2.3.26

PRAÇA DO ROSSIO EM MALCATA

Malcata - Praça do Rossio

 


 Por esta praça passaram e passam alguns dos eventos mais importantes da nossa freguesia. É o lugar central, o melhor largo para diversas actividades, encontros, festas, feiras, bailes ao ar livre e festas populares.
  Adorava ver esta praça sem automóveis estacionados, ou então num estacionamento ordenado. Já o piso merecia ser mais macio, mais limpo e adornado com flores de todas as cores, em vez de caixotes metálicos para o lixo e um Rossio ocupado. Que grande benefício traria à nossa gente a transformação deste espaço mais bem arranjado!



Torre do relógio na Praça do Rossio

1.3.26

PRECISAMOS DE NOS OUVIR

 


 Em Malcata, há necessidade de uma mudança de paradigma, como precisamos de “pão para a boca”.  Se quisermos ultrapassar as dificuldades do presente, tem de se ultrapassar as barreiras que existem à frente do caminho. Precisamos de coragem e ousadia, de criar e acreditar que o desenvolvimento da comunidade é possível e deve envolver e comprometer toda a povoação e cada pessoa em particular. Neste momento, o rebanho é uma das soluções para Malcata sair da imobilidade e do anonimato. Há que fazer entender que este projecto das cabras sapadores tem capacidade para criar postos de trabalho para além dos pastores. As cabras devem servir de motivo de união e de desejo em fortalecer a economia local e regional, garantir trabalho a um pequeno grupo de pessoas de Malcata. Há uma urgente necessidade de martelar as nossas cabeças e as nossas consciências de que somos um povo unido e que estamos todos no mesmo barco. Há muito que se esperava o rebanho, o queijo, o cabrito e o leite. Agora é tempo de desassossego e de passar à acção. É tempo de questionar, pensar e comprometer-se com o que garanta o futuro da comunidade, apostando numa organização que assente no respeito e na transparência, que retribua e ofereça as oportunidades de trabalho e rendimentos justos. Combater a opacidade e abrir o projecto das cabras a todos os malcatenhos deve ser um compromisso cívico em nome do bem de todos.
 Precisamos de coragem, ousadia e de acreditar que Malcata se pode desenvolver e tornar-se numa terra amada.

26.2.26

A PRESENÇA NA INTERNET DA FREGUESIA DE MALCATA

 


 A página da Freguesia de Malcata é mesmo uma pobreza!
 A escassez de informação e de conteúdos é tanta que mais valia
acabar com ela.
 Assim como tem estado, está a dar uma péssima imagem da nossa freguesia. Esta página tem de ser a primeira porta de entrada dos cidadãos que desejam conhecer e visitar a aldeia.
 A situação em que se encontra é a imagem da pobreza e da inactividade do executivo desta Junta de Freguesia que desde 2017 governa a freguesia. É até motivo de desconfiança dado que a sua existência não está voltada para facilitar o acesso a informações e leitura de documentos, mas sim porque a lei exige que todas as Freguesias tenham a sua página online. Parece ser mais importante pagar as despesas da sua manutenção a uma empresa de informática e esquecer a verdadeira finalidade da página.
 

 A mensagem do senhor Presidente da Junta é clara, mas irrealista:
 "Um novo meio de comunicação e de informação para a população e para todos aqueles que nos visitam.
 Nesta página encontram informação da freguesia, designadamente sobre sua História, eventos e notícias da atualidade, bem como assuntos de interesse dos cidadãos e toda a informação institucional".

 Haverá alguém que me explique a serventia da página da freguesia?

24.2.26

GUARDAR CABRAS EM MALCATA

 




 Entre Quadrazais e Meimão e a 10 Km da cidade do Sabugal, existe há centenas de anos um lugar de nome Malcata. Escapou ao apagão da última reforma administrativa que se fez em Portugal e mantém a Junta de Freguesia. Com uma população bastante envelhecida, vivem pouco mais de duzentas pessoas, a Junta de Freguesia é o que resta da presença do Estado.

