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04/11/2024

MEMÓRIAS DE MALCATA-1

 

 Uma das casas mais vistas em Malcata

   Uma recordação de outros tempos. Uma casa grande, onde entrei só porque me abriam a porta. 
   Eu adorava estar na cozinha. Gente boa que ali vivia na casa grande. Como está ao lado do adro da Igreja Paroquial, é uma das casas mais vistas da aldeia. Por onde andarão os que nela viveram?

01/11/2024

QUANDO NADA PARECE ACONTECER

 


   Há tradições e costumes que os católicos repetem todos os anos. Hoje, 1 de Novembro de 2024, é para a Igreja Católica, o Dia de Todos os Santos.
   Esta celebração serviu durante muitas gerações para evocar todos os santos e mártires
da Igreja Católica. Atualmente, como é feriado e véspera do dia dos Fiéis Defuntos, a grande maioria das pessoas vão aos cemitérios rezar e prestar homenagem aos familiares e amigos já falecidos. E a Igreja Católica agora celebra os dois dias num só.
   O que importa é comprar flores, das mais variadas cores e espécies, até podem ser de plástico. Comprar velas ou lampiões a pilhas, uma vassoura, um balde, uma esfregona e ir ao cemitério alindar a campa ou jazigo, gaveta ou gavetão. São gestos que são feitos em silêncio e com muitas paragens a olhar para o alto e para as fotos dos familiares ou amigos que tantas saudades deixaram. Eu não consigo ir ao cemitério no dia de hoje e de amanhã. Conheci pessoas que procuraram em vida, ser boas almas, levando uma vida normal, com dias alegres e festivos, no meio de angústias, traições, sofrimentos…e partiram deste Mundo a pensar que ressuscitariam.
   E estes dois dias são importantes na agenda das pessoas que homenageiam os falecidos.
    Hoje todos os santos são homenageados e lembrados. E cada terra tem os seus usos e costumes. Há perguntas que é preciso fazer:
    Porque homenagear todos os santos?
    Será que os santos precisam de ser elogiados?
    O interesse de elogios e rezas (mesinhas) não serão por nosso interesse e não
  dos santos?
     Eles, os santos, uns conhecidos e outros não, esperam que através dos seus testemunhos de vida já vivida, nos tornemos em melhores pessoas.

     Há momentos e fases da vida que parece que nada está a acontecer. E nestes dias iniciais de Novembro, podem servir para cada um de nós procurar o essencial da vida, sem qualquer justificação ou pretexto que nos tirem da normalidade. Lutar pela verdade e autenticidade vai-nos fazer mudar como pessoas. Aceitar que a vida é uma passagem, um dia a seguir a outro dia que passou, fazer o que há por fazer e não fazer para sermos vistos e aplaudidos apenas pelas nossas ambições pessoais.  Hoje celebramos em comunidade os feitos dos santos e celebramos a fé cristã em que acreditamos. Quem celebra a fé e o partilha com todos só interessa mesmo, quando é verdadeira, autêntica e genuína. Passa a ser um teatro se apenas nos preocuparmos com o que representamos, com o lugar que ocupamos, com a nossa aparência na rua e a nossa presença em eventos festivos.
    Celebrar com a comunidade aquilo que é a nossa vida diária é partilhar aquilo que fazemos e em que acreditamos.
    Bom seria sentir o desejo de mudar o nosso coração e ganhar mais força e vontade de viver em fraternidade e em comunhão com todos.
    Nós simplesmente estamos de passagem para…a outra margem!

