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8/30/2026

DEPOIS DA FESTA O QUE FICA?

 





 Todas as terras têm a sua festa em honra de um santo e Malcata lá se vai mantendo com a sua em Agosto. Depois da festa acabar há que continuar a falar sobre a festa. Há dias no facebook li um pequeno texto que me fez reflectir sobre as festas. Foi escrito pelo padre Humberto Coelho, pároco em terras nortenhas e que a seguir podem ler. Vale bem ler até ao fim e responder à questão colocada. 
 
"Por vezes investem-se muitos milhares de euros em dois ou três dias, mas pouco fica para a conservação das nossas igrejas, capelas e património. E, em algumas comunidades, quase nada se reserva para ajudar quem mais precisa.
 Também os cartazes das festas deveriam fazer-nos pensar. Se a festa é em honra de um santo, seria importante não trocar o essencial pelo acessório. 
 Uma festa cristã não devia terminar quando se desmonta o palco, se apagam as luzes e se arrumam os arcos.
 Deveria deixar alguma coisa:
 uma comunidade mais unida, 
 uma fé mais viva,
 um património mais cuidado,
 alguns recursos para o futuro,
 uma família ajudada, 
 um idoso acompanhado, 
 um jovem mais envolvido.
 E deveria deixar, acima de tudo,
mais viva a memória e a mensagem daquele santo
que durante dias dizemos querer honrar.
 Porque podemos ter ruas cheias, grandes espectáculos e milhares de pessoas e, ainda assim, perder o verdadeiro sentido da festa.
 Talvez a pergunta que devêssemos fazer no final não seja apenas:
 "A festa correu bem?"
 Mas antes:
 Quando o palco se desmontou...o que ficou na nossa comunidade? 
 Porque uma verdadeira festa cristã não deixa apenas fotografias e recordações. Deixa frutos."
 Autor do texto: Padre Humberto Coelho

                            MEMÓRIAS DA FESTA

   







8/25/2026

A FESTA EM HONRA DE SÃO BARNABÉ-MALCATA 2026

 

 
São Barnabé orago de Malcata

A Festa em Honra de São Barnabé já terminou há uns, é tempo de balanço e reflexão. Houve alegria, convívio, música, jogos populares, bailes e festas de sunset e zumba para todos. E a tudo isto juntou-se a fé e a tradição da nossa gente que apareceu em grande número. E claro, também houve algumas situações imprevistas, menos compreendidas e que devem fazer pensar para que se possa melhorar nas festas do futuro. Os mordomos assumiram o seu papel e cumpriram. A parte religiosa esteve a cargo da comissão fabriqueira e também fez bem o seu trabalho. Todos procuraram não perder de vista aquilo que está verdadeiramente no centro da festa: honrar o São Barnabé, exteriorizar a fé e a tradição, respeitando-se uns aos outros e a aldeia. Por isso e por causa disso, deve fazer-se o balanço da festa, pois é dos resultados da festa que se pode melhorar para o futuro. Eu não estive na festa e não é correcto eu fazer o balanço, não é fácil falar do que se passou não tendo estado presente. Porque é merecido, um reconhecimento público a todos os que trabalharam durante a festa, pelo seu esforço e dedicação para que tudo corresse bem como correu. Muitos parabéns. Espero que a festa tenha proporcionado dias de fé, tradição, convívio, música e que haja vontade de falar sobre a festa.  A internet está cheia de fotografias sobre a festa não religiosa, realçando todos os eventos que animaram as pessoas, por serem tantas e se cada imagem vale por mil palavras, estão apenas em falta algumas imagens da parte religiosa: igreja, missa, procissão…ah! E do “Ramo” também não há nenhuma imagem e já agora, partilhem imagens e notícias sobre a Feira de Artesanato que também fazia parte do cartaz da festa.

Imagem de São Barnabé na igreja paroquial
de Malcata

8/23/2026

E SE UM DIA NÃO HOUVER MORDOMOS ?

 

Procissão em dia de festa

 Em Agosto a nossa aldeia continua a encher-se de gente para a festa. Vêm de fora, das grandes áreas metropolitanas de Lisboa, Porto, Coimbra, ilhas e claro, do estrangeiro com a França em primeiro lugar. Agora, os emigrantes descobriram que de avião viajam mais depressa, com mais conforto e podem sempre chegar à terra a conduzir um carro de último modelo e não importa que a matrícula seja portuguesa, pois estas mordomias só estão ao alcance dos que têm mais poder económico.
 A festa terminou no dia 9 de Agosto e cumpriu-se a tradição dos outros anos.
 Houve festa na igreja e no Rossio, com Missa Solene e Procissão, com jogos tradicionais, diversão para as crianças, garraiada, sunset e zumba, música no Lar, muita música e discoteca, bar aberto e frangos assados, enfim, houve tudo como nos anos anteriores.
 Não vou falar da falta da alvorada de foguetes com que antigamente se anunciava a chegada à terra da Banda da Música. É proibido o lançamento de foguetes porque causam incêndios…decretaram os políticos de Lisboa.
 
 Este ano de 2026, a festa em honra de São Barnabé, a confiar pelas notícias, imagens e vídeos divulgados, correu muito bem. O que ainda não vi foram imagens ou notícias da parte religiosa da festa, pois o programa incluía Missa Solene e procissão…porque afinal, foi uma festa em honra de São Barnabé. Mesmo que tenha sido sem pompa e circunstância, a parte religiosa da festa continua ligada ao dia da festa e a gente ainda liga a religião à festa do povo.
  Que a festa agora está mais “out” da igreja e tradição religiosa já é visível e já não tem tanta devoção aos Santos, é mais voltada para a diversão e barriga, apesar do dia continuar a durar as mesmas 24 horas. Com tanto para onde ir 
e tantas coisas para fazer, entrar na igreja ou parar por uns minutos para rezar, confortar a  mente e ouvir o espírito, é muitas vezes desconsiderado e empurrado para segundo plano.

 Os mordomos são quem mantém viva a festa de Malcata. E nestes últimos anos os mordomos são os principais responsáveis por organizar o programa da festa
pagã. Já a festa religiosa e tudo o que tenha que ver com as cerimónias religiosas, dentro ou fora da igreja, parece lavar as mãos e passar toda a responsabilidade para a paróquia.
 A festa todos os anos tem uma característica comum e que é haver mordomos dispostos a organizar o evento.
 E se um dia não houver mordomos em Malcata?

8/21/2026

COMO VIVEU MALCATA A FESTA DE SÃO BARNABÉ?

 

Festa de Malcata para recordar

 A Festa de Malcata 2026 já está nos anais da história da nossa aldeia. Os dias seguintes são dedicados às arrumações e às conversas sobre o filme da festa deste ano. Apesar de cansadas as pessoas arranjam sempre vontade de contar aos vizinhos, amigos e familiares a sua opinião sobre a festa em honra de São Barnabé. Enquanto se vão arrumando as coisas e limpam as casas, há sempre momentos de pausa obrigatória e então é nesses momentos que se fala da festa, como correu, as surpresas que aconteceram e o juízo de cada um.
 As Festas de Malcata são, muito provavelmente, o momento mais alto e mais popular do ano que se realiza na nossa aldeia.

