(Outubro de 2021 )
LIXO EM FRENTE AO CEMITÉRIO
O cemitério e o espaço que o envolve, nomeadamente a parte da sua entrada, deve manter-se limpo, pois trata-se de um espaço público e merece ser respeitado por todos.
Mais do que um blog, um legado e um cantinho dedicado à preservação da memória coletiva de Malcata, das tradições e costumes e ofícios antigos. Um ponto de encontro para naturais, descendentes e apaixonados pela aldeia que moldou as nossas vidas.
![]() |
| Professor Rui Chamusco e o seu talento musical em actuação no Largo da Fonte, Sabugal |
Recentemente desloquei-me à nossa aldeia.
Fui com a ideia de aí permanecer alguns dias e aproveitava para efectuar alguns
trabalhos de limpezas e cuidar do legado que recebi dos meus pais. Não
aconteceu assim e por razões familiares regressei a Matosinhos, onde tenho
residência.
Como é meu costume, aproveito a
oportunidade de estar na aldeia e inteirar-me do estado das pessoas e das
coisas.
E desta vez venho de alma cheia de alegria. É que na sexta-feira, 30 de Setembro, a Assembleia Municipal do Sabugal reunida em reunião ordinária, apreciou e votou as atribuições honoríficas que, por indicação da Câmara Municipal, serão entregues aos respectivos cidadãos/entidades no dia 10 de Novembro, Dia do Concelho, em cerimónia pública. O meu regozijo é que o nosso conterrâneo Rui Chamusco, por unanimidade, foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito Cívico.
Rui Chamusco já se pronunciou dizendo: "Eu não sou digno de tantos elogios e merecimentos. O que fizemos ou fazemos é o nosso dever, a nossa obrigação: fazer com que a nossa passagem por este mundo seja um pouquinho melhor".
Parabéns professor Rui.
José Nunes Martins
![]() |
| Queridos fregueses, abram a caixa do correio... |
Uma “página
franciscana” de tão pobre !
S. Francisco de Assis, filho de comerciantes italianos, viveu
humildemente e desprendido dos bens materiais, dos lugares de poder e viveu a
servir o seu irmão, o seu povo. Bem longe de muitos homens que gostavam de
mandar e muitas vezes recorriam à prepotência e à arrogância e por ser humilde
e tão bom, acabou perseguido e viveu pobre.
Ora, a página da nossa Freguesia tem
sido tão pobre, vazia de informação relevante e importante para os fregueses,
sem funcionalidades de consultas, de resolução de situações à distância, a
expressão que me ocorreu para definir o estado da página é mesmo esta da “pobreza
franciscana ”.
Passo a explicar: a junta de freguesia já teve
três link’s (páginas) e sucumbiram, estão em estado ofline, desconhecidas...
Perguntei pelo
endereço oficial (página) da Junta de Freguesia e até hoje não recebi resposta.
Entretanto, nas minhas pesquisas encontrei o único link que abre uma página da
Freguesia de Malcata: https://malcata.sabugal.pt/
Já perguntei à JFM se era esta a nova página.
Receberam os malcatenhos alguma informação? Talvez não, porque também a mim de
nada me adiantou perguntar.
Onde está a promessa da promoção de
maior aproximação e envolvimento entre a autarquia e as pessoas? Para que
servem as duas páginas que a Junta de Freguesia tem na internet? Anunciar
Assembleias de Freguesia? Então e depois nada informam sobre os assuntos lá
tratados? Para anunciar encontros, jogos de bola, jogos de cartas, com almoço
ou com lanches ajantarados? São bons e fortalece a amizade, o convívio, o
espírito de boa vizinhança e sim, são importantes e devem continuar a
realizar-se. Mas, senhores da junta, sendo de elogiar, não basta e estes
eventos deviam merecer maior divulgação nas páginas da Junta de Freguesia. Mas
mais importante é colocar as ferramentas tecnológicas ao serviço da freguesia e
dos malcatenhos, independentemente do lugar onde se encontrem. Onde é que um
cidadão pode realizar aquelas problemáticas burocráticas, como um atestado, uma
declaração, uma compra de um lugar no cemitério, sem ter necessidade de ir
pessoalmente à secretaria da Junta que só abre umas horas?
Erros também eu cometo, mesmo não
tendo a intenção de errar eles acontecem e procuro corrigir. Para lá do que já
disse atrás, há necessidade de rever os conteúdos existentes na página. A
informação disponibilizada é incompleta, escassa, errada. Por exemplo, o
presidente da Assembleia de Freguesia é também presidente da Junta de
Freguesia! Nem toda a gente sabe que é mentira, é um erro involuntário e como
este existem outros parecidos.
Talvez pouca gente em Malcata tenha
conhecimento das obrigações e deveres que qualquer junta de freguesia tem de
cumprir pelo respeito à Lei das Autarquias Locais. Só que os membros da Junta de
Freguesia conhecem e têm consciência do incumprimento e do risco a que estão
sujeitos, caso haja queixa fundamentada. Por exemplo, a obrigatoriedade da
divulgação de documentos.
A pobreza de ideias ou a inexistência
de capacidade intelectual e técnica para manter uma página oficial na internet
sob responsabilidade da Junta de Freguesia de Malcata, sabem bem, que não
servirá de alibi, de desculpa.
