23 agosto 2016

O AÇUDE QUE FAZ A DIFERENÇA

Localização preferencial do açude da albufeira da barragem

  
   Meus amigos, sou um malcatenho que vive e trabalha bem longe da nossa aldeia, mas tenho o pensamento orientado para tudo o que, na minha opinião, pode beneficiar a nossa terra.
Já não é a primeira vez que venho aqui escrever sobre a albufeira da barragem do Sabugal e da importância que tem para Malcata e o concelho do Sabugal.
Como muitos sabem faço parte da Associação Malcata Com Futuro. E esta associação é defensora das tradições e costumes da nossa aldeia e com o seu trabalho pretende contribuir para o desenvolvimento sustentável da nossa região e claro, da nossa aldeia. E tem sido um trabalho difícil porque simplesmente a AMCF decidiu fazer diferente dos moldes tradicionais, mostrando caminhos diferentes e apenas com a intenção de mostrar oportunidades que se forem apanhadas, poderá trazer muitos benefícios à nossa comunidade. O caminho tem sido difícil mas lá vamos caminhando.

O que é que a barragem trouxe de bom ou de mau para Malcata?
Em primeiro lugar penso que a construção desta barragem é algo de bom para todos, incluindo-nos a nós, não só pela criação de uma reserva de água mas também pela possibilidade de produção de energia de uma forma amiga do ambiente.  Além de ser bastante importante a existência da albufeira da  barragem para a economia nacional, para a rega dos campos da Cova da Beira e para as populações que desta água consomem, poucos falam de um outro ponto, este sim de extrema importância e há muitos anos ambicionado pela população de Malcata, que é o paredão da barragem, ou "açude" para servir de “parede tampão” e manter sempre um espelho de água junto à Zona de Lazer.
 
Se perguntarmos à população de  Malcata sobre o facto de não existir um paredão que assegure a manutenção de um nível razoável de água e a minimizar os efeitos negativos da variação de nível, na sua maioria, se não na totalidade, afirma com grande à vontade que nunca ouviu falar desse tal açude ou paredão. Apesar de estar mencionado no Plano de Ordenamento da Albufeira, nunca ninguém lhes falou desse assunto e desconhecem que foi aprovado um Plano de Ordenamento para a albufeira. Mas, mais uma vez a AMCF vem à carga e traz o assunto para a luz do dia, para a praça pública, para não dizer, para a Praça do Rossio.
Se na realidade não existir intenções de construir esse paredão, alerto para a Junta de Freguesia actual e para as vindouras e para a Câmara Municipal do Sabugal a oportunidade que estão a perder. Sabendo que as obras custam dinheiro,  se  mesmo  assim não tiverem verbas, acho que era de bom agrado pela parte dos representantes do Poder Local e Municipal chegarem a um acordo para a realização da obra. As vantagens deste paredão são enormes.para que as autarquias fechem os olhos. Se repararmos, as vantagem são muitas. Porque não fazer o que outros municípios fazem, ou seja, recorrer ao Fundo de Protecção dos Recursos Hídricos?
Haja vontade e coragem para ir em frente.













