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15 março, 2025

EM MALCATA HÁ MAIS MÁQUINAS E MENOS VIVO!

    O Mundo rural está a mudar e mais rápido daquilo que muitos pensam. 
    Recordo-me dos meus tempos de infância e adolescência e do mundo rural que fervilhava na nossa terra. Nós, as crianças e adolescentes, não sabíamos descrever uma ida à praia e muito menos falar das sensações provocadas pela água salgada e a areia que queimava os pés. Quem sabia e vivia junto ao mar é que falava do mar, das ondas e da praia. Nós, os garotos do campo, brincávamos uns com os outros, com os animais que havia em todas as casas. Nenhum nos assustava e desde cedo que estabelecíamos  boas relações de confiança e adecto, chegando a pegar nos filhotes das cabras ao colo, ou andar a tentar ensinar a galinha a jogar à macaca...na aldeia havia galinhas e pintainhos, cabras e cabritos, vacas e vitelos, burros, ovelhas, coelhos, patos, porcos, éguas e cavalos, muitas aves e raposas, lobos, javalis...nós, as crianças, crescíamos entre o reino animal irracional mas muito útil nas tarefas do campo. Todos os rapazes e raparigas sabíamos de onde vinha o leite que bebíamos ao pequeno almoço, sabíamos como era feito o queijo e porque alguns cheiravam tão mal, mas todos gostávamos de pôr por cima da fatia de pão.  

Vaca


Agora, o mundo está diferente. Estão coisas novas a acontecer e tudo o que é velho, vira lixo e atiramos com as coisas para dentro dos contentores de "resíduos domésticos". 


Ovelhas

O mundo parece estar a dar uma volta e está muita coisa a ficar ao contrário. Hoje, os meninos e as meninas das cidades é que nascem perto dos animais. Agora são os garotos das aldeias que têm que pedir aos pais deles para os levarem até às cidades ver ao vivo o gado: as vacas, os burros, as cabras, as ovelhas, os cavalos...salvam-se as galinhas e os porcos. Não sei por quanto tempo os vão poder ver ao vivo na aldeia, as mudanças estão a suceder muito mais depressa que há uns anos atrás...



JMAL-Sabugal(Sortelha)

Aprender andar na albarda do burro foi das primeiras experiências que eu tive quando era um jovem adolescente. Os pais ensinavam os filhos a equilibrar o corpo em cima da albarda. Quem não adorava ir às cavalitas do "Preto" ou do "Russo" ? Até as raparigas gostavam!

Estão a ver como o mundo está diferente!!!!

              José Nunes Martins



24 março, 2023

SALVAGUARDAR É PRECISO

   

                                    Como era a vida do campo
                               dos nossos pais e nossos avós?

  

   Gostaria de vos lembrar alguns apetrechos da vida quotidiana, das ferramentas que as gentes da nossa aldeia utilizavam para fazer as tarefas agrícolas e as outras ligadas à vida rural.
   Sempre se cultivou na nossa aldeia e ao longo dos séculos, tem sido a base económica da freguesia. Hoje, é praticada uma agricultura de subsistência. Cultiva-se de tudo um pouco, o suficiente para o autoconsumo doméstico. Por sempre existir tanta variedade de culturas, existem diversas ferramentas para amanhar as terras e culturas, enfim, uma inúmera diversidade de afazeres, mas que aos poucos vão deixando de se fazer e as ferramentas vão ficando encostadas a um canto, substituídos por tractores e as alfaias que os acompanham. Até o pipo e a dorna, onde se guardava o vinho novo, foram postos de lado porque as cubas de inox é que são boas.
   Quando andamos pela aldeia e tropeçamos nas velhas ferramentas, antes de as cortar para o lume ou enfiá-las no caixote do lixo, a nossa obrigação é verificar se a podemos salvar. Há que olhar uns minutos para a peça ou peças e se por falta de espaço, ou porque não interessa guardar porque já não tem uso, deixo aqui um apelo para os entregar, por exemplo, à Junta de Freguesia ou a mim, quando por aí estiver. Eu terei o cuidado de guardar tudo para uma exposição permanente aberta a todos.
   Para avivar a memória aqui ficam as imagens:

   
Arca 
                                              


Banca de protecção dos joelhos
durante a lavagem da roupa no ribeiro


Arado


Canga


Ancinho


Ancinho e cesta
      E há tantas em falta: sachos, forquilhas, engaços, sacholas, peneiras, bancas, bancos, mochos, mesas, cantareira, cântaro, candeeiro, candeia, vara, chambaril, alforges, albarda, cabresto, bornal, alguidar, penico, lavatório, panelas de ferro, grelhas, dedeiras, gadanha, guilhos, francela, botelha para o vinho ou água, bilha de barro e o seu irmão de quem agora não lembro o nome...tanto para salvaguardar!
                                                               José Nunes Martins