01/09/2025

A IMPORTÂNCIA DA APRESENTAÇÃO DE CONTAS



   Ora, no meio deste meu orgulho de ser de Malcata, há uma realidade e ela é tão verdadeira que a comparo ao famoso “teste do algodão”: não dá para enganar!
   Estou a escrever estas palavras muitos dias depois da festa. Este ano não estive na aldeia pela semana da festa. O que vi e pude acompanhar via internet e telefonemas, foi uma festa valente e bastante animada. O arraial durou este ano uma semana!
   Na última noite da festa, foram subiram ao palco os novos mordomos. Agora que se encerrou a festa deste ano, é tempo de pensar na festa do Verão seguinte e sem muitas demoras.
   Os mordomos que organizaram a festa deste ano estão de parabéns, pois aquilo que transpareceu foi que conseguiram organizar uma festa e reavivaram a nossa terra durante a mais importante festa da aldeia. E desta vez, até S. Pedro esteve a torcer pelo êxito e o Judas nem às noites foi visto nas ruas. Só se ele veio disfarçado de militar e passou os dias fechado, na casa daquela pessoa amiga e bem parecida, que também deixou vazia a caixinha do dinheiro, recebido em honra do Barnabé, pois estão bem um para o outro e têm gostos e interesses comuns, a atração por moedas. Foi por estas coisas e talvez por causa de outras que ficou sem trabalho e teve de sair a acelerar pela A25. Tanto Judas como a rapariga, vivem sem consciência da dimensão dos prejuízos que causam ao mundo e às pessoas, gostam de gastar sem olhar a meios nem
a métodos ou promessas. Estou convencido, que lhe deram rédea larga e liberdade sem regras.
   É por estas e outras situações que, para organizar as festas de Malcata, é importante apresentar atempadamente, um programa e um orçamento, uma equipa de mordomos em que as tarefas de cada um desde o “presidente”, ao tesoureiro, secretário, fiscal…fiquem escritos e anunciados ao povo. E no fim da festa, apresentar as contas. Só assim se pode atribuir e controlar as festas e assim promover a freguesia com a elevação que ela precisa e as pessoas desejam.
   Eu sei e outros também sabem, que os mordomos, todos fazem o melhor que podem e sabem, embora isso possa não ser o suficiente para agradar a toda a gente. Também sei e outros também sabem que os mordomos são gente amiga, conhecida e todos fazemos um esforço para não dar muita importância a um ou outro desvio, contratempo, desentendimento, discordância e não se sinta muito incomodado com o destino dado aos euros gastos ou existentes em contas bancárias, seja como depósito e reserva para outras festas ou gasto em coisas desconhecidas e em benefício próprio.
   Por tudo isto, que paira na atmosfera e para terminar com a habitual ideia de que o dinheiro da festa é para ser gasto, que a festa raramente dá lucro, é preciso que todas as comissões de mordomos apresentem as suas contas. Não é o único passo e sabemos que se devem tomar outras decisões. Com isto que escrevo, apenas pretendo deixar aqui  um alerta alerta e uma maior atenção para tudo o que envolve as festas de Malcata e as pessoas que estão voluntariamente dispostas a organizá-las.
   A festa de 2025 foi um êxito e a animação foi muita. Foi esta a mensagem que recebi. E também me disseram que o povo gostou. 
   O meu desejo e esperança é que a seriedade e a transparência seja motivo para a realização das contas e que os mordomos as divulguem publicamente.

  
                                                               José Nunes Martins

29/08/2025

MALCATA: PARA ONDE ELES QUEREM IR?

 

Agenda da Freguesia de Malcata

   Informar e divulgar as actividades da Junta de Freguesia a todas as pessoas da aldeia, isso não é necessário! Basta publicar a Agenda da Freguesia na página da rede social “Facebook” que alguém ligado ao executivo, sempre que possível e oportuno, preenche e
está o povo sabedor das coisas que vão ter lugar durante todo o ano.
   Mas será mesmo assim que se preenche uma agenda de Freguesia? A Junta de Freguesia já há muitos anos que não presta atenção à Agenda e isso, só indica que não se preocupa com a informação de interesse para os fregueses que residem na aldeia e também ignora os que sendo “filhos da terra” estão longe dela. E por arrasto, ficamos a saber que quantos menos souberem melhor!!!