19 agosto 2016

FERRAMENTAS SUBAPROVEITADAS



                        Cabos de fibra óptica em Malcata

   O Mundo está a mudar que sei lá!
   E uma das causas dessa mudança está relacionada com o aparecimento das novas tecnologias de comunicação, principalmente a internet e os telemóveis. Há uns dez anos atrás, Bill Gates dizia que a velocidade da internet para além de se tornar mais rápida, estaria disponível para a grande maioria das pessoas. Dizia também que aconteceriam muitas mudanças na vida das pessoas a começar pelo dinheiro, os documentos de identificação, os bilhetes de autocarro e de avião, as músicas…tudo caberia num pequeno aparelho com um ecrã e umas teclas, um telemóvel mais propriamente. Lembro-me do meu primeiro telemóvel, um Motorola a que agora as minhas filhas lhe chamam “tijolo”e por isso está arrumado nos arrumos porque hoje já é peça de museu. Ainda me lembro de ir telefonar ao Comércio do Ti Varandas, único sítio com Telefone Público, em toda a aldeia de Malcata. Tudo isto já é passado, passou à história e hoje telefonar, consultar, responder, pagar, negociar, informar, avisar, namorar…ler o jornal, marcar uma viagem, está à distância de um telemóvel ou um computador ligado à internet.
   Mas o que é que isto tem a ver com Malcata? Perguntam vocês e com razão.
   Tem tudo a ver. A internet e muda a vida de muitas pessoas e as vidas dos malcatenhos também, pelo menos a de alguns! Aos que possuem telemóvel e internet e utilizam regularmente estas duas ferramentas as mudanças são claras e os mais ousados sabem que possuem ferramentas muito úteis para melhorar as suas vidas. Podem alguns dizer que não precisam de internet para viver. Aceito e compreendo que para essas pessoas a internet ainda não lhes diz nada ou pouco diz. O que ninguém pode negar é a importância da internet quando utilizada como ferramenta de trabalho, de negócio, de estudo e de entretenimento.
   “A nova riqueza das nações repousará cada vez mais na massa cinzenta, no saber, na informação, na pesquisa, na capacidade de inovação." Escreveu Ignacio Ramonel, sociólogo.

  

17 agosto 2016

UMA CARTA ESCRITA AOS MALCATENHOS

                                A Serra e Malcata não são apenas um nicho ambiental do lince,
                uma espécie em vias de extensão; são o ponto de chegada de um longo processo
                de acção antrópica em que os malcatenhos desempenharam ( e desempenham )
                um papel importante. José Rei, no livro "Malcata e a Serra - Passado Presente com Futuro"             
      Estimados Malcatenhos,
   Espero sinceramente que esta minha carta vos vá encontrar a todos de boa saúde. Eu estou bem, graças a Deus!
   O Futuro não existe e o Passado já lá vai.
   O Hoje é uma dádiva e é por isso que chamamos Presente.
   Sempre que não nos questionamos e nos mantemos na nossa zona de conforto, estamos a colocar limites à nossa inteligência criativa,à nossa lucidez e à nossa capacidade de genuinamente compreender os novos desafios e as novas oportunidades que nos vão aparecendo. Esta atitude do “politicamente correcto” impede as pessoas de compreender verdadeiramente os problemas e afastá-las das soluções mais adequadas e mais inteligentes.
   Aqueles que assumem a atitude do “politicamente correcto” vão variando e mudando de opinião ao sabor do momento e das conveniências de uns e de outros. Por vezes a hipocrisia pseudo-intelectual leva à proliferação de posturas impositivas de tentativa de pensamento único exercendo pressão psicológica sobre aqueles que desejam pensar objectivamente.
   O grande potencial de Malcata e dos malcatenhos é limitado por ideias e noções ultrapassadas de algumas pessoas.
   A falta de conhecimento, de visão estratégica, de boa informação, coloca as pessoas naquela atitude de nem sequer questionar, por exemplo, as acções ou inacções de quem preside às diversas instituições da nossa terra ou da nossa região. Comenta-se e arranjam-se guerrinhas por causa de uma árvore e não se tem uma ideia inteligente e estratégica sobre a floresta.
    Muitos de nós continuamos a viver agarrados ao passado. Não temos criatividade, nem frescura. Mas há uma oposição permanente daquelas pessoas que, erradamente, assumem a posição do politicamente correcto, assustando o povo e trazem com elas os medos do velho-do-restelo.
   Deixo no ar esta pergunta: é politicamente correcto que o poder local e institucional monopolize os cidadãos?
   Há potencial em Malcata e cada malcatenho possui o seu. O futuro de Malcata está no bom uso desse potencial, na audácia e estratégia, na imaginação e inteligência estratégica de desbravar o nosso território e criar novas oportunidades para todos.
   Malcata precisa de continuar a afirmar-se e a surpreender as outras aldeias vizinhas. Só assim podemos deixar de continuar a encaminhar os malcatenhos para fora da nossa terra. E um dos caminhos é aproveitar as oportunidades que estão a surgir, nomeadamente na Eficiência Energética e na Floresta.
  Em Malcata, de há um ano para cá, a Associação Malcata Com Futuro, através de várias iniciativas que apoiou, organizou e incentivou, promoveu o território da Malcata e de Malcata.
   O “politicamente correcto” e aquela atitude amorfa de “deixa correr, estamos aqui tão sossegados da vida”,  deu lugar a um tocar de ruidosos “despertadores”  acionados pela Associação Malcata Com Futuro, que levou os malcatenhos e muitos outros a tomar conhecimento e informação acerca da sua vida colectiva e individual e das consequências que a todos afectará, se as pessoas e as instituições continuarem a criar barreiras e obstáculos ao trabalho de pessoas que lutam pelo desenvolvimento económico, social, ambiental e cultural do território da Malcata.
Vosso conterrâneo,
José Nunes Martins
  