 Há uns anos, lembro-me das conversas, dos mordomos, acerca dos bailes e dos “conjuntos de música” e da recomendação que o padre Lourenço lhes fazia: os bailaricos e tudo o que não fosse de carácter religioso só podia começar no fim das pregações na igreja. Os mordomos cumpriam esta ordem do senhor prior e o povo também acatava, apesar de alguns não gostarem lá muito, pois, muitas vezes, as cerimónias demoravam mais tempo do que o previsto e o recinto das festas estava vazio e sem ninguém, o bar estava às moscas e não fazia dinheiro, etc. etc.
  Nesses tempos, a festa da aldeia era algo de muito importante. Hoje é difícil explicar esse sentimento aos mais novos. Apesar de eles ainda virem a Malcata por altura da festa, antigamente era o maior encontro do povo na aldeia e era quase uma “obrigação” dos malcatenhos virem à terra para marcar presença na festa. A festa de Agosto faziam-se no adro da igreja e já não são da minha memória quando começaram a ser feitas no Rossio.
 Havia momentos que marcavam a festa todos os anos: alvorada, banda da música filarmónica, missa solene, procissões e ramo das ofertas com baile.
 Vale a pena partilhar as palavras do José Rei no livro que escreveu sobre Malcata e a Serra:
  “Enquanto o Ramo decorria, as crianças amontoavam-se à volta do homem das amêndoas e dos santinhos de açúcar. Nas pausas do Ramo. O tocador do acordeão abrilhantava o baile. De vez enquanto também tocava a Banda da Música, porque o mais importante era que o Ramo corresse bem. Pouco se dançava na tarde da Festa, ficando o baile adiado para depois da ceia.
 Só a partir da década de 60 começaram a aparecer os conjuntos de música. A Música, a Banda da Música, ao por do sol abalava e todos ficavam um pouco mais tristes. Contudo, num derradeiro esforço anímico, a mocidade ainda acompanhava efusivamente a Música até ao momento da partida. Quando os mordomos eram rijos, a festa acabava como havia começado: com foguetes, mas de lágrimas, que a pequenada tentava em vão agarrar”. 

 Sobre a Festa em Honra de São Barnabé 2026, deixo estas perguntas:

 1-  Como foi a festa deste ano?
 2-  Qual o verdadeiro sentido da Festa em Honra de S. Barnabé?
 3-  Se fosse mordomo o que propunha para a festa?
 
 

8/14/2026

MALCATA FESTEJOU SÃO BARNABÉ

  


 A Festa de Malcata em honra de São Barnabé em 2026 chegou ao fim no domingo passado, após uma semana de múltiplas actividades de todo o género e para todos os públicos.

 Segundo o que tenho observado nas redes sociais, nomeadamente aqui:

 https://www.facebook.com/festasmalcata( página oficial da mordomia),acorreram a Malcata muitas pessoas e participaram nos vários eventos do programa festivo. E este ano os mordomos podem finalmente descansar mais umas horas, depois da quinzena bem cheia de trabalho.

 

 A Festa terminou no Domingo à noite e desde então, agora que passou a festa, os mordomos têm publicado imagens e vídeos sobre a mesma. Até agora, sexta-feira de manhã, estou a gostar de ver através das imagens e tudo indica que a festa foi boa, participada e deixou as pessoas felizes.

 Fico ainda a aguardar mais algumas publicações e opiniões daqueles que participaram na festa.

 Para memória futura das festas de Malcata, em jeito de balanço, muito gostaria que as pessoas de Malcata ou que visitaram a aldeia durante as festas, partilhassem alguma ideia, experiência, louvor, aplauso ou o que acharam da festa deste ano, do seu programa, dos mordomos e da sua organização, falassem um pouco daquilo que lhes vai na alma.

 Eu durante a festa fui seguindo à distância e pacientemente aguardei por notícias. Apresento aqui os meus elogios aos mordomos o plano das publicações. Agora é mesmo chegado o momento certo para partilhar informação, experiências, desabafos, agradecimentos, desafios para futuro.

 Vou aguardar então mais uns dias para depois de conhecer as imagens e as vossas opiniões, fazer o meu comentário. Os tempos de agora são de análise e reflexão.

 

8/07/2026

A MAIOR FESTA ERA EM AGOSTO

  

A aldeia fica toda enfeitada


 A festa no mês de Agosto era a maior do ano e todos apareciam para celebrar.
 Antes da abalada dos malcatenhos para o estrangeiro, já regressavam todos aqueles que tinham deixado a aldeia e viviam nos arredores das grandes cidades de Lisboa, Porto ou Coimbra. Mas com a "pandemia" da emigração tudo mudou. Mantém-se ainda a tradição de celebrar a festa no segundo domingo de Agosto.
 O regresso dos emigrantes à aldeia enche de alegria e vivacidade, conforme está a acontecer na nossa. Claro que no resto do ano a vida na aldeia continua a viver-se, mas num ritmo mais brando e mais triste.

