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05/07/2025

MALCATA: A HISTÓRIA NÃO SE APAGA!

 


   A História faz parte da identidade do nosso território, da nossa identidade. Os factos que aconteceram não se podem apagar. A única coisa que podemos apagar diz respeito ao nome das coisas, ou seja, o nome pelo qual as conhecemos.
   Há uma década, na Assembleia de Freguesia de Malcata foi aprovada uma proposta que alterava o nome de duas ruas da nossa aldeia: Rua de Baixo e Bêco da Corela. A dita proposta foi enviada para a Comissão de Toponímia Municipal do Concelho do Sabugal que após uma análise ao assunto, foi rejeitada. 
   O assunto morreu ali e nunca mais se ouviu falar dessas coisas de mudar-lhes o nome.
   As ruas continuam na nossa freguesia estão a precisar de mais atenção, designadamente as placas toponímicas. Ao contrário do que se pode pensar, as placas
das ruas têm muita importância na organização da freguesia. E na nossa aldeia é urgente fazer uma revisão séria a todas estas coisas ligadas à toponímia.
   A freguesia cresceu, mudou o seu aspecto, surgiram novas ruas, novas casas e houve benefícios em algumas dessas ruas. É triste viver numa rua sem a placa com o seu nome, afixada no início e no fim da via.   Quem tem competência para aprovar o nome de uma rua, de uma praça ou largo em Malcata é a Comissão Municipal de Toponímia do Concelho do Sabugal. Esta comissão foi criada para apreciar as propostas que lhe forem apresentadas. Depois de analisada a proposta e tomada uma decisão, enviam essa mesma proposta para a Câmara Municipal do Sabugal a fim desta poder deliberar e decidir o que fazer. A Comissão de Toponímia é constituída por pessoas com conhecimentos alargados, com memórias sobre o território do Sabugal e que se reúnem para reflectir sobre a atribuição dos topónimos no concelho.
   Reconhecer a qualidade da Comissão de Toponímia é confiar nas decisões que tomam.    A atribuição de um nome a uma rua, a uma praça ou a outra coisa, significa que existe um reconhecimento público do nome que se está a analisar, que esse nome se identifica com a cultura das pessoas, da história do lugar. Quando está em análise a atribuição do nome de uma pessoa os pressupostos são os mesmos, ou seja, tem de ser uma pessoa reconhecida por todos como digna de lhe ser atribuída a placa toponímica porque a sua cultura, a sua vida, a sua história e os seus actos assumidos durante a sua vida, contribui com o seu bom exemplo e trabalho, para a construção do presente da terra. É também
uma das formas que um povo tem nas suas mãos para reconhecer publicamente todo o trabalho que essa pessoa realizou para o bem comum.
   Todas as ruas, bêcos, vielas, largos e praças, são parte integrante da freguesia, são como que uma espécie de veias por onde caminha a gente que dá vida à aldeia. E aqui incluo o carteiro, o vendedor ambulante, os bombeiros, as ambulâncias de socorro, os visitantes…
   Cuidar do nome das coisas é cuidar da aldeia e da vida dos que nela vivem.  
   Perguntar e alertar as pessoas que residem na freguesia sobre a mudança das placas e da toponímia é necessário envolver o povo, promover e defender a preservação da aldeia. 
   Vamos deixar apagar a história da aldeia de Malcata? As mudanças de nomes, o aparecimento de outros, alguns sem sentido e lógica, desrespeitando até o nome antigo dado pelos nossos avós e bisavós, sem primeiro consultar a população, estamos a assistir ao esquecimento da história comum. 
   Concordam com o que a Junta de Freguesia de Malcata andou a fazer quando substitui as placas toponímicas por outras novas? Acham justo que este tipo de decisões sejam tomadas sem envolver a população, sem ter promovido uma reunião pública para esclarecer e ajudar a compreender as intenções da Junta de Freguesia ( que são pensadas com boa intenção)?  
   E vós malcatenhos, o que dizeis?
                                                                            José Nunes Martins

27/06/2025

FESTAS DA CÂMARA MUNICIPAL DO SABUGAL não há igual!




   Quem afirma que pagar festas é “investimento” devia esclarecer o povo e sem rodeios,
apresentar os valores “investidos” nas festas. Todos os valores e não parte deles!
   Aquela justificação que se ouve é que “não havia mordomos para a fazer” …”o São João desaparecia” …ou outras desculpas parecidas, levam-me a pensar que essas são as razões e a realidade da maioria das festas das freguesias do concelho do Sabugal…
se salva as festas da cidade, também deve salvar todas as outras festas?
  
   Os políticos quando são eleitos é para fazerem obra. Seja no Governo do país, na Câmara Municipal ou na Junta de Freguesia. Portanto, quando fazem obra com o dinheiro dos impostos ou de outras proveniências públicas, estão a usar o dinheiro dos cidadãos, logo, não devem ficar à espera de palmas e agradecimentos dos que até lhes pagam para fazer as obras.
   Terminaram as Festas da Cidade do Sabugal-São João 2025. Será que daqui a uns dias
a “comissão organizadora” municipal nos vai apresentar as contas?
   Quando a Câmara Municipal é responsável pelas festas da cidade, ela também tem a obrigação de apresentar as contas referentes a esses eventos. A câmara municipal do Sabugal, como órgão público, deve prestar contas das suas atividades financeiras, incluindo as despesas e receitas relacionadas com a organização de festas municipais, conforme diz na lei de finanças locais e nos princípios da gestão pública transparente.
   Como todos sabemos, quando a Câmara Municipal assumiu a organização das Festas da Cidade e também de outros eventos, essas decisões implicam o uso de dinheiro público e como tal, devem ser aplicados os princípios de boa gestão económica e a prestação de contas.
   Agora que a cidade voltou à normalidade, já que os orçamentos para as festas raramente são tornados públicos, resta esperar pelo relatório detalhado e que explique ao zé povinho os cinco dias de festa, ou seja, o deve e o haver, como sempre fazia a comissão das festas São João da Vila e cidade Sabugal. Portanto, a apresentação de contas e se for até sexta-feira, era bom.   Isso é estar a pedir demais!

                                ALGUMAS  CURIOSIDADES  DAS  FESTAS  SÃO  JOÃO  2025:




 




         

 

                                


                                  Há mais curiosidades!          

