09 Abril 2014

EVENTOS ANIMAM A ALDEIA DE MALCATA

No dia 6 de Abril realizou-se, com grande sucesso, a III Maratona BTT “Terras do Lince”, evento que trouxe à nossa região, ao nosso concelho, a Malcata mais de quatro centenas de visitantes. Trezentos e cinquenta praticantes deste desporto em constante expansão alinharam à partida e percorreram durante várias horas as ruas e os caminhos de Malcata (povoação e serra), serpenteando quilómetro a quilómetro o tracejado da prova. Paisagens inebriantes, sol e brisa refrescantes, pessoas simples e colaborantes estiveram à disposição desta jornada que animou de que maneira a nossa terra. Fora alguns percalços e pequenas ocorrências para um acontecimento com tamanha envolvência, tudo decorreu como se esperava. A satisfação de quantos chegavam à meta era notória. Depois, os banhos e o almoço (feijoada de javali) muito bem confecionada por uma equipa dedicada, chefiada pelo competentíssimo chefe Carlos Morais, no Pavilhão Carlos Clemente. Algumas lembranças entregues aos primeiros classificados e o obrigado e adeus sentido de quantos vieram de longe com a promessa de que para a próxima cá estarão.
A Associação Cultural e Desportiva de Malcata quer agradecer a todos quantos abnegadamente colaboraram que esta Maratona BTT tenha obtido tanto sucesso, de modo particular ao povo Malcata que tanto empenho tem demonstrado em todos os eventos organizados. Mais uma vez fomos um bom exemplo de união, organização e hospitalidade, valores que tanto nos caracterizam. Faço votos para que nunca percamos estes valores.
O nosso programa de atividades continua. A Festa da Carqueja 2014 vem aí, dias 10 e 11 de Maio, com o programa aliciante do qual destaco no dia 10 a Taça de Atletismo de Montanha ( etapa nacional ) e a Corrida do “Lince da Malcata”, e no dia 11 Caminhada e Almoço no Espigal (no interior da nossa serra). Aqui fica desde já o nosso convite: Venham e participem!...
Post Scriptum / Desabafo: Perante a realidade com que nos defrontamos – a desertificação e o abandono do interior – e o esforço que muitos de nós fazemos de trazer pessoas até às nossas terras temos encontrado cada vez mais dificuldades em organizar este tipo de eventos. As limitações provocadas por leis, ordenamentos e organizações que nos dominam estão cada vez mais a dificultar o voluntariado das associações, particularmente da Acdm. Ordenamento da Albufeira, Ordenamento da RN da Serra da Malcata, mais isto, mais aquilo… Eu até compreendo que se zele pelas leis e instituições e defendam os seus postos de trabalho. Mas será que as leis são mais importantes que as pessoas? José Régio escreveu: ”um homem é um homem; um bicho é um bicho…” Não queremos ser mais dos que os outros elementos de um todo, mas aonde fica a empatia entre a gente e a serra? Sempre assim foi e ninguém nos poderá separar desta conivência. Queremos fazer parte deste nosso mundo, com respeito e fruição dos nossos recursos naturais; queremos ser dignos dos nossos direitos e obrigações. Não queremos ser uma “coutada” ou uma “reserva de índios”. É em harmonia com a natureza que desejamos continuar a viver.,,
Rui Chamusco

10 Março 2014

ENTRElaços-Bracejo, história, design

Folheto do Workshop
   ENQUADRAMENTO
   Resgatar a tradição pela via da inovação é o mote de um projecto que pretende aliar a técnica artesanal do trabalho com o bracejo à criatividade e originalidade de designers.
   


OBJECTIVOS
   Criar uma linha de mobiliário e decoração com a marca Aldeias Históricas de Portugal, tendo o bracejo e o saber fazer como elemento distintivo e diferenciador do produto. A iniciativa está alicerçada na valorização dos recursos endógenos, numa lógica de eficiência colectiva que tem as seguintes permissas:

   - Criar valor acrescentado;
   - Reforçar a coesão territorial;
   - Gerar, captar e reter talento, de modo a criar emprego, dar vida e sustentabilidade a infraestruturas existentes e consolidar a capacitação institucional.


 É um projecto essencial para enfrentar o grande desafio de se alcançar o tão almejado desenvolvimento sustentável no território das Aldeias Históricas de Portugal.


Quem participa, onde, quando?

