O começo de um ano é
sempre propício para escrever desejos, sonhar com metas e objectivos que
queremos alcançar. Ainda podemos olhar para trás, recordar o que vivemos e o
que fizemos ou interrogarmo-nos sobre o que ficou por fazer.
AO longo de 2025, a nossa freguesia como
se afirmou no concelho a que pertencemos? Houve festas, tradições e eventos na
aldeia? Houve reuniões, assembleias, discussões e discursos? E de tudo o que
houve de importante e que mereceu a nossa presença, o nosso reconhecimento, que
impacto realmente teve tudo isso na vida das pessoas, da nossa comunidade
malcatenha? O que sobressai e que se voltou a confirmar?
Seria injusto entrar no novo ano sem ter um
tempo para olhar para trás, para o ano velho que terminou ontem. Até porque no
ano de 2025, também aconteceram muitas coisas positivas. Começa a ganhar vida a
ideia da transparência, da informação e da valorização dos projectos comuns da
nossa freguesia. Há sinais concretos de trabalho realizado e do muito que ainda
há para fazer. Mas ainda faltam debates e partilhas de propostas que mostrem
mais clareza, mais proximidade das pessoas. E em 2026, um dos desafios a
alcançar é não deixar que as boas intenções se fiquem pelos caminhos e veredas
e se percam com o deslumbramento pessoal.
A nossa freguesia para ter vida própria
e catalisadora não pode continuar numa lógica do “logo se verá”, quando chegar
a altura de informar, todos saberão como estão as coisas, ou ainda, continuar a
planear e a mandar fazer e depois da obra feita anunciar que foi a freguesia
que fez, porque isso não é verdade…
Entrar em 2026 é muito mais que passar
pela porta de entrada da casa e fechar a mesma porta para esquecer o passado
que acabámos de viver.
Entrar no novo ano é muito mais do que
virar a última página do diário 2025. Celebrar o novo ano 2026 é o primeiro
grande passo. E ao mesmo tempo que celebramos, comecemos a cuidar do novo ano
desde a primeira hora.
No primeiro dia do mês de Janeiro, do ano
de dois mil e vinte e seis, desejo aos leitores que 2026 seja um ano cheio de
coisas boas, mas também cheio de boas escolhas, de bons projectos novos,
confirmação do fim dos já prometidos e que as relações humanas, sociais,
políticas e religiosas nos aproximem como comunidade.
Mais do que um blog, um legado e um cantinho dedicado à preservação da memória coletiva de Malcata, das tradições e costumes e ofícios antigos. Um ponto de encontro para naturais, descendentes e apaixonados pela aldeia que moldou as nossas vidas.
Pesquisar:
01/01/2026
JUNTOS SOMOS MAIS FORTES
25/12/2025
NOITE DE NATAL INESQUECÍVEL
Nos meus silêncios
continuo a ouvir a sua voz, as suas mãos que tantas vezes me ajudaram a
levantar do chão, lavaram a cara e me acariciaram o coração. Nos seus últimos
dias, eu vi-a a perder as forças que sempre mostrou ter durante a vida. Mulher
com fé e com doçura no olhar e na forma como via o mundo, carinhosa com todos e
sempre confiante em cada manhã. Nunca deixou de ser a pessoa que era e nunca
escondeu de onde veio. Lembro-me das pequenas coisas que me faziam sentir um
filho amado, falava com simplicidade com todos, fazia o bem ao próximo e nunca
esperava nada em troca. Amava sem precisar de olhar para a cor da pele ou raça,
queria só fazer o bem e aquecer o coração das pessoas.
Lembro-me da fé que professava, a
bondade e a doçura, o interesse em trabalhar, respeitava a lei do descanso e ia
muitas vezes à igreja para rezar.
Que eu saiba honrar os seus ensinamentos
e ser bondoso como ela foi. É a forma que melhor me dá certezas de o seu
espírito me estar a acompanhar.
João
23/12/2025
A FOGUEIRA DO NATAL
A noite de
24 está a poucas horas de acontecer. Vou fazer mais uma viagem na máquina do
tempo e contar-vos como se vivia a época natalícia na nossa aldeia,
quando eu era criança.
