08 novembro 2010

MALCATA: O FUTURO ESTÁ NAS NOSSAS MÃOS

   No passado sábado decorreram em Malcata as primeiras jornadas micológicas. Sob a orientação do Engenheiro António Borges, chefe da Unidade de Gestão Florestal da Beira Interior Norte, os participantes iam aprender mais sobre o mundo dos fungos. Depois da saída para o campo e da apresentação dos cogumelos recolhidos houve oportunidade de provar algumas espécies e também presenciar a pisa da castanha seca com métodos "tradicionais e ecológicos", que acabaram dentro de uma panela e transformarem-se num delicioso caldudo.
   Pelo que relata o senhor José Manuel Campos, coube ao Abílio o aprimorar do caldudo que com certeza deixou muita gente bem comida e de barriga cheia.
   É um começo e estas iniciativas devem continuar a realizar-se na aldeia de Malcata e também na nossa região. O mês de Novembro está cheio destas iniciativas e de outras de não menos importância e sabores.
   O Engenheiro António Morgado, Presidente da Câmara do Sabugal, a respeito destas actividades organizadas pela Câmara e em colaboração com as Juntas de Freguesia disse à Local Visão que "É importante dinamizar o território e promover aquilo que nós temos. Nesse sentido, quer a micologia quer as castanhas, os doces e licores, as compotas, os enchidos...é tudo importantíssimo para nós valorizarmos esse aspecto do nosso território".
   Também o Presidente da Freguesia dos Fóios, professor José Manuel Campos, à mesma televisão falou de que "lamento que nós ´não nos governamos nem nos deixamos governar. Não sabemos aproveitar as nossas potencialidades e aquilo que nós temos. Eles, os espanhóis, vêm cá buscar cogumelos e depois de transformados, os portugueses vão lá comprá-los. No fundo, quem ganha o dinheiro são os espanhóis. Temos muito que aprender...".
    Sabemos que até Dezembro as actividades dos sabores e tradições vão continuar um pouco por todas as aldeias. Por vezes até realizando actividades em vários locais e no mesmo dia. Sim, as pessoas não podem estar presentes em todas, tudo bem. Concordo com o José Manuel Campos quando ele diz que "temos muito que aprender". É verdade, há que aprender a conjugar estas actividades juntamente com ofertas turísticas, ou seja, através dos cogumelos, das castanhas, dos doces, dos licores, do pão no forno a lenha, do cabrito, do bucho, dos agriões, criar programas bem elaborados e planeados conjuntamente com as unidades de alojamento e restauração de modo a oferecer uma oportunidade aos portugueses e a qualquer pessoa que tenha dinheiro, tempo e desejo de conhecer uma região que existe realmente em Portugal.
   Realmente os espanhóis já levam algum avanço. Mas em Portugal já há regiões, como por exemplo, Paredes de Coura, que já estão nesse caminho...o "micoturismo" é uma actividade com uma influência positiva na vitalidade sócio-económica das regiões rurais. Planeam-se programas com jornadas, passeios pedestres, colóquios, oficinas, provas de produtos e os participantes pagam para participarem.
   Exemplos:
   Entendem agora porque eu há dias escrevi que estas actividades não podem continuar a ser gratuitas...se temos de valorizar o "território" e é "importantíssimo" tem que ter um preço. Lembrem-se que os produtos e serviços com qualidade têm sempre saída. Apoiar é ajudar, auxiliar, amparar...não podemos continuar a oferecer almoços grátis. Esses procedimentos mais tarde acabam por serem pagos com os nossos impostos e se as pessoas que assim exercem o seu poder e aquelas organizações que aceitam trabalhar dessa forma, por vezes, acabam todos aprisionados numa teia de onde é difícil libertarem-se sem sofrimento e dor e continuar a viver com o cérebro limpo de ferro velho.
    E cá para nós, já alguém pensou na produção de cogumelos? A sua produção é rentável para os nossos vizinhos espanhóis, logo, deve ser rentável também para os portugueses! Há que descobrir os segredos e quanto mais cedo, mais depressa se ganhará dinheiro.
   Este ano Malcata viveu uma experiência nova. Foi um começo de algo que pode ser mais certo e mais rentável, para os malcatanhos, do que os mega projectos que dizem querer construir nos terrenos da aldeia.

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