| Festa de Malcata para recordar |
A Festa de Malcata 2026 já está nos anais da história da
nossa aldeia. Os dias seguintes são dedicados às arrumações e às conversas
sobre o filme da festa deste ano. Apesar de cansadas as pessoas arranjam sempre
vontade de contar aos vizinhos, amigos e familiares a sua opinião sobre a festa
em honra de São Barnabé. Enquanto se vão arrumando as coisas e limpam as casas,
há sempre momentos de pausa obrigatória e então é nesses momentos que se fala
da festa, como correu, as surpresas que aconteceram e o juízo de cada um.
As Festas de Malcata são, muito
provavelmente, o momento mais alto e mais popular do ano que se realiza na
nossa aldeia.
Há uns anos,
lembro-me das conversas, dos mordomos, acerca dos bailes e dos “conjuntos de
música” e da recomendação que o padre Lourenço lhes fazia: os bailaricos
e tudo o que não fosse de carácter religioso só podia começar no fim das
pregações na igreja. Os mordomos cumpriam esta ordem do senhor prior e
o povo também acatava, apesar de alguns não gostarem lá muito, pois, muitas
vezes, as cerimónias demoravam mais tempo do que o previsto e o recinto das
festas estava vazio e sem ninguém, o bar estava às moscas e não fazia dinheiro,
etc. etc.
Nesses tempos, a festa da aldeia era algo de
muito importante. Hoje é difícil explicar esse sentimento aos mais novos.
Apesar de eles ainda virem a Malcata por altura da festa, antigamente era o
maior encontro do povo na aldeia e era quase uma “obrigação” dos malcatenhos virem
à terra para marcar presença na festa. A festa de Agosto faziam-se no adro da
igreja e já não são da minha memória quando começaram a ser feitas no Rossio.
Havia momentos que marcavam a festa
todos os anos: alvorada, banda da música filarmónica, missa solene, procissões
e ramo das ofertas com baile.
Vale a pena partilhar as palavras do
José Rei no livro que escreveu sobre Malcata e a Serra:
“Enquanto o Ramo decorria, as crianças
amontoavam-se à volta do homem das amêndoas e dos santinhos de açúcar. Nas
pausas do Ramo. O tocador do acordeão abrilhantava o baile. De vez enquanto
também tocava a Banda da Música, porque o mais importante era que o Ramo
corresse bem. Pouco se dançava na tarde da Festa, ficando o baile adiado para
depois da ceia.
Só a partir da década de 60 começaram a
aparecer os conjuntos de música. A Música, a Banda da Música, ao por do sol
abalava e todos ficavam um pouco mais tristes. Contudo, num derradeiro esforço
anímico, a mocidade ainda acompanhava efusivamente a Música até ao momento da
partida. Quando os mordomos eram rijos, a festa acabava como havia começado:
com foguetes, mas de lágrimas, que a pequenada tentava em vão agarrar”.
Sobre a Festa em Honra de São Barnabé 2026, deixo estas perguntas:
1- Como foi a festa deste ano?
2- Qual o verdadeiro sentido da Festa em Honra de S. Barnabé?
3- Se fosse mordomo o que propunha para a festa?