As minhas filhas não faziam ideia que
era assim e não acreditavam, que as prendas eram mais simples, não havia
telemóveis, jogos ou computadores como hoje o Pai Natal traz às crianças. As
prendas, eram deixadas no sapatinho que as crianças deixavam junto à chaminé e
havia que deitar cedo para acontecer a magia e o Menino Jesus descesse pela
chaminé com as prendas. No Natal, para além das prendas, dois ou três dias antes, os rapazes juntavam-se e iam à procura da madeira para a fogueira de Natal. Procuravam os troncos dos castanheiros velhos, que juntamente com outra lenha como o carvalho e as giestas, a fogueira dificilmente se apaga e fica toda a noite em brasas. A madeira era carregada nos carros de vacas e transportada até ao adro da igreja. Só na noite de 24 é que lhe deitavam fogo, e dava para aquecer o Menino Jesus deitado num berço de palhinhas. A fogueira é uma tradição muito antiga e ainda hoje é feita e só arde na noite da consoada, horas antes da missa do galo. No final da missa, as pessoas juntavam-se à volta da grande fogueira e todos entoavam as tradicionais cantigas de Natal, acompanhadas com os tocadores de concertina.
Com o avançar
da noite, os rapazes aproveitavam para assar e comer umas chouriças e pão que
as pessoas tinham oferecido durante a tarde, como forma de agradecer o trabalho que tiveram e manter viva a tradição da fogueira de Natal.
As noites de Dezembro são sempre frias e
depois de barriga satisfeita, a alegria continuava pelas ruas da aldeia. Os
rapazes, acompanhados dos tocadores de concertina, percorriam as ruas da nossa
aldeia a cantar e a desejar as boas festas.
Para saber mais:
https://aldeiademalcata.blogspot.com/2018/12/malcata-fogueira-de-natal-esta-perder.html
É NATAL E FESTA
BOAS FESTAS PARA TODOS
22/12/2025
O JOÃO MOSTROU COMO SER AGRADECIDO
![]() |
| Alegria no Lar |
Há uns dias, aqui nas redes sociais, li que logo pela manhã, ia andar pelas ruas da nossa aldeia um senhor à procura de qualquer coisa, queria conhecer a aldeia e as gentes que nela vivem. Esse senhor andaria acompanhado por câmaras de televisão que gravariam tudo e todos os que andavam na rua. Na página oficial da autarquia, a mensagem era mais um convite à população para nesse dia 19, com chuva e frio, se juntassem porque “precisamos de mostrar ao João que ainda existe vida nas aldeias do Interior do País e na nossa em especial”.
A mensagem/convite foi para as redes sociais no dia 13 e imediatamente começaram a partilhar, acabando por cair na minha página pessoal.Ui! O que se vai passar na terra? Deixa-me cá ver…
Li e reli a publicação.
Depois da primeira parte da mensagem, continuei a ler que na freguesia havia que mostrar “gente bem-disposta, alegre e com a garganta afinada, para desafiar o João a cantar uns cânticos natalícios. Contamos com todos”.
Portanto, a freguesia tinha que mostrar ao ilustre visitante uma aldeia de sonho, imaginária e onde se vive de cara alegre, há gosto e
interesse pela música coral, seja de índole religiosa ou popular.
E lá aconteceu o que tinha pensado a equipa de apoio da Casa Feliz: o João feliz e sempre bem-disposto a mostrar o forno do Rossio e depois as deliciosas filhós feitas na Corela, ali ao lado do Carvalhão.
Não estive a ver o programa em tempo real. Só mais tarde me sentei e graças à tecnologia da NOS revi a reportagem. O João é mesmo um homem querido por todos, então aqueles afectos e carinhos que mostra com os idosos no lar, é mesmo ternura e amor ao próximo. Pessoa muito alegre, muito extrovertida e todos sentem que aquele artista é uma pessoa com alma, com coração aberto e é Natal, verdadeiramente Natal.
Ele, o João mostrou aos malcatenhos o que é ser/ estar bem-disposto, alegre, com sorriso nos lábios e ainda canta e encanta os Traquinas da Concertina que também animaram a festa.
20/12/2025
O NATAL NÃO É COMO O HOMEM QUER
“O dia 25 de Dezembro não celebra o aniversário histórico do nascimento de Jesus de Nazaré. Foi a Igreja de Roma que fixou esta data como réplica pastoral à festa solar pagã do Natalis Invicti, festa de Inverno no Hemisfério Norte.
Foi uma bela astúcia. Procurava
destronar a heliolatria, o culto ao sol, pela celebração do nascimento de Jesus
Cristo, o verdadeiro Sol Invencível, a luz da justiça e da graça.
Se o Natal é decisão romana, a Epifania,
a 6 de Janeiro, é de origem oriental: celebram ambas a mesma realidade, a
manifestação do Deus humanado”.
Frei Bento Domingues O.P.
