22 novembro 2010

COMER COGUMELOS COM REGRAS


Susana Gonçalves, investigadora do Centro de Ecologia Funcional do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, enumera as regras básicas de segurança para o consumo de cogumelos silvestres.

  REGRAS BÁSICAS DE SEGURANÇA 
  PARA O CONSUMO DE COGUMELOS:
1. Aprenda a reconhecer as espécies mortais (e.g. Amanita phalloides) que crescem nas áreas onde costuma colher cogumelos. Conheça o seu aspecto, em que altura do ano frutificam, perto de que espécies de árvores ocorrem, e tudo o mais que o ajude a evitá-los. Procure a ajuda de um especialista, frequente um curso de identificação ou adquira um bom guia de campo.

2. Dê preferência às espécies de cogumelos comestíveis que não se possam confundir com as espécies venenosas que aprendeu a identificar. Se possível, tire fotografias dos cogumelos que colheu ainda no seu habitat natural.

3. Não colha cogumelos em áreas potencialmente contaminadas como, por exemplo, perto de unidades industriais, à beira das estradas, em terrenos agrícolas ou no interior de perímetros urbanos.

4. Em casa, examine sempre todos os exemplares para assegurar que não colheu, inadvertidamente, nenhum exemplar de espécies não comestíveis.

5. Rejeite os cogumelos velhos ou que apresentam sinais de deterioração.

6. Coma apenas uma espécie de cada vez, especialmente se não costuma consumir cogumelos silvestres.

7. Reserve uma amostra dos cogumelos frescos que vai cozinhar. Em caso de intoxicação, esta amostra pode salvar-lhe a vida! Os cientistas podem identificar qual a espécie tóxica que ingeriu, permitindo aos médicos fazer um diagnóstico adequado e iniciar o tratamento atempadamente.

8. Não acredite na veracidade das crenças populares
destinadas a identificar cogumelos tóxicos.

9. Cozinhe sempre os cogumelos silvestres. Alguns cogumelos silvestres são tóxicos apenas quando consumidos crus (e.g. Lepista nuda, Amanita rubescens e algumas espécies de Helvella).

5. Coma sempre pequenas quantidades de cada vez e nunca em refeições ou dias seguidos (particularmente se é a primeira vez que consome determinada espécie). Cada pessoa reage de forma diferente à ingestão de cogumelos silvestres e, por isso, devemos experimentar a nossa resposta com precaução. Por outro lado, a quantidade ingerida pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

11. Evite beber álcool quando experimentar espécies que nunca consumiu e não consuma álcool com certas espécies como, por exemplo, Coprinus atramentarius.

12. Como precaução adicional, não dê cogumelos silvestres a comer às crianças, mesmo aqueles considerados seguros.

13. Não se esqueça que consumir cogumelos silvestres pode matar. Em caso de dúvida, não os coma!

 Saiba mais sobre este assunto aqui:

18 novembro 2010

MANUEL ANTÓNIO PINA: SABUGALENSE ILÚSTRE

Manuel António Pina-Sessão de autógrafos na Guarda
(Foto do JL)
   
    Nasceu no Sabugal em 1943 e como muitos outros sabugalenses, foram estudar  para outras terras e por lá ficaram. Escritor, com uma veia poética única, é também cronista no Jornal de Notícias e na Notícias Magazine. Escreve palavras claras e directas para os adultos e faz sonhar os mais pequenos quando estão a ver os seus teatros ou a ler as suas histórias. 

Uma vida de aventuras
«O meu nome é Manuel António Pina. Nasci numa terra com um grande castelo, nas margens de um rio onde, no Verão, passeávamos de barco e nadávamos nus. Chama-se Sabugal e fica na Beira Alta, perto da fronteira com Espanha. Quando era pequeno, olhava para o mapa e pensava que, por um centímetro, tinha nascido em Espanha.
Mais tarde descobri que as fronteiras são linhas inventadas que só existem nos mapas. E que o Mundo é só um e não tem linhas a separar uns países dos outros a não ser dentro da cabeça das pessoas.
A verdade é que, por causa da profissão de meu pai, vivi (depois de ter nascido, antes não me lembro…) em muitas diferentes terras e, por isso, não tenho só uma terra, tenho muitas. Uma delas é o Porto, onde vivi mais tempo do que em qualquer outra, onde nasceram as minhas filhas e onde provavelmente morrerei um dia.
Como fui durante muitos anos jornalista, mais de trinta, viajei um pouco por todo o Mundo, da América ao Japão, da China ao Brasil, da África ao Alaska. E como sou escritor tenho viajado também por dentro de mim mesmo. E por dentro das palavras. Assim, apesar de ter nascido numa terra com um grande castelo, nas margens de um pequeno rio, não pertenço a lugar nenhum, ou pertenço a muitos lugares ao mesmo tempo. Alguns desses lugares só existem na minha imaginação. Porque a imaginação, descobri-o também, é o modo mais fantástico que há de viajar.»
Texto copiado daqui:

