06 novembro 2012

A MINHA CASA


Casa rural da aldeia


 Casa de emigrantes




A CASA DO EMIGRANTE
 
   Malcata mudou muito e hoje tem mais e melhores casas. Amealhar foi e continua a ser a ideia do emigrante da aldeia. Foi a esperança de um dia vir a ter uma vida mais desafogada, com uma boa casa construída ao seu gosto e com melhores condições de habitabilidade que os levou a ir trabalhar para um país distante, desconhecido e diferente.
   As casas que os emigrantes construíram em Malcata são na sua maioria modelos de outras casas que eles viram e admiraram nos países onde trabalham ou trabalharam. São construções que representam a concretização dos sonhos daqueles que um dia deixaram a casa dos seus pais. Eram casas de pedra e barro, granito e madeira. Normalmente tinham dois pisos: rés-do-chão que era composto pela loja e o curral. No andar superior ficava a cozinha, uma sala e os quartos. Aquecimento não existia, a não ser quando se acendia o lume na lareira da cozinha, também não tinha quarto de banho e não havia água canalizada. Eram casas pequenas, sombrias e frias.
   Estas casas novas que os emigrantes construíram traduzem a prosperidade alcançada e são motivo de orgulho para os seus proprietários. São casas, embora de modelos importados, a maioria conserva ainda os mesmos dois pisos da casas mais antigas. Têm uma particularidade que é a existência de uma garagem no rés-do-chão, onde agora guardam o seu automóvel. E o curral é agora um pequeno jardim entre a fachada e o muro divisório da rua ou então um pequeno quintal com algumas árvores de fruto e uns troncos de couve ou pés de roseiras.
   A utilização de materiais novos e mais industriais acabam por fazer sobressair estas casas do povoado mais antigo. O uso do cimento para tudo, os azulejos, os alumínios e as tintas com cores berrantes são características das casas dos emigrantes. Ainda assim, são casas que não estão completamente afastadas das raízes dos seus antepassados.
   Por isso, vale a pena olhar para as casas mais antigas e para as casas dos emigrantes porque todas fazem parte da nossa aldeia.

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