   

05 agosto 2016

PARA LÁ DA FESTA,HÁ MAIS VIDA EM MALCATA



 
As Festas da Malcata estão quase, quase a começar. De 8 a 14 de Agosto Malcata tem motivos para andar feliz e contente. A começar pelo futebol, depois os jogos tradicionais e uma Caça ao Tesouro, quem quiser e gostar vai à garraiada ao meio da tarde que se realiza no campo de futebol. E os eventos continuam com o torneio de petanca, a pesca à linha, enquanto as crianças se disfarçam com rostos de princesas e índios ou outros sonhos. Os jogos de cartas também vão fazer beber umas minis e a umas boas batidas em cima da mesa, dando sinais de boa vazada. Sem novidade é o baile e discoteca na Praça do Rossio, com início na sexta-feira e fim de festa na noite de domingo.
   Este ano, a Junta de Freguesia e a ACDM vai voltar a organizar a “Feira de Artesanato e Sabores”, vai na sua 3ª edição e promete ser mais um êxito.
   Vão ser dias de muita euforia, muita animação. Talvez os assuntos menos agradáveis sejam esquecidos e muitos problemas sejam deixados para trás, apesar de sérios e importantes para a vida da comunidade.
   A semana das Festas da Malcata vão servir de cortina de fumo e vão ajudar a esconder a dimensão de alguns problemas com que os malcatenhos estão confrontados. A Festa, o futuro da Festa de Malcata é um desses problemas. Nestes dois últimos anos, por falta de acordo entre as partes, as Festas de Malcata e a Fábrica da Igreja organizam a programação festiva cada qual por si, separadamente, ou seja, as cerimónias religiosas estão a cargo da paróquia e a programação … passa a ser da inteira responsabilidade da comissão das Festas da Malcata.
   Esta falta de acordo e de coordenação esconde desacordos muito mais profundos e sérios que as pessoas mais humildes podem pensar. São conflitos de mentalidades, são conceitos de organização e de hierarquia de valores que estão na base desta diferente forma de festejar. Pelo segundo ano consecutivo Malcata festeja e ao mesmo tempo há quem não viva a alegria da festa. Uns porque defendem o novo figurino da festa e reclamam para os mordomos todas as responsabilidades e todas as decisões relativas ao programa das festas. Outros porque viveram as festas como os seus antepassados, ou seja, em sintonia com as suas crenças religiosas e cuja centralidade dos festejos estava nas cerimónias religiosas. Nelas depositavam os melhores momentos e todos os outros eventos que venham a acontecer, desde que corram bem e o povo goste, transformam a festa numa grande festa e deixa alma e corpo feliz.
   Quando a festa acabar a aldeia regressará à sua normalidade e quem sabe, as pessoas arranjem tempo para debater publicamente as festas de Malcata. Sugiro que organizem um debate público, onde com ordem e educação todos tenham oportunidade de expor as suas ideias, ouvir as ideias dos outros, aproveitar para apresentar sugestões pensadas e orientadas para o bem de toda a comunidade que vive na nossa aldeia, respeitando sempre, os seus usos, costumes e tradições. Se assim acontecer, as festas de Malcata ressurgirão com mais alegria, com mais harmonia e continuarão a ser o grande momento festejado por todos os malcatenhos e que uns dias de Agosto os une na sua terra natal.
   Aos malcatenhos e a quem os acompanha, bem como todos os que nos visitam nesta altura do ano,
bem-vindos a Malcata.


