19 dezembro 2012

UM BÊCO EM EVOLUÇÃO

   1-Bêco da Corela antes das obras







NOVA CARA DO BÊCO DA CORELA


A nova calçada do Bêco da Courela está quase pronta. Este arruamento, com início na Rua do Carvalhão e fim na Rua da Fonte, foi alvo de obras de melhoramento levadas a cabo pela Junta de Freguesia. Aquela via era há uns anos atrás uma vereda de acesso aos campos. No início deste ano a Junta de Freguesia meteu mãos ao trabalho e com a ajuda das máquinas da Câmara Municipal alargou a vereda de forma a facilitar a circulação de pessoas e melhorar os acessos aos terrenos do Vale da Fonte Velha. 
 A curva da discórdia






Chegada à Rua da Fonte

   Como podem ver pelas fotografias, a via vai ficar com outro visual e com melhor piso. Foi pena a não eliminação da curva junto ao portão. Depois de ali ter passado, olhando para a obra, não posso deixar de sugerir à Junta de Freguesia que construa um muro de suporte naquela zona antes da curva, mais concretamente, ao fundo do chão do Ti Zé Martins ( meu pai ). As terras e as pedras se assim continuarem, mais tarde ou mais cedo vão acabar por cair e obstruir a passagem. Outra sugestão que tenho a fazer é a mudança da placa toponímica "Bêco da Courela" que se encontra colocada noutro beco mais acima, mesmo ao lado da casa do Raul Coelho e colocá-la onde de facto termina o "Bêco da Corela" ao chegar à Rua da Fonte, ali ao pé da casa da minha Ti Esperança. E para terminar as minhas sugestões, apresento mais uma respeitante à circulação nesta rua: decidir que tipo de veículos podem ou não ali circular, colocando placas informativas.
   

30 novembro 2012

MEMÓRIAS DE MALCATA: JORNADAS DO CARVÃO

Cartaz da Jornada do Carvão

OS CARVOEIROS DE MALCATA
   
Quem ainda se lembra dos carvoeiros de Malcata?
Em termos económicos, por volta dos anos sessenta, o negócio do carvão foi uma actividade que teve bastante importância na freguesia. Eram célebres os carvoeiros que exploravam a serra da Malcata e que se deslocavam de burro para comercializarem o seu produto nas freguesias vizinhas, e tinham como alvo preferencial os ferreiros. Antes do fenómeno da emigração na década de 60, que afectou bastante a freguesia e toda a região, era frequente o contrabando de alguns produtos, como azeite, ferramentas, tecidos e outros, comprados em Espanha e vendidos em Malcata por habitantes da aldeia, geralmente com grandes dificuldades económicas. O transporte dos produtos era feito a pé ou utilizando o burro. Além do caminho ser muito árduo, havia ainda o perigo de serem apanhados pela guarda fiscal. A mercadoria apreendida aos contrabandistas era leiloada em praça pública.
                                                               Braseira a carvão
                                                            (Museu de Malcata)

   Eram tempos em que a aldeia ainda não tinha electricidade e o carvão era muito utilizado no Inverno, tempo sempre frio e chuvoso. Para além do carvão que vendiam aos ferreiros, em quase todas as casas havia uma braseira que era alimentada a carvão. Lembro-me ainda vagamente de algumas mortes causadas pelo mau uso deste método de aquecer as casas e os serões passadas com os pés em cima da braseira e o candeeiro de petróleo aceso.
   O meu avô, o Ti João Pires, chegou ainda a falar das viagens que ele fazia com o seu burro carregado de carvão. Tive ainda a feliz oportunidade de assistir um dia ao fabrico do carvão. Lembro-me de termos ido lá para os lados da Porqueira, arrancou uns toros, fez um buraco na terra e despejou lá a lenha dentro. Deitou-lhe o fogo e lentamente tapou tudo com terra. A lenha ali ficou a queimar e eu a ver o fumo a sair debaixo da terra. Mais tarde, não sei depois de quantas horas, o meu avô retirou a terra e ali estavam os troncos negros, sujavam as mãos todas de preto e vai de meter nas sacas de pano e depois do burro carregado regressámos a casa.
   Esta é uma memória minha, talvez até nem tenha sido mesmo assim, mas por alguma razão eu tenho estas imagens na minha mente. Outras pessoas terão outras memórias e que seria importante recolher e guardar para memórias futuras. Louvo esta iniciativa da Associacção Cultural e Desportiva de Malcata, que com a ajuda da Junta de Freguesia decidiram organizar esta jornada.
   Mais uma vez não vou poder estar a participar, com muita pena minha. Contudo, bem que adorava que algum dos participantes recolhesse fotografias, vídeos e até histórias de pessoas que viveram estas coisas e que ainda estão entre nós.
   Desejo que corra tudo  bem e que o reviver desta jornada dos carvoeiros contribua para uma maior aproximação das pessoas da aldeia. Por Malcata, sempre!







