15/12/2025

QUEM VAI EMBARCAR RUMO AO FUTURO?

  

  




  A nossa aldeia é em quase tudo, igual a outras aldeias vizinhas.
    Cada ano que passa, vive menos gente, aumenta o número de pessoas a precisar de descansar, por ser de idade avançada e só souberam trabalhar durante a vida. 
  Os casamentos diminuíram e também baixou o número de nascimentos.       O 
crescimento não avança como noutras eras da história, não há condições para criar muitos filhos e hoje em dia, vivem o presente com preocupação. 

   Nesta terra, a vida é levada com muita calma, sem grandes preocupações e as notícias só aquelas que as televisões e redes sociais divulgam a toda a hora. Mas às vezes, lá aparece uma notícia local, que diz  respeito à nossa terra, à nossa freguesia e ao  mundo calmo e tranquilo, dos que nasceram aos pés da serra. 
  
 Quando isso acontece é porque alguma coisa e pouco habitual, aconteceu ou está para acontecer.  Até compreendo o entusiasmo e os sentimentos de alegria  das pessoas e aumentam as esperanças e os desejos em participar e estar presente,  ajudar a difundir essa boa notícia. Até a própria autarquia (junta)tem necessidade de anunciar a notícia, em forma de apelo à participação, à união das pessoas e assim, garantir que a Freguesia consegue mostrar ao mundo a vida bela que se tem na aldeia esquecida.
  Pergunto a todos se a vida normal na aldeia, é a que estão a querer mostrar numa manhã de Dezembro?
   Sempre que um paisano anda pelas ruas poucos se aproximam e apenas observam os seus passos. Ouve-se um bom dia ou boa tarde e pouco mais do que essas palavras. Portas e janelas mantêm-se encerradas e fazem com que o paisano se sinta estranho, um estrangeiro que  não compreende esta gente da serra e do interior profundo. 
 É bom e compreendo até certos limites o interesse manifestado pela Junta de Freguesia, em preparar bem o evento do próximo dia 28 de Dezembro. Recusar esta oportunidade que a Câmara Municipal oferece, era bem pior que correr contra o tempo e fazer tudo o que estiver ao alcance para Malcata fazer boa figura. Há certamente um compromisso com o Município e agora é necessário chamar as pessoas a colaborar com a Junta e  um canal de televisão, para fazer acontecer um momento especial e marcante para todos. Empenho vai haver e de coração aberto, haverá gente disponível para o que for preciso, nem que seja para aplaudir ou pegar na pá do pão e esperar que o calor do forno coza bem. Fico feliz se as pessoas colaborarem e desfrutarem do momento que ajudaram a criar.
 Bem diferente, é aceitar que a união, a colaboração, a ajuda e participação se pode mostrar como um valor identitário da nossa aldeia, pois mesmo mostrando as  tradições, que mais não são as memórias da vivência dos nossos antepassados, cujo êxito e longevidade se devem às suas vivências de verdadeira união,  amor ao genuíno e à força  comum. Promover os valores, tão fundamentais da vida comunitária, como a união, a alegria, as cantigas, as tradições, só quando há a presença da televisão, é querer fazer esquecer que há mais vida e mais dias do ano que também é preciso  mostrar por palavras e obras como são os beirões.
 O dia 28 vai ser um dia especial, marcante para a freguesia, para os que nela vivem todos os dias do ano e para as crianças. Também é satisfação para os malcatenhos que longe seguem o pulsar da vida da nossa terra. Valha a existência da internet e de diversas ferramentas de comunicação, é graças a elas, que todos sabem que vai acontecer a magia natalícia na aldeia.  Quem conhece o dia a dia na freguesia, sabe bem que é diferente e quase  não acontece nada, porque se acontece alguma coisa boa ou má, dali não sai e ninguém se dispõe a divulgar. Não  interessa ser divulgada ao mundo. Eu o que não compreendo é a mudança das pessoas em relação aos mensageiros dos nossos dias. Quem foi assinante e leitor do semanário "AMIGO DA VERDADE", que trazia um suplemento dedicado ao concelho do Sabugal, lembrar-se-á do desejo de receber esse jornal em casa e não descansava para ler as novidades das aldeias e da nossa Malcata. Tudo era importante publicar para se dar a conhecer ao mundo. Aquele suplemento dedicado às aldeias do Sabugal, comparo-o aos actuais blogues ou publicações nas redes sociais, com maior lentidão mas sabiam bem à alma e matavam muitas 
saudades dos que viviam longe a trabalhar ou a cumprir o serviço militar. 
 Há que aprender a caminhar com os pés no chão e ao mesmo tempo subir ao cimo da torre do relógio ou ir ao alto da Machoca e 
observar o que a vista alcança, entender as mudanças no mundo.