 Os emigrantes ainda mantêm o costume de passar a festa à sua terra. Continuam a chegar no mês de Agosto, com bons carros, muitas malas e
com vontade de alegrar toda a gente. A igreja enche aos domingos e é mais difícil aos atrasados encontrar um assento livre, nada que os incomode, pois assistem à missa encostados às paredes laterais ou tentam a sorte subindo até ao coro.
 Durante uma semana, os mordomos da festa andam de um lado para o outro e trabalham para que tudo fique perfeito e as pessoas se divirtam.
 As pessoas encontram-se nas ruas, no minimercado e nos cafés. As crianças a
correr à vontade pela calçada, de bicicleta ou trotinete, deixando os pais de olho nos perigos que possam aparecer. Há abraços, beijos a dobrar, cumprimentos de mão, sorrisos e conversas sobre os mais variados temas e
que há muito esperavam ficar em dia. Â noite o ponto de encontro é o Rossio, onde decorre o bailarico, a feira de artesanato e o
nde há muita música  variada, luzes coloridas, bar sempre aberto com alguns petiscos para retemperar as forças.  São pelo menos três a cinco noites de música e bailarico até altas horas da madrugada.
 As festas trazem à memórias recordações e nem sempre felizes e alegres. Quem não se lembra das zaragatas ao Rossio? A rivalidade entre famílias, entre as aldeias vizinhas, zangas entre dois homens desconhecidos um do outro, mas com uns "copos" a mais? Tenho na minha memória a imagem de uma torre de 5 grades de minis, empilhadas umas em cima das outras, rodeadas por um grupo de rapazes, todos da mesma aldeia vizinha da nossa, que não pararam de dar conta do recado e de barriga a transbordar, desataram aos murros e pontapés a um jovem da terra, simplesmente por passar e ter mostrado todo o seu sorriso? Foi levado como "mangação" e daí nasceu a porrada...
 Outros tempos, outras formas de encarar a vida e a festa, pois mesmo em dia de festa grande, tinham quase sempre de haver porrada da boa. Ainda bem que a tradição agora mudou e a liberdade ajudou muito. 
 E a festa em Malcata vai acontecendo. No segundo domingo de Agosto os malcatenhos já esperam pela festa em honra de São Barnabé., o Orago da Freguesia de Malcata. O Santo Barnabé, natural do Chipre, foi companheiro de Paulo (Santo) e viveu a sua vida a evangelizar as comunidades.  
  Para já e por agora, ainda regressam muitos emigrantes à nossa aldeia para o gozo das suas férias. O problema é que começa a verificar-se que os mais jovens já optam por partir para outros destinos, logo após o dia da festa. E esta tendência vai ainda acentuar-se mais quando as crianças já forem mais crescidas e o facto de não terem nascido na aldeia, com a influência da sociedade consumista em que crescem, a partilha de informação turística e oferta de novas experiências, vão afastar-se ainda mais da aldeia dos seus pais e avós.
 Mas este movimento e tendência não acontece só na nossa aldeia, também se verifica nas outras terras. 
 O mês de Agosto é complicado para os novos e mais idosos. Uns e outros encontram pela frente a barreira da linguagem e o entendimento entre avós e netos nem sempre é fácil. 
 A tarefa dos mordomos não é fácil, nunca é fácil. Parabéns a todos os mordomos de 2026, os dias estão a decorrer e o que desejo é que o vosso trabalho valha o esforço de vários meses e de algumas noites sem descanso.   Ainda vos espera muito trabalho e algumas preocupações, mas será uma missão em prol das gentes de Malcata e que com toda a certeza, saberão reconhecer e valorizar o vosso trabalho em favor da comunidade. 
  
O vendedor de amêndoas era presença certa.


7/16/2026

MEMÓRIAS DA FESTA

 

       
Andor com Nossa Senhora dos Caminhos

 Foi a 7 de Julho de 1968 que foi inaugurado em Malcata, o nicho dedicado a Nossa Senhora dos Caminhos. O local escolhido foi à saída da freguesia, uns metros antes da ponte que ali existia, num espaço a poucos metros da estrada e que ao lado passava um caminho  em direcção ao Ribeiro Grande.                                                

 Com a construção da Barragem do Sabugal, houve necessidade de deslocar o nicho para um local mais afastado e fora do nível das marcas definidas para um armazenamento pleno da albufeira. 
 No ano de 2004, por ideia da comissão dos mordomos da festa da Senhora dos Caminhos, foi mandado construir um novo nicho, bem diferente do primeiro. 
 Ambos os nichos foram bem idealizados e cada um deles anda na memória dos malcatenhos e dos viajantes que visitam a nossa aldeia. 
 A imagem em cima retrata a saída do andor com Nossa Senhora dos Caminhos, provavelmente numa das festas feitas em sua honra. 
 Se houver alguém que possa acrescentar alguma informação, é bom porque enriquece a nossa mente. 
 



 
                                                    

                      


 

7/02/2026

FESTA EM HONRA DE SÃO BARNABÉ 2026

 

      MALCATA

  Está oficialmente apresentado o cartaz da Festa em Honra de São Barnabé 2026, na freguesia de Malcata. 
  Com um programa pensado pela Comissão de Mordomos e com o qual pretendem reunir amigos, famílias e todos aqueles que fazem questão de visitar a nossa aldeia na primeira quinzena de Agosto. A aldeia volta a celebrar aquilo que une uma comunidade, dando continuidade a um evento que consegue reunir apoios e vontade. 
  Vai ser uma semana para o encontro de pessoas conhecidas e que não se veem há anos e que se irão encontrar nas diversas actividades da festa. 
  Nesta coisa da festa, tal como acontece em muitas outras coisas, cada cabeça sua sentença. E independentemente de eu e vós gostarmos do cartaz deste ano e do programa, observo que se continua a dizer que é uma festa, em Honra de São Barnabé. Isso não significa que o programa do cartaz tenha tido a colaboração e a aprovação da paróquia ou que a Comissão Fabriqueira tenha interferido na programação dos festejos. A festa dita religiosa, cinge-se a duas referências que vão ter lugar no último dia dos festejos, o dia maior e mais importante da religiosidade popular e estou a falar da Missa Solene e da procissão à volta do povo. 
  Muitos dos adultos lembram com certeza as festas e as imagens veneradas em cada uma delas. A minha memória leva-me aos tempos de se realizarem as festas de Malcata em honra de duas santidades representadas na igreja matriz de São Barnabé: Nossa Senhora do Rosário e Sagrado Coração de Jesus, realizadas alternadamente e quase sempre no mês de Agosto. Nesses anos sessenta, as festas começavam e terminavam com grandes solenidades religiosas e todos os eventos de convívio e diversão vinham depois, não se misturavam e respeitados os horários, tudo decorria na santa paz e harmonia. 
  O trabalho de preparação era distribuído por todo o ano da festa e os mordomos combinavam o dia e a hora de sair com um peditório, onde recolhiam dinheiro, várias coisas que as pessoas queriam oferecer, que voluntariamente se dispunham a doar para o êxito da festa. Também os mordomos preparavam todo o material necessário para as cerimónias religiosas, desde o cuidar dos andores, das imagens dos Santos, das roupas usadas nos altares, círios e outros artefactos que se iam utilizar nas cerimónias. A coordenação e planeamento dos actos religiosos ficavam sob responsabilidade do padre e da Comissão Fabriqueira da Paróquia, que se reunia sempre com a Comissão de Mordomos para acertar toda a programação. Nesses anos, as celebrações religiosas eram vividas com uma entrega que hoje já não têm e não se sentem com tanto fanatismo e rigidez dos rituais. Mesmo as procissões, a Missa Solene, o tocar dos sinos do campanário, eram rituais vividos e sentidos com muita cerimónia e fé no divino. 
  Nos meus tempos de criança toda a gente gostava e tinha um enorme orgulho em participar nas cerimónias da igreja. Todos os anos acontecia a mesma cena na altura da missa de Domingo e metade do povo assistia à missa da festa a partir do adro da igreja. Lá dentro não cabia mais ninguém, mesmo as coxias laterais e o coro, as escadas do campanário e a sacristia, as pessoas ficavam a abarrotar e entaladas como as sardinhas em lata. O importante era estar presente e ser visto pelos outros e outras, todos os sítios serviam para cumprir e não faltar à Missa da festa. 
  Hoje, passados que são mais de cinquenta anos, a igreja continua a ter as mesmas medidas e capacidade de acolhimento, talvez até com menos lugares disponíveis, por causa do espaço ocupado pelos bancos de madeira que antigamente não havia e não havia nem para os padres.
  Actualmente há muitas pessoas que não apreciam e não participam nas cerimónias religiosas e a fé é revelada de forma bem diferente da que professavam os nossos antepassados, familiares, amigos e por que não dizer, os padres. A ignorância e o analfabetismo agravava ainda mais a miséria e a pobreza de espírito e muitos que exerciam cargos de poder e influência na aldeia, beneficiavam com a vida e a organização comunitária, vivendo mais para aumentar benefícios e prazeres particulares e familiares. 
  As festas era o que de melhor havia para entreter o povo, com a festa espantavam os maus espíritos, os maus-olhados e era a melhor receita para espantar a pasmaceira e a "moinice" dos dias de calor.
  Concluo, dizendo que nem tudo o que se fazia e faz é bom e nem tudo agrada a todos. Muito do que disse é baseado nas minhas memórias que procuro descrever o melhor que sou capaz. Hoje, sou um cristão que vive mais distante das práticas tradicionais e religiosas da nossa aldeia, significando apenas e só a convicção pessoal de me sentir cristão livre, não sou fanático mas crente.
  Como bom cristão, não vou cometer o erro de condenar ou desvalorizar o programa das festas deste ano. As tradições e as festas nunca são iguais e o tempo vai-se encarregar de as fazer esquecer e nem vale a pena desejar voltar atrás e condenar quem trabalhou para alegrar o povo. Não, esse erro não vou cometer, mas também não devo condenar os que ainda pensam assim. Vou focar-me no presente e nesta imagem que me assaltou a mente: a felicidade dos cães quando abanam o rabo ao ver o dono, mesmo que só tenham decorrido uns minutos de ausência física. O que lá vai, lá vai!
  Venham à festa de São Barnabé 2026.  
  