06 novembro 2012

A MINHA CASA


Casa rural da aldeia


 Casa de emigrantes




A CASA DO EMIGRANTE
 
   Malcata mudou muito e hoje tem mais e melhores casas. Amealhar foi e continua a ser a ideia do emigrante da aldeia. Foi a esperança de um dia vir a ter uma vida mais desafogada, com uma boa casa construída ao seu gosto e com melhores condições de habitabilidade que os levou a ir trabalhar para um país distante, desconhecido e diferente.
   As casas que os emigrantes construíram em Malcata são na sua maioria modelos de outras casas que eles viram e admiraram nos países onde trabalham ou trabalharam. São construções que representam a concretização dos sonhos daqueles que um dia deixaram a casa dos seus pais. Eram casas de pedra e barro, granito e madeira. Normalmente tinham dois pisos: rés-do-chão que era composto pela loja e o curral. No andar superior ficava a cozinha, uma sala e os quartos. Aquecimento não existia, a não ser quando se acendia o lume na lareira da cozinha, também não tinha quarto de banho e não havia água canalizada. Eram casas pequenas, sombrias e frias.
   Estas casas novas que os emigrantes construíram traduzem a prosperidade alcançada e são motivo de orgulho para os seus proprietários. São casas, embora de modelos importados, a maioria conserva ainda os mesmos dois pisos da casas mais antigas. Têm uma particularidade que é a existência de uma garagem no rés-do-chão, onde agora guardam o seu automóvel. E o curral é agora um pequeno jardim entre a fachada e o muro divisório da rua ou então um pequeno quintal com algumas árvores de fruto e uns troncos de couve ou pés de roseiras.
   A utilização de materiais novos e mais industriais acabam por fazer sobressair estas casas do povoado mais antigo. O uso do cimento para tudo, os azulejos, os alumínios e as tintas com cores berrantes são características das casas dos emigrantes. Ainda assim, são casas que não estão completamente afastadas das raízes dos seus antepassados.
   Por isso, vale a pena olhar para as casas mais antigas e para as casas dos emigrantes porque todas fazem parte da nossa aldeia.

31 outubro 2012

A MORTE É CERTA


  

 “O culto aos mortos deve ser controlado, para não exceder a nossa capacidade emocional e não ficarmos prisioneiros das emoções. A vida é bonita e complexa porque tem no seu âmago ternura, amor, recordações, mas, principalmente, tem muito de imprevisível e inesperado que nos choca, entristece, deslumbra, fazendo-nos sucumbir ante tanto sofrimento. São as frustrações e o sofrimento, consequentes da vida. Por isso, temos que saber viver com sobriedade, gerindo inteligentemente essas emoções.
   Não devemos ficar deslumbrados e desnorteados com as alegrias ou com as dores, como a borboleta perante a luz.   O homem tem a tentação de ser guloso da vida, pensando que será permanentemente adoçado com o torrão de mel que, de vez em quando, a vida lhe proporciona. O ser humano tem de aceitar que terá de suportar dor e amargura, constantes da vida.   No cemitério devemos privilegiar o respeito e a meditação para nos tornarmos melhores, ante as memórias benditas que os entes queridos nos legaram.   O ódio e o rancor são desperdícios que, infelizmente, só mais tarde sentimos. Estes sentimentos positivos são como depósitos numa conta bancária que somos nós próprios, a débito, porque só os fazem mal. Já os sentimentos positivos são créditos nessa conta e se aí efectuarmos muitos depósitos de paz, compreensão, perdão, alegria, auto-estima, seremos enormes capitalistas da vida.”

   Autor deste texto:  Manuel Martins Fernandes
                                no livro "Memórias de Infância...Raízes do Coração"


JORNADA MICOLÓGICA EM MALCATA

III JORNADAS MICOLÓGICAS em Malcata

COM A PARTICIPAÇÃO DO ENGENHEIRO GRAVITO HENRIQUES,
técnico da DRAP Centro e especialista em cogumelos.