Pelo bem da freguesia e dos
malcatenhos, facilitem o acesso livre à informação, aos serviços online.
| Uma harmonia difícil de concretizar... |
Longe vão os
tempos em que na nossa aldeia se jogava a bola, nos anos 70 a 90, facilmente se
arranjavam duas equipas para se divertirem com uma bola. Geralmente juntavam-se
na tapada da Corela, que tinha as condições mínimas e estranhas para servir de
estádio. Aquele sim era um campo inclinado e os jogadores queriam lá saber
disso, o mais importante era marcar golos entre os dois montes de pedras e na
baliza imaginária.
Um dia de inspiração levou um grupo de
rapazes a criar uma associação que se encarregasse de organizar jogos de futebol
e outras actividades culturais. E foi com o desporto que a associação deu um
empurrão, pois passou a ser responsável pela fomentação e organização das
actividades ligadas ao desporto e à cultura. Fazia falta uma entidade que
periodicamente se dedicasse a organizar actividades lúdicas, de desporto e
cultura.
Apesar do trabalho e do empenho das
diversas direcções à frente da associação, nunca conseguiram parar o êxodo dos
jovens para fora da aldeia e só no tempo das férias escolares é que as portas
da associação estavam abertas. Tudo ficava adormecido e isso notava-se porque
as actividades assim se organizavam.
Houve uma direcção que viu no
atletismo uma boa medida e uma excelente oportunidade de alargar a oferta
desportiva da associação. O desporto não é só futebol e o atletismo tinha
espaço de crescimento e com um treinador federado e o apoio da Associação de
Atletismo da Guarda, foi o empurrão que faltava para a abertura da secção de
atletismo. Esta ideia ganhou ainda mais
força no ano da celebração dos 25 anos da associação. A comemoração foi um
marco histórico e levou a marca da presença do campeão mundial de atletismo
Carlos Lopes.
Passou um dia na nossa freguesia, assistiu às diversas provas de atletismo e
cumprimentou todos os atletas, em especial os vencedores, a quem lhes entregou
os respectivos prémios.
Foi de facto um dia memorável para a
associação e para a freguesia. E a alegria de correr, a vontade de querer ser
melhor e vencer, a secção de atletismo deu cartas e algumas dores de cabeça aos
atletas das outras associações. O atletismo passou a ser a estrela da
associação, enquanto o futebol ia perdendo cada vez mais praticantes, mesmo
após a construção do polidesportivo.
A secção de atletismo apostou forte e
nas qualidades e capacidades do seu treinador e a união e dedicação dos
familiares dos atletas aliada aos sonhos dos jovens atletas, levou-os a
alcançar vitórias nunca tentadas ou alcançadas.
Um ano, dois anos...e mais anos, veio
o cansaço, o desânimo e o vendaval que soprou com tal intensidade, derrubou a
casa que se estava a construir e não houve discernimento nem forças para voltar
a reerguer aquela secção da associação. E agora nem bola e nem atletismo.
Ficaram os convívios e alguns jogos de cartas, onde os reis, as damas e os
cavalos têm pesos diferentes daquele jogo que tanto ajuda a desenvolver o
cérebro dos que o jogam. O xadrez não é para todos e alguns maus hábitos também
não são compatíveis com quem tenha vontade e querer de vencer uma guerra entre
dois reis. Agora o que resta são alguns vestígios das actividades passadas, que
deixaram marcas brancas nas calçadas, que já deviam ter sido definitivamente
apagadas porque deixaram de ser úteis e só poluem a aldeia.
Termino com esta interrogação que me
está aqui na cabeça:
Para onde caminhas Associação Cultural
e Desportiva de Malcata?
José Nunes Martins
Como nasci na época de 60, eu ainda me lembro de existirem dois fornos de cozer pão. E hoje, ainda há o forno no Rossio, que em 2006 foi reconstruído e cada vez que é aquecido,
quando o cheiro começa a entrar pelo nosso nariz, esse cheirinho a pão quente... .
Não vou terminar aqui a história dos fornos de cozer pão. Cozer o pão dava muito trabalho. Também quem ia para o forno, se queria sair de lá com uma boa fornada, tinha que saber e fazer uma série de passos, ensinados pelas mulheres mais experientes. Utilizavam ferramentas e dizeres que já vinham dos seus antepassados. E se agora nos colocarmos no papel de uma pessoa que quer cozer pão? Quem me ajuda a compreender estas coisas:
Que lenha traziam da serra para aquecer o forno?
Como marcavam os dias de fornadas?
Que ferramentas usavam no manuseio do forno e do pão?
Como sabiam a temperatura correcta do forno?
Nomes de pessoas a que chamavam “forneira”?
É importante falar sobre estes fornos antigos, das nossas tradições, das crenças e rezas. E os nomes que na aldeia dão às coisas são muitas vezes de uso apenas na nossa terra.
Por tudo isto, não guardem só para vós os vossos conhecimentos sobre estas riquezas patrimoniais, materiais e imateriais. Tal como acontece com as pessoas quando partem para o Além, levam as memórias e saberes com eles e quem fica, não sabe o valor que perde! É importante por isso partilhar estas riquezas com as outras pessoas como nós.
José Nunes Martins