 
   
  
  
  
  

4/06/2026

CONTINUAÇÃO DE BOAS FESTAS

 




 Hoje o dia começa mais vagarosamente e vai-se despertando para a realidade. É natural que muitos se sintam cansados, mas com a curiosidade de espreitar o mundo. A janela abre-se no telemóvel ou no computador e instantaneamente estamos a saber as últimas novidades dos nossos familiares, amigos e comunidades. É normal e natural as pessoas desejarem espreitar o dia de ontem, as cruzes e as campainhas a entrar nas casas, onde as mesas brilham e fazem sorrir os rostos das pessoas. É a nova maneira de partilhar as bênçãos da vida! Os desejos de Boa Páscoa, Feliz Páscoa ou simplesmente, Aleluia, Cristo ressuscitou!
 Hoje é um desfilar de fotografias da festa de ontem; mesas com cabrito assado ou vitela, arroz de polvo com filetes do mesmo, os doces, o pão-de-ló, pudim e as amêndoas, etc., etc. Tudo pronto a comer e saborear.
 Cada pessoa e cada família vive a festa da Páscoa em liberdade e cada pessoa é responsável pela sua vida. Eu estou aqui a pensar nesta ideia de Jesus Cristo estar sempre associado a boa comida e festanças. Já repararam que todas as festas da Igreja estão relacionadas com alegria, boas comidas e ramboias? No Natal e na Páscoa é o que todos já experimentámos: boa mesa, bom vinho e muita alegria. As tradições estão acima de tudo e de todos. Mesmo que não passe de um formalismo, um hábito de enfartamento, coisas de marketing religioso, disfarçado de grande sentido cristão. Se o material falha, se os apoios financeiros não aparecerem, não há fé que mova as pessoas a sair de casa. Importa é dar espectáculo, mostrar a fartura, o amor à tradição das coisas e esquecer o interior de cada pessoa, a sua regeneração interior.
 O mundo é assim.
 Continuação de boas festas.

12/09/2025

JANTAR DE NATAL DA COMISSÃO DE FESTAS


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  A Comissão de Festas em honra de São Barnabé, da freguesia de Malcata, vai organizar um jantar de Natal, com entradas variadas, bacalhau à Gomes de Sá ou arroz de frango com enchidos no forno, bebidas, sobremesas, café e boa música, na Associação Cultural e Desportiva de Malcata.

  O jantar tem data marcada para o dia 20 de Dezembro. As reservas para o jantar devem ser feitas até ao dia 12 de Dezembro, junto de um membro da Comissão ou através destes números:
966 920 234 – Eva Corceiro
915 344 859 – Rita Varandas
  O jantar está a ser preparado com dedicação, carinho e orgulho de pertencer a Malcata e os mordomos estão a preparar tudo para receber bem os que desejarem participar no Jantar de Natal da Comissão de Festas.
  O jantar é para angariação de fundos para a festa que há-de
ser no 2º Domingo de Agosto do próximo ano.
  Os valores por cada pessoa são estes:
  Adulto: 20 Festas (€)
  Dos 7 aos 12 anos: 10 Festas (€)
  As crianças até aos 6 anos é gratuito
  Colaborem com a Comissão de Festas Malcata 2026 e reforcem os espírito de Natal, a amizade e a união são a força da nossa aldeia.
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11/20/2025

FESTAS DE MALCATA: OS TEMPOS SÃO OUTROS

 



  As festas da nossa freguesia têm de ser rijas, barulhentas, com muita música, diversão e bar aberto.
  Têm sido assim as Festas de Malcata nestes últimos tempos, bem diferentes das festas que eu vivi na minha infância. Nesses anos 60,70 e 80, era uma festa simples, humilde, em que participavam os moradores da nossa aldeia e os filhos que trabalhavam fora, mas que queriam marcar a sua presença na festa. Dias de festa e de muita devoção, muito trabalho para os mordomos e as suas famílias, as contas só se faziam no fim, mas havia duas ou três coisas que não podiam faltar: alvorada de foguetes, banda da música e procissão, missa solene e outra procissão, as duas em volta da aldeia. E ainda havia outra coisa que era fundamental ser feita e bem: o Ramo, com música de concertina e da banda da música, que muito contribuíam para animar-nos e o sucesso da arrematação das ofertas das pessoas. Pouco importava se a rua era de terra batida ou de pedra polida e gasta ou o Rossio se mostrasse com o chão aos remendos, nada impedia a animação, não havia palco, bastavam uns bancos de madeira para os músicos tocarem sentados e uma cadeira para o acordeonista poder tocar sem se cansar. As gargantas dos homens gritavam alto e bom som os lances  das pessoas, faziam-se ouvir bem na fonte e não precisavam de microfone, tinham era de ir bebendo para manter a forma.

