07/07/2026

MALCATA FOI NOTÍCIA NO AMIGO DO SABUGAL

Localização do primeiro nicho de 
Nossa Senhora dos Caminhos, em Malcata

  


   Os nichos dedicados a Nossa Senhora dos Caminhos foram um plano da Mocidade Portuguesa Feminina, lançado em 1962, em Portugal. Este nichos existem por todo o país e marcam a história religiosa e a devoção do povo. E na nossa terra, também se alimentou a ideia que a Senhora dos Caminhos abençoava os peregrinos, os caminhantes, os motoristas e todos os que se deslocavam de um lado para o outro. Geralmente, o nicho situava-se à saída/entrada das povoações, junto a uma estrada ou um caminho, com passagem de muitas pessoas.
  Em Malcata, o projecto nasceu e foi conduzido pelas três professoras que lecionavam as crianças na Escola Primária: Dª. Maria do Carmo Corrais, Dª. Isabel Ramos Barroso e Dª.Dulce Borges Alexandrino. Estas professoras tiveram um papel preponderante, reuniram todas as pessoas, crianças e graúdos, organizaram-se e conseguiram angariar todo o dinheiro necessário para pagar a obra.
  
    O primeiro nicho construído na nossa freguesia era uma obra simples e ao mesmo tempo, rara de encontrar igual. E a sua primeira localização era à saída da aldeia e junto à estrada antiga, a uns 20 metros da ponte velha e foi inaugurado em 1968.

    A Senhora dos Caminhos é uma homenagem do povo de Malcata a Nossa Senhora, traduzindo-se, em simultâneo, num pedido de protecção e amparo para todos os que efectuam os mais diversos percursos pelo nosso país e pelo mundo inteiro.
   

   Na verdade, todos nós somos viajantes emprestados a este mundo, e a intercessão divina de Nossa Senhora constitui uma esperança iluminante dos caminhos que decidimos percorrer.
   Actualmente a organização da festa em honra de Nossa Senhora dos Caminhos deixou de se realizar. Aquela que durante muitos anos, constava como uma das festas da paróquia de Malcata, não tendo um culto muito antigo, pois as notícias da sua inauguração são de 1968, logo não é de crer que seja mais antiga que essa data. Consta na aldeia que a última Comissão de Mordomos da última Festa em Honra de Nossa Senhora dos Caminhos de Malcata, é a fiel guardiã dos dinheiros das festas.
Notícia da inauguração
do Nicho da Sra. dos Caminhos de Malcata
no Amigo do Sabugal

   
Nicho Nossa Senhora dos Caminhos
inaugurado a 07-07-1968








                             







03/07/2026

FESTAS E FEIRINHAS SÓ ENCHEM BARRIGA

 

