Mais do que um blog, um legado e um cantinho dedicado à preservação da memória coletiva de Malcata, das tradições e costumes e ofícios antigos. Um ponto de encontro para naturais, descendentes e apaixonados pela aldeia que moldou as nossas vidas.
23/12/2025
09/12/2025
JANTAR DE NATAL DA COMISSÃO DE FESTAS
👫👫👭🎁🎁🎁🎁👫🤼👯🎁🎁🎁
966 920 234 – Eva Corceiro
915 344 859 – Rita Varandas
O jantar está a ser preparado com dedicação, carinho e orgulho de pertencer a Malcata e os mordomos estão a preparar tudo para receber bem os que desejarem participar no Jantar de Natal da Comissão de Festas.
O jantar é para angariação de fundos para a festa que há-de ser no 2º Domingo de Agosto do próximo ano.
Os valores por cada pessoa são estes:
Adulto: 20 Festas (€)
Dos 7 aos 12 anos: 10 Festas (€)
As crianças até aos 6 anos é gratuito
Colaborem com a Comissão de Festas Malcata 2026 e reforcem os espírito de Natal, a amizade e a união são a força da nossa aldeia.
💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓💓
20/11/2025
FESTAS DE MALCATA: OS TEMPOS SÃO OUTROS
-MOTION.gif)
José Nunes Martins
01/09/2025
A IMPORTÂNCIA DA APRESENTAÇÃO DE CONTAS
Estou a escrever estas palavras muitos dias depois da festa. Este ano não estive na aldeia pela semana da festa. O que vi e pude acompanhar via internet e telefonemas, foi uma festa valente e bastante animada. O arraial durou este ano uma semana!
Na última noite da festa, foram subiram ao palco os novos mordomos. Agora que se encerrou a festa deste ano, é tempo de pensar na festa do Verão seguinte e sem muitas demoras.
Os mordomos que organizaram a festa deste ano estão de parabéns, pois aquilo que transpareceu foi que conseguiram organizar uma festa e reavivaram a nossa terra durante a mais importante festa da aldeia. E desta vez, até S. Pedro esteve a torcer pelo êxito e o Judas nem às noites foi visto nas ruas. Só se ele veio disfarçado de militar e passou os dias fechado, na casa daquela pessoa amiga e bem parecida, que também deixou vazia a caixinha do dinheiro, recebido em honra do Barnabé, pois estão bem um para o outro e têm gostos e interesses comuns, a atração por moedas. Foi por estas coisas e talvez por causa de outras que ficou sem trabalho e teve de sair a acelerar pela A25. Tanto Judas como a rapariga, vivem sem consciência da dimensão dos prejuízos que causam ao mundo e às pessoas, gostam de gastar sem olhar a meios nem
a métodos ou promessas. Estou convencido, que lhe deram rédea larga e liberdade sem regras.
É por estas e outras situações que, para organizar as festas de Malcata, é importante apresentar atempadamente, um programa e um orçamento, uma equipa de mordomos em que as tarefas de cada um desde o “presidente”, ao tesoureiro, secretário, fiscal…fiquem escritos e anunciados ao povo. E no fim da festa, apresentar as contas. Só assim se pode atribuir e controlar as festas e assim promover a freguesia com a elevação que ela precisa e as pessoas desejam.
Eu sei e outros também sabem, que os mordomos, todos fazem o melhor que podem e sabem, embora isso possa não ser o suficiente para agradar a toda a gente. Também sei e outros também sabem que os mordomos são gente amiga, conhecida e todos fazemos um esforço para não dar muita importância a um ou outro desvio, contratempo, desentendimento, discordância e não se sinta muito incomodado com o destino dado aos euros gastos ou existentes em contas bancárias, seja como depósito e reserva para outras festas ou gasto em coisas desconhecidas e em benefício próprio.
Por tudo isto, que paira na atmosfera e para terminar com a habitual ideia de que o dinheiro da festa é para ser gasto, que a festa raramente dá lucro, é preciso que todas as comissões de mordomos apresentem as suas contas. Não é o único passo e sabemos que se devem tomar outras decisões. Com isto que escrevo, apenas pretendo deixar aqui um alerta alerta e uma maior atenção para tudo o que envolve as festas de Malcata e as pessoas que estão voluntariamente dispostas a organizá-las.
A festa de 2025 foi um êxito e a animação foi muita. Foi esta a mensagem que recebi. E também me disseram que o povo gostou.
O meu desejo e esperança é que a seriedade e a transparência seja motivo para a realização das contas e que os mordomos as divulguem publicamente.
José Nunes Martins
10/08/2025
MALCATA 1963-A GRANDE FESTA FOI EM SETEMBRO
![]() |
| Recorte do jornal A Voz do Sabugal 1963 |
A festa foi precedido de tríduo de preparação e no domingo de manhã ouviu-se a alvorada de foguetes que despertou toda a aldeia e recordou às pessoas que era dia de festa.
Enquanto acontecia a alvorada, a banda de música percorria as ruas da aldeia, parando em frente às casas dos mordomos.
A primeira procissão, que começou às 9:30 da manhã, percorreu as ruas habituais, com todos os santos da igreja, indo os estandartes maiores à frente e os mais pequenos, uns passos à frente do respectivo andor. Logo de seguida celebrou-se a missa e as crianças fizeram a comunhão.
À uma da tarde (!!! apesar do calor…) celebrou-se a Missa Solene, com pregação, seguida da procissão com o Santíssimo (o padre fazia todo o percurso da procissão debaixo do pálio, que meia dúzia de homens sustentavam através de seis varas, três de cada lado).
Terminadas as cerimónias religiosas, o povo foi para as suas casas com pressa, já era tempo, mais que tempo, para as famílias se sentarem à volta da mesa da sala de jantar, que estava preparada e bem composta, tudo do bom e do melhor.
Quando o pôr do sol estava próximo e o ambiente mais fresco, todo o povo aparecia ao Rossio-Torrinha para participar no “Ramo” da festa. Nos intervalos, a banda de música tocava umas músicas para animar o baile.
A igreja paroquial neste ano, foi alvo de obras de melhoramentos que eram necessários que se fizessem. O padre e a Comissão foram elogiados pelo trabalho ali
realizado.
Este texto foi inspirado na notícia publicada em 1963, no Amigo do Sabugal de Setembro
deste mesmo ano.
![]() |
| Este senhor das amêndoas, era sempre bem-vindo às festas |
| Início da procissão no adro da igreja em Agosto 2008 |
![]() |
| Festa de São Barnabé em Agosto 2025 (Foto de Alberto) |
E assim se recordam os nossos antepassados. Bem-haja a todos.