  Toda a aldeia vivia e sentia os dias que antecediam a festa. Era uma festa grande, a maior da nossa aldeia, sempre com muita gente.
  Mudam os tempos, mudaram as vontades e hoje a nossa aldeia mais parece uma terra que se quer aproximar de Lisboa. Tenho a sensação de caminharmos para uma espécie de Rock In Rio, ou NOS ALIVE em formato muito mais reduzido.
  A fé e a devoção já pouco interessa e as Festas Malcata no segundo domingo de Agosto, são apenas um pretexto para uma semana de diversão, de farra e olhos inchados da falta de descanso nocturno. A tradição, os costumes autênticos e o descanso que todos têm direito a gozar, não são tidos em consideração, pois festa é festa e enquanto houver um festivaleiro na praça, a festa não acaba.
  E não adianta nada dizer contra os programas das festas ou como elas são programadas, pagas, apresentadas e no fim mostrar a factura, o lucro e o destino a dar ao dinheiro que sobrou. 
  Cada comissão de mordomos faz como quer, todos os mordomos são responsáveis e por isso nem é preciso atribuir os cargos de “presidente”, de “secretário” ou de “tesoureiro”, muito menos de “fiscal”, pois tudo tem de correr bem. Estão a esquecer-se da história e do passado. Uns conseguiram, mas outros meteram a mão onde não era suposto. Ainda hoje há coisas e comportamentos por explicar.
  Tendo em conta a realidade da nossa aldeia, importa preservar e procurar manter as tradições de pé e sempre que for possível de forma transparente e que prestigie a nossa gente, a nossa freguesia.
  Ajudar, colaborar, com certeza que sim. Mas sempre com a apresentação da festa, da prestação clara das contas e isto é o mínimo que se pode exigir. As pessoas da freguesia não devem disporem-se a pagar a festa sem qualquer controlo e pagar alguns desmandos.
  Isto é a minha opinião, porque aos mordomos não lhes é atribuído liberdade total para organizar e realizar a festa, é-lhes confiado naquele ano a missão de servir e estar ao serviço do povo.
  Apesar de tudo, sabendo eu, que os tempos de hoje são diferentes, ainda há muito de positivo na nossa grande festa. Continua a ser uma semana que anima e que chama as pessoas à nossa terra. Portanto, aos mordomos da Festa, desejo que continuem a sentir orgulho da missão que têm nas mãos e que se sintam com vontade e força de trabalhar, na certeza de que, não agradando a toda a gente, tudo farão por isso e se dedicarão com empenho e compromisso à organização da próxima festa. 
                                             
                                                                  José Nunes Martins  

                                                                                                                              Recordações de outras festas
                                                                                                                                         em Malcata

                                                                     



    









9/01/2025

A IMPORTÂNCIA DA APRESENTAÇÃO DE CONTAS



   Ora, no meio deste meu orgulho de ser de Malcata, há uma realidade e ela é tão verdadeira que a comparo ao famoso “teste do algodão”: não dá para enganar!
   Estou a escrever estas palavras muitos dias depois da festa. Este ano não estive na aldeia pela semana da festa. O que vi e pude acompanhar via internet e telefonemas, foi uma festa valente e bastante animada. O arraial durou este ano uma semana!
   Na última noite da festa, foram subiram ao palco os novos mordomos. Agora que se encerrou a festa deste ano, é tempo de pensar na festa do Verão seguinte e sem muitas demoras.
   Os mordomos que organizaram a festa deste ano estão de parabéns, pois aquilo que transpareceu foi que conseguiram organizar uma festa e reavivaram a nossa terra durante a mais importante festa da aldeia. E desta vez, até S. Pedro esteve a torcer pelo êxito e o Judas nem às noites foi visto nas ruas. Só se ele veio disfarçado de militar e passou os dias fechado, na casa daquela pessoa amiga e bem parecida, que também deixou vazia a caixinha do dinheiro, recebido em honra do Barnabé, pois estão bem um para o outro e têm gostos e interesses comuns, a atração por moedas. Foi por estas coisas e talvez por causa de outras que ficou sem trabalho e teve de sair a acelerar pela A25. Tanto Judas como a rapariga, vivem sem consciência da dimensão dos prejuízos que causam ao mundo e às pessoas, gostam de gastar sem olhar a meios nem
a métodos ou promessas. Estou convencido, que lhe deram rédea larga e liberdade sem regras.
   É por estas e outras situações que, para organizar as festas de Malcata, é importante apresentar atempadamente, um programa e um orçamento, uma equipa de mordomos em que as tarefas de cada um desde o “presidente”, ao tesoureiro, secretário, fiscal…fiquem escritos e anunciados ao povo. E no fim da festa, apresentar as contas. Só assim se pode atribuir e controlar as festas e assim promover a freguesia com a elevação que ela precisa e as pessoas desejam.
   Eu sei e outros também sabem, que os mordomos, todos fazem o melhor que podem e sabem, embora isso possa não ser o suficiente para agradar a toda a gente. Também sei e outros também sabem que os mordomos são gente amiga, conhecida e todos fazemos um esforço para não dar muita importância a um ou outro desvio, contratempo, desentendimento, discordância e não se sinta muito incomodado com o destino dado aos euros gastos ou existentes em contas bancárias, seja como depósito e reserva para outras festas ou gasto em coisas desconhecidas e em benefício próprio.
   Por tudo isto, que paira na atmosfera e para terminar com a habitual ideia de que o dinheiro da festa é para ser gasto, que a festa raramente dá lucro, é preciso que todas as comissões de mordomos apresentem as suas contas. Não é o único passo e sabemos que se devem tomar outras decisões. Com isto que escrevo, apenas pretendo deixar aqui  um alerta alerta e uma maior atenção para tudo o que envolve as festas de Malcata e as pessoas que estão voluntariamente dispostas a organizá-las.
   A festa de 2025 foi um êxito e a animação foi muita. Foi esta a mensagem que recebi. E também me disseram que o povo gostou. 
   O meu desejo e esperança é que a seriedade e a transparência seja motivo para a realização das contas e que os mordomos as divulguem publicamente.

  
                                                               José Nunes Martins

8/10/2025

MALCATA 1963-A GRANDE FESTA FOI EM SETEMBRO

 

Recorte do jornal A Voz do Sabugal 1963
   Realizou-se no dia 9 a festa em honra do Sagrado       Coração de Jesus.
   A festa foi precedido de tríduo de preparação e no     domingo de manhã ouviu-se a alvorada de foguetes   que despertou toda a aldeia e recordou às pessoas   que era dia 
de festa.
 Enquanto acontecia a alvorada, a banda de música   percorria as ruas da aldeia, 
parando em frente às casas dos mordomos.

   A primeira procissão, que começou às 9:30 da   manhã, percorreu as ruas habituais, com todos os   santos da igreja, indo os estandartes maiores à frente e os mais pequenos, uns passos à frente do respectivo andor. Logo de seguida celebrou-se a missa e as crianças fizeram a comunhão.
   À uma da tarde (!!! apesar do calor…) celebrou-se a Missa Solene, com pregação, seguida da procissão com o Santíssimo (o padre fazia todo o percurso da procissão debaixo do pálio, que meia dúzia de homens sustentavam através de seis varas, três de cada lado).
   Terminadas as cerimónias religiosas, o povo foi para as suas casas com pressa, já era tempo, mais que tempo, para as famílias se sentarem à volta da mesa da sala de jantar, que estava preparada e bem composta, tudo do bom e do melhor.
   Quando o pôr do sol estava próximo e o ambiente mais fresco, todo o povo aparecia ao Rossio-Torrinha para participar no “Ramo” da festa. Nos intervalos, a banda de música tocava umas músicas para animar o baile.
   A igreja paroquial neste ano, foi alvo de obras de melhoramentos que eram necessários que se fizessem. O padre e a Comissão foram elogiados pelo trabalho ali
realizado.
   Este texto foi inspirado na notícia publicada em 1963, no Amigo do Sabugal de Setembro
deste mesmo ano.

