Estes são três dos produtos gastronómicos que durante muitos anos
identificavam a riqueza gastronómica da aldeia de Malcata:
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1. O Pão de Forno a Lenha |
O pão caseiro cozido no forno a lenha, não era um pão qualquer e só se tinha "pão quente" no dia em que se fazia a fornada. Era com uma fornada que a família se alimentava de pão durante uma a duas semanas. Ou seja, na aldeia o forno comunitário, era acendido de 15 em 15 dias e havia que precaver as necessidades de cada casa para que nesse período de intervalo, houvesse sempre pão em casa. E a verdade é que o pão durava o tempo todo sem se estragar. O segredo de tantos dias a comer pão encontrava-se na técnica de preparação, desde o grão que era colhido pelo lavrador, enviava para moer, guardava a farinha, amassava com água natural, bons fermentos, boa lenha, algumas cruzes em cada pão e rezas, resultavam numa fornada que enchia o tabuleiro que a mulher punha em cima da cabeça e ia até casa, onde o guardava na arca de madeira. Parece fácil fazer pão artesanal, mas requer conhecimentos e experiência e muito tempo para aprender a cozer um pão bom e saboroso.
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| 2.O queijo de cabra |
Com o leite, ordenhado manualmente, a dona da casa ou uma das suas filhas, tratavam de o guardar numa vasilha e depois de lhe juntar um pouco de cardo natural, esperavam umas horas até o leite coalhar.
Quando a coalhada alcançava o seu ponto, com a ajuda da francela e do acincho, a queijeira retirava o leite coalhado da panela e deitava-o dentro do acincho que antes tinha posto em cima da francela. Com as mãos ia calcando a coalhada e esse gesto de pressão, fazia com que o
soro líquido saísse pelos furos do acincho de lata, escorrendo pela francela até cair dentro do recipiente colocado no seu devido sítio.
O processo de fazer o queijo era todo feito manualmente e sem pressas. O queijo é uma delícia quando ainda está fresco, mas para algumas pessoas, depois de curado e bem seco, o queijo de cabra duro, rijo como uma pedra e com um cheiro intenso, é qualquer coisa de sublime e simplesmente uma experiência única.
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| 3.Os doces ou esquecidos |
Estes doces, também chamados "esquecidos", são bolos tradicionais na nossa aldeia. Sempre que há uma festa na comunidade ou para momentos especiais, este é um doce que está sempre na mesa. São uma delícia e
toda a gente aprecia esta singela forma de juntar água, farinha, ovos e açúcar, tudo batido com amor e carinho para mais tarde saborear.
O seu nome "esquecidos" vem da forma como se coziam no forno a lenha.
Depois de cozido o pão, para se aproveitar o calor do forno a lenha,
as mulheres espalhavam a massa, com a ajuda de uma colher, numa chapa lisa e salpicada com farinha e colocavam-nas dentro do forno ainda quente, deixando-os "esquecidos" a cozer lentamente.
Voltarei com este assunto.
Boas Festas