| A aldeia fica toda enfeitada |
A festa no mês de Agosto era a maior do ano e todos apareciam para celebrar.
Antes da abalada dos malcatenhos para o estrangeiro, já regressavam todos aqueles que tinham deixado a aldeia e viviam nos arredores das grandes cidades de Lisboa, Porto ou Coimbra. Mas com a "pandemia" da emigração tudo mudou. Mantém-se ainda a tradição de celebrar a festa no segundo domingo de Agosto.
O regresso dos emigrantes à aldeia enche de alegria e vivacidade, conforme está a acontecer na nossa. Claro que no resto do ano a vida na aldeia continua a viver-se, mas num ritmo mais brando e mais triste. Os emigrantes ainda mantêm o costume de passar a festa à sua terra. Continuam a chegar no mês de Agosto, com bons carros, muitas malas e
com vontade de alegrar toda a gente. A igreja enche aos domingos e é mais difícil aos atrasados encontrar um assento livre, nada que os incomode, pois assistem à missa encostados às paredes laterais ou tentam a sorte subindo até ao coro.
Durante uma semana, os mordomos da festa andam de um lado para o outro e trabalham para que tudo fique perfeito e as pessoas se divirtam.
As pessoas encontram-se nas ruas, no minimercado e nos cafés. As crianças a
correr à vontade pela calçada, de bicicleta ou trotinete, deixando os pais de olho nos perigos que possam aparecer. Há abraços, beijos a dobrar, cumprimentos de mão, sorrisos e conversas sobre os mais variados temas e
que há muito esperavam ficar em dia. Â noite o ponto de encontro é o Rossio, onde decorre o bailarico, a feira de artesanato e onde há muita música variada, luzes coloridas, bar sempre aberto com alguns petiscos para retemperar as forças. São pelo menos três a cinco noites de música e bailarico até altas horas da madrugada.
As festas trazem à memórias recordações e nem sempre felizes e alegres. Quem não se lembra das zaragatas ao Rossio? A rivalidade entre famílias, entre as aldeias vizinhas, zangas entre dois homens desconhecidos um do outro, mas com uns "copos" a mais? Tenho na minha memória a imagem de uma torre de 5 grades de minis, empilhadas umas em cima das outras, rodeadas por um grupo de rapazes, todos da mesma aldeia vizinha da nossa, que não pararam de dar conta do recado e de barriga a transbordar, desataram aos murros e pontapés a um jovem da terra, simplesmente por passar e ter mostrado todo o seu sorriso? Foi levado como "mangação" e daí nasceu a porrada...
Outros tempos, outras formas de encarar a vida e a festa, pois mesmo em dia de festa grande, tinham quase sempre de haver porrada da boa. Ainda bem que a tradição agora mudou e a liberdade ajudou muito.
E a festa em Malcata vai acontecendo. No segundo domingo de Agosto os malcatenhos já esperam pela festa em honra de São Barnabé., o Orago da Freguesia de Malcata. O Santo Barnabé, natural do Chipre, foi companheiro de Paulo (Santo) e viveu a sua vida a evangelizar as comunidades.
Para já e por agora, ainda regressam muitos emigrantes à nossa aldeia para o gozo das suas férias. O problema é que começa a verificar-se que os mais jovens já optam por partir para outros destinos, logo após o dia da festa. E esta tendência vai ainda acentuar-se mais quando as crianças já forem mais crescidas e o facto de não terem nascido na aldeia, com a influência da sociedade consumista em que crescem, a partilha de informação turística e oferta de novas experiências, vão afastar-se ainda mais da aldeia dos seus pais e avós.
Mas este movimento e tendência não acontece só na nossa aldeia, também se verifica nas outras terras.
O mês de Agosto é complicado para os novos e mais idosos. Uns e outros encontram pela frente a barreira da linguagem e o entendimento entre avós e netos nem sempre é fácil.
A tarefa dos mordomos não é fácil, nunca é fácil. Parabéns a todos os mordomos de 2026, os dias estão a decorrer e o que desejo é que o vosso trabalho valha o esforço de vários meses e de algumas noites sem descanso. Ainda vos espera muito trabalho e algumas preocupações, mas será uma missão em prol das gentes de Malcata e que com toda a certeza, saberão reconhecer e valorizar o vosso trabalho em favor da comunidade.
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| O vendedor de amêndoas era presença certa. |
