cabras sapadoras e o acompanhamento que estão a dar ao
pastor. Em resposta às perguntas colocadas pelo senhor Jorge Gonçalves, membro eleito da Assembleia de Freguesia, o senhor João Vítor, presidente do executivo, respondeu e deixou-me bastante preocupado por estas razões:
- Edifício novo e invadido por um praga de pulgas. É de construção recente, em cimento, com rede de água e instalações sanitárias, que foram realizadas várias desinfestações nas instalações e nos próprios animais, sob vigilância do veterinário responsável. Mesmo assim, as pulgas, a 28 de Setembro de 2026, persistiam.
- Foram feitas medidas de choque, incluindo a retirada temporária dos animais, incluindo as mães e crias para outras instalações provisórias e até incluía a aplicação de sal. Também a residência do pastor for visitada pelos técnicos da empresa para fazerem o tratamento adequado. Este facto vem aumentar mais a minha preocupação, uma vez que a casa do pastor é no núcleo da nossa aldeia e para aumentar ainda mais as preocupações, quem conduz a viatura que transporta o pastor, nada é dito acerca das medidas preventivas.
- O subsídio e as sementeiras que o senhor presidente deu a conhecer na mesma intervenção e que se relacionou com as cabras sapadores, confirmou que receberá cerca de 30.000€ e que esse dinheiro "contribuirá positivamente para o reforço do orçamento da mesma", tendo "já adquirido sementeiras de alimentação de animais".
Quando terminei de ler a minuta da acta da assembleia de freguesia de Setembro de 2026, percebi que tudo começava a fazer sentido. Ao ter acesso à minuta da acta da assembleia de freguesia acabei por tropeçar nos problemas e nas dificuldades que a Junta de Freguesia tem para resolver. São factos reais e confirmados oficialmente.
Registei o voto de repúdio aprovado por uma assembleia "monopartidária" e que só publicita nas redes sociais as deliberações que lhe importa, omitindo os outros assuntos de interesse para todos os eleitos, fregueses residentes ou distantes.
Este problema das pulgas foi levado à Assembleia de Freguesia por um dos seus membros, não porque estava inscrito na Agenda de Trabalhos, logo ninguém sabia que esse assunto seria aflorado e questionado.
Há muitas perguntas sem resposta e deixo um alerta aos habitantes da nossa aldeia no sentido de exigirem a conclusão do processo, mais informação para além da que já é conhecida.
Fico a aguardar notícias nos diversos suportes de comunicação ao serviço da Junta de Freguesia.


