02/11/2023

BEBER ÁGUA DA BARRAGEM SEM MEDO

 

Albufeira da barragem do Sabugal

   Na freguesia de Malcata houve uma época em que se vivia numa luta por causa da água destinada às regas. A população para ter água potável em suas casas, tinha de ir encher os cântaros de barro às fontes da aldeia. Uma dessas fontes era abastecida da água que nascia na mina, que foi aberta no sítio das Eiras e custou grandes sacrifícios à população, principalmente aos homens que lá tiveram de trabalhar.

   Uns bons anos depois, o Município do Sabugal construiu a Rede de Abastecimento Público de Água ao domicílio e o saneamento básico. Com a entrada em funcionamento dessa rede de abastecimento, todos os habitantes passaram a ter água própria para consumo humano nas suas casas. Para que isso fosse possível a Junta de Freguesia em exercício nessa altura chegou a um acordo com a Câmara Municipal para que a aldeia passasse a ser abastecida com água proveniente do furo a construir no sítio do Vazão e bombeada para o depósito existente na Rasa. A Junta de Freguesia apresentou as suas razões e o povo aprovou, ou pelo menos consentiu que a nossa água não viria da albufeira da barragem, pois na aldeia havia boas e fartas nascentes, com água em abundância e muito melhor que a da barragem.
   Durante muitos anos Malcata foi uma terra onde não faltava a água. O aumento da população na aldeia, o aumento das épocas de calor, a água passou a faltar nas torneiras lá de casa. Os bombeiros eram chamados para abastecer de água o depósito da aldeia, chegando a fazê-lo duas vezes por semana.  A rede de abastecimento de água de Malcata nem sempre funcionava de igual forma para todas as zonas da freguesia. Algumas pessoas, que vivem em lugares mais altos, passaram anos sem uma gota de água nas torneiras e não tinham ligação ao saneamento básico. A Câmara Municipal justificou esta situação irregular porque os proprietários tinham assinado um documento. Para que o sistema funcionasse na perfeição também foi necessário construir uma ETAR ( Estação de Tratamento para as Águas Residuais) tendo sido escolhido o lugar do Vazão.
   Desde que a Rede de Abastecimento de Água Pública foi aberta,  já passaram passaram alguns anos. Desde que isso aconteceu, já se registaram algumas faltas de água e uma das maiores operações de melhorias no abastecimento foi realizada em 2021, com a entrada em funcionamento de dois grupos de bombas que estão a garantir uma pressão mais precisa e que veio melhorar a circulação da água e finalmente todos têm água em casa.
   Há dois dias, com data de 31 de Outubro, li um aviso do Município, dirigido aos cidadãos residentes em Malcata, alertando-os para redobrar os cuidados na utilização da água fornecida pela Câmara Municipal. E nos meus ouvidos soaram alguns alarmes e que pensei úteis num futuro próximo. É mais que sabido que a nossa aldeia tem direito a um serviço de abastecimento público de água própria e segura para consumo humano.
   A pergunta que tenho para fazer é esta;
   Porque Malcata ainda é abastecida com recurso a um furo e a um depósito em vez de ser fornecida água de qualidade com origem na albufeira da Barragem do Sabugal?
   A freguesia esteve tantos anos à espera da rede de abastecimento e quando chegou em 2008, eu acreditei que seria um benefício para todos poder ter tanta água, que depois de tantos incómodos e sacrifícios passados, que a aldeia teve de passar, o mínimo era passar a receber água com qualidade,  tratada devidamente,  respeitando todos os parâmetros que a lei exige e poder beber com confiança, era mesmo a cereja no topo do bolo da festa. Infelizmente esse meu pensamento estava enganado e a notícia que divulguei aqui  
 https://aldeiademalcata.blogspot.com/2007/12/qual-melhor-gua.html
vinha a confirmar isso mesmo.

   Hoje ainda estou à espera de colocar a deliciosa cereja no bolo e celebrar com os malcatenhos a ligação da Rede de Abastecimento Público de Água de Malcata à Rede Pública de Abastecimento de Água ao concelho do Sabugal e a outros concelhos vizinhos. Seria a melhor cura para todos. Quem se atreve a responder à pergunta que fiz?
                                                                             
                                                      José Nunes Martins
  

  

 










 



14/10/2023

CEGOS, SURDOS E MUDOS

 