 A Câmara Municipal do Sabugal contratou um gabinete da especialidade para realização de um estudo sério e aprofundado sobre o concelho. O trabalho foi feito e pago. O problema é que, esse estudo de pouco ou quase nada serviu e apesar dos diagnósticos encontrados, o território continua mais ou menos na mesma, o município continua a dar prioridade a eventos efémeros, dispendiosos q.b., sem a capacidade de deixar valor, marca, riqueza financeira duradoura. Sei de concursos já pagos pelo município a gabinetes de gente trabalhadora, que rabiscaram uma Aldeia de Alzheimer, uma Carta Europeia Para as Terras do Lince, uma Grande Rota, percursos e parques de campismo, mas nada saiu do papel. Começo a duvidar até que alguém se tenha debruçado na leitura cuidada e atenta do que foi analisado e sugerido!
 A visão estratégica esgota-se na realização de mais estudos e projectos de construção de estruturas que, provavelmente, não trarão retorno financeiro para a economia, não são projectos apelativos à fixação de empresas, de pessoas…porque o interesse é que essas pessoas venham passar uns dias em festas, garraiadas e outras realizações de consumo rápido.
 Quando um município apresenta uma conta de --- estamos frente a um problema sério de tesouraria. São mesmo investimentos no futuro ou apenas o pagamento a empresas criadas para entreter o povo com o dinheiro dos impostos que paga?
 Um concelho onde as empresas não têm condições de se instalar, gerar postos de trabalho e riqueza, dizer da boca para fora que as festas foram um êxito e são para continuar, aumentar e gastar ainda mais…
Nestes anos assistimos a eventos patrocinados pela Câmara Municipal. E se não é com o apoio declarado da Câmara, lá aparece uma daquelas “empresas” ou “proxis” do município, que escondidas com outros nomes, são igualmente geridas com o nosso dinheiro. Ou seja, o povo paga sempre, mesmo que não pareça!
 Já repararam que a Câmara Municipal se transformou numa daquelas empresas de entretenimento público? Ainda há dias acabaram as Festas da Cidade 2026, na cidade do Sabugal. Seguem-se as Capeias Arraianas durante o mês de Julho e Agosto, os Festivais Sete Sóis Sete Luas, Bruxas à Solta, Muralhas Com História (Sortelha), Festival Sons do Côa, Sortelha Beijo Sem Fim, Feira dos Santos, Feira das Tecnologias, Festival de Degustação de Carnes e não haverá concurso de Derrube de Obstáculos a Cavalo, porque desistiram da Aldeia Medieval ali para os lados de Roque Amador…o tal Parque Temático, imaginado pelos criativos do município no tempo do António.
 Se não desse para rir… mas não vamos esperar muito tempo para chorar! É que as festas, pagam-se bem e como no castelo não existem recursos materiais, criatividade muito menos, continua-se a alimentar a manada de empresas que não largam a teta, porque para trabalhar basta requisitar os trabalhadores do município, mesmo que o seu trabalho diário fique por acabar. Pois, só que os problemas disto tudo não têm que ver com a disposição e vontade de colaborar, de trabalhar por amor à Câmara, ao presidente ou ao chefe de equipa. Ir trabalhar para as festas todos querem e provavelmente alguns estão sempre à espreita da oportunidade de mudar de tarefa por uns dias e sempre há um tempinho para um pé de dança.
 Mas e o importante? A criação de riqueza? O futuro dos mais novos?
 Por muito grande e bonito fique o palco multiusos, o concelho necessita permanentemente de pessoas, de empresas produtoras de queijos, chouriços, compotas, armazéns cheios de batatas prontas a exportar, talhos e pastores, colmeias e abelhas, vacarias e rebanhos, carpintarias e serrações…porque numa era digital, nem a Inteligência Artificial é tudo!

02/07/2026

FESTA EM HONRA DE SÃO BARNABÉ 2026

 

