2- Visitas Culturais
AMCF-Segredo dos trapos
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O momento do início é histórico e hoje, 30 anos depois,
ainda não conheço obra com tamanha ambição.
O QUE VOS DIZEM ESTAS IMAGENS?
José Nunes Martins
Deixemo-nos de Eventos Festivos, de saltar
de festa em festa, de feira e de mercadinhos dos santos, do natal, da páscoa,
do emigrante…porque para promoção das oportunidades de desenvolvimento
sustentável, basta a música da concertina e pessoas a dançar e a cantar.
Têm o recente exemplo do Presépio
Natural que de tanto se falar em “promover o nosso concelho e os seus produtos
e empresas”, desde que a promoção se iniciou, nada se alterou e muitos milhões
se gastaram e estão ainda por saber o montante total. Podem até vir dizer que
têm o apoio dos fundos europeus, da CCDR-Centro, do Turismo do Centro ou da
Câmara Municipal. Nada muda. É muito dinheiro a gastar só no mês de Dezembro! Promoção, só se for ao rei do Sabugal e
arredores. Nem o Emanuel tem a varinha mágica para acontecer magia, sabe sim, pois está
plasmado no número de ajustes directos que estes anos vem assinando com os
municípios portugueses, a que o município do Sabugal se juntou este ano, contrato cujas condições são impostas pela empresa AM-Produção, do próprio cantor. O “papão” da promoção, foi traído pelo nevoeiro, que
impediu a captação do Menino Jesus, do Castelo, do Largo da Fonte, da Rua Cinco de Outubro, das pontes do Côa, dos gastrónomos e artesãos. Não
se promoveu o concelho, não se promoveram os empresários da restauração, do
turismo, nem sequer os artesãos e a gastronomia, pasme-se, nem um Quinas em forna de pastel.
Tudo foi bonito e alegre, muitas palmas, espantados por estar tão perto da Luciana e do Emanuel, do Filipe e do Francisco, cantaram e dançaram sem parar, nunca deixando de vestir mais uma peça de roupa, tão baixa estava a temperatura ambiente.
Não vi ontem, tinha outros assuntos a tratar. Hoje visitei as redes sociais e nada me espantou, nem aquelas caras a sorrir e sem dar a entender porque estão ali, nos palcos.
Daqui lanço um desafio: comentários em forma de ideias e propostas para promover o Concelho do Sabugal através de iniciativas culturais "endógenas" com a participação dos nossos homens e mulheres, jovens e seniores, originais e sem cópias repetidas por todo o país, tipo chapa 5, como agora é moda.
E termino com uma questão: quem visitou o Presépio Natural, reparou nas mudanças e nas mensagens introduzidas pela nossa Beatriz? Têm sentido, mais do que muitos pensam!
ACDM-Amar o desporto e a cultura |
Hoje, 13 de
Novembro de 2022, a Associação Cultural e Desportiva de Malcata, reúne os seus
associados para dois eventos: a Assembleia Geral marcada para o princípio da
tarde e o magusto após a realização da dita reunião.
Como sabem estou a viver fora da
aldeia há muitos anos. E sempre que posso, vou uns dias até à aldeia onde nasci
e cresci durante a minha infância.
Como malcatenho, mesmo não vivendo na
aldeia, tenho feito um esforço para seguir as actividades, mesmo que à
distância, que a associação vai realizando e tenho a dizer-vos que não é tarefa
fácil, não é mesmo! Desde 2017 que a informação vinda da ACDM é muito escassa e
sem interesse relevante. A começar pela internet,
as direcções que se seguiram abandonaram e meteram na gaveta todo o trabalho
das direcções anteriores. O blog da associação terminou abruptamente. Consultem
este link e retirem as vossas conclusões: http://acdmalcata.blogspot.com/2014/.
Nunca ninguém veio explicar as razões
deste abandono. Algum dos sócios da associação tem conhecimento dos motivos do
sucedido? A desculpa e única que podem vir apresentar aos sócios pode ser o de
terem uma página no Facebook. A mim essa justificação vale zero. Visitem essa
página e não se admirem de encontrar nela uma espécie de “suplemento” da página
da Câmara Municipal do Sabugal. E se consultarem o arquivo daquilo que foi publicado
no tal blog, lá vão encontrar boa e muita informação.