09/08/2025
OS SABORES E AROMAS EM MALCATA SÃO ORIGINAIS
Este ano, realizou-se a "X Feira de Artesanato e Sabores" em Malcata. Esperava ver nas imagens divulgadas, alguns artesãos e produtos agrícolas ou gastronomia usual na nossa aldeia - como batatas, alfaces, tomates, pimentos, abóboras, feijão verde, pão caseiro cozido no forno a lenha, alguns enchidos, queijos de cabra, filhós, aletria, arroz doce, papas de milho e caldudo, que é aclamado como a sopa mais típica da aldeia, mel em frascos e em favos, licores com ervas naturais, chás e outras ervas, flor de carqueja...
Mas infelizmente, as imagens divulgadas pela Freguesia de Malcata, não consegui ver estes produtos, nem artesanato genuíno e típico da aldeia e quanto a sabores, a amostra piora ainda mais! Fico com a sensação de que foi mais uma feira de "penduricos". "crepes" e pipocas doces e coloridas a gosto que as pessoas de fora vieram fazer, mas que eu saiba, os sabores em Malcata são outros.
Salvou-se a animação do recinto. Os artistas convidados marcaram os dois dias, ou antes, as duas noites, de feira. Claro, vêem-se as pessoas alegres, com sorrisos e a desfrutar do evento e os mordomos agradecem a ajuda que a Junta de Freguesia tem vindo a oferecer.
Deixo aqui algumas questões para quem quiser responder:
1-O que mais gostou na X Feira de Artesanato deste ano?
2-Qual foi o "artesão" ou "sabor" que mais surpreendeu?
3-Que tipo de artesanato e sabores gostaria de ver no próximo ano?
4-Convidava alguém de fora da aldeia e que nunca tenha vindo, a visitar?
A Feira deste ano está encerrada e deixou no ar o cheiro a coisas doces e sons de música, sapateado e "sevilhanas" que trouxeram mais brilho ao Rossio.
Mais do que uma feira, tratou-se de reencontrar gente da terra e de outras paragens, que raramente se encontram durante os outros meses do ano. Fica a confirmação da falta de artesãos e de verdadeira aposta nos genuínos sabores da nossa terra, que sabemos, existem e são de qualidade top. São duas vertentes que identificam e valorizam a freguesia.
Está a ser uma semana de festa, hoje é o penúltimo dia e vésperas do grande dia da festa. É natural que já se sintam cansados e com ressaca emocional, física, então depois de pipocas e crepes, de sumos e outras doçarias, o sol não foi mais brilhante porque era já noite adiantada, com sorte por não terem vindo carros e camionetas cheios de gente, assim pelo menos os da terra não tiveram que explicar o que se vendia na feira da praça. Bem, e se os que ali foram, mas não compraram nada ou quase nada, pelo menos levaram calor no corpo de tanto bailar.
Que venha a próxima feira, com outra roupagem, com mais artesanato, com mais sabores e cheiros saídos do forno comunitário e claro, queijos feitos com o leite recolhido pela maquinaria da sala de ordenha que, Deus queira, estar em pleno funcionamento no edifício do cabril de Malcata, lá em cima nos baldios.
Eu quero acreditar que a XI Feira de Artesanato e Sabores de,...e não em Malcata será um sucesso de toda a freguesia.
José Nunes Martins
05/08/2025
MALCATA: FESTA NA ALDEIA
Por estes dias de Agosto, a Praça do Rossio, na nossa aldeia, transforma-se no maior palco público da freguesia. Com o calor que se anuncia, todas as mãos e pés dos que estão no bar da festa não vão ter descanso. O mesmo espírito de festa é a força que é preciso para virar os fragos, as costeletas e salsichas à moda francesa.
O programa anunciado é longo e dura mais que a vida das famosas pilhas que anunciam ser capazes de fornecer energia horas e horas...
Quem não está na aldeia, quem queria poder estar e não está, esperam ver nas redes sociais o desenrolar das festas. As memórias dos que estão na festa e daqueles que não estão, têm de ser refrescadas e trazidas aos espaços públicos e às plataformas de comunicação digital.
Vou aguardar então por notícias da aldeia e do povo em festa.
José Nunes Martins
17/04/2025
AS MATRACAS QUE NOS ASSUSTAM
Malcata já foi uma
aldeia cuja população era de pessoas remediadas, viviam daquilo que as suas
terras produziam. A maioria da população passava os dias a trabalhar nos campos
a que chamavam “chão” e se havia grandes lavradores, com grandes áreas de terra
arável, a maioria cultivava pequenas leiras e até as juntas de vacas tinham
dificuldade em fazer uma boa sementeira, dadas as pequenas dimensões do “chão”.
As famílias mais abastadas precisavam de mão de obra e havia algumas pessoas
que trabalhavam aos dias, ou à jorna, por isso lhes chamavam jornaleiros. Estas
pessoas trabalhavam para outros porque não tinham terras como possuíam os
lavradores.
Além destas duas actividades,
lavradores e jornaleiros, havia muitos pastores de cabras, carvoeiros,
carpinteiros, sapateiros, moleiros, tecedeiras, costureiras…
Hoje as coisas são bem diferentes e a
festa que se fazia na Páscoa, por exemplo, vestir roupa nova, é um costume já
esquecido. Umas semanas bem antes da Páscoa, as costureiras começavam a receber
os pedidos para um vestido novo, uma saia ou um par de calças. O processo
começava na compra do tecido nos comércios, na ida à costureira, nas duas
provas, como se pode ver, era um processo demorado, mas o importante de tudo,
era estar pronto a tempo de o vestir no dia da festa.
Era assim o dia a dia dos habitantes
da aldeia. E sempre que morre alguém, toda a aldeia comenta com tristeza a
perda, mostram-se tristes pelo que aconteceu. Então durante a Semana Santa, quando
amanheciam os dias a tristeza tomava conta dos rostos e das nossas próprias
acções.
As tradições de Páscoa em Malcata são
carregadas de simbologias religiosas. De Quinta-Feira até Domingo, nos meus
tempos de meninice e que eu vivia na aldeia noite e dia, a Procissão do Senhor
dos Passos e a Procissão do Enterro do Senhor, que acontecia entre a igreja
paroquial e percorria as principais ruas da freguesia, destaco aquele momento
evocativo do encontro de Jesus “Senhor dos Passos” com a sua Mãe “Nossa Senhora
das Dores”, que o pregador convidado, fazia de viva-voz durante uns 20 minutos,
pelo menos.