QUEM PARTICIPA?
Pessoas desempregadas, com espírito empreendedor e criativo, com idade igual ou superior a 18 anos.

ONDE?

Sortelha
Edifício da Junta de Freguesia de Sortelha

QUANDO?

21, 22 E 23 DE MARÇO 2014
(Sexta, Sábado e Domingo)

HORÁRIO:


 
21 e 22 de Março:  09h30 às 12h30 e 14h30 às 17h30;
23 de Março: 09h30 às 13h00.
PROGRAMA
21 de Março:
1-Apresentação do projecto de transformação do bracejo para a criação de uma linha de mobiliário e decoração com a marca Aldeias Históricas de Portugal;
2-Apresentação do ciclo produtivo e de transformação do bracejo;
3-Apresentação de propostas de designers.

22 de Março:
1-Experimentação da técnica artesanal de transformação do bracejo.
Observação: os participantes no Workshop devem trazer avental e tesoura de lâmina resistente ( necessário para a experimentação da técnica).

23 de Março:
Processo de recrutamento de formandos para integrar a formação-acção.



 INSCRIÇÕES:
 Data limite de inscrição:  18 de Março.
 As inscrições devem ser efectuadas via email para:
 tatiana.saraiva@aldeiashistoricasdeportugal.com
 
                                ou
Via Correio para:
ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL
Associação de Desenvolvimento Turístico
Praça da República
6250 034 BELMONTE


Mais informações aqui:
http://issuu.com/carinaribeiro/docs/folheto_entrelacos

https://www.facebook.com/ALDEIASHISTORICASDEPORTUGAL?ref=ts&fref=ts

27 Fevereiro 2014

VISITA À RESERVA NATURAL DE MALCATA

Reserva Natural da Serra da Malcata(Malcata,Sabugal)