 Há uns anos perdemos a escola primária e a creche, numa daquelas facadas vindas de Lisboa, sem dó nem piedade. Não justificava estarem de portas abertas porque crianças não havia em número satisfatório para pagar os honorários dos professores. O mesmo aconteceu ao Posto Fiscal, que durante muitos anos esteve sempre ao serviço do Estado.
 O afastamento das pessoas que procuraram assim encontrar melhores condições de vida noutras terras, noutros países, é uma das causas de tanto encerramento e de tento sofrimento. Foram ficando os mais idosos, que foram e vão resistindo dia a dia, até que embarquem na última viagem, com bilhete 
só de ida.



 Infelizmente esta é a realidade na nossa aldeia e também nas outras da nossa região raiana. E o pior disto tudo é sentir que estamos abandonados, atirados à nossa sorte, remetidos à vida humilde e sem grande sentido. Muitos são os que não fazem ideia de que a nossa aldeia existe, o que ouvem é falar do famoso lince ibérico, que desapareceu, fez o que muitas pessoas também fizeram, saltou a cerca e afastou-se para outras terras à procura de sustento, de coelho de boa qualidade e que não lhe complicasse a saúde. Ficaram na floresta outros animais e aves e uns sobrevivem, outros vão andando como a natureza lhes permite andar. Acabam por se afeiçoar aos humanos e desistem das caçadas nocturnas na aldeia. É que até as pitas
são cada vez menos e só encontram capoeiras vazias, não vale a pena arriscar a vida!
 É uma lástima geral, logo agora que todas as ruas e becos estão calçadas, não haver quem as pise durante a maior parte do ano.
 Não acham que é tempo de mudar alguma coisa? Continuar a fazer o mesmo, não dizer quase nada sobre as cabras, os pastores, os cabritos, sim os cabritos já pulam lá para a serra e não largam as tetas da mãe, lá vão indo algumas pessoas caminho arriba e regressam com imagens de tudo para mostrar que estiveram por lá, mas nada falam, nada explicam a quem já nem tem forças para ir à festa da carqueja. Afinal, o que andam a fazer nos baldios e o que andam os compartes a engendrar para o futuro? Alguém que fale.  



22.2.26

ACEITAR OS DADOS DO CORAÇÃO

    

                                    

  O homem foi criado com inteligência, vontade e liberdade.
  Deus criou toda a natureza para estar ao serviço do Homem, que
 deve viver e respeitar, eleger, agir para desejar a felicidade.
  O pecado deforma a pessoa.
  O demónio personifica o mal e é ele pega o incêndio de ódio nos corações, dando origem às invejas, às guerras e todas as outras desordens morais.
 No mundo há muitas pessoas e organizações que trabalham para o demónio, algumas apresentam-se como ofertas envenenadas.
 Ter fome é uma coisa normal e temos necessidade de comer.
 Vivemos numa era da manipulação das pessoas, com falsas promessas de emprego, falsas propostas políticas e de ídolos tik tok que lhes chamam "influencers", que nascem todos os dias e nos matraqueiam sem parar, pedem-nos amizades interesseiras que só duram até ao que lhes interessa e convém fazer, dispensada antes até que a outra pessoa descubra que de amizade não tem nada. 
 A grande tentação, ou uma das grandes tentações dos nossos tempos é aquela que o povo mais facilmente se deixa ir: um emprego, algum dinheiro, uma casa para viver, mesmo sem olhar à forma de fazer., porque o que interessa é que a pessoas se sinta protegida por essa pessoa.
 