08 novembro 2010

MALCATA: O FUTURO ESTÁ NAS NOSSAS MÃOS

   No passado sábado decorreram em Malcata as primeiras jornadas micológicas. Sob a orientação do Engenheiro António Borges, chefe da Unidade de Gestão Florestal da Beira Interior Norte, os participantes iam aprender mais sobre o mundo dos fungos. Depois da saída para o campo e da apresentação dos cogumelos recolhidos houve oportunidade de provar algumas espécies e também presenciar a pisa da castanha seca com métodos "tradicionais e ecológicos", que acabaram dentro de uma panela e transformarem-se num delicioso caldudo.
   Pelo que relata o senhor José Manuel Campos, coube ao Abílio o aprimorar do caldudo que com certeza deixou muita gente bem comida e de barriga cheia.
   É um começo e estas iniciativas devem continuar a realizar-se na aldeia de Malcata e também na nossa região. O mês de Novembro está cheio destas iniciativas e de outras de não menos importância e sabores.
   O Engenheiro António Morgado, Presidente da Câmara do Sabugal, a respeito destas actividades organizadas pela Câmara e em colaboração com as Juntas de Freguesia disse à Local Visão que "É importante dinamizar o território e promover aquilo que nós temos. Nesse sentido, quer a micologia quer as castanhas, os doces e licores, as compotas, os enchidos...é tudo importantíssimo para nós valorizarmos esse aspecto do nosso território".
   Também o Presidente da Freguesia dos Fóios, professor José Manuel Campos, à mesma televisão falou de que "lamento que nós ´não nos governamos nem nos deixamos governar. Não sabemos aproveitar as nossas potencialidades e aquilo que nós temos. Eles, os espanhóis, vêm cá buscar cogumelos e depois de transformados, os portugueses vão lá comprá-los. No fundo, quem ganha o dinheiro são os espanhóis. Temos muito que aprender...".
    Sabemos que até Dezembro as actividades dos sabores e tradições vão continuar um pouco por todas as aldeias. Por vezes até realizando actividades em vários locais e no mesmo dia. Sim, as pessoas não podem estar presentes em todas, tudo bem. Concordo com o José Manuel Campos quando ele diz que "temos muito que aprender". É verdade, há que aprender a conjugar estas actividades juntamente com ofertas turísticas, ou seja, através dos cogumelos, das castanhas, dos doces, dos licores, do pão no forno a lenha, do cabrito, do bucho, dos agriões, criar programas bem elaborados e planeados conjuntamente com as unidades de alojamento e restauração de modo a oferecer uma oportunidade aos portugueses e a qualquer pessoa que tenha dinheiro, tempo e desejo de conhecer uma região que existe realmente em Portugal.
   Realmente os espanhóis já levam algum avanço. Mas em Portugal já há regiões, como por exemplo, Paredes de Coura, que já estão nesse caminho...o "micoturismo" é uma actividade com uma influência positiva na vitalidade sócio-económica das regiões rurais. Planeam-se programas com jornadas, passeios pedestres, colóquios, oficinas, provas de produtos e os participantes pagam para participarem.
   Exemplos:
   Entendem agora porque eu há dias escrevi que estas actividades não podem continuar a ser gratuitas...se temos de valorizar o "território" e é "importantíssimo" tem que ter um preço. Lembrem-se que os produtos e serviços com qualidade têm sempre saída. Apoiar é ajudar, auxiliar, amparar...não podemos continuar a oferecer almoços grátis. Esses procedimentos mais tarde acabam por serem pagos com os nossos impostos e se as pessoas que assim exercem o seu poder e aquelas organizações que aceitam trabalhar dessa forma, por vezes, acabam todos aprisionados numa teia de onde é difícil libertarem-se sem sofrimento e dor e continuar a viver com o cérebro limpo de ferro velho.
    E cá para nós, já alguém pensou na produção de cogumelos? A sua produção é rentável para os nossos vizinhos espanhóis, logo, deve ser rentável também para os portugueses! Há que descobrir os segredos e quanto mais cedo, mais depressa se ganhará dinheiro.
   Este ano Malcata viveu uma experiência nova. Foi um começo de algo que pode ser mais certo e mais rentável, para os malcatanhos, do que os mega projectos que dizem querer construir nos terrenos da aldeia.