Guardo ainda na minha memória em que
também participava nas cerimónias da Semana-Santa na aldeia. As procissões, as
canções e as roupas negras escuras, ainda mais tristeza se sentia no ar, no
olhar e falar das pessoas.
Havia um som que ouvia pelas ruas da
aldeia que só acontecia pela altura da Páscoa. O barulho era tão arrepiante que
se ouvia ao longe, rompia o silêncio e a calma até dos gatos.
Lembram-se do tocar das matracas? E do sacristão que andava pelas ruas a chamar
as pessoas para as cerimónias religiosas na igreja? Como é que as matracas
conseguiam fazer tanto
barulho e muito estranho de ouvir? Por muito que o sacristão ensinasse como se
deviam tocar, poucos lhe ganhavam o jeito para abanar um bocado de tábua e
fazer bater o ferro na madeira.
Como não se tocavam os sinos, era ao som das matracas que o sacristão fazia
aquele sacrifício de percorrer as ruas e no fim da terceira volta, o padre dava
início às cerimónias na igreja.
A Páscoa é celebrada em tempo de
Primavera, com dias mais compridos, mais quentes, os campos começam a renascer
do frio do Inverno, veem as flores, as papoilas e as árvores enchem-se de flores.
Também a própria natureza costuma vestir roupa nova.
Um olhar atento ao que se está a
passar na natureza e a participação consciente e de desprendimento, podem ser
sinais externos da nossa ressurreição. Basta olhar e captar o que Jesus nos
quer dizer com a morte, o sofrimento, a paixão pela vida, pelas flores, pelos
sinos a tocar em rebate festivo. Porque a vida na Terra se constrói com coisas
simples…alegres e belas também.
José Nunes Martins
08/01/2025
MALCATA: VAMOS CANTAR E DANÇAR?
![]() |
| Foto copiada das redes sociais |
Lembram-se do que dissemos
na noite de 31 de Dezembro?
“Boas Festas e Próspero Ano Novo”,
também alguns dizemos
“Olha, para o ano, corra pelo mesmo
cano”!!!
E nada contra este costume. Todos os
anos repetimos estas mesmas frases. Esta de desejar ao outro que “corra pelo
mesmo cano”, é o mesmo que desejar que as coisas continuam a correr como têm
corrido, ou seja, é a continuação do que não se acabou no ano velho e ao menos,
manter a canalização limpa e desimpedida, é um dos 12 desejos.
Em Malcata, terra onde nada acontece como nas outras terras, somos sempre originais na forma de levar as coisas avante. Tudo é um mistério, ninguém fala, as coisas anunciam-se e depois esquecem-se de manter a comunidade informada.
O que não vão conseguir esconder, são
as obras dos anos passados, tantas vezes prometidas e não cumpridas. Como não foram feitas na primeira vez que as anunciaram, voltaram à lista das
obras importantes e pensam que o povo nem dá conta. Mas, como a máquina que mede o tempo, está sempre em movimento e não podem interromper o avanço dos anos, em Malcata, há obras por fazer, que já vêm do tempo de santa Engrácia, mais parecem projectos para finalizar na semana dos nove dias!
Este ano, que agora está a começar, vai ser uma pressinha e de muito trabalho, é que daqui a uns meses vamos para eleições autárquicas. Quem agora está na cadeira de sonho, sabe, por experiência vivida, que tem de apresentar obra feita. Eles sabem que há muita falta de memória, há ainda desconhecimento e algum analfabetismo nas pessoas mais idosas. A estes dois factores há ainda um pensamento e estilo de vida conservador, muito marcado pelas crenças religiosas. A gente é humilde, pouco ambiciosa e nada aventureira, preferem cair várias vezes na conversa e nas promessas que lhes solucionem os seus problemas, os pessoais e não os da comunidade, que zangarem-se a sério, até porque têm medo de represálias! Há que estar bem atentos aos movimentos, às conversas ou chegada de paisanos estranhos à freguesia. É assim que as coisas começam...lembro que, em anos de eleições, as obras surgem em quantidade tal que assusta. Lembram-se do que aconteceu em Malcata nos anos 2008, 2009...eu avivo a memória: ofélia club, sala das memórias, praia fluvial, antena telemóveis...etc...mais recentemente, o "rebanho das cabras" nos baldios que já levou uns milhares de euros e cabras nem sinal!
Lembro aos habitantes da minha
aldeia que, em tempo de eleições, muitas coisas se acabam, outras se começam e ainda aparecem os partidos que estão no poder, com projectos de interesse municipal, de interesse para as freguesias, agitando a bandeira e dizem que, só eles sabem fazer melhor…depois, ainda fazer mais e melhor! Tudo não passa de promessas e ilusionismo que o público gosta, mas não percebe porque acredita.
Por isso, o conselho que aqui deixo é
que, estejam vigilantes, tanto de dia, como de noite, porque, nunca sabemos quando um profeta falso bate à porta, interpela na rua ou no adro, depois da missa, um hábito que se repete muitas vezes, para todo o mundo ver que até vai à igreja e só sai no fim da missa.
Alerta e cuidado até ao
dia das eleições. Não se deixem levar pelo conto, porque quando alguém conta um conto, acrescenta-lhe sempre um ponto. Exijam papeis, documentos, peçam autorização para consultar, mostrem interesse em ser informados.
Fiquem atentos e tornem-se bons observadores do que
vai acontecendo um pouco por todo o lado, particularmente, na nossa aldeia. Talvez desta vez, lhe queiram vender uma "nova aldeia" para tratar das pessoas com doenças que emperram a memória e alguns vão simplesmente dar um passeio e depois esquecem o caminho para regressar. Olhem que já pagaram a um gabinete de "planeamento" para analisar o assunto...que promete mais uma vez, ser interesse de todos.
Com presépios e camiões lá se leva o povo à sede do concelho. E a estrela em cima do palco sabem quem desta vez? O artista fez a festa, deitou fogo de artifício e o povo é que paga a festa onde ele foi um dos artistas principais e bem acompanhado das bailarinas!
O povo gosta é de festas e bolos! O novo ano, começou alegre e aos saltos.
E assim se vive por terras do Sabugal, onde tudo é normal, menos eu.
José Nunes Martins
09/12/2024
NATAL NATURAL: AMAR
Presidente do Município do Sabugal discursa
na inauguração do Sabugal Presépio"2024 Dei-me ao trabalho de pegar numa calculadora e fazer a soma dos gastos da Câmara Municipal do Sabugal já fez durante a época deste Natal. Consultei a página dos ajustes directos https://www.base.gov.pt/Base4/pt ), e pesquisei por "Sabugal" e até ao dia de Dezembro, a soma dos valores dos contratos publicados contabilizavam despesas no valor de 205.727,50 euros, ao que há acrescentar o valos do Iva.