Este senhor das amêndoas, era sempre bem-vindo às festas



Início da procissão no adro da igreja em Agosto 2008



Festa de São Barnabé em Agosto 2025
(Foto de Alberto)


E assim se recordam os nossos antepassados. Bem-haja a todos.


                                                                José Nunes Martins    

8/09/2025

OS SABORES E AROMAS EM MALCATA SÃO ORIGINAIS

       


   Este ano, realizou-se a
"X Feira de Artesanato e Sabores" em Malcata. Esperava ver nas imagens divulgadas, alguns artesãos e produtos agrícolas ou gastronomia usual na nossa aldeia - como batatas, alfaces, tomates, pimentos, abóboras, feijão verde, pão caseiro cozido no forno a lenha, alguns enchidos, queijos de cabra, filhós, aletria, arroz doce, papas de milho e caldudo, que é aclamado como a sopa mais típica da aldeia, mel em frascos e em favos, licores com ervas naturais, chás e outras ervas, flor de carqueja...
   Mas infelizmente, as imagens divulgadas pela Freguesia de Malcata, não consegui ver estes produtos, nem artesanato genuíno e típico da aldeia e quanto a sabores, a amostra piora ainda mais! Fico com a sensação de que foi mais uma feira de "penduricos". "crepes" e pipocas doces e coloridas a gosto que as pessoas de fora vieram fazer, mas que eu saiba, os sabores 
em Malcata são outros.
   Salvou-se a animação do recinto. Os artistas convidados marcaram os dois dias, ou antes, as duas noites, de feira. Claro, vêem-se as pessoas alegres, com sorrisos e a desfrutar do evento  e os mordomos agradecem a ajuda que a Junta de Freguesia tem vindo a oferecer. 
   Deixo aqui algumas questões para quem quiser responder:
   1-O que mais gostou na X Feira de Artesanato deste ano?
   2-Qual foi o "artesão" ou "sabor" que mais surpreendeu?
   3-Que tipo de artesanato e sabores gostaria de ver no próximo ano?
   4-Convidava alguém de fora da aldeia e que nunca tenha vindo,  a visitar?
   A Feira deste ano está encerrada e deixou no ar o cheiro a coisas doces e sons de música, sapateado e "sevilhanas"  que trouxeram mais brilho ao Rossio.
Mais do que uma feira, tratou-se de reencontrar gente da terra e de outras paragens, que raramente se encontram durante os outros meses do ano.  Fica a confirmação da falta de artesãos e de verdadeira aposta nos genuínos sabores da nossa terra, que sabemos, existem e são de qualidade top. São duas vertentes que identificam e valorizam a freguesia.
   Está a ser uma semana de festa, hoje é o penúltimo dia e vésperas do grande dia da festa. É natural que já se sintam cansados e com ressaca emocional, física, então depois de pipocas e crepes, de sumos e outras doçarias, o sol não foi mais brilhante porque era já noite adiantada, com sorte por não terem vindo carros e camionetas cheios de gente, assim pelo menos os da terra não tiveram que explicar o que se vendia na feira da praça. Bem, e se os que ali foram, mas não compraram nada ou quase nada, pelo menos levaram calor no corpo de tanto bailar. 
   Que venha a próxima feira, com outra roupagem, com mais artesanato, com mais sabores e cheiros saídos do forno comunitário e claro, queijos feitos com o leite recolhido pela maquinaria da sala de ordenha que, Deus queira, estar em pleno funcionamento no edifício do cabril de Malcata, lá em cima nos baldios. 
    Eu quero acreditar que a XI Feira de Artesanato e Sabores de,...e não em Malcata será um sucesso de toda a freguesia.
                                                     José Nunes Martins

8/05/2025

MALCATA: FESTA NA ALDEIA

     


   
   Por estes dias de Agosto, a Praça do Rossio, na nossa aldeia, transforma-se no maior palco público da freguesia. Com o calor que se anuncia, todas as mãos e pés dos que estão no bar da festa não vão ter descanso. O mesmo espírito de festa é a força que é preciso para virar os fragos, as costeletas e salsichas à moda francesa. 
   O programa anunciado é longo e dura mais que a vida das famosas pilhas que anunciam ser capazes de fornecer energia horas e horas...
   Quem não está na aldeia, quem queria poder estar e não está, esperam ver nas redes sociais o desenrolar das festas. As memórias dos que estão na festa e daqueles que não estão, têm de ser refrescadas e trazidas aos espaços públicos e às plataformas de comunicação digital. 
   Vou aguardar então por notícias da aldeia e do povo em festa.

                                                                José Nunes Martins
   




4/17/2025

AS MATRACAS QUE NOS ASSUSTAM

 


