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06 fevereiro, 2025

MALCATA: A MATANÇA DO PORCO ERA UMA NECESSIDADE

    

A desmancha do porco na família do Ti Zé Martins
era feita com todo o cuidado.

   A matança tradicional do porco está hoje devidamente autorizada pelo despacho nº 14535-A/2013, publicado em 11 de Novembro de 2013 e desde 1 de Janeiro de 2014 que está em vigor. Neste despacho se pode ler que “É autorizada a matança para auto consumo de bovinos, ovinos e caprinos com idade inferior a 12 meses, de suínos, aves de capoeira e coelhos domésticos, desde que as carnes obtidas se destinem exclusivamente ao consumo doméstico do respectivo produtor bem como do seu agregado familiar e sejam respeitadas as seguintes condições (…)”.


   Concluímos daqui que se pode realizar uma matança do porco tal como nos tempos dos nossos avós, proporcionando aos que nela participam um momento único e de recriação histórica.
   E, como diz o regulamento, devem ser respeitadas algumas condições…que eu resumiria que a “matança do porco” obedece a um ritual que nos ajuda a preservar a história, as tradições populares e que vai para lá da organização de um convívio. É assim que se faz uma verdadeira matança.
   Na nossa freguesia o evento da matança tem estado a cargo da Associação Cultural e Desportiva de Malcata e anualmente organiza um convívio, convidando as pessoas da freguesia a saborear e a reviver as manhãs frias e de laburdos diários que antigamente todas as famílias faziam. A matança é uma herança cultural com contornos muito próprios que se identificam com a nossa aldeia e a sua história. A tradição de matar um porco é muito antiga e nós, os malcatenhos, devíamos estar dispostos a preservar a matança à moda de Malcata, com os devidos pedidos às autoridades, respeitando os preceitos legais.
   É todo um ritual que estamos a falar e que os nossos avós cumpriam nestas alturas dos meses frios e guardavam sempre tempo para nestas alturas estarem presentes nas matanças, quer na casa dos familiares, quer na casa dos vizinhos. As matanças eram uma importante ajuda para as famílias, mesmo aquelas de menos posses, um porco por ano tinha de ser criado para matar.
   A tradição pode até nem ser do acordo de todos e temos de estar preparados para ouvir opiniões contrárias à da maioria das pessoas. A tradição de matar o porco sempre dividiu os povos, as sociedades.
Uns defendem que se não deve causar sofrimento aos animais e que hoje há técnicas de fazer de forma diferente. Todos temos direito a ter uma opinião e o respeito mútuo é o toque certo para evitar mal-entendidos. Contudo, a tradicional matança na nossa aldeia, não devia deixar de se fazer nos moldes tradicionais, pois trata-se de respeitar o legado deixado pelos nossos antepassados, que durante séculos o guardaram e lhes permitiu que nós o conhecêssemos e vivêssemos, com necessidades diferentes das que eles viveram, mas tão importantes para nós podermos continuar a transmissão destes sabores e saberes tão característicos da nossa terra.
   Por isto tudo e porque a Associação Cultural e Desportiva de Malcata tem todo o apoio e conhecimento, por querer defender o bom e o melhor da nossa alimentação, da cultura e ainda homenagear quem nos precedeu, quem ainda hoje sabe como se faz uma matança, mesmo que as forças físicas já não lhes dê a força e a pontaria que precisam para consumar o golpe fatal.
                                 
José Nunes Martins

18 outubro, 2024

CABRITO ASSADO EM MALCATA

    


   Há confrarias pelo país todo e algumas são autênticos clubes privados, associações de pessoas que se unem a defender os mesmos interesses de grupo, de sociedade e mesmo pessoais, usando a confraria para se manterem na onda.

