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... e da AMCF:
Mais do que um blog, um legado e um cantinho dedicado à preservação da memória coletiva de Malcata, das tradições e costumes e ofícios antigos. Um ponto de encontro para naturais, descendentes e apaixonados pela aldeia que moldou as nossas vidas.
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| A rampa é para os veículos e quem vai a pé que suba as escadas ! Há anos que assim está e ninguém se incomoda com a situação. |
Na última sessão da Assembleia Municipal do Sabugal, realizada no passado dia 29 de Setembro de 2023, o senhor Presidente da Mesa, MANUEL AUGUSTO MEIRINHO MARTINS, eleito pela lista do
PPD/PSD, votou contra o reforço de médicos no Centro de Saúde do Sabugal. Esta foi a minha conclusão, depois de ser apresentada, nesta sessão da Assembleia Municipal, uma Moção "Sobre a falta de médicos no Centro de Saúde do Sabugal", que foi apresentada pelo grupo municipal da CDU. Eu já li o documento e é bom que mais pessoas também conheçam a moção em causa. Cada leitor/cidadão, após a leitura tire as conclusões que quiser, mas quando um presidente do órgão autárquico e municipal no momento de votar, anuncia aos presentes na sala onde se está a realizar a sessão, que vota contra, está ou não a dar indicação aos seus "amigos políticos" para o seguir e votar no mesmo sentido?
Os que são titulares de cargos de órgãos municipais, como é ser presidente da Mesa da Assembleia Municipal, têm a obrigação de se mentalizar que estão a exercer um serviço público, de conduzir e orientar os trabalhos e em representação de todos os cidadãos do concelho.
A moção sobre a falta de médicos, é mais uma iniciativa de mostrar o descontentamento do mau serviço nos cuidados de saúde primários que o Centro de Saúde do Sabugal presta aos que ali vão, principalmente pela falta de médicos... Ou será que, por se saber que a ULS da Guarda já abriu concurso para remodelar o Centro de Saúde do Sabugal? Querem lá ver, que o concelho vai ter edifício remodelado e os gabinetes novos dos médicos mas vazios de doutores e doutoras? Outra razão do voto contra a moção sobre a falta de médicos, será que tem a ver com aqueles "protocolos de colaboração no âmbito dos cuidados de saúde primários entre a Câmara Municipal" e algumas aldeias do concelho? Basta ler a Acta da Reunião de 15 de Fevereiro de 2023 e encontramos lá alguma informação, como os nomes das freguesias e o valor que cada uma recebe da Câmara, para colmatar a falta de médicos no Centro de Saúde! Ficamos a saber que: a Aldeia do Bispo recebe 3000€; Águas Belas 1.500€; Alfaiates 3000€; UF Lageosa e Forcalhos 3000€; UF Pousafoles, Penalobo e Lomba 4.200€; Malcata 3000€. Cada uma destas Juntas de Freguesia oferece, uma vez por mês, consulta médica, com conhecimento do Centro de Saúde do Sabugal. Ora os cuidados de saúde primários devem chegar a todos os utentes que necessitam de cuidados. Não sei se este protocolo é extensível a todas as freguesias e quintas ou lugares do Sabugal ou se apenas beneficiam um pequeno número de aldeias. Estou a pensar nas razões que levaram o senhor doutor professor, político e presidente da Assembleia Municipal, a votar contra a moção. Sei que não reside no concelho e não se tratando da presidência de um clube ou tuna académica, só porque a moção foi apresentada pelas mentes interventivas e inquietas, defensoras do bem e da saúde de todos, decide carregar no botão "on" do microfone que tem sempre à mão, e dizer que vota contra, porque às tantas, nem sequer teve o cuidado de escutar a leitura da moção e se lembrou do vogal que entrou na administração da ULS Guarda, de nome António Robalo e que ainda alguns lhe chamam presidente, que deixou de ser, tendo passado a vogal, sem experiência e provas das suas competências na área da saúde, mas já toda a gente sabe que há se arranja um emprego sem ter que ir para a fila do IEFP. E como ainda não se manifestou publicamente sobre a falta de médicos no Centro de Saúde do Sabugal, nada de dificultar o caminho novo.
Agora vou deixar-vos a ler a moção sobre a qual me levou a escrever o que senti e sobre o estado a que está a chegar o cuidado de saúde das pessoas no concelho ou que por ele andam.
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Sobre a falta de médicos no Centro de Saúde do Sabugal
1-Considerando que no Centro de Saúde do Sabugal há uma
gritante falta de médicos, o que prejudica gravemente a população do concelho;
2- Considerando que o Ministério da Saúde tem a obrigação de
fazer investimentos no Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente valorizando os
seus profissionais;
3- O Serviço Nacional de Saúde é uma das mais importantes
conquistas resultantes da Revolução do 25 de Abril de 1974 e está consagrado na
Constituição da República Portuguesa e em muita legislação;
- A Assembleia Municipal do Sabugal, reunida a 29 de
Setembro de 2023, exige que o Ministério da Saúde promova a colocação de mais
médicos no Centro de Saúde do Sabugal, no sentido de garantir o direito à saúde
por parte dos habitantes do concelho.
- Insta a Câmara Municipal a mostrar a sua indignação com o
que está sucedendo e que, no âmbito das suas competências, pressione o
Ministério da Saúde a resolver a situação da falta de médicos.
Os membros da Assembleia eleitos pela CDU
João Carlos Taborda Manata e João Manuel Aristides
Duarte
Aprovada com 2 votos contra: 1 do presidente da AM e outro
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José Nunes Martins
| Na falta da bandeira, hasteei o galhardete |
O Cinco de Outubro de 1910 foi uma revolução organizada pelo Partido Republicano e que acabou com o regime monárquico para passar a uma República. Desde 1143 a 1910 o nosso país foi governado segundo a vontade dos Reis, tendo sido D. Manuel II o último a reinar. Foi para o estrangeiro porque o país estava ingovernável e no dia 5 de Outubro de 1910, pela manhã, foi proclamada a República Portuguesa.
Este acontecimento acabou por se transformar num dia "feriado nacional". Mas é um dia que passa ao lado dos residentes na nossa freguesia. Até parece que na aldeia vivem noutra República, bem diferente da que é celebrada em Lisboa, Porto, Coimbra e outros locais do país. São muitas as pessoas que até sabem que hoje é feriado nacional, mas fazem de conta e que o que se passou há mais de cem anos pouco interesse lhes desperta. Provavelmente, quem trabalha na terra está a fazer o que faz todos os dias e o que pede é que o deixem em paz.
E à noite, quem sabe lhe apeteça ligar o televisor para ver as notícias e então sim, tem uns momentos disponíveis para ouvir falar do dia 5 de Outubro de 1910, porque o de 2023 lembra-se perfeitamente daquilo que andou a fazer.
Nada disto é coincidência e na nossa freguesia não se passa nada, nem sequer a Bandeira Nacional é hasteada num dos mastros da sede da Junta de Freguesia, a entidade institucional que representa o Estado Republicano Português. Quando os representantes legais do povo perante a presença das mais altas individualidades políticas e governativas tem atitudes assim, alguma vez os residentes estão motivados a celebrar dias importantes como o dia de hoje? Sou levado a crer que é mais provável ver num sítio bem alto e visível, seja numa janela ou numa varanda, uma daquelas bandeiras do Sporting ou do Benfica ou do Porto em vez da Bandeira Nacional onde até já colocaram três mastros!
Enfim, se os mastros e os feriados são a fazer de conta, acabem com isso tudo.
José Nunes Martins
Está a decorrer até ao dia 3 de Novembro de 2023, a Consulta Pública da proposta para o projecto que a AIGP-Terras do Lince-Malcata vai implementar nos próximos tempos.
Trata-se de um documento de interesse para a nossa freguesia. Apelo aos malcatenhos que leiam e procurem esclarecer alguma dúvida. E para além da leitura, se acharem que têm alguma sugestão a fazer, também o podem fazer. Podem enviar as sugestões para a Câmara Municipal do Sabugal de duas formas: pela internet ou escritas em papel e entregues no Balcão Único, na Praça da República, no Sabugal. Em Malcata deve estar acessível, para consulta, na sede da Junta de Freguesia.
A Consulta Pública decorre durante o período de 30 dias
uteis, de 21 de setembro a 03 de novembro de 2023. Acompanhe as
novidades no sitio da internet da Direção-Geral do Território.
Todos os interessados podem consultar e apresentar
sugestões, em suporte de papel, no Balcão Único do Município
do Sabugal e no Município
de Penamacor das 9H às 16h.
As participações podem também consultadas nos sítios e
internet dos municípios de Sabugal e Penamacor e enviadas, em suporte digital,
para o email: opaflor@gmail.com
Para mais informações e esclarecimentos poderá contactar a
Entidade Gestora: OPAFLOR – Associação de Produtores Florestais da
Serra da Opa;
Rua Dr. João Lopes nº 17, 6320-420, Sabugal
E-mail – opaflor@gmail.com
Também podem saber mais aqui:
https://www.dgterritorio.gov.pt/Operacao-Integrada-de-Gestao-da-Paisagem-Terras-do-Lince-Malcata
O debate político em Malcata está morto e há muito tempo. Na nossa aldeia a
política não é assunto de conversa e muito menos de discussão, sendo os próprios
autarcas, esses sim, exercem funções políticas, mas nenhum deles tem sido um
divulgador das políticas que norteiam as suas acções. Na nossa terra não há
pessoas que tenham coragem e iniciativa para um debate de ideias, de políticas
locais. As eleições são para ir votar e a partir do dia seguinte só os
vencedores celebram. Quem perde, desaparece e foge da política, que mais parece
o diabo a fugir da cruz.
Nestas últimas votações autárquicas a
política foi mesmo maltratada por aqueles que dela parece precisar. A política
em Malcata foi posta de lado pelos socialistas e nem sequer se apresentaram a
votação. Por isso, a lista dos sociais-democratas (PPD/PSD)
tinham o caminho desimpedido para um segundo mandato.
Chegados ao meio deste mandato, pelo
rumo que a política está a ir, é quase certo imaginar o futuro político em
relação ao poder local autárquico. A oposição foi de férias e ninguém sabe
quando regressam à política. Alguns pensam que dois anos é ainda muito tempo e
demasiado cedo para entrar em cena e no debate político. Os que defendem ou que
simplesmente votaram, alguns nem sequer sabem em quem, também não estão para
complicar ou para se maçarem e façam lá o que fizerem, a resposta é que “eles é
que sabem”. E falar agora de estratégia é falar chinês, não entendem e nem querem
entender.
Em Malcata, pensar e falar em lugares
públicos tem que manter-se vigilante e atento às movimentações em redor. Eles e
elas veem e poem-se disfarçadamente à escuta para depois contar ao seu Senhor. E
aquelas pessoas que só falam com quem concordam? Falam e ouvem tudo, mas nem a
um bom-dia ou boa-tarde respondem? Falta de cultura e inteligência não é com
toda a certeza o digo. São pessoas que sabem ler e escrever, com cursos e cargos
em grandes empresas e algumas até acompanham a política nacional, a regional e
a concelhia. A idade pesa cada vez mais e sem se darem conta,
são dominados por atitudes impróprias, incompreensíveis e incorrectas na forma
como se relacionam com quem fala e pensa diferente, deixam simplesmente de
saudar e em vez de olhar olhos nos olhos, fixam o olhar nas pedras da calçada.
E assim vai o debate político na nossa
freguesia…comer e calar, porque se houver atrevimento de perguntar, discutir,
combinar a constituição de uma lista de outra cor que não a cor laranja, alguém
se encarregará de lançar a confusão e não descansarão até acabar com as ideias
de outras pessoas.
José Nunes Martins
Esta semana houve sessão
ordinária da Assembleia de Freguesia da nossa aldeia. Não estive presente mas
costumo marcar presença sempre que posso. Desta vez, soube da dita reunião
muito em cima da data e também por “impedimentos” de assistência à família não
deu para me deslocar de Matosinhos a Malcata.
Podem não acreditar no que eu estou a
pensar, mas tenho um feeling que as cadeiras
reservadas ao público só ocuparam espaço e nem sequer aqueceram.
Dessa reunião da Assembleia de Freguesia de Malcata, realizada, supostamente, na
Junta de Freguesia, sei o mesmo que os fregueses que residem na nossa aldeia: nada! Ora antes
da reunião, já eu sabia que o pato nada…a pescada já o é, mesmo antes de ser pescada…e
como todos os peixes, também nada!
E eu que esperava que, desta vez,
alguém da Junta de Freguesia viesse dar uma palavra de esperança e de conforto
a todos os malcatenhos, sobretudo aos emigrantes, sobre a verdade das contas da
festa deste ano…esclarecer o que é verdade e o que é mentira e que tem andado a
ser empurrada e ignorada sem qualquer mostra de preocupação do nome da nossa
freguesia estar a ser enxovalhado pela região como uma terra de “amigos do
alheio” e que não sabem fazer contas certas...foi apenas um sonho meu, porque moro longe daí e tanto gostava de ler notícias vindas de longe! Sonho meu!
Sei que há assuntos muito mais
importantes para se debater nas assembleias. Mas com uma Ordem de Trabalhos tão
abrangente, também se arranjam uns minutos para a assembleia se pronunciar
sobre as festas da freguesia, em especial a deste ano, ou não? E como está a água da barragem, a ruptura dos tubos que conduzem a água até às bicas da fonte? E então o bardo lá prós baldios já se encheu de mé més ou o rebanho perdeu-se por falta de orientação? E que diz a Junta e a Assembleia sobre a consulta pública que está a decorrer de 21 deste mês de Setembro a 3 de Novembro? Já resolveram o problema das bombas que abastecem o depósito localizado à Rasa?
Ah, lembro ao senhor Presidente da
Mesa da Assembleia de Freguesia e aos restantes membros da dita, para ler com
atenção o Regimento da Assembleia de Freguesia, nomeadamente o Artº. 25º-1, é que
eu não entendo o que lá diz. Para mim faria muito mais sentido que, neste ponto
1 do referido artigo, estivesse dito que as Assembleias de Freguesia são
reuniões de porta aberta, por isso são públicas e fixar que, nos termos do
Regimento da Assembleia, um período para intervenção e esclarecimento ao
público. Agora regimentar no sentido de depois de terminada a sessão, os membros poderem continuar a trocar ideias e mimos, sugestões e outras coisas...que o tivessem feito durante a sessão! Os cidadãos do público presentes na sala para intervir na reunião têm de o fazer no seu período reservado à Intervenção do Público. E os membros da Assembleia como não gostam de ouvir o público antes deles falarem, aprovaram um regimento que os obriga a aguentar em silêncio e de boca calada assistir ao desenrolar da reunião, ficando sem compreender metade do que eles dizem porque alguns membros da Assembleia estão sentados de costas para o Zé Povinho e depois admiram-se que quem está nas cadeiras reservadas ao público, perca muitas vezes o fio à meada e como não pode interromper o orador, membro por direito e primeiro a falar...a vontade é levantar-se e pela calada sair da sala para apanhar ar porque preciso dele para viver mas passa bem sem aqueles que estava a tentar ouvir. Ainda não percebi a lógica deste regimento da assembleia de freguesia. Ter um período reservado ao público no fim da ordem de trabalhos, no meu entender, é quase um pedido para não aparecer nas reuniões. Posso ir, sentar-me e ninguém me pede para sair ou falar, o regimento não permite. Tenho que aguentar que todos os outros assuntos sejam apresentados, discutidos e votados. Já dá para perceber um pouco as causas que afastam o cidadão do poder local. O cidadão cansa-se de tanto tempo à espera e desinteressa-se, aborrece-se e por isso não nasceu para ficar tanto tempo mudo e calado. Alterem o actual Regimento da Assembleia de Freguesia tendo em conta o Artigo 25º, ponto 1 e coloquem a Intervenção do Público no início das sessões. Com esta alteração e uma sensibilização pública na freguesia, convocando uma vez por ano a sessão da Assembleia de Freguesia para fora da Junta de Freguesia, com espaço para pessoas, cadeiras, instalação sonora, e uma Ordem de Trabalhos ambiciosa, até a juventude vai estar lá! E para que isto seja real, precisamos da boa vontade dos membros da assembleia de freguesia.
José Nunes Martins
Vou dirigir-me
aos malcatenhos emigrantes. A sua presença na aldeia durante a semana da festa
verificamos que os emigrantes continuam a marcar presença e então no domingo da
festa fazem questão de passar o dia na aldeia. Quem não vem à festa, segue o
desenrolar da festa através da internet. Quem vem, já não é como nos primeiros
anos, vêm de carro, de avião ou apanham lugar nas carrinhas de transporte de
passageiros, conduzidas por conhecidos e que também são da mesma terra.
São os emigrantes que fazem
transbordar a aldeia. Muita animação, boa disposição, enchem os cafés, a Zona
de Lazer e há filas nos minimercados. No dia de mercado, vão todos para o
Sabugal e os feirantes vendem tudo o que têm. O mês de Agosto é o melhor mês
para quem tem um negócio. As comissões de festas anseiam pela chegada dos
emigrantes e de bom tempo.
Na nossa aldeia cada família teve ou
tem gente emigrante. Os mais idosos já gozam a sua reforma francesa, bem mais
recheada que os que não foram para longe trabalhar. Há dias no café os três
homens falavam sobre a importância que os emigrantes tiveram e têm no
desenvolvimento do nosso país, em particular da nossa freguesia. Longe vão as
partidas à pressa, pela calada da noite e um meio retrato no bolso. Iam a “salto”
e quando chegassem a França, procuravam a pessoa que tinha na sua posse o outro
meio retrato e juntando as duas partes a pessoa via que tudo estava certo.
Tinha valido a pena tantos sacrifícios para chegar ao destino. Há casos de
pessoas que não tiveram a mesma sorte, foram apanhadas pelas autoridades e se
não foram presos, eram recambiados para o buraco onde nasceram. Muitos
emigrantes fugiam da guerra que Portugal estava a levar a cabo na África. Ou
quem se casava, não conseguia enriquecer mesmo que trabalhassem de sol a sol.
Tinham que sair da terra e procurar nas grandes cidades do país, indo a maioria
para o estrangeiro em busca de uma vida melhor, onde pudessem ganhar dinheiro e
mandá-lo para os bancos em Portugal. Os emigrantes dos anos 50, 60 e 70, tinham
poucos estudos ou mesmo nenhuns. Uma das maiores dificuldades foi o não
entender a língua francesa, depois também nem sonhavam como era a casa onde iam
morar e com que companhia a partilhavam. Mas a razão que os levou a chegar à
França, foi tão forte que aguentaram tudo. E foi focados nessa “vida melhor”
para a família, aumentavam as possibilidades de oferecer educação aos filhos,
construir uma casa e viver a vida sem depender das saias dos pais, que tantos
decidiram emigrar.
É para estes malcatenhos que vai a
minha homenagem, o meu sincero abraço e mesmo que hoje tudo seja diferente para
melhor, venham mais vezes à aldeia, fiquem por aqui mais uns dias porque quem
vive na aldeia, gosta da vossa presença e do vosso
interesse pelas tradições e costumes da terra.
Termino com um pedido feito em nome
dos bons conterrâneos: rezem a Oração de São Francisco, também conhecida pela
Oração da Paz…que lembra:
Senhor, fazei de mim um
instrumento da Vossa Paz.
Onde houver ódio, que eu
leve o amor.
Onde houver discórdia, que
eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu
leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que
eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida
eterna. Amén!
Porque uma aldeia e um povo é muito mais que uma festa!
José Nunes Martins
Espero que esta minha carta vos chegue à caixa do vosso correio cerebral. Eu fico bem, graças a Deus. Tenho a necessidade de desabafar convosco e espero ajudar a interpretar os acontecimentos que se passaram durante o mês de Agosto na nossa aldeia. Então lá vai:
Muitas vezes quando uma festa corre mal, o povo procura
encontrar uma espécie de válvula de escape para acabar com a insatisfação do
povo. Noutras épocas e noutras terras o pau servia de arma de arremesso e
varriam os impuros da sua terra. Mas para isso acontecer havia que primeiro
encontrar o tal “bode”.
É um pouco assim que eu descrevo o que
se tem passado na aldeia onde nasci. Será que assim se consegue perceber as
contas da festa? É um mordomo culpado de tudo?
Sim e a mordoma e o povo. E porquê o povo? E eu expondo: porquê a mordoma?
Hoje estamos a acusar uma pessoa,
amanhã estaremos a acusar outras pessoas, porque tem de haver sempre quem deve
ser culpado de não ter chegado o dinheiro para pagar as despesas da festa.
Encontrado o “bode expiatório” há que o condenar e depressa, não pode continuar
sem castigo. E pensamos nós que se não for assim, mais aumenta a insatisfação e
mais vingança pedimos. E com tanto ruído, acabamos a compreender mal o que se
está a passar e ainda contribuímos para abrir mais a ferida, esquecendo-nos de
que cada um de nós também tem a sua quota-parte da culpa e do estado a que se
chegou. O mordomo que todos querem encontrar frente a frente acaba por ser o
único que praticou os crimes, os abusos, os acordos com os fornecedores de
bebidas, de espectáculos, de receber ofertas e deitá-las no mesmo saco preto e
opaco.
Todos nós nos transformamos em juízes e rimos à farta uns com os outros daquele
mordomo que já não tem uma casa na aldeia para se esconder e cheio de medo
desaparece para longe da vista porque quer continuar a viver.
É difícil provar a inocência e quanto
mais tempo demorar a explicar, mais culpa as pessoas lhe atribuem. Eu
interrogo-me porque deixaram o maquinista continuar a levar o comboio sozinho
até esbarrar na última estação? Durante a viagem ainda alguns se mostraram
insatisfeitos e na ausência de mudanças da linha, avisaram o maquinista que se
ia esbarrar na última estação, mas a fé e o saber fazer, convenceu o maquinista
que conseguia chegar ao destino e depois, direitinho para férias…Não foi assim
que aconteceu e ainda hoje se desconhecem os verdadeiros motivos de faltar
tanto dinheiro para pagar as contas da festa que bastava entrar o valor que
havia a receber e pagavam a festa, porque a partir daí, seria só lucro. Estas
foram as palavras que me lembro, de ter lido em Abril deste ano na página Mordomos 2023.
E agora como vai a freguesia lavar a
cara?
José Nunes Martins
As festas em geral
são eventos que as pessoas gostam de vivenciar e divertir. Mas o facto de as
pessoas gostarem de se divertir, em nada estão impedidas de, perante os números
até agora apresentados pela Comissão de Mordomos, de acharem que a festa não
correu bem. Aliás, o achar que não correu bem peca por defeito. A festa de
Malcata foi muito participada pelo povo da aldeia. O que os mordomos não
conseguiram foi alcançar resultados positivos. E esses resultados positivos
seriam alcançados se no mínimo tivessem dinheiro para pagar todas as despesas
que a festa custou.
Este ano a mordomia não pode
justificar os resultados negativos com a falta de adesão das pessoas e das
contribuições que muitos ofereceram. Estou a escrever tendo por base um
prejuízo na ordem de oito mil e tal euros que tanta falta fazem nas contas.
Tratando-se de um valor considerável, maior se torna quando se trata da festa
numa aldeia rural como é o caso da nossa. O valor da dívida até pode vir a ser
reduzida, mas estes números que apresentaram no fim da festa, provam que nem
tudo correu bem e ao contrário daquilo que as pessoas observaram durante os
dias da festa, aconteceram situações que merecem ser esclarecidas pelos
mordomos.
E a falta de dinheiro para o pagamento
das despesas fez acordar aqueles que andaram a dormir durante meses. Deixaram a
coisa andar e nunca se mostraram descontentes com a caminhada dos mordomos.
Depois da festa e do atraso da apresentação das contas, é que muitos se
aperceberam que alguma coisa má estava para ser anunciada.
Para surpresa da comunidade os Mordomos de 2023 divulgaram um comunicado, que eu li nas redes sociais, pedindo ajuda financeira para poderem pagar a todos os fornecedores. Ao fazer o apelo à ajuda antes da apresentação das contas veio agravar ainda mais a situação pela qual estavam a passar. Se a esta decisão adicionarmos as contas provisórias, feriram de morte o crédito e o apoio de muita gente, incluindo pessoas amigas ou ligadas por laços de convivência.
Em qualquer terra as festas são uma forma de promover a dita freguesia, que as tradições e os costumes ajudam a alcançar esse fim. E quando a festa apresenta contas limpas, transparentes, fundamentadas com documentos, movimentos de dinheiro justificados e verificados, toda a gente aplaude e encerram-se as contas. Não fosse um desvio tão elevado entre receita e despesa se calhar não se falava tanto ou se apontavam as causas desse desvio. Mas o errado não está no prejuízo que há, mas as causas que levaram a que isso acontecesse. Quem anda à chuva corre o risco de se molhar, mas se eu sair à rua e estiver a chover, faço-o com o guarda-chuva aberto! Isto só para dizer que a prevenção pode ser boa conselheira.
E quem nunca errou que atire a primeira crítica! Todos já falhámos e nas nossas vidas há momentos menos felizes. O que temos a fazer é aprender com o erro e mudar a nossa actuação para não repetirmos os mesmos erros.
Aplicando esta minha teoria aos Mordomos 2023, quem vier a seguir tem que trabalhar, delegar, responsabilizar, organizar e confiar uns nos outros. Vejam o trabalho realizado por uma equipa da F1 e interroguem-se sobre as razões de tanto êxito. É graças ao trabalho em equipa que os pilotos ganham as corridas. Cada elemento da equipa sabe a função que deve executar e tem a consciência que um erro vai afectar o bom desempenho da marca do carro. Na equipa a confiança, a responsabilidade e a entrega resulta numa festa na pista.
Os mordomos de 2023, convocaram o povo para o dia 16 de Setembro, pelas 17 horas, na sede da Junta de Freguesia. Dizem nessa convocatória que ali vão apresentar todas as contas e todos os documentos que têm sobre a festa.
Muitas pessoas mostraram interesse em estar presentes. Desejo que quem estiver presente tenha a capacidade e paciência de distinguir o essencial e importante que aconteceu na festa e esquecer o acessório. Defender aquilo que não tem defesa, não vale a pena estar a perder tempo, porque o povo sempre gostou da festa e da música, do baile e da procissão. Detesta é ser enganado e enxovalhado.
José Nunes Martins