   Malcata já foi uma aldeia cuja população era de pessoas remediadas, viviam daquilo que as suas terras produziam. A maioria da população passava os dias a trabalhar nos campos a que chamavam “chão” e se havia grandes lavradores, com grandes áreas de terra arável, a maioria cultivava pequenas leiras e até as juntas de vacas tinham dificuldade em fazer uma boa sementeira, dadas as pequenas dimensões do “chão”. As famílias mais abastadas precisavam de mão de obra e havia algumas pessoas que trabalhavam aos dias, ou à jorna, por isso lhes chamavam jornaleiros. Estas pessoas trabalhavam para outros porque não tinham terras como possuíam os lavradores.
   Além destas duas actividades, lavradores e jornaleiros, havia muitos pastores de cabras, carvoeiros, carpinteiros, sapateiros, moleiros, tecedeiras, costureiras…
   Hoje as coisas são bem diferentes e a festa que se fazia na Páscoa, por exemplo, vestir roupa nova, é um costume já esquecido. Umas semanas bem antes da Páscoa, as costureiras começavam a receber os pedidos para um vestido novo, uma saia ou um par de calças. O processo começava na compra do tecido nos comércios, na ida à costureira, nas duas provas, como se pode ver, era um processo demorado, mas o importante de tudo, era estar pronto a tempo de o vestir no dia da festa.
   Era assim o dia a dia dos habitantes da aldeia. E sempre que morre alguém, toda a aldeia comenta com tristeza a perda, mostram-se tristes pelo que aconteceu. Então durante a Semana Santa, quando amanheciam os dias a tristeza tomava conta dos rostos e das nossas próprias acções.
      As tradições de Páscoa em Malcata são carregadas de simbologias religiosas. De Quinta-Feira até Domingo, nos meus tempos de meninice e que eu vivia na aldeia noite e dia, a Procissão do Senhor dos Passos e a Procissão do Enterro do Senhor, que acontecia entre a igreja paroquial e percorria as principais ruas da freguesia, destaco aquele momento evocativo do encontro de Jesus “Senhor dos Passos” com a sua Mãe “Nossa Senhora das Dores”, que o pregador convidado, fazia de viva-voz durante uns 20 minutos, pelo menos.
   Guardo ainda na minha memória em que também participava nas cerimónias da Semana-Santa na aldeia. As procissões, as canções e as roupas negras escuras, ainda mais tristeza se sentia no ar, no olhar e falar das pessoas.
   Havia um som que ouvia pelas ruas da aldeia que só acontecia pela altura da Páscoa. O barulho era tão arrepiante que se ouvia ao longe, rompia o silêncio e a calma até dos gatos.
Lembram-se do tocar das matracas? E do sacristão que andava pelas ruas a chamar as pessoas para as cerimónias religiosas na igreja? Como é que as matracas conseguiam fazer tanto
barulho e muito estranho de ouvir? Por muito que o sacristão ensinasse como se deviam tocar, poucos lhe ganhavam o jeito para abanar um bocado de tábua e fazer bater o ferro na madeira.
Como não se tocavam os sinos, era ao som das matracas que o sacristão fazia aquele sacrifício de percorrer as ruas e no fim da terceira volta, o padre dava início às cerimónias na igreja.
   A Páscoa é celebrada em tempo de Primavera, com dias mais compridos, mais quentes, os campos começam a renascer do frio do Inverno, veem as flores, as papoilas e as árvores enchem-se de flores. Também a própria natureza costuma vestir roupa nova.
   Um olhar atento ao que se está a passar na natureza e a participação consciente e de desprendimento, podem ser sinais externos da nossa ressurreição. Basta olhar e captar o que Jesus nos quer dizer com a morte, o sofrimento, a paixão pela vida, pelas flores, pelos sinos a tocar em rebate festivo. Porque a vida na Terra se constrói com coisas simples…alegres e belas também. 
                                                                        José Nunes Martins

1/08/2025

MALCATA: VAMOS CANTAR E DANÇAR?

 

 

Foto copiada das redes sociais

   Lembram-se do que dissemos na noite de 31 de Dezembro?
 “Boas Festas e Próspero Ano Novo”, também alguns dizemos
  “Olha, para o ano, corra pelo mesmo cano”!!!
   E nada contra este costume. Todos os anos repetimos estas mesmas frases. Esta de desejar ao outro que “corra pelo mesmo cano”, é o mesmo que desejar que as coisas continuam a correr como têm corrido, ou seja, é a continuação do que não se acabou no ano velho e ao menos, manter a canalização limpa e desimpedida, é um dos 12 desejos.
     Em Malcata, terra onde nada acontece como nas outras terras, somos sempre originais na forma de levar as coisas avante. Tudo é um mistério, ninguém fala, as coisas anunciam-se e depois esquecem-se de manter a comunidade informada.
 
   O que não vão conseguir esconder, são as obras dos anos passados, tantas vezes prometidas e não cumpridas. Como não foram feitas na primeira vez que as anunciaram, voltaram à lista das obras importantes e  pensam que o povo nem dá conta. Mas, como a máquina que mede o tempo, está sempre em movimento e não podem interromper o avanço dos anos, em Malcata, há obras por fazer, que já vêm do tempo de santa Engrácia, mais parecem projectos para finalizar na semana dos nove dias!
  Este ano, que agora está a começar, vai ser uma pressinha e de muito trabalho, é que daqui a uns meses vamos para eleições autárquicas. Quem agora está na cadeira de sonho, sabe, por experiência vivida,  que tem de apresentar obra feita.
 Eles sabem que há muita falta de memória, há ainda desconhecimento e algum analfabetismo nas pessoas mais idosas. A estes dois factores há ainda um pensamento e estilo de vida conservador, muito marcado pelas crenças religiosas. A gente é humilde, pouco ambiciosa e nada aventureira, preferem cair várias vezes na conversa e nas promessas que lhes solucionem os seus problemas, os pessoais e não os da comunidade, que zangarem-se a sério, até porque têm medo de represálias!   Há que estar bem atentos aos movimentos, às conversas ou chegada de paisanos estranhos à freguesia. É assim que as coisas começam...lembro que, em anos de eleições, as obras surgem em quantidade tal que assusta. Lembram-se do que aconteceu em Malcata nos anos 2008, 2009...eu avivo a memória: ofélia club, sala das memórias, praia fluvial, antena telemóveis...etc...mais recentemente, o "rebanho das cabras" nos baldios que já levou uns milhares de euros e cabras nem sinal!
 
Lembro aos habitantes da minha aldeia que, em tempo de eleições, muitas coisas se acabam, outras se começam e ainda aparecem os partidos que estão no poder,  com projectos de interesse municipal, de interesse para as freguesias, agitando a bandeira e dizem que, só eles sabem fazer melhor…depois, ainda fazer mais e melhor! Tudo não passa de promessas e ilusionismo que o público gosta, mas não percebe porque acredita.

   Por isso, o conselho que aqui deixo é que, estejam vigilantes, tanto de dia, como de noite, porque, nunca sabemos  quando um profeta falso bate à porta, interpela na rua ou no adro, depois da missa, um hábito que se repete muitas vezes, para todo o mundo ver que até vai à igreja e só sai no fim da missa.
   Alerta e cuidado  até ao dia das eleições. Não se deixem levar pelo conto, porque quando alguém conta um conto, acrescenta-lhe sempre um ponto. Exijam papeis, documentos, peçam autorização para consultar, mostrem interesse em ser informados.
   Fiquem atentos e tornem-se bons observadores do que vai acontecendo um pouco por todo o lado, particularmente, na nossa aldeia. Talvez desta vez, lhe queiram vender uma "nova aldeia" para tratar das pessoas com doenças que emperram a memória e alguns vão simplesmente dar um passeio e depois esquecem o caminho para regressar. Olhem que já pagaram a um gabinete de "planeamento" para analisar o assunto...que promete mais uma vez, ser interesse de todos. 
   Com presépios e camiões lá se leva o povo à sede do concelho. E a estrela em cima do palco sabem quem  desta vez? O artista fez a festa, deitou fogo de artifício e o povo é que paga a festa onde ele foi um dos artistas principais e bem acompanhado das bailarinas!
   O povo gosta é de festas e bolos! O novo ano, começou alegre e aos saltos. 
    E assim se vive por terras do Sabugal, onde tudo é normal, menos eu.
                                      José Nunes Martins

12/09/2024

NATAL NATURAL: AMAR

  

                                 Presidente do Município do Sabugal discursa 
                                 na inauguração do Sabugal Presépio"2024

   Dei-me ao trabalho de pegar numa calculadora e fazer a soma dos gastos da Câmara Municipal do Sabugal já fez durante a época deste Natal. Consultei a página dos ajustes directos  https://www.base.gov.pt/Base4/pt ), e pesquisei por "Sabugal" e até ao dia de Dezembro, a soma dos valores dos contratos publicados contabilizavam  despesas no valor de 205.727,50 euros, ao que há acrescentar o valos do Iva.