Por Cinco Quinas:
O
 secretário de Estado do Ordenamento do Território e Conservação da Natureza, Miguel de Castro Neto, visitou a Reserva Natural da Serra da Malcata, no dia 26 de fevereiro, e foi recebido pelos presidentes das Câmaras Municipais do Sabugal e de Penamacor que também deram a conhecer o projeto “Linx Park”.
Com o objetivo de tomar conhecimento dos trabalhos de gestão da área protegida nos últimos cinco anos, nomeadamente das ações desenvolvidas na melhoria de habitat para o coelho bravo, mas também para avaliar os recursos e formas de valorização, de modo a contribuir para o desenvolvimento de atividades de turismo de natureza, o secretário de Estado do Ordenamento do Território e Conservação da Natureza visitou a Reserva Natural da Serra da Malcata (RNSM).
No Salão Nobre dos Paços do Concelho do Sabugal, o presidente da Câmara Municipal, António Robalo, deu as boas vindas a Miguel de Castro Neto, e realçou que o Sabugal “é um dos concelhos do país com maior biodiversidade e geodiversidade” e que por essa razão este deve ser considerado pelo secretário de Estado do Ordenamento do Território e Conservação da Natureza um “paraíso natural” e espaço de referência prioritária para o poder central.
Com um território de 827 km2 de área, o autarca do Sabugal destacou que
Com um território de 827 km2 de área, o autarca do Sabugal destacou que são muitos os pontos de interesse existentes” e que cabe “ao poder central, local, a todos os agentes e intervenientes no processo de desenvolvimento, agilizar, facilitar e criar formas e plataformas de entendimento para que todos estes patrimónios vários possam ser valorizados”.
O que os dois presidentes de Câmara pretendem é uma gestão conjunta da Reserva, localizada 70 por cento no concelho de Penamacor e 30 por cento no do Sabugal, pois as restrições que existem nessa área protegida acabam por condicionar o desenvolvimento da mesma, nomeadamente em termos desportivos e turísticos, mas sempre tendo em consideração a manutenção do habitat. “A Reserva não pode ser um obstáculo à presença das pessoas, mas sim facilitar a relação com o utilizador responsável, o usufruto do cidadão consciente”, sublinhou António Robalo. Para o secretário de Estado, a Reserva da Malcata “é no imaginário coletivo o solar do lince ibérico” e por isso mesmo “assim que estiverem reunidas as condições teremos novamente o lince neste território”, acrescentando que os parques naturais “não podem ser vistos como elementos que carregam um conjunto de restrições”.
A reintrodução do lince ibérico na RNSM deverá acontecer daqui a dois anos, depois de reunidas as condições para o seu regresso e garantida a sua sustentabilidade, através da criação de parques para a introdução do coelho bravo, base alimentar do lince. Só depois deste processo concluído, que terá a duração de dois anos, será avaliada a situação.
Nesta visita, o edil do Sabugal aproveitou ainda para falar sobre a candidatura à Carta Europeia de Turismo Sustentável e da classificação que o Municipio quer obter para o território transfronteiriço que engloba os municípios de Sabugal e Penamacor e das mancomunidades do Alto Águeda e Sierra de Gata.
Está assim previsto que o dossier de candidatura seja entregue em fevereiro de 2015, avaliado em junho e galardoado em setembro de 2015.
Com a marca “Lynx Park” (Lince Parque),
A reintrodução do lince ibérico na RNSM deverá acontecer daqui a dois anos, depois de reunidas as condições para o seu regresso e garantida a sua sustentabilidade, através da criação de parques para a introdução do coelho bravo, base alimentar do lince. Só depois deste processo concluído, que terá a duração de dois anos, será avaliada a situação. Nesta visita, o edil do Sabugal aproveitou ainda para falar sobre a candidatura à Carta Europeia de Turismo Sustentável e da classificação que o Municipio quer obter para o território transfronteiriço que engloba os municípios de Sabugal e Penamacor e das mancomunidades do Alto Águeda e Sierra de Gata. Está assim previsto que o dossier de candidatura seja entregue em fevereiro de 2015, avaliado em junho e galardoado em setembro de 2015. Com a marca “Lynx Park” (Lince Parque), “estamos a desenvolver um processo inovador de definição duma estratégia comum e integradora para o potencial de recursos patrimoniais que este território envolve, pretendendo que este trabalho seja orientador para intervenções de referenciação, recuperação, preservação, conservação, promoção, animação e divulgação a candidatar ao próximo quadro comunitário, explicou o presidente da Câmara do Sabugal, evidenciando também que este projeto “vai valorizar nesta raia espanhola e portuguesa os valores de património natural, edificado, etnográfico e cultural e promover a sua salvaguarda”.
Miguel de Castro Neto também teve a oportunidade de ficar a conhecer este novo projeto que considerou
Miguel de Castro Neto também teve a oportunidade de ficar a conhecer este novo projeto que considerou “muito interessante e que pretendo acompanhar, ficando ao dispor para prestar o apoio político que for necessário”.
António Robalo, na sua intervenção, referiu ainda que
António Robalo, na sua intervenção, referiu ainda que 60 por cento do concelho do Sabugal está englobado na Rede Natura 2000”. Em relação a isso, o secretário de Estado afirmou que é necessário “criar mecanismos em que o facto de termos em certos territórios mais Rede Natura, mais património natural, não seja um constrangimento à atividade económica e sim algo diferenciador que pode potenciar o desenvolvimento económico”. Desta forma, o Governo prevê, para estes territórios que integram a Rede Natura 2000, “um modelo económico-financeiro, para que estes municípios que não podem, tal como outros, desenvolver certos investimentos na área da construção e que não conseguem assim um maior retorno económico, arranjar mecanismos de redistribuição desses retornos”.
Ainda no Salão Nobre, Miguel de Castro Neto assumiu que tinha expetativa de encontrar nestes dois concelhos“um pouco do país das maravilhas, tal como diz o repórter de imagem de vídeo da natureza, Luís Quintas ao apelidar Portugal dessa forma”.
Depois de recebidos no Sabugal, o secretário de Estado e a sua comitiva seguiu para a Reserva da Malcata, onde pode visitar a Casa Abrigo da Ventosa, e posteriormente, já em Penamacor, o Centro de Interpretação da Reserva da Malcata.
Os autarcas, António Robalo e António Luís Beites, continuam a lutar por aspirações já antigas no que respeita à Reserva da Malcata, esperando que esta visita a estes dois territórios “do país das maravilhas” consiga acabar com algumas restrições e assim potenciar o território desta área protegida.
Ainda no Salão Nobre, Miguel de Castro Neto assumiu que tinha expetativa de encontrar nestes dois concelhos“um pouco do país das maravilhas, tal como diz o repórter de imagem de vídeo da natureza, Luís Quintas ao apelidar Portugal dessa forma”. Depois de recebidos no Sabugal, o secretário de Estado e a sua comitiva seguiu para a Reserva da Malcata, onde pode visitar a Casa Abrigo da Ventosa, e posteriormente, já em Penamacor, o Centro de Interpretação da Reserva da Malcata. Os autarcas, António Robalo e António Luís Beites, continuam a lutar por aspirações já antigas no que respeita à Reserva da Malcata, esperando que esta visita a estes dois territórios “do país das maravilhas” consiga acabar com algumas restrições e assim potenciar o território desta área protegida.