      MALCATA

  Está oficialmente apresentado o cartaz da Festa em Honra de São Barnabé 2026, na freguesia de Malcata. 
  Com um programa pensado pela Comissão de Mordomos e com o qual pretendem reunir amigos, famílias e todos aqueles que fazem questão de visitar a nossa aldeia na primeira quinzena de Agosto. A aldeia volta a celebrar aquilo que une uma comunidade, dando continuidade a um evento que consegue reunir apoios e vontade. 
  Vai ser uma semana para o encontro de pessoas conhecidas e que não se veem há anos e que se irão encontrar nas diversas actividades da festa. 
  Nesta coisa da festa, tal como acontece em muitas outras coisas, cada cabeça sua sentença. E independentemente de eu e vós gostarmos do cartaz deste ano e do programa, observo que se continua a dizer que é uma festa, em Honra de São Barnabé. Isso não significa que o programa do cartaz tenha tido a colaboração e a aprovação da paróquia ou que a Comissão Fabriqueira tenha interferido na programação dos festejos. A festa dita religiosa, cinge-se a duas referências que vão ter lugar no último dia dos festejos, o dia maior e mais importante da religiosidade popular e estou a falar da Missa Solene e da procissão à volta do povo. 
  Muitos dos adultos lembram com certeza as festas e as imagens veneradas em cada uma delas. A minha memória leva-me aos tempos de se realizarem as festas de Malcata em honra de duas santidades representadas na igreja matriz de São Barnabé: Nossa Senhora do Rosário e Sagrado Coração de Jesus, realizadas alternadamente e quase sempre no mês de Agosto. Nesses anos sessenta, as festas começavam e terminavam com grandes solenidades religiosas e todos os eventos de convívio e diversão vinham depois, não se misturavam e respeitados os horários, tudo decorria na santa paz e harmonia. 
  O trabalho de preparação era distribuído por todo o ano da festa e os mordomos combinavam o dia e a hora de sair com um peditório, onde recolhiam dinheiro, várias coisas que as pessoas queriam oferecer, que voluntariamente se dispunham a doar para o êxito da festa. Também os mordomos preparavam todo o material necessário para as cerimónias religiosas, desde o cuidar dos andores, das imagens dos Santos, das roupas usadas nos altares, círios e outros artefactos que se iam utilizar nas cerimónias. A coordenação e planeamento dos actos religiosos ficavam sob responsabilidade do padre e da Comissão Fabriqueira da Paróquia, que se reunia sempre com a Comissão de Mordomos para acertar toda a programação. Nesses anos, as celebrações religiosas eram vividas com uma entrega que hoje já não têm e não se sentem com tanto fanatismo e rigidez dos rituais. Mesmo as procissões, a Missa Solene, o tocar dos sinos do campanário, eram rituais vividos e sentidos com muita cerimónia e fé no divino. 
  Nos meus tempos de criança toda a gente gostava e tinha um enorme orgulho em participar nas cerimónias da igreja. Todos os anos acontecia a mesma cena na altura da missa de Domingo e metade do povo assistia à missa da festa a partir do adro da igreja. Lá dentro não cabia mais ninguém, mesmo as coxias laterais e o coro, as escadas do campanário e a sacristia, as pessoas ficavam a abarrotar e entaladas como as sardinhas em lata. O importante era estar presente e ser visto pelos outros e outras, todos os sítios serviam para cumprir e não faltar à Missa da festa. 
  Hoje, passados que são mais de cinquenta anos, a igreja continua a ter as mesmas medidas e capacidade de acolhimento, talvez até com menos lugares disponíveis, por causa do espaço ocupado pelos bancos de madeira que antigamente não havia e não havia nem para os padres.
  Actualmente há muitas pessoas que não apreciam e não participam nas cerimónias religiosas e a fé é revelada de forma bem diferente da que professavam os nossos antepassados, familiares, amigos e por que não dizer, os padres. A ignorância e o analfabetismo agravava ainda mais a miséria e a pobreza de espírito e muitos que exerciam cargos de poder e influência na aldeia, beneficiavam com a vida e a organização comunitária, vivendo mais para aumentar benefícios e prazeres particulares e familiares. 
  As festas era o que de melhor havia para entreter o povo, com a festa espantavam os maus espíritos, os maus-olhados e era a melhor receita para espantar a pasmaceira e a "moinice" dos dias de calor.
  Concluo, dizendo que nem tudo o que se fazia e faz é bom e nem tudo agrada a todos. Muito do que disse é baseado nas minhas memórias que procuro descrever o melhor que sou capaz. Hoje, sou um cristão que vive mais distante das práticas tradicionais e religiosas da nossa aldeia, significando apenas e só a convicção pessoal de me sentir cristão livre, não sou fanático mas crente.
  Como bom cristão, não vou cometer o erro de condenar ou desvalorizar o programa das festas deste ano. As tradições e as festas nunca são iguais e o tempo vai-se encarregar de as fazer esquecer e nem vale a pena desejar voltar atrás e condenar quem trabalhou para alegrar o povo. Não, esse erro não vou cometer, mas também não devo condenar os que ainda pensam assim. Vou focar-me no presente e nesta imagem que me assaltou a mente: a felicidade dos cães quando abanam o rabo ao ver o dono, mesmo que só tenham decorrido uns minutos de ausência física. O que lá vai, lá vai!
  Venham à festa de São Barnabé 2026.