Desde crianças que todos nós somos levados a gostar do Natal, seja pelas prendas, pelos almoços da empresa, da distribuição de subsídios, da entrega de cabazes alimentares, festas de Natal com desfiles, comboios, animações, iluminações, mercados e feiras, divertimentos gratuitos…das boas refeições em casa com a presença da família, das batatas e do bacalhau, rabanadas, filhós, sonhos e aletrias, creme e muitos bolos, mais o bolo-rei, o bolo rainha, o bolo escangalhado…
A vida dá tantas voltas que os anos vão correndo e o Natal deixa de ser tão especial como era quando tinha menos de 10 anos. O Natal não desapareceu e quero conservar um pouco do espírito do Natal da minha infância.
A 25 de Dezembro foi quando a minha mãe faleceu, estava internada no Hospital da Guarda e partiu por volta das 20h, a confiar nas palavras que ouvi no telefone da extensão 1481 do Hospital de São João, no Porto. Aguentei a perda, escondi a dor e as lágrimas até à meia-noite. Era dia de Natal e as enfermarias estavam cheias de homens a precisar de cuidados de saúde e palavras de conforto. Não aguentei mais e depois da primeira ronda pelas enfermarias, simplesmente desabafei com a equipa de enfermagem e
num gesto de solidariedade e carinho, convenceram-me a ir para onde tinha que ir e estar. Mais, asseguraram que fosse em paz e com coragem para viver o acontecimento, eles, os enfermeiros(as), tratavam dos doentes e do que fosse preciso. Nunca vou conseguir pagar-lhes este gesto. Foram uma espécie de anjos que vieram ao meu auxílio e me ofereceram o que outros poderosos se recusaram a dar. Nesse Natal de 25 de Dezembro não dormi e não dormiu ninguém em nossa casa, partimos de noite e antes do amanhecer, chegámos junto do lugar onde a minha mãe se encontrava. Um frio de me fazer tremer, mas também a certeza da tranquilidade e paz em que a minha mãe estava.
O Natal é igual todos os anos, mas também cheio de contradições e é uma festa desgastante, mesmo que para muitos seja uma quadra de forte angústia.
É assim que eu sinto o Natal de 2025, um Natal mais familiar, com a família.
19/12/2025
ASSEMBLEIA DOS COMPARTES DE MALCATA
Os baldios de Malcata, contam com uma Assembleia de Compartes.
Graças ao acordo, aprovado em reunião de
assembleia de compartes,
as competências relativas ao Conselho Directivo dos Baldios, ficou sob a
responsabilidade da Junta de Freguesia de Malcata.
As Assembleias de Compartes são
convocadas, através de Edital, pelo Presidente de Mesa da Assembleia de
Compartes. Até aqui tudo bem e normalidade total.
É preciso deixar claro que, não é pelo facto da Junta de Freguesia, através do seu executivo, ser responsável pela administração dos baldios, não se tornou proprietária de todos os baldios e não deve apoderar-se dos rendimentos que os baldios têm, nem fazer alterações, investimentos ou distribuição de sobrantes da floresta, sem que previamente obtenha autorização da Assembleia de Compartes. Não compete à Junta de Freguesia e nem à Assembleia de Freguesia tomar decisões de execução nos baldios, sem antes haver uma deliberação por parte dos compartes reunidos em assembleia.
Está marcada para este mês de Dezembro a Assembleia de Compartes. Tenho pena de não poder estar presente nessa assembleia porque tinha algumas perguntas para esclarecer e também sugestões a apresentar.
Como comparte, gostava de saber como se encontra o Caderno de Recenseamento dos Compartes da Freguesia de Malcata, actualizado de preferência;
Outra informação, que interessa a todos é: saber qual vai ser a previsão de receitas para o ano de 2026?
No orçamento e no plano de actividades 2026, que vão apresentar à assembleia para deliberar e votar, gostava de fazer uma sugestão:
- Distribuição de sobrantes (lenha) aos compartes:
a lenha resultante da limpeza e desbastes executados pela Equipa de Sapadores Florestais, se procedesse a uma distribuição gratuita aos compartes mais idosos e mais necessitados de apoio. Com um limite a uma inscrição por casa, havendo necessidade de inscrição prévia, destinado a compartes com mais de 65 anos. A inscrição a fazer no Conselho Directivo (que é a Junta). E a acção, seria a entrega de lenha na casa dos compartes inscritos, começando pelos mais idosos.
Distribuir lenha aos mais idosos e carenciados, para além de ser um apoio social, é uma ajuda na própria retirada dos ramos e sobrantes das limpezas das florestas, dos baldios nomeadamente.
Trata-se de uma daquelas acções que se enquadram nas próprias funções e objectivos sobre o papel dos baldios e é também um gesto de solidariedade que fortalece a união dos cidadãos, no caso, a comunidade dos compartes.
Termino com o desejo de Boas Festas.
SABUGAL NATAL A QUE CUSTO?
Todos sabemos que as festas não são gratuitas! Todos adoram ir visitar o Presépio Natural que a Câmara Municipal do Sabugal (e bem) vem construindo estes últimos anos por altura do Natal.