24/06/2025

AVISO IMPORTANTE AOS RESIDENTES NO CONCELHO DO SABUGAL


    AVISO + AVISO + AVISO + AVISO + AVISO + AVISO + AVISO + AVISO + AVISO +AVISO

    

APAL-SIM – Águas Públicas em Altitude
(Empresa que agora é responsável pelas Redes de Abastecimento de Água ao Concelho do Sabugal)


   Foram detetadas tentativas de fraude por parte de indivíduos que se fazem passar por colaboradores dos APAL-SIM – Água Públicas em Altitude  serviços para agendar falsas colheitas de água em residências.


 APAL-SIM – Água Públicas em Altitude, INFORMAM QUE:
 " não agendam visitas sem aviso prévio pelos canais oficiais (telefone oficial, email institucional ou carta);
- Nenhum colaborador está autorizado a entrar nas residências sem identificação visível e motivo justificado;
   Avisam-se as pessoas para :
Ter cuidado com qualquer contacto suspeito e em caso de dúvida, não forneça qualquer informação e contacte de imediato 271 232 740 ou email geral@apal-sim.pt.

   QUEM AVISA...AMIGO É !

Saber mais aqui:


https://apal-sim.pt/


20/06/2025

RUAS, BECOS E TRAVESSAS DESCONHECIDAS

 


   O que é uma placa toponímica?
   É uma placa que indica o nome de lugares públicos, como ruas, becos, travessas, parques, praças, entre outros. É, portanto, uma peça importante para orientação destes lugares para quem passa a pé ou de outro meio de transporte.
            (Foto de exemplo)
   Na nossa freguesia já é comum vermos este tipo de sinais e recentemente a Junta de Freguesia procedeu à substituição das velhas placas por outras novas. Durante muitos anos em Malcata este tipo de sinalização tem sido negligenciada e ignorada pelas várias Juntas de Freguesia. E se alguém pensa que está um trabalho bem pensado e executado,
não está a ser verdadeiro. Isto de trocar uma placa por outra, com a mesma informação, todos nós estamos de acordo. Podemos não gostar do formato da placa, da sua matéria e cor, do seu tamanho ou até da sua afixação. Isto até se pode considerar de menos importante e como cada cabeça sua sentença…aceita-se opiniões variadas. Agora, o que está mal pensado e executado é mudar a placa e mudar o texto, o nome que a placa velha sinalizava, ou pior, afixar novas placas com topónimos novos, desconhecidos e/ou sem que anteriormente se tenham acautelado, respeitado, discutido e aprovado esses novos nomes. E aqui está-se perante a violação das leis relativas às autarquias locais. Em todos os concelhos de Portugal, pelo menos a lei a isso obriga, existe um Regulamento Municipal da Toponímia.    E o concelho do Sabugal tem esse dito regulamento aprovado e
pode ser consultado aqui:
https://www.cm-sabugal.pt/wp-content/uploads/regulamento-municipal-reg_urbanizacao_e_edificacao_concelho_sabugal.pdf .
   Aconselho a todos os malcatenhos uma leitura deste documento. Depois, talvez compreendam melhor o que está a acontecer na nossa freguesia.
   A afixação e manutenção das placas com o nome das ruas e afins, é responsabilidade da Junta de Freguesia. Mas isso não lhes dá poder e direito de acrescentar ou mudar o mapa toponímico da freguesia. Nos dias que estive na aldeia não vi qualquer informação pública sobre este assunto, nem existe qualquer informação nas páginas da internet sob responsabilidade do executivo da nossa freguesia. Todos sabem que as mudanças de nomes das ruas podem trazer problemas sérios às pessoas, que, coitadas, não podem ser depois responsabilizadas pelo que de mal possa acontecer.
   Estas pequenas coisas merecem ser feitas com critérios e respeitando as pessoas, as leis e a história dos lugares. O cidadão comum pode até não conhecer as regras, mas a uma autarquia exige-se que conheça e execute em conformidade.
   Este assunto é importante, por isso voltarei a ele.

  









   Exemplos de topónimos novos e desconhecidos os procedimentos para se terem afixado estes e não outros! Há explicações por fazer!

19/06/2025

SÃO JOÃO NA CIDADE DO SABUGAL

 

                                                                     Obrigado a todos, todos todos.
                                                                           (Foto da internet)

      À medida que a cidade é transformada pelo homem que dá as ordens para executar as obras, sentimos que esquecem as tradições e o passado. E as Festas Populares, que também fazem parte da vida da cidade, não se reduzem à notoriedade dos grupos de bandas musicais ao tamanho do recinto onde tudo se desenrola. Ou seja, as Festas da Cidade do Sabugal estão cada vez mais animadas, mais promovidas fora do concelho e até já chegou aos espanhóis do outro lado da fronteira. Tudo está bonito e eu próprio vi o trabalho dos homens que, numa tarde escaldante de domingo, espalhavam passadas de areia sobre a terra e cobriam com “relvite” verde. É preciso muito amor à “camisola” e dedicação aos Santos Populares para alguém trabalhar naquelas condições. Esta foi a imagem que eu guardo das festas e do tão anunciado investimento do município que só acontece porque quem comanda os destinos do território sabugalense se esforça, pensa e planeia para outros executarem conforme manda quem pode.

   Se ao “investimento” deste ano, juntarmos os outros “investimentos” como o do Largo da Fonte, o que fizeram na Rua Cinco de Outubro, da Praia das Devesas, a Via pedonal (!!) lá para cima, o que podemos dizer é isto: vestimos a cidade e mandamos as pessoas festejar fora das suas muralhas. A festa passou para as mãos de quem se acha dono de todo o reino, quem tem vida na urbe antiga que apanhe o comboio da modernização…
   Umas Festas da Cidade tão compactadas e de costas voltadas para o passado, por mais dias que lhe acrescentem e nomes sonantes paguem para nela participar, por mais palavras bonitas de transformação da temática das festas populares, nem sequer aos calcanhares dos Açores e da Madeira nós chegamos. Até as cidades de Lisboa, Porto, Braga…perceberam que as Festas da Cidade são para ser feitas por toda a cidade! E chamar investimentos no concelho, é afirmar e querer convencer o eleitor que aprenderam a investir na promoção do território organizando as Festas da Cidade, que são 4 a 5 dias pagos a preço de ouro, sem controlo e sem contabilizar o retorno. Isso já não é importante, o povo vai de barriga cheia e alegre, nem se importa de onde veio e para onde vai. Nos arquipélagos gasta-se dinheiro na promoção do território, da sua história, gastronomia, paisagem, festas, investem criando nos visitantes a necessidade de ir conhecer e ficar uns dias a dormir, a passear, a comer, a apanhar flores ou sol ou saborear um cozido especial…sim é retorno financeiro que fica graças também às festas
espalhadas por todo o território.
   A Festa da Cidade do Sabugal – São João 2025 já começou. Os sabugalenses que vivem no concelho são os primeiros a desejar festejar. Também são eles que diariamente sentem as necessidades de que precisam e são eles que mandam nas suas próprias vidas e terras. Vivemos em democracia e estamos conversados. Isto não vai para lá do desabafo de quem também se sente sabugalense mesmo não residindo junto de vós.
   Viva o Sabugal e todos os que vão por bem.

