Um ponto de encontro para naturais, descendentes e apaixonados pela aldeia de Malcata, terra que moldou as nossas vidas.
29.4.07
AS OPORTUNIDADES SÃO PARA TODOS
Era uma vez, um homem que era sacristão na igreja de São Paulo, em Londres.
Um dia, por motivos burocráticos, foi-lhe pedido que assinasse um documento e, para
espanto de todos, o sacristão não sabia ler nem escrever. Um sacristão da igreja de São Paulo analfabeto era coisa inadmissível - e ele foi despedido.
Abatido, sem saber o que fazer à vida, andou o pobre homem ali pelas imediações quando lhe apeteceu, desesperadamente, um cigarro. Olhou em volta, mas não viu por ali nenhum lugar onde pudesse comprá-lo. Andou mais um pouco e nada. "Se calhar era boa ideia abrir aqui uma pequena tabacaria", pensou. E, com algum dinheiro que tinha guardado e outro que pediu emprestado, foi o que fez. A tabacaria foi um sucesso. De tal maneira que, logo a seguir, abriu outra. E depois mais outra. E mais outra, e mais outra e , algum tempo depois, tinha-se transformado no dono de uma rede de lojas espalhadas pelo país.
Um dia o director do banco chamou-o. Queria conhecer pessoalmente aquele cliente tão importante e, ao mesmo tempo, propor-lhe que diversificasse o investimento, que não tivesse dinheiro parado,etc. A coisa ia no bom caminho quando, ao ver o seu cliente assinar de cruz os documentos, o director fez um enorme ar de espanto e nem queria acreditar que estava diante de um analfabeto. "O senhor não sabe ler nem escrever? Espantoso! O senhor é hoje o que é, com toda esta fortuna, sem saber ler nem escrever! Já pensou no que seria, se tivesse estudado?" "Já", respondeu o homem, "seria sacristão da igreja de São Paulo".
Autor da história:Somerset Maugham, e lida no Jornal de Notícias de 29/04/2007 no artigo escrito pela escritora Alice Vieira. A esta história a escritora portuguesa dedica-a aos autores dos cartazes publicitários da campanha "NOVAS OPORTUNIDADES" e que não terminaram os estudos e escreve "A ideia de que o saber é muito bonito é, evidentemente, uma ideia louvável- mas não é achincalhando os outros que ela se defende. Gostava de saber como viveríamos se não houvesse quem recolhesse o lixo, ou engomasse a roupa, ou nos atendesse num restaurante, ou, ou, ou...(E já agora-o que não dariam muitos doutores, de curso acabado e sem emprego à vista, por um lugarzito de porteiro?)"
Isto dá que pensar!...


