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20.7.26

A FONTE DA TORRINHA SECOU

A Fonte da Torrinha
Julho 2026
(Foto de Luciano Frade)

As bicas deixaram de deitar água. A Junta de Freguesia de Malcata, divulgou na sua página das redes sociais "Facebook", ontem de manhã, um aviso a informar a população do problema e estava a tomar as diligências necessárias à sua rápida reparação. A falta de água deveu-se a um acidente na realização de trabalhos florestais, que danificaram a rede de abastecimento de água à Fonte das Bicas (Torrinha).

Até às 24H deste Domingo, não estava disponível nenhuma informação complementar nas páginas da internet geridas pela Freguesia de Malcata.   

 

 A Fonte da Torrinha perdeu a sua principal função, mas mantém-se presente no mesmo lugar onde foi construída. Desde 1937, pelas suas bicas saiu água de graça, oferecida e nunca negada a ninguém que dela necessitasse.
 Com 89 anos de vida, foi acumulando algumas maleitas e algumas vezes sofreu abandono, falta de limpeza, mina por cuidar e claro, passou vergonhas imerecidas. E nos dias de mais calor, nestes últimos tempos, costuma aparecer por lá uma placa branca com umas letras a vermelho:
                             ÁGUA IMPRÓPRIA PARA CONSUMO
 
A mensagem faz doer e reflectir. Se a água é para consumo humano, então porque às vezes lá colocam esta mensagem?  Estão a enviar-nos um aviso, uma mensagem, para ter cuidado ao beber da água que as bicas oferecem, pode causar desarranjos ao nosso corpo. Também estão a querer dizer que periodicamente procedem à recolha de pequenas quantidades de água para ser analisadas num laboratório credenciado. Também vemos que, apesar da água ser clara e cristalina, fresca e agradável de beber, isso não significa que se encontra própria para consumo humano. É precisamente por estas razões, ainda não conhecidas, que nos avisam para ter cuidado e nos estão a dizer que a água não está cuidada, algo estranho entrou em contacto com a água e vão aparecendo alguns sintomas de má disposição, febre, vómitos, diarreias e que como é costume, chamam-lhe “uma virose”, com o tempo vai passar. Será mesmo e só um aviso de alerta ou poderá haver mais que não sabemos?  Dá a sensação que poderá existir mais qualquer coisa que não nos informa aquela placa: é um aviso para levar muito a sério. Disso não tenho qualquer dúvida. E se eu não respeitar aquilo que a placa me está a dizer, se for atacado pela tal “virose”, a responsabilidade é minha e só minha. Claro, tenho de aceitar que eu desrespeitei o aviso. Mas, eu vou aqui reflectir um pouco sobre o aviso: colocar o aviso é um trabalho rápido e fácil de executar. Qualquer pessoa com duas mãos, chave de fendas e parafusos consegue afixar a maldita placa. Mais complicado e mais demorado é verificar onde possa estar a origem do problema, que originou a contaminação da água, que fez com que a água jorrasse em menor quantidade e como recuperar a qualidade da água. Limpar uma mina é um trabalho difícil e não é para qualquer pessoa, por muita vontade que mostre e afirme que sabe fazer bem uma limpeza como deve ser. Sabemos que não é bem assim e que há trabalhos, que só gente com conhecimento e experiência, auxiliado por maquinaria e capacidade técnica podem ser levados a cabo.
 Costumamos dizer, em linguagem popular, que “cada macaco no seu galho”.
 Eu, sem conhecimento e sem capacidade técnica, mesmo que me sentisse com vontade de limpar a mina, escavar terra à procura de rupturas ou outras coisas estranhas que possam ter causado a falta de água na Fonte da Torrinha, ficava quieto e dedicava o tempo a buscar ajuda aos “macacos” que sabem como fazer para resolver a falta de água nas bicas da fonte.
 NOTA IMPORTANTE:
 Não entendas estas palavras como “deita abaixo”, mas apenas como uma reflexão minha sobre a importância da água, das fontes, da gestão da coisa pública e ao mesmo tempo recordar alguns factos já ocorridos e que quando acontece algo inesperado e causador de desconforto e preocupação, estas palavras sirvam de chamada de atenção e alerta, provoquem diálogos e interesse na melhoria da vida comunitária. Os tempos de agora são diferentes, a informação vai e chega rapidamente.
 Espero que já esteja encontrada a causa ou causas que originaram a falta de água. Só quem não faz nada não sofre acidentes ou causa acidentes que não imaginava ser possível acontecer e não era intenção acontecer naquele sítio, aquela hora e a fazer trabalhos florestais.
 Oxalá as diligências e os trabalhos efectuados tenham resolvido a situação.