Abertura das Festas da Cidade Sabugal 2025
(Foto da internet)


  

09/06/2025

MALCATA: CONHECER A HISTÓRIA

 


      MALCATA  FOI NOTÍCIA HÁ 57 ANOS!



1- “Vai bastante adiantada a construção do nicho de Nossa Senhora dos Caminhos”
   A iniciativa veio das professoras D. Maria do Carmo Corrais, D. Isabel Borges Alexandrino. Um mês depois, a 7 de Julho do mesmo ano, foi solenemente inaugurado.

   Generosidade do sr. Joaquim Vieira, construtor e que desde 1964 vive na aldeia, oferecendo a direcção e a mão de obra do nicho e anexos.
  
   in Amigo do Sabugal, ano 7, nº23 de 09-06-1968


   O primeiro nicho construído na nossa freguesia era uma obra simples e ao mesmo tempo, rara de encontrar igual. E a sua primeira localização, à saída da aldeia e junto à estrada antiga, a uns 20 metros da ponte velha foi inaugurado em 1968.
   De acordo com o jornal “Amigo do Sabugal”, de Junho de 1968, que pode ser consultado na Biblioteca do Sabugal, a sua construção foi uma iniciativa das no âmbito professoras primárias, que com o apoio e o espírito da Mocidade Portuguesa propagandeava uma campanha nacional para construir nichos dedicados à Nossa Senhora dos Caminhos. Ainda, de acordo com o “Amigo do Sabugal”, a inauguração solene aconteceu a 7 de Julho de 1968.
   E a história vai continuar…estejam atentos! Houve muita colaboração do povo e algumas histórias após a inauguração...
   

Nicho dedicado a Nª Senhora dos Caminhos
na antiga estrada da aldeia de Malcata. 
  

Fotos de Maria Lourenço )

A ALDEIA JÁ FOI ASSIM


 

Escola Primária da aldeia encerrada!

   Nasci numa aldeia e lá passei toda a minha infância. Andei pelas ruas a brincar e a respirar os aromas campestres. Na casa dos meus pais aprendi o que era trabalhar a terra, a importância dos animais, como o burro e as vacas, as cabras, coelhos, galinhas e porcos. Foi na Escola Primária que havia na aldeia que aprendi a ler e a escrever. Depois do exame da 4ª Classe, para continuar a poder estudar, tive de sair e fui parar bem longe. Nas férias, voltava à aldeia porque ali viviam os meus pais, a minha família e os meus amigos de infância. Que bem me fazia aquele regresso!
   A aldeia era pequena e tinha sempre saudades e vontade de estar uns dias naquele paraíso, com pessoas a ir e a vir, uns carregavam coisas e outros carregavam os carros de vacas e os burros com tudo e mais alguma coisa, até acharem que estava com a carga completa. A aldeia tinha vida de dia e de noite. Começava a fervilhar ao nascer do sol e sossegava ao fim da noite. Moravam muitas pessoas e pareciam felizes, mesmo com pouco, não havia muita coisa, portanto, não fazia falta nenhuma, logo chegariam dias melhores e vida mais desafogada era bem-vinda.
   Hoje, ainda há gente à espera que algo de diferente aconteça!




                                                       NOUTROS TEMPOS...



A ponte era uma passagem
Igreja de São Barnabé

30/05/2025

BEM VINDOS A MALCATA

 

Rio Côa



   Ainda não passou muito tempo em que muitos dos nossos avós e pais eram analfabetos. Mesmo depois de haver escola em Malcata, havia muitas crianças que não frequentavam a escola e viveram a sua vida até ao último dia, sem saber ler e escrever.
   Isto justifica ainda hoje o estado cultural e económico do nosso povo. A subordinação dos mais fracos pelos mais fortes, poderosos e que sabiam ler e escrever, que ao longo do tempo construíram barreiras invisíveis, mas permanentes. 
   Alguns destes erros foram corrigidos outros não tiveram remédio e também permaneceram durante muitos anos.
   A aldeia de Malcata tinha uma única estrada para entrar e para sair. O rio Côa era mais uma barreira e não unia os de cá com os de lá. As pontes não existiam, só os pontões e poldras. Nenhuma destas ligações permitia a circulação de automóveis ou mesmo carros puxados por uma junta de vacas. Quando os lavradores se afoitavam a atravessar o rio para a outra margem, faziam-no nos sítios de menor caudal de água e
com maior segurança nas épocas de maior calor.
    E o povo de Malcata aguentou o isolamento, uma única estrada e uma única ponte que unia as duas margens da ribeira que passava pelas terras do Bradará, em direcção ao Rio Côa. Foi assim que a nossa aldeia saiu do beco em que estava, porque as saídas que havia para Quadrazais e Meimão, eram caminhos de passagem para as terras de cultivo e só iam até certo ponto, seguindo depois pelos carreiros que os animais de carga serpenteavam até chegar às duas povoações vizinhas de Malcata.
   A abertura da estrada florestal, conhecida também pelo nome de Caminho Rural, que liga Malcata ao Meimão e a Quadrazais, acabou com o beco sem saída. Duas novas saídas que resolveriam as dificuldades (na opinião geral), o isolamento, a vinda de pessoas de outras terras, mais negócios e mais entreajuda, não passou de uma miragem.
   Os tempos estão a mudar e agora quem não for de Malcata e desejar casar com uma moça malcatenha, está livre de pagar o dote de outros tempos. Não há fronteiras, nem portas fechadas com trancas e qualquer pessoa que, venha a Malcata, se vier por bem,
venha ela e mais cinco dos seus amigos.