AG, in Cinco Quinas,
Leia aqui:
 http://www.cincoquinas.net/?news=reserva-da-malcata-recebeu-visita-de-secretario-de-estado#

26 Fevereiro 2014

SAPADORES FLORESTAIS DE MALCATA CONTINUAM

Assinatura do protocolo ( Foto do Jornal Cinco Quinas )
Vítor Fernandes, actual presidente da Junta de Freguesia de Malcata, esteve presente no passado dia 21 de Fevereiro, na cerimónia da assinatura do protocolo com a Câmara Municipal do Sabugal e  a Assembleia de Compartes da Freguesia de Malcata (12.500 euros que tanta falta fazem aos sapadores florestais) ficando garantida a continuação do trabalho que a ACFM tem vindo a executar na mancha florestal que rodeia a aldeia de Malcata.
   António Robalo, presidente da Câmara Municipal do Sabugal, justificou este apoio, que foi concedido a 7 associações do nosso concelho, dizendo que “é um esforço financeiro enorme por parte da Câmara, pois estamos a falar de verba corrente para dar sustentabilidades a estas associações e equipas”. Realçou ainda que o concelho do Sabugal  “é muito rico em biodiversidade vegetal e é preciso preservá-lo, temos algumas manchas de espécies, como o carvalho negral, temos áreas protegidas, Reserva Natural da Serra da Malcata e Rede Natura 2000, que ocupa uma grande parte do concelho, e por isso temos também essa responsabilidade de preservação ambiental”.


22 Dezembro 2013

O CALOR DO NATAL TRADICIONAL


   As festas de Natal lembram as prendas do Menino Jesus, as filhós com e sem abóbora mas não podem faltar na mesa. A Missa do Galo e a Fogueira no adro da igreja é outra das tradições que ainda continuam vivas.
   "Noutros tempos competia aos mancebos que já tinham ido à inspecção militar arranjar os madeiros para a fogueira e garantir que a mesma ardia até ao nascer do sol. Habitualmente, os madeiros ( grandes troncos e raízes de castanheiro ) eram colocados no adro da igreja com antecedência, sendo a lenha de atear arranjada ao fim da tarde da noite da Consoada. Uma vez que a lenha escasseava, quando a hora de fazer a fogueira se aproximava, os donos das casas tratavam de acautelar os paus que tinham nos currais, deixando apenas à vista o molho de lenha, palha ou carqueja que queriam dar. Caso o dono da casa não deixasse contributo, podia haver retaliações gravosas. Casos se contam em que foram arrancados portões de madeira, roubadas e queimadas cancelas, charruas e arados, assim como abatidas cerejeiras e nogueiras, árvores estimadas. A rapaziada também não admitia que alguém se assomasse à janela e ou viesse à porta. Quando tal acontecia, retaliava à barrocada ( pedrada )." escreve José Rei, no seu livro Malcata e a Serra, defendendo que "esta forma estranha de louvar o Menino Jesus integrava uma espécie de ritual de passagem dos mancebos para o estado adulto. Mostravam eles a sua força e determinação substituindo vacas dos carros. Eles próprios puxavam o carro das vacas". revela-nos José Rei.
   
 Fazendo a fogueira de Natal

  " Carrada atrás carrada, o monte de lenha ia crescendo em cone. Essencial para uma boa combustão, era a incorporação de palha centeia e carqueja seca. Quando o monte de lenha parecesse superior ao do ano anterior, os rapazes iam cear. Alguns ceavam em casa, outros iam petiscar e bebericar para as tabernas, onde normalmente já estava activo um acordeonista, contratado para animar a festa depois da Missa do Galo. Por norma, quando chegava a hora de atear a fogueira, havia lugar a uma ronda à volta da aldeia, para anunciar que o evento ia ter lugar. A passagem da ronda sinalizava que o evento estava próximo.
   Ainda que o atear da fogueira fosse da competência dos rapazes, anos havia em que alguns atrevidos o faziam, provocando deste modo alguma confusão antes da Missa do Galo. Tudo acabava, contudo, em concórdia, tanto mais que a noite era de paz e de alegria".


