Esta tradição de ir rezar aos cemitérios no dia 2 de Novembro, já vem do século X, quando um abade de Cluny, em França, apelou aos seus paroquianos para rezarem pelos mortos. O Purgatório foi assim que apareceu e as pessoas começaram a acreditar que havia uma "sala" intermédia, mesmo antes do Céu, onde as almas das pessoas falecidas aguardavam a sua vez para entrar no Paraíso. E para que essa espera fosse mais breve, acreditava-se que se os vivos rezassem pelos mortos, essa espera seria mais breve.
Em 2013 o Estado português decretou o fim do feriado no Dia de Todos os Santos. Portanto, desde 2012 que o dia 1 de Novembro deixou de ser um dos feriados em Portugal. Por conveniência, as pessoas passaram a visitar os cemitérios no dia 1 de Novembro e não no dia 2, pois é dia de trabalho normal.
Estes dias do início de Novembro continuam a trazer muitas pessoas às suas terras de origem. Vão para visitar os cemitérios onde repousam os corpos dos amigos e familiares, reencontram gente amiga e conterrâneos, aproveitam para arrecadar umas castanhas, nozes e marmelos, produtos caseiros e sempre muito apreciados.
O cemitério é o lugar onde estão guardadas as memórias da nossa gente, das pessoas que nos marcaram e nos legaram o modo de vida da nossa aldeia. Em Malcata houve tempos em que as pessoas falecidas, eram enterradas no chão da igreja ou no adro. Há arquivos históricos de óbitos e registos de enterramentos no chão da nossa igreja de São Barnabé que estão guardados no Arquivo Distrital da Guarda. Ainda agora, existem vestígios do primeiro cemitério da nossa aldeia e nele ainda são visíveis algumas lápides de pedra. Mais tarde, este espaço ao lado da igreja ficou cheio e também empurrados pelas novas leis do Estado, que obrigavam a afastar os cemitérios do meio das povoações, em Malcata construiu-se o actual cemitério.