Caminho Rural para Quadrazais

27/05/2025

A PISCINA DE MALCATA

 

No princípio foi assim em Malcata
                                                                         

   O caso que vos trago aqui é o que diz respeito à praia fluvial. Sim, e bem, a Junta de Freguesia teve a ideia de construir uma praia fluvial. Então porque se deixou a ideia de “praia fluvial” e ser Zona de Lazer? O que falhou? A piscina flutuante foi saudada por toda a gente e até 2019 era a estrela da “praia fluvial de Malcata”.
Deve ter acontecido coisa muito gravosa para desde a pandemia não regressar às águas da albufeira. Aconteceu o que aconteceu e daquilo que eu conheço, ou seja as pessoas da aldeia, lamentam, e com razão, já que a piscina foi abandonada à sua sorte, como as imagens mostram. Ora o que se passa é que, de uma forma resumida aquilo não se trata de uma praia fluvial, mas sim de uma Zona de Lazer, porque o Plano de Ordenamento da Albufeira do Sabugal não permite estruturas sobre as águas naquela área próxima da ponte porque é uma área de protecção
às estruturas e à segurança das pessoas.
   Infelizmente, os habitantes da nossa aldeia não se interessam e delegam todas as decisões e discussões na Junta de Freguesia. Há muitos anos que esta regra está estabelecida na freguesia e ninguém parece preocupar-se, nem sequer se manifestam publicamente do seu descontentamento sobre a forma de trabalhar dos senhores da Câmara e da Junta. Até hoje, todas as minhas análises e todos os alertas que lancei, não deram em nada e não mudou para melhor. E sendo um espaço maravilhoso, que todos elogiam, tudo podia ser diferente com a construção do tão falado e já prometido paredão. Com essa obra feita com responsabilidade,
Malcata passava a desfrutar de um lago com água permanente, as estruturas de segurança da barragem ficariam fora desse lago, logo desapareceriam as restrições e a piscina flutuante podia ser instalada de novo.
   Termino com a publicação de uma das promessas que foi feita publicamente aos malcatenhos em 2021. Leiam devagar e tirem as conclusões.

Promessa de Vítor Proença em 2021


14/05/2025

MALCATA: A PROCISSÃO VAI NO ADRO

                                                               Igreja Paroquial e adro em Malcata
 

   A requalificação do adro penso que é pacífica para a maioria das pessoas de qualquer aldeia. E no caso do nosso adro da igreja paroquial, vai ficar mais amplo, mais desafogado e mais aberto e coloca a nossa igreja mais em harmonia com o espaço envolvente.  Para que isso seja assim, os familiares que eram os donos legítimos da casa que vai ser demolida, por muitas saudades e nostalgias possam ainda sentir, merecem um agradecimento e consideração de todos.
   Quando foi apresentada a ideia da requalificação do adro, todos os que participavam na reunião concordaram e apoiaram a iniciativa. A intenção e as ideias para as obras que ali irão decorrer, devem ser coordenadas por pessoas credíveis e com experiência na área de planeamento e arquitectura. Um dos elementos que vai fazer parte das obras é uma escultura alusiva aos carvoeiros de Malcata. Esse elemento tanto pode ser uma estátua, como até um painel exposto e integrado num suporte, por exemplo, na parede da casa que vai ali
continuar a existir e que tem entrada pela Rua da Ladeirinha. Assim se pode transformar o adro valorizando o património da freguesia. Como sabem, o adro noutros tempos era o palco das festas, da arrematação de bens para as pagar, era lugar de encontro e conversas. Hoje é um espaço vazio, confinado e sem grandes vistas para o horizonte. Tal como no passado, acreditamos que depois das obras,
voltaremos a ter ali um espaço de encontro, de conversas, de manifestações culturais.
   O adro para além do seu símbolo religioso que representa, ao ter melhores acessibilidades das pessoas à igreja, à Casa Mortuária e sanitários, vai também servir de homenagem aos carvoeiros, uma das actividades que tanta dinâmica e importância trouxeram à freguesia.
    O primeiro passo já foi feito com a compra da casa que vai ser demolida. O local já mereceu a visita de uma arquitecta credenciada e bem-conceituada neste género de obras. Depois de reunir com a AMCF e a Fábrica da Igreja, estando presentes todos os membros, incluindo o sr. Padre Eduardo, mesmo debaixo da chuva, fomos visitar o lugar e recolheu informações e imagens, que mais tarde a ajudarão na elaboração do projecto. Falta só dizer o nome da arquitecta que, achamos ser uma boa escolha: Andreia Garcia Rodrigues.

13/05/2025

MALCATA É O REFLEXO DE SI MESMA


  

   Não basta chegar a presidente, a secretário ou tesoureiro da junta de freguesia ou ser membro da assembleia de freguesia. E não basta ir às sessões da Assembleia de Freguesia. Há que fazer mais do que marcar a presença física nas reuniões. É preciso estar motivados para resolver os problemas da nossa comunidade. E entre os vários problemas que hoje enfrentam os cidadãos é a falta de informação nas redes da internet. Não há forma de ignorar a sociedade em que vivemos. Hoje, a internet é o veículo que tem capacidade de levar as boas e as más notícias às comunidades. A ausência das Juntas de Freguesia na internet deve ser motivo de protesto dos cidadãos da freguesia. As instituições políticas e administrativas públicas, como são as autarquias, são mais importantes e mais fortes que as acções dos que exercem os lugares do Poder Local Administrativo, nomeadamente as Juntas de Freguesia.
   A confiança e a transparência são essenciais para garantir que todos se sintam bem representados e informados. Uma Junta de Freguesia é essencial para a construção de uma sociedade democrática, livre e deve construir pontes que aproximem os cidadãos. E nas freguesias como Malcata, a Junta de Freguesia continua a ser uma instituição respeitada por todos. Da mesma forma, quem nela trabalha, está ao serviço dos cidadãos. Na minha opinião, um dos melhores exemplos de confiança na Junta de Freguesia é confiar nas pessoas que se voluntariaram para servir a comunidade. E nunca deve ser banalizada e devia ser
uma preocupação constante manter os caminhos e as pontes ao serviço da democracia participativa.
   A verdade é que em Malcata, e mais precisamente nos últimos mandatos, o que acontece é que se ignora o papel da informação, o valor da transparência e banaliza-se tudo ou quase tudo aquilo que não nasça no berço do poder. Facilmente esquecemos o papel da Junta de Freguesia e até parece que não existem caminhos e pontes que nos permitem viver em liberdade.
   O povo merece ser respeitado e quem governa esse povo tem de se dar ao respeito. Como cidadão e malcatenho não posso aceitar tanta falta de comunicação e informação de interesse geral para quem vive na freguesia e quem vive mais distante. Os valores alcançados com o 25 de Abril de 1974 têm de ser valorizados e praticados todos os dias. 