O último ajuste directo é relativo ao fogo de artifício para os 5 castelos das Vilas Medievais de Sortelha, Alfaiates, Vilar Maior, Vila de Touro e Sabugal, no valor de 30.000,00 euros.
Quantos dos sabugalenses viveriam um Natal melhor com alguma fatia deste bolo?
É mesmo um grande presépio natural que desde o seu nascimento, tem vindo a crescer em tudo, a começar pela divulgação do evento. E cada ano os habitantes do concelho são surpreendidos com a oferta de presentes disfarçados de brinquedos grandes e vistosos, como a pista dos carrinhos de choque, a tenda climatizada, a cadeira do Pai Natal, esta safada figura que nas palavras dos autarcas, não entram nesta história, porque o natural é haver o menino Jesus .
Em trinta dias gastam à farta, porque o povo gosta de festa, quer sair de casa e ir ao Sabugal viver o Natal. No final da festa, regressam às suas aldeias em noites frias e inundadas de solidão.
Será que o mundo se está a transformar em num grande negócio, onde as empresas de aquisições de bens e serviços vendem sonhos de Natal às Câmaras Municipais? Colam-se ao poder local como se fossem uma espécie de lapas que se colam às rochas e dali ninguém as tira e sempre que se aproxima uma data festiva, apresentam-se prontas a servir ?
Tanta festa promovida pelos senhores do poder local, para quem não há limites de gastos e
se as pessoas gostam de festas e bolos, então que seja tudo à grande e à francesa!
O Presépio já abriu as portas para o povo entrar e quanto aos custos, ainda ninguém sabe.
O que eu sei é que as coisas simples muitas vezes têm mais beleza e maior valor porque se fazem para mostrar que o amor é simplesmente amar.
22/09/2024
AS PARCELAS DAS CONTAS DA FESTA
Contas apresentadas pelos mordomos
A realidade é composta de acontecimentos,
notícias, memórias, histórias, pessoas, animais e tudo aquilo que é ser
malcatenho independentemente do lugar onde esteja.
E como ser malcatenho? Como são os
malcatenhos? São todas as pessoas que desejam conhecer e defender as raízes que
lhes alimenta a vida e com convicção e alegria defendem as suas origens e identidade.
Há acontecimentos e notícias que me chegam e
não posso deixar de retransmitir para outros ficarem a conhecer.
A missão era gigante e tinha logo à partida alguns anticorpos e nuvens cinzentas que as festas do ano de 2023 repentinamente ensombraram o céu e os malcatenhos puros. Sabemos hoje que os mordomos deste ano e desta vez, elaboraram um plano e com esse plano asseguraram e provaram que é possível organizar uma festa, com muita diversão e farta de actividades, comida e bebida.
Chegados a este ponto, com a apresentação dos nove mil euros de saldo, quase atingiam os dez mil euros, que é um registo digno de salientar e louvar e qualquer pergunta mais sobre as contas ou sobre a festa deste ano, vai ser vista como crítica e tentativa de desviar as atenções para pormenores sem interesse.
Eu este ano não fui à festa e o que sei sobre a festa deste ano baseia-se nas publicações das redes sociais, nomeadamente a página oficial da festa e das publicações de muitos que estão de alguma forma ligados a Malcata. Como não vivo na aldeia, como malcatenho permite-me olhar para a festa com algum distanciamento e sem receio de vir a ser criticado. E no que toca à festa e às contas, estas não são assim tão claras e transparentes como se diz, é a apresentação normal e geral das contas. Há pormenores que são importantes porque é a soma deles que depois resulta no saldo final. Também para se obter o total das receitas e das despesas, temos de ter presente as circunstâncias temporais e as relações-públicas e influências que certos elementos da comissão de mordomos têm na freguesia e na região e mesmo que o tentem afastar, é totalmente impossível. É o caso de um mordomo que, legitimamente foi escolhido e aceitou ser mordomo, com conhecimento do povo e dele próprio e que este ano também está a desempenhar um cargo político, público e importante na freguesia, com toda a legitimidade política e democrática que a lei lhe concede, desde 2017 até 2025. As pessoas não se podem dividir ao meio e as missões que aceitam levar a cabo têm sempre de ter consciência desta forma de estar em sociedade. E quando a realidade se apresenta como o que acabo de dizer, há mais uma razão para a clareza dos procedimentos e dos resultados, incluindo as coisas menos importantes pelo simples facto de um mordomo ser também o presidente da junta da mesma freguesia onde se realiza a festa.
É, portanto, importante prestar mais esclarecimentos, sim ainda mais, por parte da comissão de mordomos e caso tenha havido apoios da autarquia
Que apoios recebeu a Festa 2024 vindos da Junta de Freguesia de Malcata?
Na parcela dos apoios / patrocínios, que foi tornado público, ficamos sem saber o que cada um dos 25 ofereceu; também a ausência de qualquer apoio por parte da autarquia, pode levantar dúvidas nas contas e nos resultados.
Por isso, pela clarificação e transparência dos processos, da separação de funções públicas e políticas, da missão temporária de mordomo, há que informar bem para as contas mostrarem o seu brilho próprio, mesmo que até sejam pequenos pormenores, pequenas ajudas logísticas dadas pela autarquia.
A falta de mais informação está também na parcela Palco/Bandas/Som: 13.045,30€; idem na parcela da Igreja: 760,00€. Houve vários intervenientes musicais e no som, já com o palco mesmo sendo um, não é revelado o seu custo de aluguer ou cedência. Na despesa da Igreja ficamos sem conhecer a que se destinaram os 760 euros. Tudo para a Fábrica da Igreja não creio ter sido. Também nas flores e outros arranjos é muito para essas necessidades.
Como podemos verificar, o divulgar as contas como estão agora, é já de louvar e é um exemplo que outras comissões de festas deviam ter feito e não fizeram. Contudo, pelo que já disse antes, há esclarecimentos importantes que ainda devem ser feitos.
15/09/2024
AS FESTAS E AS CONTAS em Malcata
A Festa de Malcata já terminou há um mês. Hoje foram publicadas as respectivas contas, pelo menos na página que os mordomos abriram no Facebook estão lá e bem claras.