Sempre a dar água


 

8.5.12

ÁGUA QUE ALIMENTA UM POVO

Todos na aldeia conhecem a Fonte da Torrinha e a água fresca, leve e saborosa que há mais de um século jorra dia e noite nas suas duas bicas. Todos concordam que na aldeia não existe água como aquela. Ainda agora,apesar de haver água canalizada nas casas, muitas pessoas continuam a ir todos os dias a esta fonte encher de água os cântaros de plástico e assim poderem beber e dar de beber desta preciosa água.

   Há uns anos não muito distantes, as cantareiras das casas estavam sempre com os cântaros de barro cheios de água desta fonte. Por comodidade e por serem mais leves, ao lado da cantareira, era costume existir uma ou duas cantarinhas, também de barro, para beber água quando havia sede ou então sempre que alguém amigo ou familiar entrava na casa.

   Ainda me lembro as filas que se faziam ao fim das tardes dos meses de calor. Vinham da Moita, domCimo da Estrada ou do Cabeço com os cântaros vazios à cabeça e enquanto aguardavam a vez para encher, conversava-se e muitos namoros ali tiveram início.
   A água da Fonte da Torrinha era escolhida por todos, ficando a água da Fonte Velha a servir apenas para regar as hortas e os outros campos. Isso explica-se porque a água da Fonte Velha provinha de uma mina mais superficial, era uma água menos saborosa e não gozava do selo de confiança que a água da Fonte da Torrinha sempre soube exibir. Ainda hoje, a água desta fonte é própria para consumo e é sujeita periodicamente a análises laboratoriais.
   A história da Fonte da Torrinha está para sempre ligada à aldeia e à vida dos seus habitantes. Bem que gostava de conhecer histórias de namoricos, cântaros partidos, raspanetes do pai ou da irmã porque o cântaro com água fresca demorava a pousar cheio na cantareira...soltem as memórias e escrevam para nós sabermos mais sobre a importância desta fonte. Vamos lá, sem medos.
 

24.8.09

A TORRE DO RELÓGIO

A Torre do Relógio é o edifício mais alto da aldeia de Malcata. Situa-se na Praça do Rossio ( também chamada Torrinha ) e foi construída em 1959. Para quem nunca teve a possibilidade de efectuar uma visita ao interior da Torre, aqui ficam algumas imagens recolhidas num dia deste mês de Agosto.






Escadas de acesso



Último Lanço de escadas





Relógio





Sino






Quadro de azulejaria


Antes de haver relógios, as pessoas da aldeia ouviam atentamente as badaladas do sino e durante muitos anos para muitos foi o único relógio da sua vida, como foi o caso do meu avô João Pires, que nunca teve um relógio em 98 anos que viveu.

Para além destas fotos tenho outras com vista panorâmica da aldeia. Ficam para amanhã.


























15.6.07

O ROSSIO E A TORRINHA QUE FUTURO?

Eis o Rossio e a Torrinha de Malcata. Há anos que assim é conhecido o centro da aldeia.
Mesmo em frente ao automóvel, podemos ver o forno do povo reconstruido. Está outra vez operacional e o forno, aquecido a lenha, já voltou a cozer pão e cabrito.








Era no Rossio que se realizavam os bailes nas tardes de domingo, ao som da concertina do Fernando e do Coelho, excelentes tocadores que animavam e transformavam as tristezas em alegrias. Hoje os animadores são outros e com sons mais fortes ao ponto de todo o recinto vibrar.