   Quando é que Malcata tem motivos para sorrir?
   Quando é que em Malcata vamos ter uma Junta de Freguesia empreendedora, sonhadora e cortês, transparente, a governar com empatia e elevação?
                                               
                                                     José Nunes Martins

03/05/2025

O GRANDE APAGÃO

                             


   A vida das pessoas está dependente de muitas interligações e comunicações. Todos gostamos de ver o chão que calcamos, seja de dia ou de noite, num quarto de hotel ou na sala lá de casa.
O que aconteceu, no passado dia 28 de Abril, foi que a luz eléctrica falhou e todo o país ficou em choque, sem electricidade, tudo foi falhando c desmoronando com se fosse um castelo de cartas. Fui à rua saber as razões de não podermos acabar de estufar a carne que eu já havia provado e que ainda precisava de mais cozedura até ficar no ponto rebuçado.
   Portugal estava sem energia eléctrica, quem a tinha é porque estava ligado a um gerador ou carro eléctrico com 100% de carga nas baterias. Os corredores de casa e o WC entrávamos devagarinho aos apalpões até sentir que já nos orientávamos. Os vizinhos, coitados, um casal jovem, que vinha com as sacas cheias de compras do supermercado, olharam para as portas
dos dois elevadores e viram o sinal vermelho, ambos avariados e ali parados no rés do chão. E agora? Perguntaram um ao outro. Sem elevadores, há que ganhar vontade e força para chegar ao 5º Esquerdo Frente. Não tinham outra alternativa e iniciaram a subida sem mais comentários.
    Há muito que não vivia coisa igual, mas se a máquina do tempo pudesse voltar aos anos de 1968, 1969. 1970, em muitas aldeias deste nosso país, que hoje tanto se orgulha das energias verdes, seja produzidas pela velocidade dos ventos e o calor dos raios solares, apagões eléctricos, eram tantos que não têm conta e nem sequer ficaram registados. No Inverno, o frio, a chuva, a neve e o vento forte ou um trovão mais forte, era suficiente para apagar as lâmpadas e nada do que estivesse ligado às tomadas funcionava. Como nesse tempo não havia telemóveis, não havia internet, o povo da aldeia aguardava que a luz voltasse. Estes apagões não eram assim tão assustadores como o do 28 de Abril. As lâmpadas não acendiam e durante o tempo que demorasse a chegar a luz, as pessoas descansavam, sentavam-se ao lume e faziam caraba uns aos outros, iam continuar o trabalho no chão e no pior dos cenários, ao fim do dia quando chegassem a casa, quem sabe a luz já tinha voltado. Os constrangimentos causados pela falha da luz aceitavam-se como normais e até compreendiam que quando estavam os emigrantes na aldeia, o consumo aumentava logo e sobrecarregava a linha que não aguentava, queimava os fusíveis da cabine, a única que distribuía a luz para toda a aldeia.
   Até nestas coisas, nas falhas de luz, quem vive ou viveu numa aldeia do interior do nosso país, foi achando normal isso acontecer.
   Se a luz faltava, a vida na aldeia continuava e tudo ficava igual, só não acendiam as lâmpadas. Muitos nem deram conta que houve um grande apagão, trabalharam como noutro dia qualquer.

19/04/2025

NA PÁSCOA EM MALCATA TOCAVAM AS CAMPAINHAS E OS SINOS:ALELUIA!

 

   O mês de Abril tem sido bastante chuvoso, com ventos fortes nos montes e grande ondulação no mar. Neste Sábado de Aleluia o sol já deu um pequeno ar da sua graça. Agora mesmo, ouço a água da chuva a bater com força nas vidraças das janelas, um final de dia bastante invernal. Para assustar só falta ouvir os trovões.
   Lembra outras Páscoas que passei na aldeia, com muita chuva e relampejos que assustavam toda a gente. Na Páscoa, as pessoas , mesmo as que estavam longe, apareciam na aldeia para assistir às cerimónias religiosas e passar o domingo de Páscoa com a família.
    A Páscoa era antecedida da quaresma e os três dias anteriores ao Domingo da Ressurreição, eram vividos como se estivéssemos a participar num funeral, com cantos e rezas tristes, as pessoas andavam os dias mais recolhidas, com roupas escuras sobre o corpo, de lenço preto na cabeça e xailes pretos, todas as mulheres eram iguais, dificultando imenso saber-lhes os nomes sem falar com elas.
   As minhas lembranças de criança guardo-as como se fossem um filme a preto e branco, das cerimónias dos Passos do Senhor e da Procissão do Enterro do Senhor, que despia por completo o interior da igreja paroquial. Não ficava um santo, todos eram retirados e a luz das velas criavam um ambiente que a mim me metia medo. Detestava o som das matracas, aquilo não era nada bom de ouvir, nada a ver com o som dos sinos, mas o sacristão estava proibido de subir ao campanário, tinha que andar a tocar as matracas, os sinos só depois da missa da Aleluia, a missa da vigília pascal, em que levávamos para a missa campainhas e chocalhos para fazer barulho assim que o senhor prior desse o sinal lá do altar! Aquilo sim, campainhas e chocalhos, sinos e sinetas anunciavam a Vida, a Ressurreição e cantava-se Aleluia, Aleluia.
   Os rapazes, no final da missa de Sábado de Aleluia, corriam para o campanário e esperavam a sua vez de agarrar nos dois badalos e tocar os sinos até dar a vez a outros. O tocar dos sinos da igreja era a forma mais audível de anunciar a Ressurreição, a vitória da Vida sobre a Morte.
   Nas minhas memórias de infância não se encontram cenas da Visita Pascal ou do Compasso. Essa tradição que, é antiga em muitas terras, na nossa aldeia não assisti e penso que nunca fez parte das celebrações da Festa da Páscoa. Mas a propósito do Compasso ou da Visita Pascal, tenho
lembranças de um Domingo de Páscoa em que vesti a batina e com mais dois homens que me acompanharam, durante o dia entrámos nas casas das pessoas desejar boas festas. E lembro-me que o homem da cruz, a certa altura, já o dia ia a meio, saiu-se com estas palavras para mim: “Ó sr. Padre,
tenha cuidado porque pode tombar”. E em minha defesa veio o dono da casa e disse: “Parece-me que ali o Manel Coxo já não se equilibra lá muito bem! Olha se tendes que ir todos ao balão…
   De facto o homem já andava com alguma dificuldade e às vezes notava que ele perdia o equilíbrio, mas ele replicou e disse:
_ Ó Kim, fica tranquilo e descansado porque eu já sou coxo há muitos anos…                          