    Vai ser uma manhã excelente e aplaudo a decisão demonstrada pela  Junta . Ficamos a saber que sempre que há uma oportunidade e interesse, o mundo sabe o que se passa na aldeia. Saibamos todos retirar bons conselhos e lições para o futuro da freguesia.
   Construir uma comunidade unida, forte, aberta à inovação, com visão e ambição de alcançar êxitos que a todos beneficie, é o que nos pode impulsionar a nossa canoa e se não queremos ir à toa, temos de decidir para onde vamos. São os malcatenhos que, como comunidade, não querem continuar no cais porque são eles que têm de tomar a decisão para onde querem ir. 

                              José Nunes Martins

FESTAS NATALÍCIAS EM MALCATA

Praça do Rossio

 
Igreja Matriz

Rua da Estrada


Senhora dos Caminhos

      Fotos retiradas das redes sociais este mês de Dezembro.


14/12/2025

ONDE TEM ANDADO O MENINO JESUS?

   


  O Mundo anda mesmo virado do avesso. E não há como parar esta reviravolta, todos os anos por esta altura só se fala no Pai Natal que vai chegar de helicóptero, de trenó, de mota, eu sei lá mais o quê e toda a gente se esquece do Menino Jesus! Vamos ser realistas, não podemos comparar o que não se pode comparar, eram outros tempos e não havia tanta fartura como a de agora. Na minha infância o Menino Jesus é que estava encarregue de distribuir as prendas às crianças.    Eu acreditava que chegava à aldeia, subia aos telhados das casas e descia pela chaminé para deixar as prendinhas dentro dos sapatos ou das botas, porque nelas cabia uma prenda maior! Nesses tempos,
não se ouvia falar do Pai Natal, o Menino Jesus é que era verdadeiro.  O Pai Natal apareceu uns anos mais tarde, perto de 1970, com um nome afrancesado, diziam ser o Papa Noel, vestido de vermelho e branco, transportando um saco grande às costas, cheio de prendas. E aos poucos e poucos, quando dei por ela, o Menino Jesus deixou de aparecer na noite da consoada. Todos falavam do velhinho de barbas brancas e garruço na cabeça, casaco e calças à Benfica, luvas brancas e fazia-se transportar num trenó puxado por várias renas. Pois, com o Menino Jesus as estradas e o meio de transporte ninguém falava, talvez viesse nas asas dos anjos celestes, isso não me lembro de como os pais diziam às crianças…falavam que vinha o Menino Jesus e deixava prendas aos que se tinham comportado bem.
  A melhor prenda que o Menino Jesus alguma vez me deixou na lareira da cozinha, foi uma bicicleta. Só mais tarde percebi que tinha sido o meu pai que trouxe a bicicleta quando veio de França passar connosco o Natal. Isso sim, foi uma prenda grande! O engraçado disto é que há uns meses, estando eu na aldeia e a propósito dessa bicicleta, o que nos rimos quando me recordaram das aventuras vividas por causa da bicicleta de pneus bem grossos. Outra prenda que me lembro, mas essa era para a minha mana, foi uma boneca bem grande, ficava de pé, parecia mesmo uma menina de verdade!
  E durante a minha infância, ficava sempre à espera que no Natal, o Menino Jesus arranjasse tempo e maneiras de vir à aldeia e à nossa casa.