O saldo é positivo, “dos mais positivos dos últimos anos”, podemos ler na mensagem dos mordomos de 2024. E não esqueceram as dificuldades que tiveram logo à partida, “com uma festa iniciada totalmente a zero, sem qualquer apoio ou fundo monetário” e com a ajuda de todos alcançaram os objectivos a que se propuseram.O que escrevo a seguir, é da minha inteira responsabilidade e é o meu contributo para uma discussão séria sobre o futuro das Festas de Malcata. E não! Não pretendo interferir no trabalho dos próximos mordomos e muito menos é meu desejo pertencer à mordomia, a minha vida não reúne condições para
isso acontecer.
O que é ser mordomo das Festas de Malcata?
Toda a gente pode ser nomeado para mordomo?
Como são encontrados ou escolhidos os mordomos?
Tradicionalmente, na nossa aldeia os mordomos da festa nomeiam os mordomos novos. E para assegurarem a constituição o de uma equipa de mordomos que à partida, merecem a confiança e lhes é reconhecido a capacidade para organizar a festa, nomeiam à volta de uma dezena de nomes. E quem é nomeado é-lhe concedido um tempo para tomar uma decisão dizendo sim ou não.
Como sabem os mordomos que aceitam fazer a festa, devem entender que a aceitação pelo povo dos novos mordomos, significa que o povo confia e deposita nos mordomos o poder de organizar as Festas de Malcata. Quem controla os mordomos? Na nossa aldeia, há uns anos a esta parte, muitas coisas foram mudando. Uma estão melhor e outras talvez nem tanto. Nestes últimos anos, notei uma tendência de separar a parte religiosa da parte profana da mesma festa. É também visível um acentuado esvaziamento das tradições religiosas que, durante séculos, os malcatenhos se identificaram. Esse esmorecer, por exemplo, vê-se nas procissões, no toque dos sinos, na falta de crianças. Onde está a “Procissão dos Santos”? Durante gerações, o São Barnabé foi esquecido e muitos malcatenhos até desconheciam que este Apóstolo é o padroeiro da paróquia do lugar de Malcata e por isso é um dos santos presentes na igreja matriz. Penso que desde 2016, a Procissão dos Santos ainda era a procissão de todos os santos da igreja. Nestes últimos anos passou a ser a Procissão do São Barnabé porque todos os outros nem sequer dos seus altares desceram.
O que têm a dizer desta procissão? Tem algum sentido? O facto de se continuar a dizer que é a Festa em honra de São Barnabé, não significa que a realidade seja assim, mesmo que nos cartazes lá coloquem o santo Barnabé a olhar para quem ler o programa da festa. E centralizar a Festa de Malcata no padroeiro, não significa que se terminem as outras tradições! Quem toma a decisão e organiza as procissões na Festa? Quem decide e aprova o programa da festa? Há ou não interesse em cimentar e respeitar a pluralidade e a tradição?
Voltando aos mordomos que aceitam voluntariamente a missão de colocar a Festa nas ruas e na igreja, é importante que devem ter a consciência que o povo confia neles e no seu trabalho para preparar a festa. Durante quase um ano os mordomos precisam de confiar uns nos outros, trabalhar em equipa e numa estreita colaboração com todas as instituições da nossa aldeia, sejam as associações, a Igreja ou a Junta de Freguesia. Também é importante ter presente que uma boa relação entre os mordomos e os comerciantes e empresas da terra e da região. Quanto mais abrirem os braços, mais apoios aparecem.
Os mordomos quando aceitam o cargo devem saber e sentir o peso que lhes foi colocado e as responsabilidades que nunca devem ser esquecidas. E aquela confiança e poder dado pelo povo de Malcata, é devolvido com a apresentação pública das contas. Só depois da apresentação das receitas e das despesas, entrega do que sobrou da festa, a missão dos mordomos fica concluída. Então sim, vêm as opiniões, os elogios, as comparações e o povo só descansa depois de tudo esclarecido.
02/08/2024
MALCATA: UMA ALDEIA EM FESTA
Pelas ruas e cafés de Malcata durante o oitavo
mês, fala-se francês por várias razões.
Os dias e as noites são demasiadamente
longos e são muito poucos os que respeitam as horas de quem precisa de dormir.
Há carros com matrícula francesa em qualquer nesga de rua ou curral.
A aldeia parece ter sido invadida por
gente de bem com a vida, com tempo e dinheiro para gastar. Afinal, a maioria
das pessoas estão em tempo de férias, chegaram cansadas da viagem e chegados à aldeia,
há que aproveitar todos os segundos para respirar os ares e esquecer as rotinas
de ir todos os dias trabalhar.
O maior grupo de emigrantes vem das
terras francesas. A França foi e continua a ser o destino de eleição. Argentina
e Brasil penso ser outros dos destinos dos malcatenhos.
A freguesia durante um mês muda da
água para o vinho. Tudo é a triplicar e algumas infraestruturas não foram
concebidas para tanta procura e sucumbem ou esbracejam por todos os lados e de
todas as maneiras para satisfazer os desejos e os prazeres.
O Mundo mudou e os emigrantes da nova
geração escolhem viajar de avião até ao Porto e Lisboa e chegam a Malcata em
carro alugado. Os de mais idade, continuam a viajar nas carrinhas de transporte
de passageiros e com a vantagem de poder trazer mais bagagem e a comodidade de descer
à porta de sua casa.
Malcata é uma terra, dizem, onde há tudo e por
vezes falta muita coisa porque a procura é maior que a oferta. E Malcata é
também uma terra onde não há talho, peixaria, padaria ou pastelaria. Estas
coisas do “cabaz essencial” compram-se nos dois minimercados e aos vendedores que
percorrem a aldeia com vários produtos.
A Festa, que por costume, se celebra
no 2º Domingo de Agosto, alegra-se muito mais com a presença dos emigrantes e
das pessoas que trabalham e vivem fora da terra.
Esta semana, há festa em Malcata. O
programa já foi divulgado e há esperanças que vai correr bem, com muita gente,
muita alegria, principalmente nos mais jovens. A animação não vai parar e não
podia ser de outra forma.
Assim, no próximo dia 11 de Agosto,
segundo Domingo, irá realizar-se a Festa em Malcata, com banda de música, missa
solene e procissão, ramo e bailes.
11/07/2024
O QUE ESTÃO A FAZER COM A FESTA EM MALCATA?
Estamos a um mês da
festa em Malcata. O mês que terminou há poucos dias serviu de estágio de
preparação para o mês de Agosto, que não fica atrás do mês dos santos populares.
O mês de Agosto é aquele mês que todos os domingos se celebram festas em honra
de santos e santas.
Eu também gosto de festejar, mas
confesso que não é no mesmo estilo e género como a maior parte da gente gosta.