Para os que quiserem consultar os valores que o Município do Sabugal diz ser “investimento”, podem aceder ao Portal Base, local onde o Estado Português centraliza todos os contratos públicos de iluminação e eventos de Natal.
Se há Câmaras que podem pagar 749.500 euros (Lisboa),
Braga com 450.000 euros, Matosinhos gasta 307.000€,
Santarém destinou 300.000€…
Quanto gasta o Sabugal?
Consulte aqui:
Algum comentário?
MALCATA: ALDEIA DO PÃO, DO QUEIJO E DOCES
Estes são três dos produtos gastronómicos que durante muitos anos
identificavam a riqueza gastronómica da aldeia de Malcata:
![]() |
1. O Pão de Forno a Lenha |
![]() |
| 2.O queijo de cabra |
Quando a coalhada alcançava o seu ponto, com a ajuda da francela e do acincho, a queijeira retirava o leite coalhado da panela e deitava-o dentro do acincho que antes tinha posto em cima da francela. Com as mãos ia calcando a coalhada e esse gesto de pressão, fazia com que o
soro líquido saísse pelos furos do acincho de lata, escorrendo pela francela até cair dentro do recipiente colocado no seu devido sítio.
O processo de fazer o queijo era todo feito manualmente e sem pressas. O queijo é uma delícia quando ainda está fresco, mas para algumas pessoas, depois de curado e bem seco, o queijo de cabra duro, rijo como uma pedra e com um cheiro intenso, é qualquer coisa de sublime e simplesmente uma experiência única.
toda a gente aprecia esta singela forma de juntar água, farinha, ovos e açúcar, tudo batido com amor e carinho para mais tarde saborear.
O seu nome "esquecidos" vem da forma como se coziam no forno a lenha.
Depois de cozido o pão, para se aproveitar o calor do forno a lenha,
as mulheres espalhavam a massa, com a ajuda de uma colher, numa chapa lisa e salpicada com farinha e colocavam-nas dentro do forno ainda quente, deixando-os "esquecidos" a cozer lentamente.
Boas Festas
17/12/2025
O NATAL NÃO ESTÁ CANCELADO
A Comissão de Mordomos
das Festas de Malcata 2026 cancelou o Jantar de Natal previsto para o próximo
dia 20 de Dezembro.
Em publicação divulgada na página Festas
Malcata, os mordomos justificaram esta decisão com a baixa adesão nas
inscrições.
Nessa mesma publicação, a comissão de
festas acrescenta que “contamos com o apoio e compreensão em futuras
iniciativas”.
Terminam agradecendo a todos os que
demonstraram interesse e se inscreveram.
O mês de Dezembro é um tempo cheio de
eventos, seja jantar ou almoço de Natal das empresas, das instituições/associações.
E tanta quantidade de realizações festivas ou de angariação de fundos, por
vezes torna difícil que as pessoas participem em todos. E ainda, quando é para
pagar, sabendo as pessoas que existem outras realizações gratuitas, mesmo
quando se trata de jantar de angariação de dinheiro para a festa, optam pelo
mais barato!
O cancelamento do Jantar de Natal que a
comissão de mordomos das Festas de
Malcata não é um fracasso dos mordomos, mas consequência das
circunstâncias e das dificuldades das pessoas em marcar presença em todos os
eventos.
![]() |
| Jantar de Natal cancelado |
Não vai realizar-se o jantar, mas houve
iniciativa e trabalho que deve ser reconhecido. Há que seguir em frente e tomar
outras iniciativas com o mesmo objectivo. Mostraram ter vontade de fazer alguma
coisa pela própria freguesia e não devemos criticar negativamente os mordomos
pelas insuficientes inscrições. E cancelamentos estão a acontecer noutras
aldeias, vilas e cidades, portanto, a culpa não é da comissão de mordomos, pois
não são eles que controlam a vida das famílias e das pessoas. A festa é o
grande dia e será no mês de Agosto. Poupem as vossas cabeças e vontades e o que
realmente interessa é aprender a melhorar o planeamento das iniciativas
futuras. Sugiro que os mordomos se unam, se reúnam eles mesmos para conviver e
conhecerem-se uns aos outros e porque não à volta duma mesa com boa comida e
deliciosos doces de Natal?
Olhem, gostei e apreciei a informação
que deram sobre o cancelamento, da maneira simpática como agradeceram aos que
se tinham inscrito e a porta que deixaram entreaberta para os próximos meses.
O meu desejo é que todos sintam que,
apesar do percalço, a Mordomia da Festa está unida e com vontade de trabalhar.
Boas Festas.