Engº.Gravito Henriques

23 outubro 2012

VENDA DE CASTANHEIROS




AOS PRODUTORES DE CASTANHA E PARTICULARES:
   A E. M. Sabugal+ tem à disposição dos produtores e do público em geral, Castanheiros Enxertados para plantações, Castanhas e Avelãs para venda. Podem ser comprados directamente na Colónia Agrícola de Martim Rei ou encomendados no Museu e Piscinas Municipais.
   Com o início do Outono chegam as castanhas, fruto dos frondosos e característicos castanheiros que carregados de ouriços embelezam as paisagens do nosso Concelho. Esta árvore de fruto que revela enorme potencialidade no nosso Concelho, emerge e eleva-se suportando o nosso clima rigoroso e de extremos.
   A fileira da Castanha tem um papel activo na economia local do nosso Concelho, podendo ganhar maior representatividade se continuarmos a apostar nesta espécie, desenvolvendo estratégias organizadas para optimizar a sua comercialização.
   A Colónia Agrícola, além das famosas castanhas de diversas variedades e tamanhos, possui ainda um viveiro licenciado pela DGADR (direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural) com o nº5061, habilitado a proceder à produção e venda de material de propagação vegetativa de Castanheiros.
   Martainha, Longal e Judia são as variedades de castanheiros disponíveis, com preços a partir de 8€ por castanheiro. Estas são as três variedades que melhor se adaptam à nossa região, apresentando as suas castanhas um bom valor económico e nutricional.

13 setembro 2012

NEGÓCIOS NO SABUGAL


 Largo da Fonte, cidade do Sabugal


  Era uma vez um homem...
que vivia na cidade do Sabugal e tinha no Largo da Fonte uma roulotte para vender pizzas quentes , ali mesmo ao lado da fonte. Porque ouvia mal, não ouvia a Rádio Altitude e nem as notícias da região onde vive e que o jornalista Joaquim Martins divulga todos os dias na Star FM . E porque já via mal, deixou de ligar o televisor quando está em casa, não lia o jornal Cinco Quinas, nem o Amigo da Verdade e muito menos os jornais diários nacionais vendidos ali no quiosque ao lado da sua roulotte transformada numa pizzaria, a melhor pizzaria da cidade.
   Preocupava-se com o seu negócio,e por isso, pendurava no tronco das árvores cartazes de propaganda, oferecia uma fatia de pizza para o cliente provar, anunciava em voz alta as diversas pizzas que fazia e o povo gostava e comprava. Então no mês de Agosto é que o negócio rendia, pois todos os dias perto da hora do almoço, lanche e jantar não tinha mãos a medir. A sua principal preocupação era a satisfação do cliente: comprava a melhor farinha, os melhores azeites e óleos, os chouriços, cebolas, milho, queijo, alho, louro, diversas carnes eram adquiridos nos fornecedores da região, pois a qualidade desses produtos era o segredo para a fama das suas pizzas.
   Com o dinheiro que ganhou conseguiu pagar o Colégio do Soito ao filho. O rapaz cresceu e foi para a Faculdade de Economia de Coimbra tendo concluído os seus estudos com distinção. Acabados os estudos, o filho Doutor  regressa a casa e ao ver que o seu pai continuava com a mesma vida de sempre e a vender as mesmas pizzas, ele agora um doutor informado e educado virou-se para o pai e perguntou-lhe:
- Pai, tu não ouves rádio?
  Não vês televisão?
  Não lês jornais?
  Pai, o mundo está em crise. Portugal está mergulhado numa grave crise, o desemprego está a aumentar cada dia que passa, muitas pessoas não têm trabalho, estão sem dinheiro. Há que poupar, há que economizar.
   O pai escutou pacientemente o seu filho doutor e disse:
- Filho, tens razão. Vou tomar medidas e mudar umas coisas no negócio das pizzas.
   Com medo da crise, o pai procurou um fornecedor de farinha mais barato ( e é claro, pior ). Deixou de comprar aos seus fornecedores habituais da região do Sabugal e passou a comprar chouriças, queijos, cenouras, cebolas, pimentos, alhos, salsa, azeitonas, azeite e outros ingredientes a quem lhe vendesse mais barato, mesmo de inferior qualidade. Também decidiu retirar todos os cartazes de publicidade, deixou de oferecer a prova aos clientes, tudo com a ideia de que assim ganharia mais dinheiro.
   A verdade é que com o passar do tempo e apesar destas medidas que tinha tomado, as vendas começaram a cair e chegaram mesmo a níveis insuportáveis.
   O negócio das pizzas que antes gerava recursos, faliu.
   O pai, triste, telefona para o filho  e diz-lhe:
- Filho, tinhas razão. Estamos mesmo numa grande crise. Agora vou esperar que passe e pode ser que volte a abrir a barraca das pizzas quentes. Bem dita a hora em que te enviei para a faculdade estudar economia.