 Há pessoas que facilmente confundem os dois campos, porque têm a sua consciência mal formada. Estou a lembrar-me de uma pessoa que depois de não ter ganho uma questão em tribunal, que envolve uma determinada quantia de dinheiro, em dívida à Segurança Social. O que essa pessoa nunca aceitou é que o réu, durante o tempo que pertenceu aos corpos sociais da instituição que ele mesmo e um grupo de amigos criou, o povo sempre o apoiou e a assembleia geral aprovou o seu desempenho, deixando obra feita e cofre cheio. Agora que tudo estava resolvido, esta pessoa parece querer mais e não perdoa a negligência praticada, mas  esquece-se que também a praticou durante algum tempo, mas disso nada fala. Se havia dinheiro para pagar e sanar de vez o problema, então porque insistir novamente em sentar o outro no “mocho” do tribunal?
 Há momentos na nossa vida em que necessitamos de sair da confusão em que vivemos e ir para um lugar mais isolado, em busca do essencial.   Precisamos de parar o que andamos a fazer, entender quem somos, onde estamos, o que fazemos e com que objectivos vivemos.
 O homem cristão não fecha o seu coração aos problemas. E a primeira etapa para superar o problema, é admiti-lo. Façamos todos nós um esforço para perdoar aqueles que nos magoaram e não guardar mais ressentimentos. Por que precisamos nós de guardar rancor? É apenas porque gostamos de estar nos comandos? Talvez seja altura de abandonar a nossa necessidade de dominar e controlar os outros. Perdoar alguém não é fácil, mas quando pedimos ajuda a Deus conseguimos perdoar. O passado já lá vai, é para ir esquecendo o mal e não continuarmos no presente a viver dominados por feridas do passado.

 

18.2.26

QUARENTA DIAS ATÉ À PÁSCOA

 

Ninguém está irremediavelmente perdido!

“Reconhecer os nossos pecados para nos convertermos é já um presságio e um testemunho da ressurreição: significa, efetivamente, não nos determos nas cinzas, mas levantarmo-nos e reconstruirmos.”

Papa Leão, na homilia da Missa de Quarta-feira de Cinzas de hoje.

16.2.26

AS DUAS VERDADES

 


 Contam que numa pequena aldeia
havia um lavrador muito rico.
 Ele propôs desafiar os moradores da aldeia
e o desafio era em forma de mímica. 
Quem o vencesse ganharia um grande prémio em dinheiro. 
 Acontece que muitas pessoas apareceram para desafiá-lo e ninguém o vencia.

 Certo dia, um estudante universitário
foi passar o fim de semana nesta aldeia,
soube do facto e resolveu desafiar o lavrador.
 Desafio aceite, o lavrador mostrou-lhe um dedo.
 O jovem estudante mostrou-lhe dois dedos.

 O lavrador mostrou-lhe três dedos.
 O jovem mostrou-lhe a mão fechada como se
fosse dar-lhe um soco.
 O lavrador ofereceu-lhe uma maçã.
 O jovem recusou e mostrou-lhe um pão.
 O lavrador abraçou-o e entregou-lhe o prémio.
                     -- // --

Ao perguntarem ao jovem como é que ele tinha conseguido ganhar o desafio, ele respondeu:

- Foi a coisa mais banal do mundo.
 Ele mostrou-me um dedo como que a dizer-me
que iria furar o meu olho. Então mostrei-lhe dois dedos, como a dizer-lhe que furaria os dois olhos dele.

 Ele mostrou-me três dedos, como quem iria arranhar-me a cara. Eu mostrei-lhe um punho fechado,
mostrando que iria dar-lhe um soco na cara.
Então ele ofereceu-me uma maçã,
como se estivesse a pedir desculpa.
Eu, porém, mostrei-lhe o meu pão,
mostrando-lhe que não queria a maçã que ele me oferecia.

Ele abraçou-me e entregou-me o prémio!

As pessoas acharam isso tão absurdo, que decidiram perguntar ao fazendeiro e ele então respondeu:

- Quando o jovem chegou eu mostrei-lhe um dedo,
dizendo com isso que Deus era um só.