Muitas pessoas, multidão toda aos empurrões, mesmo até nas filas do bar, das
carnes, dos carrosséis, das farturas ou das pipocas. Conviver sim, mas num
estilo mais tranquilo, mais calmo e não me sentir mais do que sou, exibindo
para os amigos as mãos a agarrar no copo cheio de cerveja e aos pulos andar em
volta da caixa de minis. Muitos dos festivaleiros é assim que gozam nas festas,
pois são todas iguais umas das outras e as diferenças só o local dos festejos.
Nestes últimos anos a programação das festas é mais do mesmo só que em dias e
lugares diferentes, na sua maioria, abençoados por pessoas santas.
E como já é costume, a festa na nossa
freguesia têm-se realizado no 2ºDomingo de Agosto. Normalmente são três dias de
festa organizada pela comissão de mordomos. As cerimónias religiosas estão sob
a responsabilidade do pároco da freguesia. Todos os outros eventos que se
fazem, há muitos anos que saíram da esfera da Fábrica da Igreja e são os mordomos
que se ocupam e assumem a organização de tudo.
Ultimamente na nossa terra o
desconhecimento e a incompreensão do território, dos nossos valores e também de
pessoas com alguma falta de sensibilidade, noto uma crescente falta de sentido
crítico quando os factos acontecem. Por desconhecimento, por receio de ser
incómodo e de ser incomodado, há silêncios que são gritos.
Na aldeia a terra é da comunidade,
nela vivem todos os que querem lá estar em permanência ou nos tempos
disponíveis para poder estar. Nesta terra muitas pessoas construíram a sua
habitação ou herdaram. Por ser assim, há que cuidar bem dela.
A aldeia que eu chamo minha não é uma
ilha, mesmo que a vejamos rodeada por muita água. Vivemos num território
agrícola, com muitos usos e costumes bem enraizados. E a festa no mês de Agosto
é um desses costumes. Mesmo com as mudanças, em que o profano tomou conta do
que mais rende, do bar e do ramo.
É com bastante preocupação que
escrevo, mas sinto que muitas pessoas estão a passar uma esponja pelas festas
mais antigas, da forma como os mordomos trabalhavam e organizavam. Numa
comissão de mordomos nem todos eles sabiam ler e escrever. As responsabilidades
de tesouraria ficavam a cargo dos que liam e escreviam. Havia sempre a
preocupação de encontrar alguém dos mordomos que se dedicasse às contas do deve
e do haver, do saldo e da dívida, pois quando o dinheiro não chegava, eram os
mordomos que assumiam o fecho das contas.
Não estou a pôr em causa a seriedade
das mordomias, pois tenho certo de que para mim todos tentam fazer o melhor e
todos querem que seja uma festa grande, forte e que todos se divirtam. É assim
que o povo espera que aconteça em todas as festas.
O ano passado, a festa foi boa e
divertida, quem lá esteve viu as pessoas a sorrir e a dançar, a beber e a
aplaudir. Correu sempre tudo muito bem, tão bem que não tinham tempo para tomar
apontamentos e transcrever para o livro as várias fontes de receitas e as
despesas. No fim de tudo, sabe-se hoje que, alegadamente, aconteceram coisas
estranhas que deixaram o povo enfadado.
É caso para perguntar: o que estão a
fazer com a festa de Malcata?
17/05/2024
MALCATA: A PEDRA NOS SAPATOS DOS MORDOMOS NÃO INCOMODA?
![]() |
| Cartazes de várias festas em Malcata |
Estamos cada dia mais perto das festas de Malcata. Algum dia quando alguém quiser escrever sobre as festas da nossa terra, quando chegar ao capítulo dedicado ao ano de 2023, para além de ficar a saber que as proibições do governo em relação à epidemia covid 19 tinham finalmente sido levantadas, fica também com a pulga atrás da orelha e vai tentar descobrir o estranho desaparecimento de parte das receitas da festa, notícia que correu depressa pela região, deixando os habitantes da freguesia incrédulos e tristes. Tudo tem uma primeira vez…e desta vez, os mordomos não estiveram à altura das e o serviço que voluntariamente prometeram fazer saiu manchado pelo caso das contas da festa. Pessoas, programa, luzes e arcos parece não ter faltado nos dias da festa. A alegria e a boa disposição, os bailes, a garraiada, o bar e as sandes foram servidas e tudo acompanhado de bom tempo.
Foi mesmo no fim que os mordomos sentiram o peso da responsabilidade de organizar bem as festas. E o assunto era mesmo sério, de solução difícil e com forte probabilidade de ficar na história das festas como o grupo de mordomos que não souberam estar à altura das expectativas do povo e das responsabilidades que todos neles depositaram. Parece que, durante a caminhada, alguns mordomos, descontentes com o caminho já percorrido, mostraram o seu desacordo e abandonaram de vez o caminho e os caminhantes. Diz o povo que só erra quem faz alguma coisa; também diz que quem anda acompanhado por um coxo, se não tiver cuidados redobrados e atentos, aprende a coxear como se fosse também coxo. Por isso, não é espanto que chegados ao fim da caminhada (festa), todos se queixaram das pedras e das pequenas falhas nas pernas e na vista. Passados que são estes meses e a nova mordomia andar atarefada na preparação da festa de 2024, ainda não se sabe a verdade e o que realmente aconteceu nas contas da festa de 2023. Também estranho a atitude do povo, nada foi feito para esclarecer o assunto. Nem sequer ouvi ou assisti a uma “defesa da honra” e “transparência” aos responsáveis disto tudo. Dá a ideia que nada de grave aconteceu e que a freguesia gosta das coisas assim, tanto se lhes dá como se lhes deu, querem lá saber o que sucedeu e as consequências que daí possam vir para o futuro. Em Malcata, tudo vai bem, fica tudo como dantes, quartel-general em Abrantes. Ninguém ousa perguntar no sentido de esclarecer e até ajudar os mordomos da festa deste ano?
A mim já nada me espanta. Um dia em Malcata alguém me disse na cara:
“tu já não és daqui, vai mas é para a tua terra!”
Um sorriso, meia volta e andar à minha vidinha cuidar dos cães que me respeitam e compreendem melhor… mas sou muito teimoso, continuei e continuo a tentar fazer algo que consiga mudar
alguma coisa. É o que estou agora a fazer! Quando a voz me doer, calo a boca.
13/02/2024
AI ENTRUDO AI ENTRUDO
O Entrudo é
sinal de alegria, muita diversão e borga até às tantas. É uma festa de origem
pagã e comemora-se sempre numa terça-feira, 47 dias antes do Domingo de Páscoa.