   Nota: este texto é baseado num  texto  original publicado em Fevereiro de 1958 num anúncio da Quaker State Metals.co

25 agosto 2012

MALCATA: AECT-DUERO-DOURO APOIA NO PERCURSO PEDESTRE

  Percursos pedestres contribuem para desenvolver Malcata

 A aldeia de Malcata vai ser umas das freguesias do concelho do Sabugal que vão beneficiar do programa "Fronteira  Natural". Trata-se de um projecto-programa da responsabilidade do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Duero-Douro ( AECT-Duero/Douro) que tem como objectivo a recuperação, até ao final do ano, uma centena de espaços verdes nas localidades transfronteiriças de Portugal e Espanha. A Junta de Freguesia de Malcata apresentou a recuperação-conservação do Percurso Pedestre e que na passada sexta-feira foi aceite.
   Lembram-se das "cabras-bombeiro" e que ainda não arrancou no nosso concelho?
   Vamos lá ver o que teremos no final do ano!

http://www.asbeiras.pt/2012/08/agrupamento-europeu-apoia-recuperacao-de-espacos-naturais-no-concelho-do-sabugal/

16 agosto 2012

CAMINHADA NOCTURNA DE MALCATA

Caminheiros da noite

   




Na noite de 4 de Agosto de 2012, a Associação Cultural e Desportiva de Malcata organizou mais uma Caminhada Nocturna. O início da caminhada estava marcada para as 21 horas, na sede da associação. Fui dos primeiros a chegar e aos poucos outros também apareciam, novos, maduros e mais idosos que me deixaram a pensar nas razões que a razão desconhece.   







           O amigo Gael, cidadão francês que uns amigos de Malcata convidaram a conhecer a nossa aldeia.



         















Rui Chamusco, presidente da ACDM, dá as boas vindas aos caminheiros e o seu vice-presidente,
José Manuel atento às suas palavras.




Novos e menos novos escutam as explicações



  
   Com o tempo a passar o largo da sede da associação ia-se enchendo com pessoas com vontade de ir passar uma noite de sábado bem diferente, mas nem por isso menos divertida.
   E a caminhada começou com o grupo a dar as primeiras passadas a descer a Rua da Escola Primária, seguindo pela Rua da Fonte, descemos a Rua de Baixo e pela Rua da Capela continuámos a caminhada, passando pelas Relvas das Casas, subimos até aos Chãos da Serra e sempre a abrir até à Machoca. Aqui, um grupo de amigos da ACDM esperava-nos para nos oferecer chá quente, leite quente, chocolate quente, bebidas refrescantes, biscoitos, sandes, chocolates de cereais e muita alegria.




A caminho da Fonte Velha












Caminheiros na Rua da Fonte

    
A chegar à Torrinha


Entrar na escuridão da Rua da Capela




A entre-ajuda é de louvar









Os flashes das máquinas assustavam alguns caminheiros





















































Os caminhos estavam cheios de pó e o nariz sentia-se sufocado...


















 Na ausência do luar, esta luz forte indicava que estávamos a chegar à Machoca, ponto mais alto da caminhada e também o local escolhido pela ACDM para nos aquecer as barrigas.























































































   E depois de retemperar as forças, é chegada a altura de reiniciar a caminhada. Enquanto que a primeira parte foi sempre a subir, agora vai ser sempre a descer até ao fim.


















As fotos enganam, o que os parece gotas de água, não são mais que pequenas partículas de pó que os caminheiros faziam levantar enquanto caminhavam!






    "Anda daí Zé, estamos quase a chegar!"




















  


O cansaço começa a aparecer....








E o jipe do Joaquim António serve de "botas"para os mais cansados...



















Mariana está a fotografar algum lince?








 







E chegámos ao fim com a oferta de caldo verde quentinho...e com chouriça!



























A nossa amiga holandesa aguentou até ao fim




   E como depois de caminhar 12 quilómetros e ainda por cima de noite, deu nisto, todos com fome e cansados mas com vontade de um dia voltar a repetir a caminhada.