29 julho 2016

BENDADA, A ALDEIA METIDA NA MÚSICA



Inês Andrade, directora artística do Bendada Music Festival, após
o concerto Sinais de Futuro, na Igreja Matriz de Malcata, em conversa com Joaquim Martins,
jornalista ao serviço da Rádio Altitude da Guarda.

                                

BENDADA, A ALDEIA METIDA NA MÚSICA
 Parte do conteúdo da conversa que a Altitude FM ( Rádio Altitude da Guarda ) teve com Inês Andrade, a propósito do festival de música que se realizou na sua aldeia, Bendada.




Inês Andrade:"O Festival de música da Bendada foi ganhando forma ao longo de alguns meses e apareceu. Eu venho à Bendada desde que nasci e lembro-me de a Bendada ter ainda bastante gente, especialmente no Natal, que é quando os emigrantes voltam, e é muito triste chegar à Bendada noutra altura do ano, que não é Natal ou férias de Verão, não haver ninguém, ver meia dúzia de pessoas na rua, a escola da Bendada tem 4 alunos, portanto se não se fizer nada a aldeia está mesmo condenada a desaparecer.Pois não nascem crianças e as pessoas estão a envelhecer cada vez mais. E é de facto muito triste que aconteça. A Bendada é tão bonita, toda a gente que lá vai fica fascinada, não há razão nenhuma para que as pessoas não queiram ficar mais tempo na aldeia, porque podem ter uma qualidade de vida muito muito maior que têm nas grandes cidades.Este festival é uma maneira, claro que não vai mudar tudo, mas talvez seja uma ideia que se possa continuar ou possam surgir mais ideias para começar a mostrar às pessoas que é possível viver bem no Interior do país, até fazer melhor porque há condições especiais, há sossego, há  um ambiente especial  para que se possa ouvir música e aproveitar este tipo de coisas.
Este festival mostrou que há muita gente interessada. É muito complicado vir porque não há condições de alojamento. Este ano apareceram as pessoas da aldeia a oferecer as suas casas para as pessoas poderem ficar durante a noite, para poderem vir ao festival. E já há gente interessada talvez em começar a investir e arranjar alojamento na Bendada , restaurar casas que estão a cair, para que mais gente possa vir e possa ficar aqui. O festival tem feito perceber às pessoas que vale a pena investir na Bendada e que será uma boa aposta para o futuro".

Rádio Altitude:
Inês Andrade, filha, neta, bisneta de interpretes ou criadores musicais, e já não podemos dizer que aos vinte e poucos anos de idade  esta agora residente em Boston, nos Estados Unidos, onde frequente estudos musicais superiores,  pertença ao grupo dos mais novos. É que um dos objectivos da directora do festival de música da Bendada  é também formar as crianças da aldeia  que despertam  para a tradição que se perde nos séculos.

Inês Andrade fez o Conservatório desde os dez anos  em Lisboa, licenciou-se no conservatório de música e frequentou o mestrado em performance e ensino, por duas vezes foi distinguida com a melhor aluna do ano, depois fez mestrado em piano em Nova York e agora está a concluir o doutoramento em Artes Musicais na Universidade de  Boston, Estados Unidos. Mas a Bendada continua a ser a aldeia dos Verões e dos Natais. E foi entre férias, já depois de inaugurada a Casa da Música na aldeia, impulsionou a campanha para que a sala tivesse um piano e teve-o no último Natal ".Ouçam aqui a Inês Andrade e o seu entusiasmo quando fala da sua Bendada: