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16/02/2025

MALCATA: HOMENAGEM MERECIDA E JUSTA

   



Carlos e Graciete Clemente merecedores de justa homenagem!

   Ao contrário do que as pessoas possam pensar, a principal marca do presidente do Lar de Malcata, foi estar e ter sempre presente os utentes que a instituição acompanhava e acolhia. As vezes que me cruzei com ele foram poucas e recordo que, depois de nos cumprimentarmos, perguntava-me sempre como estava o meu pai.
   A saída do lar, não acredito que tenha sido um processo que ele tivesse sequer imaginado acontecer como aconteceu. Foi uma saída sofrida e dolorosa que afectou a sua família, com sinais mais visíveis na esposa. E mais do que falar ou lembrar as polémicas em que possa ter estado envolvido, a pergunta é se uma freguesia pode dar-se ao desplante de não reconhecer o homem que mais anos esteve ao leme do lar de Malcata. Porque mais do que aquilo que cada um de nós pode pensar, é o trabalho que deu frutos e trouxe um bem-estar social e familiar a todos. Até podemos sempre, quem o quiser fazer, rebuscar aqui e além, e encontrar até razões para apontar um dedo a este homem, presidente eleito durante vários mandatos, mas acredito que os motivos para enaltecer e reconhecer a obra feita são em maior número e por isso não o fazem.
   Presidir a uma instituição social, uma associação de solidariedade, não é fácil e não é para todos. Malcata, sendo uma freguesia pequena, deve ter orgulho no lar que desde 1991 é uma estrutura estruturante e sob a sua alçada se governam muitas famílias, que se sentem tranquilas por saber que os seus familiares mais idosos estão bem instalados e há sempre quem cuide deles.  Como já disse, não é tarefa simples dirigir o lar de idosos e também não é fácil encontrar pessoas totalmente limpos e com um histórico totalmente imaculado. Encontrar um santo ou uma santa em Malcata é tarefa ainda mais difícil e como não se conhece nenhum santo(a) viva, de carne e ossos, boca, ouvidos, mãos e cabeça sem nódoas, com uma ficha limpa, se calhar os malcatenhos devemos fazer um esforço para aplaudir quem já presidiu e de futuro encontrar quem melhor faça. Claro que a nossa vida não é traçada a régua e esquadro, o caminho também tem curvas e dificuldades e as polémicas aparecem sempre, o que nem todos somos capazes é de deixar obras boas, marcadas pelo amor ao próximo e o lar é uma dessas obras boas, que já marcou e vai continuar a deixar marcas nas pessoas e na aldeia, disso não tenho dúvidas.
   O impossível esvaia-se quando alguém torna real o que antes se pensava ser impossível acontecer. E a família de Graciete e Carlos Clemente, sem qualquer dúvida, são credores de obra realizada, de trabalho feito. Para quando uma homenagem pública?

                                                      José Nunes Martins

MALCATA: SALVAR A FREGUESIA E A ALDEIA

 


Campanha de salvamento precisa-se!


   

   Actualmente, as pessoas vivem desinteressadas da vida pública da nossa freguesia. Fecham-se nas suas casas, ainda vão até aos cafés depois do almoço e pouco depois voltam para a sua vida. E só se voltam a encontrar em dias de convívio na associação ou nos dias da festa de Agosto. Eu acho que eles não querem é complicações na vida e então vivem como os caracóis, nada de deixar portas e janelas escancaradas. Ou seja, nem pensar em assumir cargos de responsabilidade ou funções a favor do povo. Preferem ficar a ver outros a fazer o trabalho, mesmo que pouco concretizem, pagam o que há a pagar e os outros governem e organizem como acharem melhor!
   A verdade é que, de 2021 a 2025, veio piorar e nada ajudou a melhorar a vida real das pessoas. E não é por causa da epidemia do covid ou a gripe das aves, nem por causa da doença da língua azul. Estão a ser anos de maior afastamento e maior desinteresse no que respeita aos cargos públicos. A indiferença e o deixar andar, quem está é que sabe o que fazer, como o faz e quando termina o que começou.
   O que mais me espanta é que actualmente temos mais ferramentas para trabalhar bem melhor, com mais precisão, mais transparente. Muitas das pessoas que vivem na aldeia, diariamente espreitam as redes sociais e pesquisam, leem ou partilham o que lhes apetece. E depois, lá clicam no “gosto”, nos bonequinhos a rir ou a chorar, mostram o entusiasmo e lá vai um par de mãos a bater palmas…os telemóveis são mais práticos que os televisores, podemos emitir em directo o que acharmos por bem, ou por mal, dar a conhecer aos outros. Nos anos 60 e 70, a vida vivia-se a velocidades mais lentas, as cartas e os postais enchiam-nos a alma e matavam-se todas as saudades, sabiam-se as notícias e também os cochichos. Agora, que há mais dinheiro, melhores comunicações, mais informação, mais conhecimento, porque participamos menos na vida social da aldeia?
Porque vivemos na mesma aldeia e na rua quando nos cruzamos uns com os outros, há quem não fale, quem olhe e logo baixe o olhar em sinal de desprezo, sendo mesmo incapaz de sorrir ou de simplesmente dizer bom dia, boa tarde ou boa noite? 
   Às vezes eu entro nas redes sociais e ignorando a realidade e o que se passa na aldeia, fico com vontade de escrever e proclamar aos ventos que tudo vai ser melhor, que as pessoas vão voltar a sorrir e a cumprimentarem-se quando se encontram ou se cruzam num qualquer lugar da aldeia ou do nosso país. Que as coisas que não se terminaram, vão fazer-se e todos nos orgulharemos do trabalho e dos resultados.
   Mas, de repente aparece o diabinho vermelho com a sua lança e tudo muda, porque rompe a minha bolha de ilusão, fere as minhas asas no preciso momento de levantar voo.
   O meu sonho termina ali, não vale a pena continuar a sonhar com o regresso das cegonhas ao ninho. Começo a compreender o significado das mudanças e que as cegonhas não vão regressar porque ninguém se dispôs a reconstruir o ninho.
   Resta-me ter esperança, fazer com amor o que à distância se pode fazer e acreditar no poder da internet, como se fosse uma cola forte, com os diversos componentes, unidos num único objectivo, que é colar de vez a vida comunitária da nossa porcelana fina chamada Malcata, cumprindo o mandamento do Amor que todos temos por um pedaço de terra, aquele onde nos plantaram e não fomos nós que escolhemos, mas é onde nascemos, nós os malcatenhos.  
                                                                    José Nunes Martins

14/02/2025

LUGARES E RECANTOS DE MALCATA

    
   

Fonte das duas bicas



   Muita água já por elas jorrou e muita dessa água ajudou a encher a albufeira. E com essa água foi uma enxurrada de memórias, de conversas e namoricos. Se as bicas falassem, hoje revelavam as conversas dos rapazes com as raparigas, os namoricos que por vezes resultavam numa boa reprimenda dada pela mãe da moça por ter demorado tanto a chegar da fonte com o cântaro da água. 
   Um lugar como este, conta-nos muito mais do que aquilo que ali vemos,   por isso, precisamos de respeitar, cuidar e olhar com cuidado para este lugar, que tantas recordações vai guardando. 
                                                                                     
José Nunes Martins

13/02/2025

AOS POLÍTICOS NÃO INTERESSA UM POVO BEM INFORMADO

   

Pão e vinho sobre a mesa, queijo e bola para a frente...basta?


   O povinho de Malcata anda feliz, encantado e quando se lhe dá pão e circo fica a populaça acalmada e satisfeita. Claro que o povo precisa e gosta de conviver, confraternizar, passar uma tarde a jogar cartas ou à petanca, mas é importante não perder o bom senso e a dosagem do que fazemos, mantendo o equilíbrio e não darmos mais atenção ao pão e ao circo. Isto é, se pensarmos nisto em termos políticos e em termos eleitorais, poderá render muitos frutos (votos). É preciso mais, muito mais e fazer melhor que isso. Sim, há mais vida e nem só de pão e vinho vivemos. Alguns eventos só se fazem para iludir as pessoas e com recurso a tradições onde apenas participam quando sentados na mesa farta. E claro, mesmo que nada aconteça, haverá sempre a magia para distrair o povo. 
   Uma aldeia onde a maioria das pessoas está mais interessada em convívios e na diversão, nem se apercebe que está a ser afastada daquilo que realmente é importante. 
   Às vezes questiono a minha consciência até que ponto o povo da minha terra anda mesmo interessado na vida da comunidade que reside na freguesia. Até que ponto as pessoas desejam conhecer e saber do que se passa. Se na verdade andam contentes e felizes, basta periodicamente ser convidado para o convívio, que importa lá a realidade e aquilo que podiam ambicionar alcançar? 
   Os culpados deste estado de coisas, ao contrário do que muitos podem pensar, não é o povo, é sim das sucessivas Juntas de Freguesia, das pessoas que sucessivamente recusam de adoptar políticas que tenham como objectivo, preparar o povo e cada cidadão a interessarem-se cada vez mais no que à vida política diz respeito, despertar neles a vontade de questionar e de participar também nas decisões políticas. Se isto acontecesse, o facto de haver maior conhecimento e informação acerca do trabalho que os políticos andam a fazer, ajudaria a melhorar quem governa a junta. 
   Este é um dos problemas que Malcata tem para resolver. E se nada for feito para alterar as coisas, vai-se assistindo a espectáculos de convívio que os maus políticos tanto gostam, porque assim, têm o povo entretido e a vida deles mais facilitada.
   
   
   

11/02/2025

MALCATA: CARLOS CLEMENTE, ARRAIANO COM OBRA FEITA

    AOS CINCO ANOS, VIU O SEU PAI EMIGRAR PARA O BRASIL, DEIXANDO A MULHER E TRÊS FILHOS ENTREGUES À SUA SORTE. 
   FOI CONVIDADO PELO DR. ALMEIDA SANTOS (PS) PARA SER CANDIDATO À CÂMARA MUNICIPAL DO SABUGAL; FOI MEMBRO DA COMISSÃO INSTALADORA DA RESERVA DA SERRA DA MALCATA; 
   EM 1993, FOI ELEITO PARA PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DE MALCATA;
   O LAR PARA IDOSOS EM MALCATA TORNOU-O UMA REALIDADE.
   O blogue ( jornal on line ) Capeia Arraiana, esteve à conversa com este bom homem e cujas palavras aqui transcrevo. Basta clicar neste link e ler com atenção:

   https://capeiaarraiana.pt/2025/02/09/carlos-lopes-clemente-dinamico-arraiano/#more-225548

Um dia que fica na história de Malcata