17/04/2025

AS MATRACAS QUE NOS ASSUSTAM

 


   Malcata já foi uma aldeia cuja população era de pessoas remediadas, viviam daquilo que as suas terras produziam. A maioria da população passava os dias a trabalhar nos campos a que chamavam “chão” e se havia grandes lavradores, com grandes áreas de terra arável, a maioria cultivava pequenas leiras e até as juntas de vacas tinham dificuldade em fazer uma boa sementeira, dadas as pequenas dimensões do “chão”. As famílias mais abastadas precisavam de mão de obra e havia algumas pessoas que trabalhavam aos dias, ou à jorna, por isso lhes chamavam jornaleiros. Estas pessoas trabalhavam para outros porque não tinham terras como possuíam os lavradores.
   Além destas duas actividades, lavradores e jornaleiros, havia muitos pastores de cabras, carvoeiros, carpinteiros, sapateiros, moleiros, tecedeiras, costureiras…
   Hoje as coisas são bem diferentes e a festa que se fazia na Páscoa, por exemplo, vestir roupa nova, é um costume já esquecido. Umas semanas bem antes da Páscoa, as costureiras começavam a receber os pedidos para um vestido novo, uma saia ou um par de calças. O processo começava na compra do tecido nos comércios, na ida à costureira, nas duas provas, como se pode ver, era um processo demorado, mas o importante de tudo, era estar pronto a tempo de o vestir no dia da festa.
   Era assim o dia a dia dos habitantes da aldeia. E sempre que morre alguém, toda a aldeia comenta com tristeza a perda, mostram-se tristes pelo que aconteceu. Então durante a Semana Santa, quando amanheciam os dias a tristeza tomava conta dos rostos e das nossas próprias acções.
      As tradições de Páscoa em Malcata são carregadas de simbologias religiosas. De Quinta-Feira até Domingo, nos meus tempos de meninice e que eu vivia na aldeia noite e dia, a Procissão do Senhor dos Passos e a Procissão do Enterro do Senhor, que acontecia entre a igreja paroquial e percorria as principais ruas da freguesia, destaco aquele momento evocativo do encontro de Jesus “Senhor dos Passos” com a sua Mãe “Nossa Senhora das Dores”, que o pregador convidado, fazia de viva-voz durante uns 20 minutos, pelo menos.
   Guardo ainda na minha memória em que também participava nas cerimónias da Semana-Santa na aldeia. As procissões, as canções e as roupas negras escuras, ainda mais tristeza se sentia no ar, no olhar e falar das pessoas.
   Havia um som que ouvia pelas ruas da aldeia que só acontecia pela altura da Páscoa. O barulho era tão arrepiante que se ouvia ao longe, rompia o silêncio e a calma até dos gatos.
Lembram-se do tocar das matracas? E do sacristão que andava pelas ruas a chamar as pessoas para as cerimónias religiosas na igreja? Como é que as matracas conseguiam fazer tanto
barulho e muito estranho de ouvir? Por muito que o sacristão ensinasse como se deviam tocar, poucos lhe ganhavam o jeito para abanar um bocado de tábua e fazer bater o ferro na madeira.
Como não se tocavam os sinos, era ao som das matracas que o sacristão fazia aquele sacrifício de percorrer as ruas e no fim da terceira volta, o padre dava início às cerimónias na igreja.
   A Páscoa é celebrada em tempo de Primavera, com dias mais compridos, mais quentes, os campos começam a renascer do frio do Inverno, veem as flores, as papoilas e as árvores enchem-se de flores. Também a própria natureza costuma vestir roupa nova.
   Um olhar atento ao que se está a passar na natureza e a participação consciente e de desprendimento, podem ser sinais externos da nossa ressurreição. Basta olhar e captar o que Jesus nos quer dizer com a morte, o sofrimento, a paixão pela vida, pelas flores, pelos sinos a tocar em rebate festivo. Porque a vida na Terra se constrói com coisas simples…alegres e belas também. 
                                                                        José Nunes Martins

15/04/2025

MALCATA À ESPERA DA RESSURREIÇÃO

 


