23.8.26

E SE UM DIA NÃO HOUVER MORDOMOS ?

 

Procissão em dia de festa

 Em Agosto a nossa aldeia continua a encher-se de gente para a festa. Vêm de fora, das grandes áreas metropolitanas de Lisboa, Porto, Coimbra, ilhas e claro, do estrangeiro com a França em primeiro lugar. Agora, os emigrantes descobriram que de avião viajam mais depressa, com mais conforto e podem sempre chegar à terra a conduzir um carro de último modelo e não importa que a matrícula seja portuguesa, pois estas mordomias só estão ao alcance dos que têm mais poder económico.
 A festa terminou no dia 9 de Agosto e cumpriu-se a tradição dos outros anos.
 Houve festa na igreja e no Rossio, com Missa Solene e Procissão, com jogos tradicionais, diversão para as crianças, garraiada, sunset e zumba, música no Lar, muita música e discoteca, bar aberto e frangos assados, enfim, houve tudo como nos anos anteriores.
 Não vou falar da falta da alvorada de foguetes com que antigamente se anunciava a chegada à terra da Banda da Música. É proibido o lançamento de foguetes porque causam incêndios…decretaram os políticos de Lisboa.
 
 Este ano de 2026, a festa em honra de São Barnabé, a confiar pelas notícias, imagens e vídeos divulgados, correu muito bem. O que ainda não vi foram imagens ou notícias da parte religiosa da festa, pois o programa incluía Missa Solene e procissão…porque afinal, foi uma festa em honra de São Barnabé. Mesmo que tenha sido sem pompa e circunstância, a parte religiosa da festa continua ligada ao dia da festa e a gente ainda liga a religião à festa do povo.
  Que a festa agora está mais “out” da igreja e tradição religiosa já é visível e já não tem tanta devoção aos Santos, é mais voltada para a diversão e barriga, apesar do dia continuar a durar as mesmas 24 horas. Com tanto para onde ir 
e tantas coisas para fazer, entrar na igreja ou parar por uns minutos para rezar, confortar a  mente e ouvir o espírito, é muitas vezes desconsiderado e empurrado para segundo plano.

 Os mordomos são quem mantém viva a festa de Malcata. E nestes últimos anos os mordomos são os principais responsáveis por organizar o programa da festa
pagã. Já a festa religiosa e tudo o que tenha que ver com as cerimónias religiosas, dentro ou fora da igreja, parece lavar as mãos e passar toda a responsabilidade para a paróquia.
 A festa todos os anos tem uma característica comum e que é haver mordomos dispostos a organizar o evento.
 E se um dia não houver mordomos em Malcata?