Estes três últimos anos toda a gente
passou por dificuldades, problemas de saúde, situações aflitivas no seio
familiar, restrições nas actividades da associação. A vida deu um trambolhão do
caraças e ainda estamos a sair do susto.
A ACDM, felizmente, continua de portas
abertas. E isso devemos de agradecer aos dirigentes que conseguiram continuar a
história desta instituição. Esse louvor não o podemos esquecer e deve ser
lembrado.
Também não posso passar uma esponja
pelo passado, nem pelo presente da associação. Muita água passou por baixo da
ponte de Malcata e encheu a barragem da Meimoa. Muitos lamentos, alguns
protestos e um boicote eleitoral, algumas chatices de contraordenações, mas a
associação continua viva. Até quando? O desporto desapareceu completamente ou
resta apenas os jogos das cartas e solteiros contra casados. A secção de
atletismo esfumou-se e os jovens atletas têm as sapatilhas e calções a cheirar
a mofo, ainda dentro do saco onde as transportavam quando os pais os levavam
até às pistas das provas. Levaram o nome Malcata por este nosso distrito e
concelho, nunca foram capazes de pedir esmola ao povo, eles corriam e
praticavam desporto por gosto, por serem da ACDM e eram tão bons a correr como
os da A.A.G, os de Penafiel, os do Benfica de Castelo Branco ou do FCP. Tudo
esmoreceu e desapareceu, restam os troféus e as mazelas. Será que a ACDM
continua a ser parceira da Associação de Atletismo da Guarda? Estes são factos
que aconteceram e que me deixaram muito triste ver uma associação que
impulsionava o desporto na freguesia, no concelho, desapareceu assim, sem mais…mas
será que os sócios têm total consciência do que aconteceu? Já disse que graças
aos actuais dirigentes, a associação mantém as portas abertas. Algumas coisas
terão feito de bom e a ACDM não morreu, mas penso estar há demasiado tempo em
coma induzido pelos seus responsáveis. Os sócios, a sua maioria, não querem
saber destas coisas e para acreditar que tudo está bem, basta um convite para uma
tarde de cartas, um magusto e lanche ajantarado, com umas minis e umas conversas,
encostados ao bar da associação pensam que o resto não lhes diz respeito, nem a
falta de caixa registadora no bar e nas actividades que vão acontecendo ao
longo do ano. O cofre, mesmo em tamanho pequeno, nunca faltou.
E neste momento, que estão muitos
sócios reunidos na assembleia geral e que a seguir vão às castanhas assadas,
estão no mesmo pé de tratamento aos que não são sócios, pior digo eu, pois os sócios
que pagam as suas quotas, têm as mesmas regalias que qualquer outro convidado,
visitante, amigo, isto é, ser sócio da ACDM só acarreta despesa!
Para terminar, deixo-vos com mais este
pensamento para reflectir: a associação é de todos os sócios e para todos os
sócios, por isso tem o nome de Associação Cultural e Desportiva. Não é um clube
de baile, ou um salão de jogos. Defendam a vossa cultura, as vossas tradições,
o vosso património, os vossos recursos naturais e nunca se esqueçam do
desporto.
José Nunes Martins
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Sinos com bom som |
Os sons da aldeia serão diferentes dos sons das cidades?
Os mais idosos que sons recordam mais?
Os seus netos continuam a ouvir os mesmos sons ou há alterações?
Quando eu era garoto ouvia o som do
sino da torre que repetia as horas e as meias horas, todos os dias e todas as
noites. Olhando para o mostrador podemos ver que existem uma série de números
que vão de 1 a 12; então como é que as pessoas sabiam que horas eram às tardes e às
manhãs? Sabiam, raramente se enganavam e muitos dos nossos avós e pais eram
analfabetos. Eram bem-falantes e tinham inteligência, faziam contas simples e
outras coisas do dia a dia, alguns tinham uma cabeça que metia inveja a alguns
doutores.
Outro dos sons que se ouvia no povo
eram os sinos que estavam no campanário da nossa igreja. Claro que ainda hoje
lá estão dois sinos, um maior que o outro. Tenho para mim a ideia de que o som
dos sinos da igreja já não tem o mesmo timbre, quando os ouço refugio-me
naquelas sonoridades limpas, de eco prolongado, que é completamente distinto do
que hoje se ouve. Dizem que o sino pequeno está com fissuras e isso prejudica
imenso o toque. O outro, é maior e devia ouvir-se ainda melhor e não é assim. O
seu tamanho esconde, ao que parece, a causa da sua rouquidão que a acompanha
desde que ali foi colocado.