Arder até ao nascer do sol
   A Missa do Galo era sempre uma celebração alegre e festiva. Continuando a ler a descrição escrita pelo José Rei, ficamos a saber que no fim da Missa do Galo "era a altura de festejar o Natal. Por isso toda a gente fazia tributo ao Deus Menino e  cantavam :
                                             Eu hei-de dar ao Menino
                                             Uma fitinha pro chapéu

                                             E Ele também me há-de dar
                                             Um lugarzinho no Céu.


   
Saída da Missa do Galo
   E a festa de Natal continuava com a malta jovem a cantar e a beber à volta da grande fogueira. A igreja era fria e as pessoas rodeavam a fogueira para se aquecerem. E a rapaziada continuava  a festejar porque a noite era de festa e "as casas estavam fartas . Uns levavam chouriças e morcelas, outros massas de cabrito ( pernas ), queijo mole (fresco), febras de porco. Ao som do acordeão, os rapazes, só os rapazes, porque as raparigas não estavam autorizadas pelos pais a participar, dançavam e cantavam. Também não faltava o vinho e as bebidas destiladas.Quando o sono e o cansaço apertavam , a festa esmorecia e, num último esforço, os mais resistentes, que os outros dormiam ao lado da fogueira, ainda faziam a habitual ronda pelas ruas da aldeia. Ao som do acordeão, lá iam cantando roucamente as cantigas de Natal" escreveu José Rei no seu livro " Malcata e a Serra".

Nota: Há por aí algum rapazote que tenha vivido estas tradições e que deseje partilhar connosco a sua história?

20 Dezembro 2013

SENTIR O NATAL EM MALCATA

Presépio na Igreja Matriz


SENTIR O NATAL EM MALCATA  

Não há iluminações e música nas ruas da aldeia, nem existem decorações de montras a concurso. A animação vai ter lugar no dia 24 de Dezembro com a ida à Missa do Galo e o acender da Fogueira no adro da igreja. Também não está programada a chegada do Pai Natal, as poucas crianças esperam pelo Menino Jesus, que durante a noite vem visitar as casas de todas as pessoas e lhes deixa uma prendinha no sapato ou nas botas deixadas na cozinha.
    Quando eu era garoto, Malcata acordava muitas vezes envolta num manto de neve. Fazia muito frio e só se estava bem à volta do lume ou do calor da braseira.
   Na noite de consoada, horas antes da Missa do Galo, havia que fazer as filhós, uma das iguarias típicas na altura de Natal. Só as famílias mais pobres não as faziam, mas a solidariedade dos vizinhos ajudavam e também acabavam por aparecer à mesa.
   Vêm-me à lembrança o presépio que a minha irmã e eu construíamos em nossa casa. Graças às figuras de barro trazidas de Coimbra, nos dois ou três dias anteriores ao Natal a minha mãe e nós dois íamos arrancar musgos e pequenos ramos verdes de era das pedras e muros velhos, que transportávamos delicadamente numa cesta até casa. O Presépio ocupava um dos cantos da sala de jantar e eu adorava ver a evolução da sua construção. E depois de acabado, ficava ali a olhar para as casas, o pastor vestido com a capa amarela, acompanhado do seu cão pastor e as ovelhinhas brancas a pastar na erva. No monte mais alto, nascia um rio e ao longo do seu sinuoso leito ficava o moinho, o moleiro e o burro carregado com as talegas de farinha, não faltava a ponte e mulheres a lavar a roupa. Eram bonecos que tinham vida própria e que a banda de música ajudava a sentir-me ainda mais alegre nesta época do ano. Mas o mais importante do nosso presépio era o Menino Jesus. A cabana construída com palha, o berço coberto de espigas de centeio onde estava deitado o Menino Jesus, ao lado Nossa Senhor e São José, uma vaquina cinzenta e um burrinho preto ali próximo do berço completavam este religioso quadro. Atrás do presépio e com uma altura de metro e meio, coberto de luzinhas coloridas a piscar, enfeitado com bolas grandes e pequenas de várias cores, disfarçadas com as fitas douradas, prateadas, vermelhas ou azuis, o pinho era o que faltava para que o presépio ficasse lindo, bonito, alegre, festivo e se sentisse mais o espírito de Natal.