Ele mostrou-me dois dedos,
dizendo-me que Deus era Pai e Filho.

Eu então mostrei-lhe três dedos,
dizendo que Deus era Pai, Filho e Espírito Santo.

Ele mostrou-me a mão fechada,
dizendo-me que Deus era os três reunidos num só.

Então, eu mostrei-lhe a maçã
dizendo-lhe que por causa de um fruto 
o homem cometeu o pecado.

E ele ao mostrar-me o pão,
disse que Deus deu o seu próprio corpo
para livrar-nos do pecado.

Logo, ele mereceu ganhar o prémio! 

MORAL: CADA PESSOA ACREDITA
       NA SUA VERDADE, NO QUE ENTENDE!!

10.2.26

O REI VAI NÚ EM MALCATA

  TODOS NA ALDEIA TEMIAM QUE ACONTECESSE!
  AGORA SIM, O CIMENTO VAI SERVIR DE COLA.

  A Junta de Freguesia de Malcata informou a população de que se encontra cortado o acesso automóvel à Rua da Barreirinha, devido a um desmoronamento, que coloca em risco a segurança pública. O acesso pedonal está também condicionado e as pessoas são aconselhadas a seguir o percurso alternativo.
  A Junta de Freguesia apelou à compreensão de toda a população até decorrerem os trabalhos necessários para garantir a segurança e repor a circulação habitual e normal.

                   
  O Aviso à População foi feito, mas não basta, a comunicação é curta e não revela com clareza o que realmente se desmoronou. A Rua da Barreirinha tem o seu início na Rua da Fonte e termina no entroncamento com a Rua da Moita. O que se sabe é muito pouco, nem se trata de informação oficial, isto é, tornada pública pela Junta de Freguesia, mas sim uma informação efectuada por pessoa residente na aldeia e que simpaticamente respondeu a uma pergunta de outra pessoa, que sendo natural da nossa aldeia e alertada para o dito aviso à população, quis ficar mais bem informada acerca de possíveis vítimas do dito desmoronamento.
  Ocorrências como são os desmoronamentos devido às fortes chuvas e ventos, que saturaram os solos e tornaram muitas estruturas instáveis e acrescidas fragilidades de sustentação, é assunto que diariamente têm colocado as pessoas e as entidades em atitude de maiores cuidados e vigilância constante. Fazendo fé na informação da nossa conterrânea, estou em crer que o desmoronamento é no início da Rua da Barreirinha, nas primeiras habitações (palheiros) que ali existem há muitos anos e cujas paredes, também há muitos anos, estão mesmo à espera de se
esbarrondar para a via pública. Toda a freguesia conhece o estado daquelas paredes e são visíveis os sinais de insegurança e nada do que agora sucedeu nos deve surpreender. O desmoronamento podia ser evitado? Podia. Não houve vítimas e não houve danos materiais, para além das pedras caírem na via pública. Graças a que não ia pessoa ou veículo a circular no preciso instante em que
a coisa aconteceu, vamos todos bater palmas e respirar fundo, pois ainda bem que assim foi. Coisa bem diferente é que aquelas paredes, da Rua da Barreirinha, estão em risco de desmoro-namento há pelo menos dois anos!
  O que eu lamento é o desinteresse e desleixo com que são tratadas certas casas, palheiros, que já não servem para nada, mas que têm dono.
  O estado de degradação e abandono é profundo. E na nossa aldeia os avisos e alertas para os perigos não têm adiantado para quase nada. Se calhar terá que alguém ser vítima para depois se tomar as medidas necessárias e a sério.
           NÃO ME VENHAM COM HISTÓRIAS, 
                     EU ALERTEI PARA A SITUAÇÃO:

