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Campanha de salvamento precisa-se! |
Actualmente,
as pessoas vivem desinteressadas da vida pública da nossa freguesia. Fecham-se nas
suas casas, ainda vão até aos cafés depois do almoço e pouco depois voltam para
a sua vida. E só se voltam a encontrar em dias de convívio na associação ou nos
dias da festa de Agosto. Eu acho que eles não querem é complicações na vida e então
vivem como os caracóis, nada de deixar portas e janelas escancaradas. Ou seja,
nem pensar em assumir cargos de responsabilidade ou funções a favor do povo.
Preferem ficar a ver outros a fazer o trabalho, mesmo que pouco concretizem,
pagam o que há a pagar e os outros governem e organizem como acharem melhor!
A verdade é que, de 2021 a 2025, veio piorar
e nada ajudou a melhorar a vida real das pessoas. E não é por causa da epidemia
do covid ou a gripe das aves, nem por causa da doença da língua azul. Estão a
ser anos de maior afastamento e maior desinteresse no que respeita aos cargos
públicos. A indiferença e o deixar andar, quem está é que sabe o que fazer,
como o faz e quando termina o que começou.
O que mais me espanta é que
actualmente temos mais ferramentas para trabalhar bem melhor, com mais
precisão, mais transparente. Muitas das pessoas que vivem na aldeia,
diariamente espreitam as redes sociais e pesquisam, leem ou partilham o que
lhes apetece. E depois, lá clicam no “gosto”, nos bonequinhos a rir ou a
chorar, mostram o entusiasmo e lá vai um par de mãos a bater palmas…os
telemóveis são mais práticos que os televisores, podemos emitir em directo o
que acharmos por bem, ou por mal, dar a conhecer aos outros. Nos anos 60 e 70,
a vida vivia-se a velocidades mais lentas, as cartas e os postais enchiam-nos a
alma e matavam-se todas as saudades, sabiam-se as notícias e também os cochichos.
Agora, que há mais dinheiro, melhores comunicações, mais informação, mais
conhecimento, porque participamos menos na vida social da aldeia?
Porque vivemos na mesma aldeia e na rua quando nos cruzamos uns com os outros,
há quem não fale, quem olhe e logo baixe o olhar em sinal de desprezo, sendo
mesmo incapaz de sorrir ou de simplesmente dizer bom dia, boa tarde ou boa
noite?
Às vezes eu entro nas redes sociais e
ignorando a realidade e o que se passa na aldeia, fico com vontade de escrever
e proclamar aos ventos que tudo vai ser melhor, que as pessoas vão voltar a
sorrir e a cumprimentarem-se quando se encontram ou se cruzam num qualquer
lugar da aldeia ou do nosso país. Que as coisas que não se terminaram, vão
fazer-se e todos nos orgulharemos do trabalho e dos resultados.
Mas, de repente aparece o diabinho
vermelho com a sua lança e tudo muda, porque rompe a minha bolha de ilusão,
fere as minhas asas no preciso momento de levantar voo.
O meu sonho termina ali, não vale a
pena continuar a sonhar com o regresso das cegonhas ao ninho. Começo a
compreender o significado das mudanças e que as cegonhas não vão regressar
porque ninguém se dispôs a reconstruir o ninho.
Resta-me ter esperança, fazer com amor
o que à distância se pode fazer e acreditar no poder da internet, como se fosse
uma cola forte, com os diversos componentes, unidos num único objectivo, que é
colar de vez a vida comunitária da nossa porcelana fina chamada Malcata, cumprindo
o mandamento do Amor que todos temos por um pedaço de terra, aquele onde nos plantaram
e não fomos nós que escolhemos, mas é onde nascemos, nós os malcatenhos.
José Nunes Martins