Quando não havia dinheiro para o meio quartilho, ou para uma mini, a água da fonte era "perfeita, perfeita" e fazia parte das festas. Ainda hoje, as bicas não páram de jorrar água cristalina e fresca, mas mesmo fresca, perfeita para matar a sede num dia qualquer de Verão.


Olhem para os tanques que rodeiam a fonte. Está aqui o "ponto de água" para a aldeia usar contra algum incêndio que surja. Esse tanque, o que está logo à direita das bicas, nunca é esvaziado, mantendo-se sempre cheio para acudir a uma eventualidade de incêndio. Logo ao lado está outro tanque mais pequeno que serve(hoje já não tanto)para o gado matar a sede. Ainda quando a taberna do Ti Quim Rebino estava aberta, esse tanque muitas vezes servia de "frigorífico"para as minis, sumóis e laranjadas da Cristalina(Ah!Cristalina, que saudades!). E falta o tanque maior que tem servido para as pessoas regarem os campos(batatas, milho, feijão e tudo o que houvesse na horta). Ainda hoje a água roda por ruas e a Junta faz uns euritos por cada tanque utilizado.




Mais um pormenor da Torinha. Aqui começa a Rua de Baixo, que nos leva para a Rua do Cabeço,para a Igreja, para a Capela de S.Domingos(Moinho,parque de merendas) e também para o Cemitério da freguesia. Do lado esquerdo vemos a Torre do Relógio (é a nossa Torre dos Clérigos). Possui um relógio antigo, que funciona com a ajuda de dois pêndulos ( dois cilindros de granito pesadões) e de hora a hora o sino toca as badaladas correspondentes, dando também sinal às meias horas. Foi por este relógio e pelo som do seu sino que o meu avô se orientou durante 98 anos. Que eu recorde, sempre que ia a casa dos meus pais a comer, nunca chegava atrasado...nunca teve relógio de pulso. O sino da Torre foi o seu tic-tac e ele dizia-me que era de boa marca. A Torre, para além do relógio, possui mesmo no alto, um galo em cima de um globo servindo de catavento e orientador dos quatro pontos cardeais.



A imagem de baixo continua a mostrar a Torrinha e parte do Rossio. Hoje está mais amplo, pois houve a retirada de uma casa ao lado do Comércio do Ti Varandas (casa branca a meio, do lado esquerdo). Em primeiro plano vemos uma casa ainda em restauro (está quase pronta).
O Rossio, o largo dos bailaricos, do Forno, está bastante escondido com esta casa. Lamento imenso que as entidades responsáveis não tenham conseguido aproveitar a oportunidade de Malcata passar a ter uma Praça com mais encanto e mais espaço. Parece que a Junta esforçou-se por obter esse alargamento por todos desejado. Mas como se pode observar tal não aconteceu. Tenho pena que ninguém tivesse feito algo mais. A aldeia ficaria com uma praça que ia valorizar imenso esta zona e assim vai continuar a pracinha.




Mas, amigos, olhemos para o futuro. O passado foi ontem e já passou. Gostava que os malcatenses olhassem para este local e sonhassem um pouco com uma praça mais fresca, mais harmoniosa, principalmente o seu piso. Imaginem umas tílias, por exemplo, porque, sombra é coisa que não existe( sombra de árvores) quase parece a Av.dos Aliados, no Porto, temos muitos paralelos e algum cimento, fazendo companhia a uns bancos de granito. O espaço devia ter árvores e algum equipamento que tornasse o espaço mais aprazível.
Mas se a casa que já referi não foi como muitos sonhavam, olhem para as que estão ao lado da Torre do Relógio. Olhem, observem e imaginem como ficaria a praça sem essas casas e com a Torre como elemento ainda mais em destaque.
Claro está, isto sou eu a pensar e a imaginar coisas que hoje não existem. Mas é com sonhos que as coisas acontecem, se o sonhador conseguir pôr esses sonhos em prática.
Malcatenses, sonhem, sonhem, porque o sonho ainda não paga imposto, é gratuito e ninguém nos pode impedir de sonhar.
Um dia destes vou contar-vos outro sonho.