   A aldeia de Malcata à medida que cresceu as casas foram-se espalhando por cabeços, moitas, tapadas e barreirinhas? Se virmos a aldeia do alto ficamos com essa sensação. As pessoas quando se casavam, procuravam arranjar casa. Os primeiros habitantes começaram por ocupar os espaços mais próximos uns dos outros e com o crescimento do número de pessoas, as ruas começaram a ligar-se umas às outras, mantendo o nome que já lhes chamavam a esses sítios. A rua da Ladeirinha, rua da Moita, rua do Cabeço, Rua da Barreirinha, Rua da Tapadinha, Rua do Carvalhão. Todos estes nomes são os próprios topónimos pelos quais o povo os conheceu e conhece hoje? Tudo leva a crer que assim foi e manteve-se durante muitos anos.
   Geralmente as igrejas das aldeias portuguesas desenvolvem-se em volta da Igreja Paroquial ou alguma capela. No caso da aldeia de Malcata isso não aconteceu e continua a não aumentar a edificação à volta da igreja Matriz, nomeadamente nos terrenos que se situam atrás da sacristia. Eu só encontro uma explicação para esta singularidade da nossa aldeia, que muito cresceu e em contraposição aos costumes das outras terras, não se constrói nos campos que estão ali ao lado. Esses terrenos, chãos e lameiros, eram de boa terra para a agricultura e para o pasto dos animais. Por ali me lembro de ver bons campos de batatas, de milho, de centeio e verdejantes pastagens, lameiros como lhe chamamos na nossa aldeia. Esta característica relacionada com a qualidade das terras e o tipo de ocupação, terá sido tão forte que ninguém ousou construir por ali uma casa para morar? É uma particularidade que se pode constatar quando por ali alguém passar, à esquerda e à direita um vale extenso e plano, subdividido em campos delimitados por muros e arvoredo.
   Outra estranheza e particularidade da malha urbana da nossa aldeia e no que respeita ao nome das ruas, estranhamente, não existe uma rua com o nome de rua da igreja ou rua do cemitério. Mais um motivo para pesquisar as ruas da aldeia, que infelizmente,
a cada ano que passa, aumenta o número de casas vazias, acabando por ir caindo aos poucos. Algumas já foram recuperadas e outras ainda estão a ser.
   Aqui há que fazer uma pausa e perguntar se aquilo que não vemos ou não ouvimos falar não existe? Muitos dos habitantes da aldeia passam todos, ou quase todos os dias, numa determinada rua ou beco. Caminham lestos ou devagar e só olham para a frente e nada de distrações. Eu sempre que caminho pelas mesmas ruas e becos, olho em todas as direcções e por vezes, vejo cada fenómeno!  Desde mamarrachos, telhados que já não abrigam nada, paredes “grávidas” e outras sem barro e com pedras soltas, uma casa vazia, com portas e janelas entreabertas e a cair de podridão, muros de cimento colados às paredes de pedra de xisto, outros muros pequenos, que não descansaram até se encostar às pedras de granito trabalhado e que passaram de elemento principal a pedras vulgares, sem importância nenhuma, esquecendo que antes do muro e do cimento, já elas, as pedras, embelezaram o sítio. Quem as abandonou e as despromoveu continua a não se interessar por lhes dar uso, devolvendo a importância e o respeito que elas merecem e o património comum exige.
   Acreditem, se houvesse o prometido orçamento participativo, uma das ideias que eu sugeria seria a compra de alguns pares de óculos para os autarcas da nossa freguesia e fazer aprovar uma regra de obrigatoriedade do uso desses óculos, no mínimo, uma vez por mês, quando o trio fazia a verificação atenta do estado da coisa comum em Malcata.
   PS: Esta é uma opinião pessoal. Qualquer situação aqui retratada é pura imaginação minha e se alguém pensar que lhe diz respeito, é uma simples coincidência.

                                                     José Nunes Martins
                   

 

 

 

      

 

 

 

 

 

 

11/10/2023

A ENERTECH - Sabugal 2023 - PORQUÊ ?


 

ENERTECH-1ªEdição-Secretariado


   Hoje a marca ENERTECH-Sabugal é conhecida no nosso país de norte a sul e em algumas províncias espanholas. A Enertech-Sabugal é uma feira anual realizada no concelho do Sabugal, tendo como tema principal as Energias. Felizmente guardo boas memórias da primeira edição, a original feira da energia que provém da biomassa florestal. Esta feira partiu da iniciativa do engenheiro José Escada da Costa, pessoa formada e com grande experiência na área da biomassa, com funções de gestão de importantes empresas nacionais. 
   Quantas vezes nós não somos traídos pelas nossas memórias quando revisitamos as imagens das duas primeiras edições! Foi a Visão e a Estratégia que levou o engenheiro José Escada a apresentar ao executivo camarário a ENERTECH-Sabugal e nela participou activamente como especialista na área e nos conhecimentos das entidades nacionais mais influentes no mercado da biomassa. Sei que muita gente pensou que seria uma ideia sem sentido, sem qualquer interesse, com fim anunciado à nascença. Felizmente aconteceu que o engenheiro teve uma ideia boa e ainda hoje por aí anda, apesar de alterações feitas sem a concordância do principal visionário, pois a biomassa dilui-se em demasiadas fontes de energia também ditas verdes. Mas essa discordância não justificava o que se seguiu após a 2ª edição da ENERTECH. Ainda bem que há documentação, protocolos assinados entre a AMCF, Câmaras Municipais...em sessão pública realizada na ENERTECH e que hoje o executivo do Município do Sabugal ignora e ainda mete na gaveta um dos primeiros parceiros desta feira e que agora, a Câmara Municipal e a sua empresa satélite ADES, simplesmente despreza, ignora e apoderando-se completamente da ideia como se destas duas entidades tivesse saído. Nem sequer no filme de promoção da ENERTECH 2023 existe um segundo em que seja reconhecido o trabalho do passado. Fica aqui registado o meu protesto pessoal, não pedi sequer licença para o fazer, porque isso nunca é o meu sentir e forma de pensar. Se alguém devia ter vergonha na cara pela atitude assumida conscientemente, eu sei e eles também sabem quem são, pois trabalham todos para o mesmo "Dono" vaidoso, de semblante altivo e dominador, sem sequer se dignar respeitar a competência, o trabalho, a entrega, o tempo e a visão do bem comum. Hoje se a ENERTECH tivesse sido uma "ideia" má, não se estava ansioso para abrir as portas da feira de 2023 e uma simples tenda de "mercado" chegava para iludir o cidadão.
   Para uma verificação e confirmar o que escrevo, basta consultar a página oficial do Município:

                                 https://www.facebook.com/sabugal.concelho
                                        
                                               ... e da AMCF:

                                 https://www.facebook.com/malcatacomfuturo



                                                                                  José Nunes Martins