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28.6.26

LEVAR A VIDA A SÉRIO

 

Rebanho nos Baldios de Malcata
Foto de Maria Nabais



“Vemos, ouvimos e lemos,
não podemos ignorar”.


 Basta olhar, ouvir as notícias que circulam à nossa volta. O que vemos, lemos e ouvimos muitas vezes são sinais de muita turbulência no mundo e que nos atormenta a vida. E como humanos, tudo o que está a acontecer no mundo faz-nos sentir cúmplices e ignoramos o sofrimento dos outros, as injustiças a que são sujeitos, às guerras que não podem fugir.
 Mas é assim o nosso mundo e isso também não podemos ignorar. Temos de olhar, ver e ouvir e depois tomar uma decisão e fazer alguma coisa para mudar a situação. O ficar só a ver e a ouvir é pactuar com o que não queremos e não gostamos que aconteça. Simplesmente não podemos pensar que sempre assim foi, desde que nos lembramos foi assim feito e não podemos fazer nada. Não, nós podemos fazer alguma coisa. Precisamos é de acordar para a realidade, para o nosso pequeno mundo onde vivemos o nosso dia-a-dia e tantas coisas boas e más acontecem, mas que nós nem nos damos conta. Muitas coisas que acontecem e que até nos parece bem, aplaudimos e até participamos porque achamos que temos direito a elas, às vezes, são situações de doutrinação, de propaganda política disfarçada de muitas formas e feitios. E nós, porque gostamos, deixamo-nos levar e como se estivéssemos
num mundo maravilhoso, vimos para casa alegres, bem-dispostos e não nos calamos de elogiar o trabalho dos outros, nem nos preocupamos dos verdadeiros propósitos do trabalho dos outros. Mas os outros, que não estão adormecidos, sabem bem o que precisam e o que cada um de nós vale. Eles querem controlar o nosso mundo e a vida de quem vive nele. Estando o mundo nas suas mãos, está nas mãos deles a vida de cada um de nós. E quando assim é, isso dá-lhes força e genica de prosseguir o seu caminho.
 Nós precisamos de levar a vida mais a sério. Fazer o que se pode fazer e o que se tem de fazer. Por pouco que fizermos, ganhamos ou perdemos, mas pelo menos
somos nós próprios e queremos viver a nossa vida e não a dos outros.
 “Ah, ao fim e ao cabo são todos iguais”. Não, não somos todos iguais. Só somos iguais porque nascemos e morremos. Todos já sabemos disso e mais tarde ou mais cedo, sabemos que isso vai acontecer. Mas até que a morte chegue, há que viver os anos que nos forem oferecidos.
 A vida tem de servir para alguma coisa, não acham?

1.3.26

PRECISAMOS DE NOS OUVIR

 


 Em Malcata, há necessidade de uma mudança de paradigma, como precisamos de “pão para a boca”.  Se quisermos ultrapassar as dificuldades do presente, tem de se ultrapassar as barreiras que existem à frente do caminho. Precisamos de coragem e ousadia, de criar e acreditar que o desenvolvimento da comunidade é possível e deve envolver e comprometer toda a povoação e cada pessoa em particular. Neste momento, o rebanho é uma das soluções para Malcata sair da imobilidade e do anonimato. Há que fazer entender que este projecto das cabras sapadores tem capacidade para criar postos de trabalho para além dos pastores. As cabras devem servir de motivo de união e de desejo em fortalecer a economia local e regional, garantir trabalho a um pequeno grupo de pessoas de Malcata. Há uma urgente necessidade de martelar as nossas cabeças e as nossas consciências de que somos um povo unido e que estamos todos no mesmo barco. Há muito que se esperava o rebanho, o queijo, o cabrito e o leite. Agora é tempo de desassossego e de passar à acção. É tempo de questionar, pensar e comprometer-se com o que garanta o futuro da comunidade, apostando numa organização que assente no respeito e na transparência, que retribua e ofereça as oportunidades de trabalho e rendimentos justos. Combater a opacidade e abrir o projecto das cabras a todos os malcatenhos deve ser um compromisso cívico em nome do bem de todos.
 Precisamos de coragem, ousadia e de acreditar que Malcata se pode desenvolver e tornar-se numa terra amada.