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24/02/2026

GUARDAR CABRAS EM MALCATA

 




 Entre Quadrazais e Meimão e a 10 Km da cidade do Sabugal, existe há centenas de anos um lugar de nome Malcata. Escapou ao apagão da última reforma administrativa que se fez em Portugal e mantém a Junta de Freguesia. Com uma população bastante envelhecida, vivem pouco mais de duzentas pessoas, a Junta de Freguesia é o que resta da presença do Estado.

 Há uns anos perdemos a escola primária e a creche, numa daquelas facadas vindas de Lisboa, sem dó nem piedade. Não justificava estarem de portas abertas porque crianças não havia em número satisfatório para pagar os honorários dos professores. O mesmo aconteceu ao Posto Fiscal, que durante muitos anos esteve sempre ao serviço do Estado.
 O afastamento das pessoas que procuraram assim encontrar melhores condições de vida noutras terras, noutros países, é uma das causas de tanto encerramento e de tento sofrimento. Foram ficando os mais idosos, que foram e vão resistindo dia a dia, até que embarquem na última viagem, com bilhete 
só de ida.



 Infelizmente esta é a realidade na nossa aldeia e também nas outras da nossa região raiana. E o pior disto tudo é sentir que estamos abandonados, atirados à nossa sorte, remetidos à vida humilde e sem grande sentido. Muitos são os que não fazem ideia de que a nossa aldeia existe, o que ouvem é falar do famoso lince ibérico, que desapareceu, fez o que muitas pessoas também fizeram, saltou a cerca e afastou-se para outras terras à procura de sustento, de coelho de boa qualidade e que não lhe complicasse a saúde. Ficaram na floresta outros animais e aves e uns sobrevivem, outros vão andando como a natureza lhes permite andar. Acabam por se afeiçoar aos humanos e desistem das caçadas nocturnas na aldeia. É que até as pitas
são cada vez menos e só encontram capoeiras vazias, não vale a pena arriscar a vida!
 É uma lástima geral, logo agora que todas as ruas e becos estão calçadas, não haver quem as pise durante a maior parte do ano.
 Não acham que é tempo de mudar alguma coisa? Continuar a fazer o mesmo, não dizer quase nada sobre as cabras, os pastores, os cabritos, sim os cabritos já pulam lá para a serra e não largam as tetas da mãe, lá vão indo algumas pessoas caminho arriba e regressam com imagens de tudo para mostrar que estiveram por lá, mas nada falam, nada explicam a quem já nem tem forças para ir à festa da carqueja. Afinal, o que andam a fazer nos baldios e o que andam os compartes a engendrar para o futuro? Alguém que fale.  



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