   Louvo os confrades da Irmandade das Almas, da Confraria de Santo António, da Confraria da Senhora do Rosário e do Santíssimo. Eram confrades para voluntariamente servirem e ajudar quem precisava.
   Quanto às confrarias gastronómicas todas se reclamam defensoras de algum produto, tradição, costume e sempre que reúnem convidam outras confrarias para a festa. Ou seja, vestem as suas capas e outros complementos que pode ser um chapéu, uns bordões de madeira, um copo, muitos “pins” presos com alfinetes e estão prontos a desfilar e a mostrar-se aos outros confrades e convidados.
   Andei a observar alguns cartazes que as confrarias divulgam quando se reúnem em Capítulo. Apercebi-me que na sua grande maioria contam com a presença dos presidentes das Câmaras Municipais, dos Presidentes das Juntas de Freguesia, de outros políticos, engenheiros, doutores e professores, empresários, uns no activo e outros a viver as suas agradáveis reformas. Todos diferentes e de lugares distintos, alguns foram os responsáveis de se ter perdido certas tradições e identidades, abandono do património e do território e que pouco fazem hoje para defender o que de bom existe. E alguns afirmam solenemente que estão nas confrarias para defender e promover o que de bom e do melhor existe e se produz no território que a confraria diz defender e promover.
   Será que os confrades se apercebem do que se passa na freguesia de Malcata? Que informação lhes é transmitida sobre a freguesia, sobre os produtos com valor, com qualidade, quem os produz e em que condições os comercializa? Saberão eles quem merece o apoio e quem é apoiado, levado para todas as feiras e mercadinhos e ignoram  os artistas e empreendedores  fazer o seu próprio percurso criativo e artístico, lá partem para eventos, feiras, worshops, formações e com a aldeia no coração e no pensamento, vão às suas custas sem qualquer mimo das entidades públicas da terra, nomeadamente da autarquia, que tem o dever de defender e apoiar quem se propõe acrescentar mais valor à freguesia, divulgar a sua riqueza natural, os seus produtos. Eu, sinceramente,  custa crer que o que acabei de falar seja do conhecimento dos que amanhã estejam na freguesia e se dizem defender o território do Sabugal.  Questiono-me sobre o que irá ser transmitido amanhã quando os confrades fizerem a pergunta sagrada ao anfitrião da freguesia:
    Quando podemos preparar, distribuir pelas famílias da aldeia de Malcata um cabrito do rebanho das cabras serranas, que depois de bem confecionado, possa ser oferecido gratuitamente a quem visitar a freguesia num 19 de Outubro como o deste ano?
   É uma pergunta difícil de responder, mas se todos os confrades a fizerem a si próprios, penso que estaria encontrada uma via para o escoamento da produção do bom e do melhor cabrito na brasa do concelho do Sabugal.
   Isto de oferecer carne de cabrito por toda a freguesia parece utopia da minha parte e sei que muitos se estão a rir da ideia. E se quem degustar um naco de cabrito, um bocado de pão e um copo a ajudar, achar que é óptimo, saboroso, único, ambiente agradável, despretensioso e o deixa feliz da vida, voltar mais vezes e disser boca a boca que o melhor cabrito assado na brasa, o mais natural e que é “algu” do Sabugal, se encontra na aldeia de Malcata, ali aos pés da Serra e da Reserva Natural da Serra da Malcata?
   Assim é que respeitamos e defendemos o que é nosso, da freguesia, do concelho, saberes e sabores que os nossos antepassados nos deixaram.
   Espero ter boas notícias sobre o IV Capítulo da Confraria do Cabrito na Brasa-Sabugal e sinceramente, tenho esperança que assim aconteça.


  

 

            

14 julho, 2012

NÃO HÁ CABRAS BOMBEIRO NA MALCATA

   

   O projecto "Self-Prevention" está com dificuldades para se implantar no concelho do Sabugal. As dificuldades financeiras e,  a falta de terrenos em área suficiente, estão a atrasar a introdução das cabras nos montes da região. No passado dia 13 de Julho, no jornal Público o responsável pela comunicação na Câmara Municipal do Sabugal, o senhor Vítor Proença, dizia que " não existe a área mínima necessária. É necessário no mínimo uma área de 200 hectares ( de terrenos públicos ) para este tipo de projecto e o município não tem esta área disponível".
   Leia aqui:http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1554816
   Mas esta exigência de área mínima não foi tida em conta em Espanha. Na província de Salamanca, em Robleda, o projecto avançou no ano passado e em terrenos de 53 hectares introduziram 200 cabras. Para além dos animais outras infraestruturas foram construídas e até o negócio está a funcionar.
   Em 31 de Dezembro de 2011, José Luís Pascual, director geral da AECTD disse numa reunião de esclarecimento que decorreu na cidade do Sabugal ser "o objectivo para o1º semestre deste ano é colocar em andamento duas explorações: uma em Espanha  e outra em Portugal".
   Que aconteceu daí para cá? A exploração espanhola está já a funcionar e a de Portugal dizem estar com falta de financiamento e de terrenos. Vejam o que os espanhóis já avançaram:



22 novembro, 2011

A LENDA DO PORCO




  « No tempo em que os animais falavam, certo dia o porco, vendo entrar na loja o cavalo e o burro com uma grande carga de lenha, de batatas, milho, a transpirar, cansados e desejosos  que lhes tirassem quanto antes, aquela carga, o porco, todo contente, sorridente e satisfeito batia palmas, grunhia de contentamento e, de uma maneira orgulhosa e vaidosa dizia-lhes:

- Vós sois uns autênticos desgraçados, sempre com a carga em cima de vós! Eu aqui como de tudo o que de melhor há e vós, infelizes, puxais pelo coirão, dia e noite sem descanso.
   O cavalo cansado e desanimado mas não convencido daquilo que o porco dizia, presunçosamente, respondeu-lhe:
 
- Olha porquinho duma figa, há-de chegar o dia em que tu, à noite, não vais comer nada, porque os teus patrões te vão negar seja o que for. Sabes porquê, rico porquinho? Não sabes? Mas vais saber, agora e vais ficar cheio de inveja de nós. Um dia, de manhazinha, o teu patrão vai abrir-te a cancela da cortelha. Sabes para quê? Tu vais pensar que é para ir passear, mas, enganas-te! Vão pegar-te pelas pernas, colocam-te em cima de um banco, mais ou menos do teu comprimento, espetam-te um facalhão na goela tu esperneias ali uns segundos, gritas por socorro com toda a força dos pulmões e começa a cair para o barrelhão o teu sangue em jacto...Olha, vaidoso e orgulhoso porquinho, termina nesse dia a tua boa vida. Nós, apesar de cansados, fatigados e, muitas vezes, desanimados, cá vamos andando, roncando, rosnando, algumas vezes, pinoteando, mas continuamos vivos!

  


Diz a lenda que o porco, depois deste diálogo, ficou muito triste e apreensivo, sempre à espera da noite em que lhe iriam negar a ceia. Lá se animava mais quando via entrar, à noite, o caldeiro de vianda e o despejavam na habitual pia de pedra. Então dizia para as suas longas orelhas:
   "Ainda não é amanhã, o meu último dia!"»
Autor deste texto: Manuel Martins Fernandes, no livro "Memórias de Infância...Raízes do Coração, pág.175a184.

11 agosto, 2010

MALCATA EM FESTA (2)

Muita gente se juntou para saborear a carne de porco no espeto, acompanhada com um delicioso arroz de feijão, um naco de pão e um bom copo. Graúdos e miúdos compareceram ao convite dos mordomos da festa. Mesmo com tantos a comer e alguns a repetir, a comida chegou para todos. Com a comida nos pratos, cada um procurou arranjar forma de poder meter a comida à boca. Uns sentados nas escadas, outros pousaram os pratos nas paredes dos tanques de água e mesmo aqueles que ficaram em pé, lá se arranjaram para comer.
Uma palavra de louvor aos homens do "Garfo e Faca Club" que souberam confecionar este magnífico manjar. O trabalho deles começou pelas duas da tarde e aguentaram até ao fim, sempre com um profissionalismo ímpar.
Outra palavra de louvor vai para os mordomos da festa deste ano. O trabalho foi muito, mas valeu bem todos os sacrifícios. Agora, que a festa terminou, desejo-lhes um bom descanso.
Nota: Devido à quantidade de fotografias que tirei durante a festa, irei publicá-las aqui aos poucos. Mais tarde elaborarei outras formas de vos fazer chegar as fotografias.
 Os homens do Club Garfo e Faca


Continua...