Lembram-se dos profetas que anunciavam
a chuva? Pois claro, os amoladores que apareciam na aldeia armados em técnicos
no arranjo de varetas soltas dos guarda-chuvas, deixavam as meninas costureiras
satisfeitas e felizes porque a tesoura ficava a cortar como nova...e faziam
todo o trabalho sem gastar um escudo de electricidade, mas ao fim do dia a
perna mostrava-se cansada de tanto dar ao pedal para que a correia fizesse
rodar a pedra de amolar.
O som das galinhas, do gado na loja ou
na rua, os chocalhos e as campainhas que os lavradores penduravam ao pescoço
das cabras, das vacas e nunca vi burro ou cavalo com este tipo de albercoques.
Não tenho explicação!
Hoje os sons que se ouvem na nossa
aldeia são bem diferentes daqueles que eu me lembro de ouvir há pelo menos 50
anos atrás. Mesmo que alguns sons se pareçam e tenham ainda o mesmo
significado, continuo a ter melhores recordações dos sons que ouvia de
pequenino.
Que sons se ouvem neste Verão pelos
ares de Malcata?
José Nunes Martins
Tocar os sinos em dia de festa |
A concertina do Fernando |
Capoeira com galinhas |
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Burros, cabras, vacas... |
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Sons raros |
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Sons de concertos |
Cantar as janeiras
Durante o mês de Janeiro, na nossa aldeia,
era costume cantar as Janeiras. Tal como em muitas outras terras do nosso país,
cantar era uma das formas conhecidas de dar as boas-vindas às famílias que viviam
na freguesia. Uma tradição popular com muitos anos de história, que como outras
tradições populares estão a esquecer-se e tendem a desaparecer para sempre.
E esta tradição de cantar as janeiras,
vai para lá da música e das canções. E a espontaneidade com que se formavam os
grupos de cantores e tocadores, era mais profundo e mais sério que aos nossos
olhos nos parece. A simplicidade e a humildade, a franqueza com que as pessoas
conviviam e se agrupavam faziam as coisas acontecer.
Por isso era muito fácil formar um
grupo de pessoas para cantar as janeiras e percorrer as ruas da aldeia.
Marcavam o dia, hora e local para se juntar e cada um trazia alguma coisa que
fizesse algum ritmo e barulho controlado. Uns traziam concertinas, outros a
guitarra, a pandeireta, os ferrinhos e claro havia sempre um tambor.
Daquele lugar combinado saíam a cantar e a tocar cantigas populares e
agradáveis ao ouvido de toda a gente. O grupo percorria as ruas da freguesia e
iam de porta-em-porta dar as boas-festas espalhando alegria e boa disposição.
Só esperavam que alguém da casa viesse ter com o grupo e lhes oferecesse comer
e beber, eles em troca cantavam, depois continuavam para a próxima casa.
É uma daquelas tradições populares que
mesmo sendo populares, está condenada a desaparecer. Está difícil criar
interesse nas pessoas para se juntar e simplesmente alegrar e sempre com o
cuidado e o respeito pelos sentimentos das famílias, por exemplo, respeitando
sempre os períodos de luto.
No íntimo de muitos de nós guardamos
estas lembranças e sabemos que hoje o mundo e as tradições já não se celebram
como noutros tempos. Lembram-se com alguma saudade e nostalgia de ver o grupo
de sócios da ACDM que todos os anos alegravam as janeiras?
As instituições e cada um de nós é
parte da nossa cultura e da nossa freguesia. Os malcatenhos, independentemente
do lugar onde vivam ou trabalhem, são malcatenhos e é a nós todos que nos cabe
manter e divulgar o verdadeiro espírito que é ser malcatenho.
Cantar as janeiras e organizar outras
tradições é aprender a alimentar a criatividade, a espontaneidade e o respeito
pelo legado dos nossos antepassados e
fazermos nós a mesma passagem aos vindouros, para assim a nossa história não
terminar.
José Nunes Martins