   Tem sido sempre assim. Já várias vezes abordei o assunto. Estamos mesmo
escondidos num buraco entre o castelo do Sabugal e a Machoca. Esta escuridão cerrada a que os malcatenhos estão obrigados por parte do poder autárquico e, neste caso, por parte da Junta de Freguesia, é disso prova. Questiono-me diversas vezes se eles, no fundo, querem mesmo que os malcatenhos, que não vivem na freguesia, permaneçam cada vez mais esquecidos das suas origens. Isto não pode ser e não deve acontecer. Será que sou o único malcatenho a sentir falta de notícias sobre a freguesia e as pessoas malcatenhas? Ou seja, mesmo não o desejando, somos obrigados a viver alheados e afastados da aldeia?
   É que a freguesia vive isolada do mundo e ninguém se preocupa com isso! O isolamento a que está votada deve ser preocupação de todos, dos que aí vivem e daqueles que vivem distantes.
   É incompreensível e até impensável que a nossa freguesia se esteja a deixar morrer desta forma e não ver nem sentir qualquer sinal de revolta, qualquer manifestação de
insatisfação. Quem visita as redes sociais, as páginas oficiais da nossa Freguesia, rapidamente verificará que na nossa terra nada acontece, está tudo na santa paz e harmonia, são um povo satisfeito e por isso, não mudam de vida!
   Isto é preocupante e se o não fosse, eu até brincava com a situação. O que se está a passar é de gente que não quer o melhor para as pessoas da nossa terra. Olham demasiado para os seus umbigos e esquecem que todos temos umbigo.
   O mundo não perdoará o tempo às pessoas. Os dias passam e tal como acontece com as borboletas, acaba mesmo tudo. Será que é isso que querem? Acabar com tudo? Há muito que o Amigo da Verdade, jornal semanal que muitos assinaram, deixou de ser lido porque acabaram com ele. Era o grande elo e informação que o concelho do Sabugal tinha e lia todas as semanas. Tem sido nos arquivos deste jornal que vou beber um pouco da história da nossa aldeia. Era neste jornal que os emigrantes, os soldados, os estudantes e os que viviam na aldeia, que ficavam a par da vida e das pessoas que viviam em seu redor. Nesses anos ainda nem se falava da internet e das suas virtudes. Hoje, a sociedade já não dispensa a internet, tudo se transmite, o bem e o mal nunca andaram tanto nas bocas do mundo. A internet é na verdade uma das melhores e mais rápidas ferramentas para o homem comunicar,
expressar aos outros os seus sentimentos, os seus problemas, os seus êxitos…
   Estamos em época Pascal e Páscoa é sinónimo de reflexão, de renovação, de sofrimento e de muito amor, de um desprendimento daquilo a que vivemos agarrados mesmo que esteja a fazer mal aos outros. As mudanças trazem renovações e ressuscitar é daquelas mudanças que todos queremos…novos sonhos, desejos, projectos, objectivos, caminhos, servir mais do que ser servido…e não precisamos de ser pregados na cruz para tudo mudar e ser diferente. É difícil abandonar hábitos, vícios, desejos, planos, para que os outros sejam mais felizes, mas muitas das vezes e algumas dessas coisas estão mais ao nosso alcance do que nós imaginamos…

09/04/2025

MALCATA: PARA MEMÓRIA DE TODOS

   

Rui Chamusco e Zé Lucas em modo
de concerto à sua maneira.



   Para uma pessoa compreender o presente ela precisa também de conhecer o passado. Por isso, recordar ou observar o que foram durante muitos anos alguns lugares de Malcata, os costumes, as tradições, todas elas e não apenas aquelas que se gostaram ou se defendem agora:

Malcata-dados
- Corela- ACDM- Ribeira- Malhas do pão - Maçarocas de milho – Janeiras…
Festas e procissões-Acompanhamentos – Tabernas – Comércios...
Alcabuz – Raiola – Pião – Boneco de neve…Candeia…Vacas – Cabras…
  
Malcata-dados


   Mesmo que não pareça, sou da Beira, eu nasci na aldeia de Malcata. Os meus pais nasceram também em Malcata, trabalharam na agricultura e sempre estiveram ligados à aldeia, à vida do campo, tempos bem diferentes dos que hoje vivemos. Nos anos da minha infância a aldeia estava cheia de crianças, as pessoas iam e vinham do trabalho, tratavam da vida e ainda tinham tempo para se divertirem. Recordo-me que a vida na aldeia corria com alegria, com o barulho dos carros de vacas, com as galinhas em plena calçada ou mesmo nas ruas de terra batida, que naquele tempo, havia muitas ruas que no Inverno enlameavam os sapatos e no Verão enchiam-nos de poeira.  Eu nasci em Malcata mas, depois, com 12 anos mandaram-me a estudar para bem longe, mais longe que a Guarda e Coimbra, mesmo ao lado do Porto, para Vila Nova de Gaia.
   A aldeia, passados estes anos, está mais triste, já não se ouvem os carros de vacas, nem nas ruas se veem galinhas, cabras ou burros. Estes ruídos davam ainda mais prazer escutá-los misturados com as correrias dos garotos. São as memórias que ainda guardo na minha memória de infância.



Banda da música em dia de festa

  Se não tenho retratos desses tempos é porque não era de família abastada. Infelizmente, as máquinas fotográficas só estavam ao alcance de algumas pessoas. Na nossa aldeia havia algumas, eram pessoas com mais dinheiro, gente trabalhadora, gente boa. E como é que eu sei que tinham máquina fotográfica? Porque encontro muitas fotografias de há muitos anos, são registos dessas pessoas, das suas famílias, das suas vidas e dos lugares por onde viviam e vivem. São verdadeiros tesouros documentais e que muitos contribuem para matar saudades, para hoje as pessoas conhecerem a aldeia onde nasceram, ou os seus pais, avós…eu aqui neste espaço só desejo que quem o lê, compreenda a história da aldeia e das pessoas a ela ligadas e que estejam onde estiverem, têm coração malcatenho.



    



Porquê construir muros 
quando uma corda bastava?





Malcata presente e com ofertas
            
          PS: Quem tiver em sua posse imagens antigas, podem enviar para aqui e terei todo o gosto
                 em divulgar. Enviem via e-mail: josnumar@gmail.com ; por Messenger ou Face Book 
                 em mensagem privada e claro, com as vossas indicações a ditar o tratamento das imagens,
                  por exemplo, indicar os rostos a desfocar ou cortar na foto. Obrigado.

                                                             José Nunes Martins

06/04/2025

MALCATA: AS MINHAS PRIMAS QUE GOSTAM DE BORBOLETAS SEM NOME

 


   Há borboletas muito bonitas, há amarelas, brancas, castanhas, amarelas e castanhas, são tantas as cores que ao olhar para elas e para a sua leveza e beleza, fico em silêncio e atento aos seus movimentos. Dizem que as borboletas vivem pouco, um dia nascem e no fim desse dia, voam para o céu delas. É preciso ser corajoso e querer viver um dia.
   Sabem, tenho umas primas que apreciam muito a vida e gostam de apreciar o reino das borboletas. Gostam muito de viver e encontraram no reino das borboletas o sentimento maravilhoso de amar outras crianças, outras mães e pais. Tal como as borboletas que são corajosas e ultrapassam os problemas que aparecem na vida, as minhas primas amigas de borboletas construíram uma obra e foi a forma encontrada para partilhar o amor de viver alegre e feliz enquanto respiram neste grande jardim que é o mundo.  E a obra está muito bem desenhada, escrita, tem tantas janelas e portas que as borboletas entram e saem quando lhes apetece, é só desejar.
   Ah! Ainda não vos revelei que obra se trata, onde e como a podem conhecer?! Que falta de educação a minha! Se quiserem conhecer ou apenas espreitar pela frincha da porta, vejam por este buraquinho:
https://www.atlanticbookshop.pt/7-aos-10-anos/a-procura-da-borboleta-que-nao-tinha-nome


Malcata-terra das borboletas sem nome !