19/10/2024

O MELHOR CABRITO É DE MALCATA

 


   Foi com satisfação que vi a nossa freguesia de braços abertos a receber a iniciativa da Confraria do Cabrito na Brasa do Sabugal. O pretexto é a realização do IV Capítulo da Confraria, com sede no Sabugal e que hoje, 19 de Outubro, tem Malcata como cenário.
   Ora é conhecido por muitos da nossa região que na freguesia de Malcata o cabrito sempre foi afamado e considerado como o melhor cabrito da região. Não é de estranhar que nas conversas entre os confrades que hoje estão em Malcata, contem várias histórias com cabritos que vinham comprar aos taberneiros da terra. Havia cabras e cabritos em abundância e satisfaziam a procura, principalmente nas épocas festivas do Natal, Páscoa e os meses de férias dos emigrantes. E como era famosa a iguaria, todo o ano se vendia.
   Quando era ainda garoto, aos sábados era cena habitual ver pessoas a chegar à Taberna do Ti Joaquim Ruvino e iam acomodar-se lá ao fundo do corredor, onde a Ti Benvinda com a ajuda das filhas ultimavam os preparativos para a refeição dos visitantes. Nunca vi ou ouvi anúncios a publicitar este lugar, eu admirava-me como é que as pessoas apareciam ali, entravam e todos dali iam satisfeitos, bem-dispostos e não se poupavam aos elogios aos donos da taberna. Mais tarde entendi que o sítio era conhecido por todo o país como um dos lugares de excelência para degustar um cabrito assado à maneira e
o segredo ia-se passando de boca em boca. Estes prazeres ainda demoraram uns bons anos, muitos repetiram a visita, outros levavam para casa, também levavam para oferecer a um amigo, ao seu doutor do hospital ou a quem arranjou trabalho a um familiar.
   E na aldeia não faltava onde comprar carne de cabrito. Lembro-me do Ti Apolinário e mais tarde do seu filho Fernando que também muito cabrito eles criaram e venderam. Os pastores também faziam os seus negócios e muitas das vezes, levavam o animal ao Ti Joaquim Ruvino para que o preparasse e deixasse limpo de maneira a ser levado pelo comprador.
   Há uns tempos e a propósito do cabrito assado na brasa ou cozinhar carne nas panelas de ferro, dizia-me uma das filhas do Ti Joaquim Ruvino que não esqueceu os ensinamentos da mãe nos tempos em que o lume e as brasas produziam toda a energia necessária para cozinhar. Com os olhar dirigido para as grelhas e as mãos a colocar pratos, talheres e copos sobre a mesa, sem parar graças à dedicação e entrega que mãe e filhas sempre punham naquelas ocasiões de bem servir.
   Gostava de continuar a escrever, mas vou ficar por aqui. Apetece ainda dizer que em relação à carne de cabrito criado em Malcata, só posso ter esperança que algo de bom aconteça e depois ouvir as pessoas a dizer de boca em boca que “o melhor cabrito é o de Malcata. Souberam manter o legado e a qualidade é excelente”.
   Que este dia 19 de Outubro seja histórico para a História Gastronómica de Malcata.

  

                                                                                          

18/10/2024

CABRITO ASSADO EM MALCATA

    


   Há confrarias pelo país todo e algumas são autênticos clubes privados, associações de pessoas que se unem a defender os mesmos interesses de grupo, de sociedade e mesmo pessoais, usando a confraria para se manterem na onda.

