16/02/2026

AS DUAS VERDADES

 


 Contam que numa pequena aldeia
havia um lavrador muito rico.
 Ele propôs desafiar os moradores da aldeia
e o desafio era em forma de mímica. 
Quem o vencesse ganharia um grande prémio em dinheiro. 
 Acontece que muitas pessoas apareceram para desafiá-lo e ninguém o vencia.

 Certo dia, um estudante universitário
foi passar o fim de semana nesta aldeia,
soube do facto e resolveu desafiar o lavrador.
 Desafio aceite, o lavrador mostrou-lhe um dedo.
 O jovem estudante mostrou-lhe dois dedos.

 O lavrador mostrou-lhe três dedos.
 O jovem mostrou-lhe a mão fechada como se
fosse dar-lhe um soco.
 O lavrador ofereceu-lhe uma maçã.
 O jovem recusou e mostrou-lhe um pão.
 O lavrador abraçou-o e entregou-lhe o prémio.
                     -- // --

Ao perguntarem ao jovem como é que ele tinha conseguido ganhar o desafio, ele respondeu:

- Foi a coisa mais banal do mundo.
 Ele mostrou-me um dedo como que a dizer-me
que iria furar o meu olho. Então mostrei-lhe dois dedos, como a dizer-lhe que furaria os dois olhos dele.

 Ele mostrou-me três dedos, como quem iria arranhar-me a cara. Eu mostrei-lhe um punho fechado,
mostrando que iria dar-lhe um soco na cara.
Então ele ofereceu-me uma maçã,
como se estivesse a pedir desculpa.
Eu, porém, mostrei-lhe o meu pão,
mostrando-lhe que não queria a maçã que ele me oferecia.

Ele abraçou-me e entregou-me o prémio!

As pessoas acharam isso tão absurdo, que decidiram perguntar ao fazendeiro e ele então respondeu:

- Quando o jovem chegou eu mostrei-lhe um dedo,
dizendo com isso que Deus era um só.

Ele mostrou-me dois dedos,
dizendo-me que Deus era Pai e Filho.

Eu então mostrei-lhe três dedos,
dizendo que Deus era Pai, Filho e Espírito Santo.

Ele mostrou-me a mão fechada,
dizendo-me que Deus era os três reunidos num só.

Então, eu mostrei-lhe a maçã
dizendo-lhe que por causa de um fruto 
o homem cometeu o pecado.

E ele ao mostrar-me o pão,
disse que Deus deu o seu próprio corpo
para livrar-nos do pecado.

Logo, ele mereceu ganhar o prémio! 

MORAL: CADA PESSOA ACREDITA
       NA SUA VERDADE, NO QUE ENTENDE!!

10/02/2026

O REI VAI NÚ EM MALCATA

  TODOS NA ALDEIA TEMIAM QUE ACONTECESSE!
  AGORA SIM, O CIMENTO VAI SERVIR DE COLA.

  A Junta de Freguesia de Malcata informou a população de que se encontra cortado o acesso automóvel à Rua da Barreirinha, devido a um desmoronamento, que coloca em risco a segurança pública. O acesso pedonal está também condicionado e as pessoas são aconselhadas a seguir o percurso alternativo.
  A Junta de Freguesia apelou à compreensão de toda a população até decorrerem os trabalhos necessários para garantir a segurança e repor a circulação habitual e normal.

                   
  O Aviso à População foi feito, mas não basta, a comunicação é curta e não revela com clareza o que realmente se desmoronou. A Rua da Barreirinha tem o seu início na Rua da Fonte e termina no entroncamento com a Rua da Moita. O que se sabe é muito pouco, nem se trata de informação oficial, isto é, tornada pública pela Junta de Freguesia, mas sim uma informação efectuada por pessoa residente na aldeia e que simpaticamente respondeu a uma pergunta de outra pessoa, que sendo natural da nossa aldeia e alertada para o dito aviso à população, quis ficar mais bem informada acerca de possíveis vítimas do dito desmoronamento.
  Ocorrências como são os desmoronamentos devido às fortes chuvas e ventos, que saturaram os solos e tornaram muitas estruturas instáveis e acrescidas fragilidades de sustentação, é assunto que diariamente têm colocado as pessoas e as entidades em atitude de maiores cuidados e vigilância constante. Fazendo fé na informação da nossa conterrânea, estou em crer que o desmoronamento é no início da Rua da Barreirinha, nas primeiras habitações (palheiros) que ali existem há muitos anos e cujas paredes, também há muitos anos, estão mesmo à espera de se
esbarrondar para a via pública. Toda a freguesia conhece o estado daquelas paredes e são visíveis os sinais de insegurança e nada do que agora sucedeu nos deve surpreender. O desmoronamento podia ser evitado? Podia. Não houve vítimas e não houve danos materiais, para além das pedras caírem na via pública. Graças a que não ia pessoa ou veículo a circular no preciso instante em que
a coisa aconteceu, vamos todos bater palmas e respirar fundo, pois ainda bem que assim foi. Coisa bem diferente é que aquelas paredes, da Rua da Barreirinha, estão em risco de desmoro-namento há pelo menos dois anos!
  O que eu lamento é o desinteresse e desleixo com que são tratadas certas casas, palheiros, que já não servem para nada, mas que têm dono.
  O estado de degradação e abandono é profundo. E na nossa aldeia os avisos e alertas para os perigos não têm adiantado para quase nada. Se calhar terá que alguém ser vítima para depois se tomar as medidas necessárias e a sério.
           NÃO ME VENHAM COM HISTÓRIAS, 
                     EU ALERTEI PARA A SITUAÇÃO:

