A Câmara Municipal do
Sabugal contratou um gabinete da especialidade para realização de um estudo
sério e aprofundado sobre o concelho. O trabalho foi feito e pago. O problema é
que, esse estudo de pouco ou quase nada serviu e apesar dos diagnósticos
encontrados, o território continua mais ou menos na mesma, o município continua
a dar prioridade a eventos efémeros, dispendiosos q.b., sem a capacidade de deixar
valor, marca, riqueza financeira duradoura. Sei de concursos já pagos pelo
município a gabinetes de gente trabalhadora, que rabiscaram uma Aldeia de Alzheimer,
uma Carta Europeia Para as Terras do Lince, uma Grande Rota, percursos e
parques de campismo, mas nada saiu do papel. Começo a duvidar até que alguém se
tenha debruçado na leitura cuidada e atenta do que foi analisado e sugerido!
A visão estratégica esgota-se na
realização de mais estudos e projectos de construção de estruturas que,
provavelmente, não trarão retorno financeiro para a economia, não são projectos
apelativos à fixação de empresas, de pessoas…porque o interesse é que essas
pessoas venham passar uns dias em festas, garraiadas e outras realizações de
consumo rápido.
Quando um município apresenta uma conta de --- estamos frente a um
problema sério de tesouraria. São mesmo investimentos no futuro ou apenas o pagamento a empresas criadas para entreter o povo com o dinheiro dos impostos que paga?
Um concelho onde as empresas não têm condições de se instalar, gerar postos de
trabalho e riqueza, dizer da boca para fora que as festas foram um êxito e são
para continuar, aumentar e gastar ainda mais…
Nestes anos assistimos a eventos patrocinados pela Câmara Municipal. E se não é
com o apoio declarado da Câmara, lá aparece uma daquelas “empresas” ou “proxis”
do município, que escondidas com outros nomes, são igualmente geridas com o
nosso dinheiro. Ou seja, o povo paga sempre, mesmo que não pareça!
Já repararam que a Câmara Municipal se
transformou numa daquelas empresas de entretenimento público? Ainda há dias
acabaram as Festas da Cidade 2026, na cidade do Sabugal. Seguem-se as Capeias
Arraianas durante o mês de Julho e Agosto, os Festivais Sete Sóis Sete Luas, Bruxas
à Solta, Muralhas Com História (Sortelha), Festival Sons do Côa, Sortelha Beijo
Sem Fim, Feira dos Santos, Feira das Tecnologias, Festival de Degustação de
Carnes e não haverá concurso de Derrube de Obstáculos a Cavalo, porque
desistiram da Aldeia Medieval ali para os lados de Roque Amador…o tal Parque
Temático, imaginado pelos criativos do município no tempo do António.
Se não desse para rir… mas não vamos
esperar muito tempo para chorar! É que as festas, pagam-se bem e como no
castelo não existem recursos materiais, criatividade muito menos, continua-se a
alimentar a manada de empresas que não largam a teta, porque para trabalhar
basta requisitar os trabalhadores do município, mesmo que o seu trabalho diário
fique por acabar. Pois, só que os problemas disto tudo não têm que ver com a
disposição e vontade de colaborar, de trabalhar por amor à Câmara, ao
presidente ou ao chefe de equipa. Ir trabalhar para as festas todos querem e
provavelmente alguns estão sempre à espreita da oportunidade de mudar de tarefa
por uns dias e sempre há um tempinho para um pé de dança.
Mas e o importante? A criação de
riqueza? O futuro dos mais novos?
Por muito grande e bonito fique o palco
multiusos, o concelho necessita permanentemente de pessoas, de empresas
produtoras de queijos, chouriços, compotas, armazéns cheios de batatas prontas
a exportar, talhos e pastores, colmeias e abelhas, vacarias e rebanhos,
carpintarias e serrações…porque numa era digital, nem a Inteligência Artificial
é tudo!
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