28/05/2010 - A SEGURANÇA VOLTOU À RUA DA MOITA

https://aldeiademalcata.blogspot.com/2010/05/seguranca-voltou-rua-da-moita.html

12/02/2023 - CUIDAR DE MALCATA

https://aldeiademalcata.blogspot.com/2023/02/cuidar-de-malcata.html

14/10/2023 - CEGOS, SURDOS E MUDOS

https://aldeiademalcata.blogspot.com/2023/10/cegos-surdos-e-mudos.html

14/01/2024 - PREVENÇÃO CUSTA MENOS A TODOS

https://aldeiademalcata.blogspot.com/2024/01/prevencao-custa-menos-todosr.html

  Os alertas foram sempre acompanhados por imagens dos locais:
                        Rua da Barreirinha:

 

                   




    Todos na aldeia sabem de situações parecidas a esta da Rua da Barreirinha e ninguém se importa, todos sabem mas ficam calados perante estas situações de perigo. Eu que não resido na freguesia fico preocupado e tenho denunciado diversas situações destas, por ser filho da terra e não gostar de andar por aí com o coração nas mãos por causa dos perigos que estão à vista de todos. Eu sei que sou uma espécie de fedelho, um pequeno estupor que tem sempre coisas a denunciar e que não me calo em bradar através da escrita o que me vai na mente. Tomo estas atitudes a que muitos chamam "coisas de garoto", que é de "pessoa mazinha", mas com toda a sinceridade e clareza, tomo estas atitudes e acções por acreditar nas pessoas e na sua capacidade de mudar a sua forma de estar, de exercer as tarefas para as quais se voluntariaram a desempenhar, concretamente falo dos autarcas da freguesia. Por acreditar que as coisas possam mudar para melhor eu penso que é útil denunciar, avisar, alertar, chamar a atenção das coisas e situações que estão menos bem e podem causar prejuízos que podem ser evitados. Reclamar e alertar é exigir melhores condições de segurança para todos, para os nossos haveres e bens e juntos e unidos transformar a nossa aldeia em território seguro, apelativo para nele viver em paz e segurança.
  Gostava que mais pessoas em Malcata se tornassem mais sensíveis a estas situações e que se importem 
mais pelo bem de todos. Estas denúncias não adiantam nada se a seguir não houver compromissos e respeito que todos merecem.





 

 

8.2.26

UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE ÁGUA


  

 

Vala para a água

  Durante muitos anos, a água que chegava à aldeia não dependia de empresas concessionárias. Vinha directamente da nascente, conduzida por canalização construída pelos próprios habitantes da freguesia e mantida pela Junta de Freguesia.
  A população de Malcata, herdou e habituou-se a ir à fonte das bicas, encher os cântaros de barro com água para beber e no tanque pequeno, enchia os caldeiros, para os animais. Quando faltava água nas bicas, tiravam o ar à fonte para a água voltar a jorrar. Isto acontecia no Verão. 
  Foram os habitantes da aldeia que, a pedido do senhor António Nita, presidente da Junta de Freguesia, nos anos 30 (1935, 1936 e 1937), se juntaram e abriram a vala, carregaram tubos às costas e durante semanas fizeram a obra, construindo um sistema simples e prático, inteiramente comunitário e que nos legaram ao longo de várias gerações e que ainda hoje funciona.
  A aldeia manteve-se independente da rede municipal de abastecimento de água até aparecer a empresa municipal, Serviços de Águas e Saneamento Sabugal. Mesmo assim, quando a barragem do Sabugal foi construída a nossa freguesia, representada pela Junta de Freguesia à época dos acontecimentos, recusou integrar a rede pública que abastece o concelho e optou por proceder à abertura de um furo próprio, com canalização directa desde o local do poço até 
ao reservatório da freguesia. A obra foi realizada e ao contrário do que alguns contavam, todos os consumidores foram obrigados a instalar contadores para registar
 mensalmente o consumo da água gasta em suas casas. Também a vigilância e controlo da água passou
responsabilidade da Câmara Municipal do Sabugal. 
Trabalho voluntário