No dia do Entrudo havia vários momentos de cariz comunitário e toda a gente
assinalava o fim do Inverno e a chegada da Primavera. Mas depois, a religião
veio mudar algumas coisas e uma delas foi encurtar os dias de festa. Contudo, nunca conseguiu acabar com o Entrudo
porque o povo o festeja antes do início da Quaresma. Assim o Entrudo festeja-se
até à Quarta-Feira de Cinzas.
![]() |
| É uma alegria quando os entrudos entram no lar da aldeia. |
- Olha que entrudos! Ai mãe do céu, mas que acareios!
- Ó Maria, hoje é entrudo. Canta e ri, porque esta vida são três duas e o entrudo dois!
- Tens razão Manel Zé! Ai se fosse noutros tempos...quando eu era mais rapariga,
o entrudo era para a borga…
A conversa foi interrompida pelos entrudos que entraram na sala.
- Olhem estes, quem são estes entrudos?
Era assim o entrudo na nossa aldeia. Um dia de trapalhadas e trapalhões, o que procuravam era a alegria, a boa disposição, esquecer as amarguras do dia a dia e andar na farra até cansar.
Nestes últimos anos lá vão aparecendo alguns mascarados, que combinam entre si o que vão fazer no dia de Entrudo. Um ou dois homens e meia dúzia de percorrem as ruas da aldeia, entram no lar de idosos e a alegria sente-se nas pessoas.
Tempos houve que neste dia a associação cultural e desportiva preparava um desfile de entrudo e durante a tarde animavam as ruas, os cafés e o lar da aldeia.
Agora, o entrudo mudou-se para a cidade do Sabugal e Malcata nunca mais sentiu o Carnaval! Desde que a Câmara Municipal propôs atribuir um subsídio às associações que participarem no desfile do Carnaval do Sabugal, o entrudo morreu e está praticamente desaparecido das tradições populares.
18/09/2023
MALCATA PRECISA DE LIMPAR O QUE ESTA SUJO
Espero que esta minha carta vos chegue à caixa do vosso correio cerebral. Eu fico bem, graças a Deus. Tenho a necessidade de desabafar convosco e espero ajudar a interpretar os acontecimentos que se passaram durante o mês de Agosto na nossa aldeia. Então lá vai:
Muitas vezes quando uma festa corre mal, o povo procura
encontrar uma espécie de válvula de escape para acabar com a insatisfação do
povo. Noutras épocas e noutras terras o pau servia de arma de arremesso e
varriam os impuros da sua terra. Mas para isso acontecer havia que primeiro
encontrar o tal “bode”.
É um pouco assim que eu descrevo o que
se tem passado na aldeia onde nasci. Será que assim se consegue perceber as
contas da festa? É um mordomo culpado de tudo?
Sim e a mordoma e o povo. E porquê o povo? E eu expondo: porquê a mordoma?
Hoje estamos a acusar uma pessoa,
amanhã estaremos a acusar outras pessoas, porque tem de haver sempre quem deve
ser culpado de não ter chegado o dinheiro para pagar as despesas da festa.
Encontrado o “bode expiatório” há que o condenar e depressa, não pode continuar
sem castigo. E pensamos nós que se não for assim, mais aumenta a insatisfação e
mais vingança pedimos. E com tanto ruído, acabamos a compreender mal o que se
está a passar e ainda contribuímos para abrir mais a ferida, esquecendo-nos de
que cada um de nós também tem a sua quota-parte da culpa e do estado a que se
chegou. O mordomo que todos querem encontrar frente a frente acaba por ser o
único que praticou os crimes, os abusos, os acordos com os fornecedores de
bebidas, de espectáculos, de receber ofertas e deitá-las no mesmo saco preto e
opaco.
Todos nós nos transformamos em juízes e rimos à farta uns com os outros daquele
mordomo que já não tem uma casa na aldeia para se esconder e cheio de medo
desaparece para longe da vista porque quer continuar a viver.
É difícil provar a inocência e quanto
mais tempo demorar a explicar, mais culpa as pessoas lhe atribuem. Eu
interrogo-me porque deixaram o maquinista continuar a levar o comboio sozinho
até esbarrar na última estação? Durante a viagem ainda alguns se mostraram
insatisfeitos e na ausência de mudanças da linha, avisaram o maquinista que se
ia esbarrar na última estação, mas a fé e o saber fazer, convenceu o maquinista
que conseguia chegar ao destino e depois, direitinho para férias…Não foi assim
que aconteceu e ainda hoje se desconhecem os verdadeiros motivos de faltar
tanto dinheiro para pagar as contas da festa que bastava entrar o valor que
havia a receber e pagavam a festa, porque a partir daí, seria só lucro. Estas
foram as palavras que me lembro, de ter lido em Abril deste ano na página Mordomos 2023.
E agora como vai a freguesia lavar a
cara?
José Nunes Martins
08/09/2023
MALCATA: À ESPERA DA PROVA DOS NOVE
![]() |
| Banda da música na Festa da aldeia de Malcata, quando ia a casa dos mordomos dar as boas vindas. (Carvalhão, dois mordomos ali viviam) |
Então como foi a festa?
A resposta é tão variada e tão geral
que se resume a uma frase:
"Fala-se que...olha, não quero saber disso"!
Até agora, a Comissão de Mordomos de
2023, passados estes dias todos, ainda não apresentou todas as contas relativas
à festa em honra de São Barnabé (foi assim que o arraial foi divulgado como
podemos ler no cartaz).
A falha na apresentação das contas,
dar conhecimento do que se fez com o dinheiro da comunidade, está a ser um erro
grande. É que o dinheiro existente na conta e o que entretanto foi angariado,
não pertence à Comissão de Mordomos e muito menos é uma bolsa de crédito ao
dispor dos membros da comissão de mordomos. Todos sabem que, o dinheiro
está à guarda dos mordomos e que eles(as), aceitaram voluntariamente a missão de
organizar uma festa, contando para isso com o dinheiro. O que se espera das
comissões de mordomos, é que tenham e exerçam uma gestão responsável, na forma
como usam o dinheiro, o destino que lhe vão dando. É por isso que, é de suma
importância uma constante prestação de contas e das actividades que se vão desenvolvendo
nos meses anteriores à festa, dando a saber e publicar os diversos movimentos
de dinheiro. E como existe muita gente que vive fora da aldeia, é ainda mais
importante e necessário explicar como se está a usar! chegando mesmo
ao mundo das redes sociais, para informar. Todos têm o direito a essas informações periódicas,
porque quem vive na aldeia e ainda mais os que vivem fora, ao perceberem como os
mordomos vão gastando o dinheiro, como é o meu caso, que vivo muito distante daqui, se tiver acesso a informação séria e actualizada, acabamos por nos sentir mais parte
da comunidade, sentimo-nos acarinhados e sensibilizados por, mesmo longe,
contam connosco. A falta de prestação de contas tem como consequência o aparecimento de falatórios e de criticas negativas, arrastam sentimentos de desconfiança e incertezas,
aumentando o desânimo na aldeia.