28/05/2010 - A SEGURANÇA VOLTOU À RUA DA MOITA

https://aldeiademalcata.blogspot.com/2010/05/seguranca-voltou-rua-da-moita.html

12/02/2023 - CUIDAR DE MALCATA

https://aldeiademalcata.blogspot.com/2023/02/cuidar-de-malcata.html

14/10/2023 - CEGOS, SURDOS E MUDOS

https://aldeiademalcata.blogspot.com/2023/10/cegos-surdos-e-mudos.html

14/01/2024 - PREVENÇÃO CUSTA MENOS A TODOS

https://aldeiademalcata.blogspot.com/2024/01/prevencao-custa-menos-todosr.html

  Os alertas foram sempre acompanhados por imagens dos locais:
                        Rua da Barreirinha:

 

                   




    Todos na aldeia sabem de situações parecidas a esta da Rua da Barreirinha e ninguém se importa, todos sabem mas ficam calados perante estas situações de perigo. Eu que não resido na freguesia fico preocupado e tenho denunciado diversas situações destas, por ser filho da terra e não gostar de andar por aí com o coração nas mãos por causa dos perigos que estão à vista de todos. Eu sei que sou uma espécie de fedelho, um pequeno estupor que tem sempre coisas a denunciar e que não me calo em bradar através da escrita o que me vai na mente. Tomo estas atitudes a que muitos chamam "coisas de garoto", que é de "pessoa mazinha", mas com toda a sinceridade e clareza, tomo estas atitudes e acções por acreditar nas pessoas e na sua capacidade de mudar a sua forma de estar, de exercer as tarefas para as quais se voluntariaram a desempenhar, concretamente falo dos autarcas da freguesia. Por acreditar que as coisas possam mudar para melhor eu penso que é útil denunciar, avisar, alertar, chamar a atenção das coisas e situações que estão menos bem e podem causar prejuízos que podem ser evitados. Reclamar e alertar é exigir melhores condições de segurança para todos, para os nossos haveres e bens e juntos e unidos transformar a nossa aldeia em território seguro, apelativo para nele viver em paz e segurança.
  Gostava que mais pessoas em Malcata se tornassem mais sensíveis a estas situações e que se importem 
mais pelo bem de todos. Estas denúncias não adiantam nada se a seguir não houver compromissos e respeito que todos merecem.





 

 

08/02/2026

UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE ÁGUA


  

 

Vala para a água

  Durante muitos anos, a água que chegava à aldeia não dependia de empresas concessionárias. Vinha directamente da nascente, conduzida por canalização construída pelos próprios habitantes da freguesia e mantida pela Junta de Freguesia.
  A população de Malcata, herdou e habituou-se a ir à fonte das bicas, encher os cântaros de barro com água para beber e no tanque pequeno, enchia os caldeiros, para os animais. Quando faltava água nas bicas, tiravam o ar à fonte para a água voltar a jorrar. Isto acontecia no Verão. 
  Foram os habitantes da aldeia que, a pedido do senhor António Nita, presidente da Junta de Freguesia, nos anos 30 (1935, 1936 e 1937), se juntaram e abriram a vala, carregaram tubos às costas e durante semanas fizeram a obra, construindo um sistema simples e prático, inteiramente comunitário e que nos legaram ao longo de várias gerações e que ainda hoje funciona.
  A aldeia manteve-se independente da rede municipal de abastecimento de água até aparecer a empresa municipal, Serviços de Águas e Saneamento Sabugal. Mesmo assim, quando a barragem do Sabugal foi construída a nossa freguesia, representada pela Junta de Freguesia à época dos acontecimentos, recusou integrar a rede pública que abastece o concelho e optou por proceder à abertura de um furo próprio, com canalização directa desde o local do poço até 
ao reservatório da freguesia. A obra foi realizada e ao contrário do que alguns contavam, todos os consumidores foram obrigados a instalar contadores para registar
 mensalmente o consumo da água gasta em suas casas. Também a vigilância e controlo da água passou
responsabilidade da Câmara Municipal do Sabugal. 
Trabalho voluntário

 A gente da nossa aldeia, ainda que lentamente, aceitou e resignou-se passando também a pagar factura da água, do saneamento e do lixo sólido urbano.
  A fonte das bicas resistiu a todas estas alterações na rede de abastecimento público de água para consumo humano. Ainda continua a jorrar a água vinda da nascente e através das tubagens que apenas foram substituídas uma vez , ouve-se dizer aos mais idosos…
  Na nossa aldeia, a água continua a jorrar na Fonte das Bicas e a descer pelas barrocas que o povo abriu. Cada gota transporta consigo a memória de uma comunidade que sempre lutou de forma silenciosa mas firme, de gente que resistiu com todas as suas forças que atravessou gerações e ainda hoje nos deixam orgulhosos. Foram eles os construtores e os que souberam manter e cuidar da água que bebiam e regava os campos. Saibamos nós ser capazes de continuar a defender a água que se bebe na aldeia, que é nossa e não do município, é da mina construída pelos nossos antepassados e que nós agora não estamos a saber manter e preservar com a mesma vontade que eles tiveram.
  Enquanto houver água na mina, enquanto a população continuar a afirmar que a água da fonte da Torrinha é para ser bebida, porque é nossa, é do povo e não se nega água a ninguém, a nossa autarquia só tem de se empenhar na defesa, manutenção e preservação desta água. Esta é a água e a fonte identitária da aldeia, desde 1937. Um testemunho e um símbolo da autonomia e que ainda
ninguém conseguiu destruir.