 A gente da nossa aldeia, ainda que lentamente, aceitou e resignou-se passando também a pagar factura da água, do saneamento e do lixo sólido urbano.
  A fonte das bicas resistiu a todas estas alterações na rede de abastecimento público de água para consumo humano. Ainda continua a jorrar a água vinda da nascente e através das tubagens que apenas foram substituídas uma vez , ouve-se dizer aos mais idosos…
  Na nossa aldeia, a água continua a jorrar na Fonte das Bicas e a descer pelas barrocas que o povo abriu. Cada gota transporta consigo a memória de uma comunidade que sempre lutou de forma silenciosa mas firme, de gente que resistiu com todas as suas forças que atravessou gerações e ainda hoje nos deixam orgulhosos. Foram eles os construtores e os que souberam manter e cuidar da água que bebiam e regava os campos. Saibamos nós ser capazes de continuar a defender a água que se bebe na aldeia, que é nossa e não do município, é da mina construída pelos nossos antepassados e que nós agora não estamos a saber manter e preservar com a mesma vontade que eles tiveram.
  Enquanto houver água na mina, enquanto a população continuar a afirmar que a água da fonte da Torrinha é para ser bebida, porque é nossa, é do povo e não se nega água a ninguém, a nossa autarquia só tem de se empenhar na defesa, manutenção e preservação desta água. Esta é a água e a fonte identitária da aldeia, desde 1937. Um testemunho e um símbolo da autonomia e que ainda
ninguém conseguiu destruir. 


MALCATA: AUMENTO DA FACTURA DA ÁGUA

  

Água um recurso cada vez mais caro



  A chuva, o vento forte estão a fazer estragos por todo o país. Mais uma vez a natureza mostra o seu poder e coloca-nos a todos em alerta constante.

  As pessoas afectadas pelas tempestades estão a ficar cansadas e com receio do futuro imediato, pois sentem-se impotentes e sem capacidade de proteger
as suas vidas e os seus bens materiais.
  Nestas duas semanas os portugueses estão a sentir os efeitos devastadores causados por uma série de tempestades, depressões e descargas da água armazenada nas albufeiras das barragens.
  Isto não é uma guerra, mas os seus efeitos também são arrasadores. Nestas alturas a união da comunidade é extremamente importante. Uma aldeia dividida não é fácil de dominar, mas um povo unido, ganha força e coragem para enfrentar todo o tipo de contrariedades.

