7/09/2010

MALCATA : 45 ANOS DE LUZ

Luar em Malcata

Vamos recuar no tempo e recordar Malcata há 45 anos atrás. Em Julho de 1965 estava eu a chegar quase aos cinco anos de idade. Daí até hoje muita coisa se alterou na aldeia. Outras, graças a quem vive na aldeia, continuam como eram, como o ouvir os sinos da igreja e da torre do relógio.
Com a persistência do senhor Manuel Fernandes Varandas ( Ti Varandas ),Malcata celebrou a chegada da electricidade. Foi a 13 de Julho de 1965 que as lâmpadas se iluminaram e houve festa por toda a aldeia. Até então, as casas eram adornadas de candeias de azeite e petróleo, ou umas velinhas de cera...candeeiros de vidro, com um pavio que ficava embebido no petróleo e que subia. Acendia-se com um fósforo, encaixava-se a chaminé e iluminava a sala, a cozinha ou qualquer divisão interior das habitações. As candeias a petróleo, eram penduradas num sítio alto, normalmente num prego espetado na parede e davam luz para todos.
As ruas da aldeia eram iluminadas pela luz da lua ou das "pilhas" (lanternas) alimentadas com pilhas rectangulares ou redondas de 1,5 Voltes. Era nas noites de luar que a Lua se sentia orgulhosa e não havia vela, candeeiro de petróleo ou candeia que lhe retirasse o seu encanto.
Mesmo depois da electricidade ter chegado a Malcata, ainda demorou muito até que todas as pessoas acedessem aos seus benefícios. Só os mais abastados tiveram essa sorte. Os comércios da terra e as tabernas foram dos primeiros a deixar de acender candeeiros e candeias. Vieram as primeiras televisões, os frigoríficos, os rádios,etc. .A vida mudou muito, mas não tanto assim.
Dizia Eça:
"Na cidade nunca se olham, nem se lembram os astros - por causa dos candeeiros de gás ou dos globos de electricidade que os ofuscam. Mas na serra, sem prédios disformes de seis andares, sem a fumaraça que tapa Deus, um Jacinto, um Zé Fernandes, livres, bem jantados, fumando nos poiais de uma janela, olham para os astros e os astros olham para eles.
- Ó Jacinto, que estrela esta, aqui, tão viva, sobre o beiral do telhado?
- Não sei...E aquela, Zé Fernandes, além, por cima do pinheiral?
- Não sei!" 

 in "A cidade e as serras", Eça de Queirós, Edição de bolso, Jn, pág.103.   

Vale a pena pensar nisto!

7/05/2010

A CULTURA MAL TRATADA NA GUARDA

O concerto "Naturalismos" do passado dia 27 de Junho de 2010 vai ficar para a história cultural da Guarda. A Fundação Borboleta Azul de certo que não estava à espera que a sua iniciativa fosse boicotada da maneira como foi. Como dizia a publicidade, se todos tocássemos as vuvuzelas, ouvir-se-iam na África do Sul. O assunto é demasiado sério para deixar cair no ridículo e  no esquecimento.
A cultura na Guarda pode regredir aos tempos dos regedores e dos  políticos pós 25 de Abril, que mudam de partido conforme as circunstâncias lhes são mais favoráveis.
O Teatro Municipal da Guarda, festejou o seu 5º aniversário há pouco tempo. Nestes cinco anos o TMG, sob a direcção do senhor Américo Rodrigues, conseguiu abrir portas e janelas, criando espaços aos criadores. Hoje, a Guarda é falada, lida e visitada por gente que deseja conhecer os trabalhos apresentados no TMG.
Manuel Poppe, escreveu ontem, no Jornal de Notícias, uma crónica a que deu o título "A GUARDA EM PERIGO". Vale a pena lê-la:


 A GUARDA EM PERIGO

"O Teatro Municipal da Guarda festejou, há dois meses, o seu quinto aniversário. O TMG é o pulmão da cidade. A referência. A garantia de um futuro emancipador, a soltá-la do velho reaccionarismo. O TMG, pela mão de Américo Rodrigues, trouxe à Guarda o que de melhor tem a Cultura – música, bailado, pintura, teatro. Organizou seminários, encontros. Abriu portas e espaços a quantos buscam avançar, ir além, sair da rotina castradora. Atraiu a juventude, facultou-lhe meios de que jamais pudera usufruir. Se a riqueza de um burgo depende da riqueza da identidade, o TMG é, no dinamismo, a garantia do perfil corajosamente ambicioso da Guarda. Eis que o presidente de uma das freguesias do distrito - Aldeia Viçosa  - , que já reagira violentamente contra um concerto organizado pela Fundação Borboleta Azul, situada na sua “jurisdição”, eis que o homem, alérgico a toda a cultura além da vuvuzela, traz, à Assembleia Municipal, a proposta de reduzir, em 20% (30%, em 2011), exclusivamente o subsídio do TMG. Américo Rodrigues assistiu ao referido concerto e insurgiu-se contra a atitude do exaltado de Aldeia Viçosa. Explicará isso a proposta e aceitação? A verdade é que ela foi seguida. A Assembleia, onde o PS detém a maioria, não só aceitou considerar a proposta descabida, como a aprovou, apesar de socialista a Câmara que atribuiu ao TMG a verba em discussão. Na Assembleia Municipal, aprovou-se, uma “recomendação”, dado que só o Presidente da Câmara pode decidir nessa matéria; mas, e é gravíssimo, a atitude traduz o pouco ou nenhum respeito pela acção importantíssima do TMG. A crise não se resolve engavetando a Cultura".
Autor: Manuel Poppe, in Jornal de Notícias, de 04/07/2010

6/26/2010

MALCATA: PLACA VANDALIZADA

   Esta placa está situada logo a seguir à ponte, mesmo à entrada de Malcata. É fácil de entender que tem que ser reparada e corrigida e então sim,  informar a quem por ali vem "Bem Vindos à Freguesia de Malcata" ou
 "Bem Vindos a Malcata".
  É que "Benvindos" não existe sequer na língua portuguesa e, muito menos, nos dicionários. Se Malcata quer informar que os que chegam são recebidos com prazer, com agrado e satisfação, devemos escrever "Bem Vindos".