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Pão e vinho sobre a mesa, queijo e bola para a frente...basta? |
O povinho de Malcata anda feliz, encantado e quando se lhe dá pão e circo fica a populaça acalmada e satisfeita. Claro que o povo precisa e gosta de conviver, confraternizar, passar uma tarde a jogar cartas ou à petanca, mas é importante não perder o bom senso e a dosagem do que fazemos, mantendo o equilíbrio e não darmos mais atenção ao pão e ao circo. Isto é, se pensarmos nisto em termos políticos e em termos eleitorais, poderá render muitos frutos (votos). É preciso mais, muito mais e fazer melhor que isso. Sim, há mais vida e nem só de pão e vinho vivemos. Alguns eventos só se fazem para iludir as pessoas e com recurso a tradições onde apenas participam quando sentados na mesa farta. E claro, mesmo que nada aconteça, haverá sempre a magia para distrair o povo.
Uma aldeia onde a maioria das pessoas está mais interessada em convívios e na diversão, nem se apercebe que está a ser afastada daquilo que realmente é importante.
Às vezes questiono a minha consciência até que ponto o povo da minha terra anda mesmo interessado na vida da comunidade que reside na freguesia. Até que ponto as pessoas desejam conhecer e saber do que se passa. Se na verdade andam contentes e felizes, basta periodicamente ser convidado para o convívio, que importa lá a realidade e aquilo que podiam ambicionar alcançar?
Os culpados deste estado de coisas, ao contrário do que muitos podem pensar, não é o povo, é sim das sucessivas Juntas de Freguesia, das pessoas que sucessivamente recusam de adoptar políticas que tenham como objectivo, preparar o povo e cada cidadão a interessarem-se cada vez mais no que à vida política diz respeito, despertar neles a vontade de questionar e de participar também nas decisões políticas. Se isto acontecesse, o facto de haver maior conhecimento e informação acerca do trabalho que os políticos andam a fazer, ajudaria a melhorar quem governa a junta.
Este é um dos problemas que Malcata tem para resolver. E se nada for feito para alterar as coisas, vai-se assistindo a espectáculos de convívio que os maus políticos tanto gostam, porque assim, têm o povo entretido e a vida deles mais facilitada.