José Nunes Martins

 

03/04/2025

MALCATA: CARVALHÃO SEM CARVALHOS E SEM VIZINHOS

 

Carvalhos deram o nome ao Carvalhão

   Na nossa aldeia a maioria das pessoas dedicava-se à agricultura e era dos chãos que tiravam o sustento para a família. Como acontecia em todas as aldeias, havia famílias que eram donos de muitas terras e encontravam-se espalhadas por toda a área da freguesia. Possuíam uma ou duas juntas de vacas, um carro de transporte, uma casa de habitação grande e com um bom curral, com lugar e espaço para nele caber tudo e mais não sei quê, desde o carro de vacas, a lenha e o tronco para a cortar, a estrumeira, a cortelha dos porcos, a capoeira das galinhas, flores e até uma cerejeira ou figueira, quando não era uma videira encostada à frente da casa.
   Nesses tempos em que ainda não havia máquinas e todo o trabalho se fazia manualmente ou recorrendo à força dos animais que puxavam a charrua, o arado, a grade e se fosse preciso, até se utilizavam para fazer a nora do poço rodar e encher os copos de água que depois eram esvaziados para a caldeira e depois ia rego abaixo até onde fosse necessária.
    As famílias procuravam formas de combater a falta de máquinas. E a mais comum de todas era aumentar o número de filhos e colocá-los a trabalhar na agricultura. Os mais novos eram mandados a guardar os animais, podiam ser cabras, vacas e o burro, que sem grande esforço físico qualquer criança conseguia levar até aos lameiros e trazê-los de regresso a casa ao fim de umas horas.
                                                



   - “Ó João, está na hora de ir guardar a vaca e as cabras!” – dizia-me a Ti Benvinda, minha mãe, lá do cimo da varanda de casa.
   Olhei para ela e vi que estava a depenar uns feijões que tinha posto ao sol a secar, como estava calor tinha-os espalhado pelo chão da varanda e ali ia ficar sentada na cadeira a depenar feijões. Eu deixei as brincadeiras e lá fui à loja soltar o gado para o levar até ao Ozival, para o lameiro.
   Até que gostava de guardar a vaca e as cabras! A vaca nestas alturas levava uma vida de sonho, saíam para comer e depois de barriga cheia, regressava à loja. Havia alguns dias assim, leves, frescos, comer e beber e deitar a ruminar feno. Talvez a vaca soubesse que enquanto estivesse prenha, não seria junguida para nada, nem sequer para agradear o chão!
   Aquilo sim, era uma vida de trabalho e muito suor, mas as pessoas viviam contentes com a sua vida.
   Aqueles tempos fazem-me pensar na sorte que às vezes precisamos de ter na vida. Por exemplo, morar junto a um bom grupo de vizinhos, normalmente famílias de respeito e bom coração. Essa foi a sorte da minha família: viver ao lado da Ti Cilda e Ti Joaquim António, da Ti Ana e do Ti Domingos, da Ti Ana e do Ti João, do Ti Zé Triste e da mulher da qual não me lembro do nome, da Ti Rosa e do Ti Quim Nita, da Ti Ana e do Ti Horácio, da Ti Dorinda e do Ti João, da Ti Graça e do Ti Manel,  da Ti Lucinda, vivia sozinha, da Ti Delaide e Ti Quim…da Ti Irundina…do meuTi Zé Gravanço…a juntar a estes nomes um rol bem grande de rapazes e raparigas, davam vida ao Carvalhão. Há ainda dois casais vizinhos que não mencionei, nesse tempo que me estou a querer lembrar, estavam as duas habitações vazias durante todo o ano, pois só vinham à aldeia quando tinham “vacanças” e então sim, vinham aumentar o número de vizinhos. E estou a referir-me aos meus tios: Ti Dulce e Ti Zé Pires e ao Ti Felisberto e Ti Cilda Coxa e Carlos e Natália. Todas as famílias se davam bem umas com as outras, ajudavam-se cada vez que fosse preciso.

 
Barreira no Carvalhão

   



   Eram os anos 60, 70 e 80, tempos memoráveis e que hoje é património imaterial das nossas vidas, da aldeia e do lugar do Carvalhão. Os vizinhos do Carvalhão eram mais do que estes, ainda agora me lembrei doutro casal, o homem chamavam-lhe Ti Navalhinhas, perdoem, mas de momento esqueci-me do nome da sua mulher, da Lena, do Ti Firmino e da sua vizinhança, os pais da Marizé casada com o Amadeu. Se agora me lembrasse dos seus nomes…ai a minha memória, às vezes não ajuda. Não levem a mal, são muitos anos a viver longe da aldeia e das pessoas daí.
   Fico à espera da vossa ajuda para identificar esta gente amiga.
   Já agora, expressem a vossa opinião sobre o que leram.
  
  
  
  
Beco da Corela
(Carlos e Natália)



Vizinhos a conversa
(Isilda e Ascensão)

                      

   



02/04/2025

ONTEM FOI O DIA DAS MENTIRAS SUAVES E SEM MALDADE

Malcata escondida

 

   Certamente que os leitores já se aperceberam que a informação sobre os candidatos âs próximas eleições autárquicas não eram verdadeiras, tudo não passou de uma brincadeira do dia das mentiras. Foi só uma pequena provocação (espero que me perdoem a brincadeira ).
  
   Brincadeiras à parte, seria interessante a comunidade da nossa freguesia
dialogasse sobre o tema das próximas eleições, não ter medo de apresentar em público as pessoas que se irão candidatar… e porque não fazer desse dia um dia da Verdade?!



01/04/2025

CHEGA QUER GANHAR EM MALCATA

 



  

 ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS

   Deixo-vos com as notícias sobre as próximas eleições autárquicas no concelho do Sabugal e também da nossa freguesia.
    Chegou-me às mãos a informação que o CHEGA 
vai candidatar Carla Sofia Fernandes à Junta de Freguesia de Malcata. 
   O PSD escolheu Vítor Fernandes, candidato
 que já esteve três mandatos no cargo. 
   E o PS também já tem uma lista formada; 
o cabeça de lista ainda vai ser escolhido
numa reunião marcada para o próximo dia 4 de Abril.