   O último ajuste directo é relativo ao fogo de artifício para os 5 castelos das Vilas Medievais de Sortelha, Alfaiates, Vilar Maior, Vila de Touro e Sabugal, no valor de 30.000,00 euros.
   Quantos dos sabugalenses viveriam um Natal melhor com alguma fatia deste bolo?
   É mesmo um grande presépio natural que desde o seu nascimento, tem vindo a crescer em tudo, a começar pela divulgação do evento. E cada ano os habitantes do concelho são surpreendidos com a oferta de presentes disfarçados de brinquedos grandes e vistosos, como a  pista dos carrinhos de choque, a tenda climatizada, a cadeira do Pai Natal, esta safada figura que nas palavras dos autarcas, não entram nesta história, porque o natural é haver o menino Jesus .
   
  
Em trinta dias gastam à farta, porque o povo gosta de festa, quer sair de casa e ir ao Sabugal viver o Natal. No final da festa,  regressam às suas aldeias em noites frias e inundadas de solidão.  
   
   Será que o mundo se está a transformar em num grande negócio, onde as  empresas de aquisições de bens e serviços vendem sonhos de Natal às Câmaras Municipais?  Colam-se ao poder local como se fossem uma espécie de lapas que se colam às rochas e dali ninguém as tira e sempre que se aproxima uma data festiva, apresentam-se prontas a servir ? 
   Tanta festa promovida pelos senhores do poder local, para quem não há limites de gastos e
se as pessoas gostam de festas e bolos, então que seja tudo à grande e à francesa!
   O Presépio já abriu as portas para o povo entrar e quanto aos custos, ainda ninguém sabe.
   O que eu sei é que as coisas simples muitas vezes têm mais beleza e maior valor porque se fazem para mostrar que o amor é simplesmente amar.

   
   

  
 

9/22/2024

AS PARCELAS DAS CONTAS DA FESTA

 

                                                    Contas apresentadas pelos mordomos


   
       A realidade é composta de acontecimentos, notícias, memórias, histórias, pessoas, animais e tudo aquilo que é ser malcatenho independentemente do lugar onde esteja.
      E como ser malcatenho? Como são os malcatenhos? São todas as pessoas que desejam conhecer e defender as raízes que lhes alimenta a vida e com convicção e alegria defendem as suas origens e identidade.
    
   Há acontecimentos e notícias que me chegam e não posso deixar de retransmitir para outros ficarem a conhecer.

     As contas das Festas de Malcata 2024 eu e muitos de vós já as lemos nas redes sociais. E aquilo que as pessoas disseram sobre uma coisa tão importante, como é o saldo positivo das contas, a comissão de mordomos deve estar satisfeita e contente pelos aplausos e elogios recebidos. Não há como esconder que valeu todo o suor e todas as horas devidas à cama e às famílias dos mordomos. A todos o povo deve um louvor. 
   A missão era gigante e tinha logo à partida alguns anticorpos e nuvens cinzentas que as festas do ano de 2023 repentinamente ensombraram o céu e os malcatenhos puros. Sabemos hoje que os mordomos deste ano e desta vez, elaboraram um plano e com esse plano asseguraram e provaram que é possível organizar uma festa, com muita diversão e farta de actividades, comida e bebida.
      Chegados a este ponto, com a apresentação dos nove mil euros de saldo, quase atingiam os dez mil euros, que é um registo digno de salientar e louvar e qualquer pergunta mais sobre as contas ou sobre a festa deste ano, vai ser vista como crítica e tentativa de desviar as atenções para pormenores sem interesse.
      Eu este ano não fui à festa e o
 que sei sobre a festa deste ano baseia-se nas publicações das redes sociais, nomeadamente a página oficial da festa e das publicações de muitos que estão de alguma forma ligados a Malcata. Como não vivo na aldeia, como malcatenho permite-me olhar para a festa com algum distanciamento e sem receio de vir a ser criticado. E no que toca à festa e às contas, estas não são assim tão claras e transparentes como se diz, é a apresentação normal e geral das contas. Há pormenores que são  importantes porque é a soma deles que depois resulta no saldo final. Também para se obter o total das receitas e das despesas, temos de ter presente as circunstâncias temporais e as relações-públicas e influências que certos elementos da comissão de mordomos têm na freguesia e na região e mesmo que o tentem afastar, é totalmente impossível. É o caso de um mordomo que, legitimamente foi escolhido e aceitou ser mordomo, com conhecimento do povo e dele próprio e que este ano também está a desempenhar um cargo político, público e importante na freguesia, com toda a legitimidade política e democrática que a lei lhe concede, desde 2017 até 2025. As pessoas não se podem dividir ao meio e as missões que aceitam levar a cabo têm sempre de ter consciência desta forma de estar em sociedade.  E quando a realidade se apresenta como o que acabo de dizer, há mais uma razão para a clareza dos procedimentos e dos resultados, incluindo as coisas menos importantes pelo simples facto de um mordomo ser também o presidente da junta da mesma freguesia onde se realiza a festa.

   É, portanto, importante prestar mais esclarecimentos, sim ainda mais, por parte da comissão de mordomos e caso tenha havido apoios da autarquia 
   Que apoios recebeu a Festa 2024 vindos da Junta de Freguesia de Malcata?
   Na parcela dos apoios / patrocínios, que foi tornado público, ficamos sem saber o que cada um dos 25 ofereceu; também a ausência de qualquer apoio por parte da autarquia, pode levantar dúvidas nas contas e nos resultados.
   Por isso, pela clarificação e transparência dos processos, da separação de funções públicas e políticas, da missão temporária de mordomo, há que informar bem para as contas mostrarem o seu brilho próprio, mesmo que até sejam pequenos pormenores, pequenas ajudas logísticas dadas pela autarquia.
   A falta de mais informação está também na parcela Palco/Bandas/Som: 13.045,30€; idem na parcela 
da Igreja: 760,00€. Houve vários intervenientes musicais e no som, já com o palco mesmo sendo um, não é revelado o seu custo de aluguer ou cedência.  Na despesa da Igreja ficamos sem conhecer a que se destinaram os 760 euros. Tudo para a Fábrica da Igreja não creio ter sido. Também nas flores e outros arranjos é muito para essas necessidades. 
   
  Como podemos verificar, o divulgar as contas como estão agora, é já de louvar e é um exemplo que outras comissões de festas deviam ter feito e não fizeram. Contudo, pelo que já disse antes, há esclarecimentos importantes que ainda devem ser feitos.