  Na última reunião da Câmara Municipal do Sabugal, realizada em 4 de Fevereiro de 2026, a água da rede de abastecimento público foi tema de discussão. A Câmara Municipal apresentou as tarifas para este ano de 2026. Os números que apresentou confirmam que a factura da água vai aumentar. A oposição votou contra as tarifas apresentadas e contra as justificações dadas pelo senhor presidente da Câmara Municipal. Este, justificou-se com as recomendações/obrigações impostas pela APAL-SIM, a entidade que é responsável pela rede de abastecimento público de água ao concelho do Sabugal.
  A empresa APAL-SIM é uma empresa intermunicipal, que integra os municípios da Guarda, Manteigas, Celorico e Sabugal. É esta empresa a responsável pela rede de água para consumo humano nestes quatro concelhos.
  Qual a razão para aumentar a factura da água?
  Quanto tempo têm os equipamentos da rede de abastecimento?
  Em Malcata, quantos anos andaram os consumidores a pagar a água que vinha do furo do Vazão? Portanto, a rede de abastecimento era exclusivamente para a freguesia,  limitando-se às ligações do reservatório até às casas das pessoas. Contudo, andámos a suportar toda a restante rede do concelho e que se abastecia da água da barragem. Recordo também que durante anos e anos, os consumidores pagaram as suas facturas de água aos Serviços Municipais da Câmara do Sabugal. Quem não pagasse, cortavam-lhe o abastecimento ou tinham de pagar com juros. Já ninguém fala da dívida que a Câmara juntou ao decidir não pagar a factura enviada pela empresa que explorava a rede de abastecimento no nosso concelho ( Águas do Zêzere e Côa…), mas a dívida foi aumentando e os consumidores nunca deixaram de pagar a água à Câmara do Sabugal. Para que serviu esse dinheiro recebido dos consumidores se não foi para pagar à empresa? Onde está esse dinheiro? Eu sei que a Câmara assinou um acordo para pagar a dívida…em 15 anos! Mas isso não explica onde foi ou onde está o dinheiro recebido. Ficamos a saber apenas que a Câmara do Sabugal não se livrou de pagar o que ficou a dever. O que isto prova é somente o incumprimento assumido pelo município em relação ao fornecimento em Alta da água para o concelho. E neste acordo de pagamento da dívida há um pormenor que é de grande interesse para a freguesia de Malcata. Consta no documento que a Câmara do Sabugal acordou com a empresa a resolução do problema da Estação Elevatória de Malcata, ou seja, ficou combinado que a ETA de Malcata iria ser deslocada para um local mais afastado da água da albufeira, evitando que todos os Invernos fique submersa de água. Para quem não está a entender do que estou a falar, refiro-me à estrutura que existe no antigo Campinho e que bombeia a água do saneamento (e outras) do Campinho para a vão ETAR do Vazão.
Esta estação elevatória do Campinho devia ter sido construída uns bons metros mais acima do local onde está, afastada do limite de pleno enchimento da albufeira. A situação já se arrasta há duas décadas e nunca foi corrigida. Ora as obras desta deslocação, segundo a Câmara Municipal, ficaram na responsabilidade da Águas do Zêzere e Côa e ser descontadas ao valor da dívida que o Sabugal está a pagar durante 15 anos!
  Voltando ao aumento da água, informo que na reunião da Câmara Municipal do dia 4 de Fevereiro, apenas o PSD votou favoravelmente as tarifas apresentadas. O PS, o Chega e também a CDU, já vieram a público dizer porque não aprovam estes aumentos. Há dias ao escutar a reunião da Câmara de Manteigas, que também pertence à APAL-SIM, fiquei a saber que as Câmaras municipais mantiveram os preços de água mais baixos porque assumiam do seu bolso o excedente dos custos. Foi uma opção dos políticos, só que nunca o assumiram publicamente, talvez com medo de serem castigados nas eleições, aguentaram artificialmente um preço que não era o verdadeiro. Agora, vamos todos de pagar porque o dinheiro que pediram para as obras, tem de ser pago e aqui é que a porca torce o rabo, paga-se com dinheiro, doa por onde doer!  E as desculpas desta vez são por causa das grandes obras que têm de ser feitas…alguém vai ter de as pagar…porque se deixaram de artifícios para esconder o que andam a fazer.
  Dito isto, o que vamos ter a partir de agora,  a política da água tem de ser transparente, verdadeira e sem esconder aos consumidores o que andam a fazer.
O que agora se exige à Câmara do Sabugal é que não esconda o que enda a fazer, se a despesa é para o consumidor pagar, que o diga claramente, explique as verdadeiras razões e não ande a discursar uma coisa e a executar outra. Pelo menos o Presidente da Câmara de Manteigas assumiu que foi um erro dos anteriores executivos e agora há que assumir as responsabilidades, custe o que custar, não vão poder continuar a omitir informação.
  A água pode ficar mais barata? Pode, basta que se administre bem a APAL-SIM.
  Lembro que a rede de abastecimento e saneamento em Malcata já está velha, cansada e com muitos remendos.
  Nota: na factura da água estão também as tarifas de saneamento e lixo.
  Dizem que a subida é inevitável.
   É bom recordar que se “pode enganar todas as pessoas por algum tempo e algumas pessoas durante todo o tempo. Mas não se pode enganar todo o Mundo por todo o tempo”