Ver as contas, não é sempre sinal de
transparência e mesmo quando não há contas apresentadas, aumentam as
desconfianças, vêm os desânimos e cada vez maiores.
Quando há dinheiro envolvido, seja
muito ou pouco, a atitude a ter é, que se trata de dinheiro da comunidade, um
recurso que os mordomos precisam de usar respeitando os valores da
transparência e responsabilidade. É que não há outra forma de organizar uma
festa e no fim ter êxito. Fazer as coisas com transparência e não esquecendo as
obrigações legais quanto aos contratos de bens e serviços. Dando periodicamente
informação, mesmo quando não a pedem, é assunto que interessa a todos, porque
agindo nestes moldes tudo é mais fácil de controlar e ao mesmo tempo estamos a
fazer as contas aos poucos e com controlo apertado. Gerir bem o dinheiro é não
ter medo de apresentar as contas, nada para esconder, porque é tudo claro,
assinado e conferido. E sempre que surgem dúvidas, alertas e avisos, é
necessário parar para pensar e antes de continuar a ignorar, com o intuito de
no fim esclarecer, procurar deixar tudo claro, com o conhecimento de toda a
equipa. Ficar calado e não dizer nada, ou, fazer de conta e ficar à espera da
próxima escorregadela, é no meu entender, atitude irresponsável, porque o erro, ou a falha, quanto mais depressa se anular, melhor.
Viver o espírito de mordomo é
trabalhar em equipa.
Ora pensem comigo um pouco:
Uma Comissão de Festas organiza um
baile, procura apoios e encontra. Tudo pronto, divulga o programa, os preços e
os objectivos que quer alcançar. Para chamar gente, contratam quem anime e quem
cozinhe. Há trabalho, há mesas prontas e espaço preparado para receber os
convidados pagantes, pois o fim do baile é angariar dinheiro para pagar a festa
mais lá para a frente.
A festa/baile/caminhada/encontro ou o
que lhe queiram chamar, acontece e decorre no local indicado e na data
anunciada. Nunca mais se ouviu falar do baile, do dinheiro que conseguiram angariar…quanto
dinheiro fizeram??? Só depois de alguns “ais” e “diz-se que…fala-se que” e aparecem as contas, fica-se a saber que a organização, apesar das ajudas dadas, tiveram prejuízos. O que vai pensar o povo dessa freguesia?
A resposta é simples: “Assim, não
vamos a lado nenhum”
As coisas aconteceram e todos se
calaram. Porque se calaram todos? Quem percebeu que tinha havido má gestão,
porque não pediram a apresentação das contas?
Este foi o início do que mais tarde
viria a repetir-se?
O risco de assim acontecer, era enorme! Só não viu quem não
quis e nunca quis saber, salvando-se aqueles valentes e corajosos mordomos que
bateram a tempo com a porta e saíram.
Há valores na vida humana que nunca
devemos abdicar deles. E agora Malcata?
José Nunes Martins
16/08/2023
MALCATA : ESTAR DENTRO DA FESTA OU FICAR DE FORA?
ACTUALIZAÇÃO DE VISITAS A ESTA PUBLICAÇÃO :
As perguntas são estas:
1- Como foi a festa deste ano?
2- Qual o verdadeiro sentido da Festa em Honra de S. Barnabé?
3- Se fosse mordomo o que propunha para a festa?
Hoje, uns dias depois do fim da festa deste ano, dou comigo a
recordar com alguma saudade as vivências do dia de festa na minha aldeia. Era
dia de festa, de alvorada com foguetes e “banda da música” ou filarmónica.
Neste dia a minha mãe preparava roupa nova, mesmo a estrear e havia mesa farta
ao almoço. Para este dia de festa o meu pai alegrava-se com a vinda de todos os
da família, havia sempre lugar para eles. Não era boa altura para receber
amigos, ele não tinha tempo livre nestes dias. A responsabilidade que assumira
de ser mordomo, estava sempre primeiro que tudo o resto. Ele e os outros
mordomos fartavam-se de trabalhar para que toda a festa corresse bem. Uma das
preocupações que os mordomos tinham era como ia estar o tempo no domingo.
Qualquer nuvem no céu lhes trazia preocupações e mesmo com as coisas preparadas
para a eventualidade da chuva, nem sempre as prevenções resultavam na sua
totalidade. A Missa e as procissões, o fogo, a música e o ramo concentravam toda
a atenção dos mordomos. Nesses primeiros anos, as receitas da festa eram obtidas
com peditórios à volta do povo, algum ou outro baile e muita contenção nas
despesas do fogo, que era onde eles podiam cortar alguma coisa. Depois havia um
apoio das famílias dos mordomos para abastecer o Ramo com bolos caseiros,
coelhos, cabritos, presuntos, chouriças, garrafas de bebidas…coisas feitas com
muito amor e suor durante a semana anterior ao dia da festa. E todas estas
ofertas iam parar ao Ramo da festa, o autêntico dinamizador dos apoios da
festa, era no Ramo que os mordomos apostavam para angariar dinheiro. Só mais
tarde veio a exploração do bar durante a festa.
Enfim, quando recordo estas coisas,
sinto o medo que eu tinha aos foguetes lançados muito próximo das pessoas, ali
na varanda da casa dos meus pais, enquanto tocava a banda da música e os
mordomos distribuíam nas bandejas os copos de vinho e doces.
No fim da missa do domingo a seguir à
festa, na altura dos avisos, os mordomos entregavam ao padre um papel com as
contas da festa e a lista dos próximos mordomos. E durante uns dias era o tema mais
falado na aldeia.
A festa tinha acabado.
Nota: dois dias após a festa deste ano ter terminado gostava de perguntar:
1-Como foi a festa deste ano?
2-Qual o verdadeiro sentido da
festa de Agosto, em Malcata, continuar a ser em
Honra de São Barnabé?
3- Se fosse mordomo(a) o que
propunha para uma Festa em Malcata?
Vamos então falar sobre as festas e como elas se enfarinham na vida de todos nós.
Esvaziar as nossas cabeças e dar tempo e tolerância é o que estamos a precisar. Agradeço todos os contributos e respostas.
José Nunes Martins





