   Louvo os confrades da Irmandade das Almas, da Confraria de Santo António, da Confraria da Senhora do Rosário e do Santíssimo. Eram confrades para voluntariamente servirem e ajudar quem precisava.
   Quanto às confrarias gastronómicas todas se reclamam defensoras de algum produto, tradição, costume e sempre que reúnem convidam outras confrarias para a festa. Ou seja, vestem as suas capas e outros complementos que pode ser um chapéu, uns bordões de madeira, um copo, muitos “pins” presos com alfinetes e estão prontos a desfilar e a mostrar-se aos outros confrades e convidados.
   Andei a observar alguns cartazes que as confrarias divulgam quando se reúnem em Capítulo. Apercebi-me que na sua grande maioria contam com a presença dos presidentes das Câmaras Municipais, dos Presidentes das Juntas de Freguesia, de outros políticos, engenheiros, doutores e professores, empresários, uns no activo e outros a viver as suas agradáveis reformas. Todos diferentes e de lugares distintos, alguns foram os responsáveis de se ter perdido certas tradições e identidades, abandono do património e do território e que pouco fazem hoje para defender o que de bom existe. E alguns afirmam solenemente que estão nas confrarias para defender e promover o que de bom e do melhor existe e se produz no território que a confraria diz defender e promover.
   Será que os confrades se apercebem do que se passa na freguesia de Malcata? Que informação lhes é transmitida sobre a freguesia, sobre os produtos com valor, com qualidade, quem os produz e em que condições os comercializa? Saberão eles quem merece o apoio e quem é apoiado, levado para todas as feiras e mercadinhos e ignoram  os artistas e empreendedores  fazer o seu próprio percurso criativo e artístico, lá partem para eventos, feiras, worshops, formações e com a aldeia no coração e no pensamento, vão às suas custas sem qualquer mimo das entidades públicas da terra, nomeadamente da autarquia, que tem o dever de defender e apoiar quem se propõe acrescentar mais valor à freguesia, divulgar a sua riqueza natural, os seus produtos. Eu, sinceramente,  custa crer que o que acabei de falar seja do conhecimento dos que amanhã estejam na freguesia e se dizem defender o território do Sabugal.  Questiono-me sobre o que irá ser transmitido amanhã quando os confrades fizerem a pergunta sagrada ao anfitrião da freguesia:
    Quando podemos preparar, distribuir pelas famílias da aldeia de Malcata um cabrito do rebanho das cabras serranas, que depois de bem confecionado, possa ser oferecido gratuitamente a quem visitar a freguesia num 19 de Outubro como o deste ano?
   É uma pergunta difícil de responder, mas se todos os confrades a fizerem a si próprios, penso que estaria encontrada uma via para o escoamento da produção do bom e do melhor cabrito na brasa do concelho do Sabugal.
   Isto de oferecer carne de cabrito por toda a freguesia parece utopia da minha parte e sei que muitos se estão a rir da ideia. E se quem degustar um naco de cabrito, um bocado de pão e um copo a ajudar, achar que é óptimo, saboroso, único, ambiente agradável, despretensioso e o deixa feliz da vida, voltar mais vezes e disser boca a boca que o melhor cabrito assado na brasa, o mais natural e que é “algu” do Sabugal, se encontra na aldeia de Malcata, ali aos pés da Serra e da Reserva Natural da Serra da Malcata?
   Assim é que respeitamos e defendemos o que é nosso, da freguesia, do concelho, saberes e sabores que os nossos antepassados nos deixaram.
   Espero ter boas notícias sobre o IV Capítulo da Confraria do Cabrito na Brasa-Sabugal e sinceramente, tenho esperança que assim aconteça.


  

 

            

17/10/2024

MALCATA : CABRAS NOS BALDIOS PARA QUANDO?

       



   Unidades de Participação sobre o rebanho
        é também assegurar o futuro

   Tratando-se de um projecto de interesse para a freguesia de Malcata e para o território do concelho do
 Sabugal, sendo um investimento público e apoiado pelos fundos europeus, é natural que surjam pessoas que pela sua experiência profissional e conhecimentos técnicos desejem contribuir com algumas das suas ideias e sugestões tendo em vista a concretização desta obra.
     A ideia das Unidades de Participação ( que pode receber outra designação) que o senhor Engº. José Escada Alves da Costa, pessoa com grande experiência de criação e gestão de projectos inovadores, principalmente na área das energias e biomassa florestal, ainda com ligações familiares à nossa freguesia, publicada em Agosto de 2019, pelo Jornal Cinco Quinas, ainda continua válida e devia ser 
merecedora de um debate público, alargado a toda a freguesia e a entidades interessadas neste projecto que tanto pode alavancar o tão desejado desenvolvimento sustentável da freguesia de Malcata. Quem desejar saber mais em pormenor sobre o assunto é só clicar na imagem que a seguir reproduzo:

   

             Jornal Cinco Quinas - Agosto 2019