  

   Veja-se o facto mais recente, que foi a vinda à freguesia dos serviços veterinários da Câmara do Sabugal, com o objectivo de vacinar animais com a vacina antirrábica. O Edital está assinado a 14 de Julho de 2025 e nele se informa a população das diferentes datas para cada freguesia e os proprietários de animais, proceder e responder a esta solicitação cuja importância é de interesse municipal, para as aldeias e detentores de animais, interessados na saúde humana e dos restantes seres vivos.
   Como malcatenho, reprovo este comportamento do executivo de Malcata e pelas razões já referidas, não posso deixar de criticar a Agenda da Freguesia.
   Eu apenas estou a defender a freguesia e as pessoas que nela residem e, por outro lado, lutar também pelo cumprimento dos direitos legítimos dos malcatenhos ausentes da aldeia.
   O 2º mandato está a terminar e é altura de as pessoas de questionarem sobre a missão da Junta de Freguesia em Malcata, sobre o tempo e as oportunidades que se estão a perder, sobre o papel da própria Assembleia de Freguesia e ainda, discutir a sério e abertamente, se a apresentação de Lista Única às Eleições Autárquicas é útil à nossa terra e às gentes que nela residem ou a ela estão intimamente ligadas.
  


  Qual é o medo e o receio de discutir estes assuntos? Medo de fracassar? Ser mal-entendido? Medo de ser ovelha negra ou de ser empurrado para o canto?
Preocupação pelo emprego ou fim do ajuste de obras?
   Que fique claro: sou defensor da Assembleia de Freguesia, mas sou contra a forma como este órgão tem funcionado nestes anos mais recentes. Em nada está a contribuir para o desenvolvimento da nossa aldeia, porque nela, não estão todos os cidadãos representados.
   A freguesia tem em mãos investimentos importantes e que devem ser assumidos como verdadeiros desafios. Apesar da sua grandeza e importância para a economia local e social, há sinais que indiciam pouca crença e aumento de preocupações quanto ao futuro. A Freguesia de Malcata, com a responsabilidade de gerir estes empreendimentos, ao adiar decisões, ao não informar a comunidade sobre a verdade e ameaças externas, não está a contribuir para o bem comum.
   Quando o(s) senhor(es) presidente(s)anunciaram as obras, falaram apenas aquilo que as pessoas queriam ouvir e em troca, votaram neles. A realidade e os factos derrubaram todas as esperanças e o que me custa, a mim pessoalmente, é assistir ao aparecimento dos sinais que me mostram um desinteresse completo e o povo a ver o comboio do desenvolvimento a passar por Malcata sem parar!
   Mais desnorte que a Exploração Pecuária da Freguesia de Malcata (cabras nos baldios) eu
não conheço!
   Quem vai abarcar as responsabilidades?
   Todos os membros da Assembleia de Freguesia e os membros da Junta terão que assumir a sua parte de
responsabilidade.
   Os malcatenhos merecem ter a oportunidade, a esperança, num presente com melhor fu
turo.

28/08/2025

QUANDO O FUTURO É A REPETIÇÃO DO PASSADO, ENTÃO ONDE ESTÁ A MUDANÇA?

   

   Estamos presos na rotunda da vida da nossa aldeia e não sabemos como sair deste ciclo repetitivo, que de justo pouco mostra e a história mostra a evidência que assim não há saída e apesar disso, não há quem mostre uma saída diferente, arrojada e de alguma loucura!

   

Sede da Junta de Freguesia de Malcata

   Nas próximas eleições autárquicas, a 12 de Outubro de 2025,  o povo de Malcata vai reviver o filme de 2021, não será surpresa e sim, vai voltar a repetir-se a entrega do troféu à única lista de candidatos que arranja sempre o número de pessoas interessadas ou interesseiras para participar nas cenas do filme das eleições autárquicas.

   Em 2017, a concorrência foi maior e mais animada e durante quatro anos houve dois actores que representaram o público que os apoiou. Sempre trabalharam no interesse e pelo interesse colectivo e o executivo, nunca a oposição foi obstáculo para a junta executar os seus programas, apresentar e aprovar os seus orçamentos anuais, organizar os eventos e convívios, foram bons serviçais da coisa comum.
   Com um presidente jovem e formado em engenharia, a Junta de Freguesia de Malcata aparentava ter todas as condições para deixar a sua acção governativa gravada a ouro.

   No primeiro mandato, quis dar continuidade ao trabalho, às ideias e promessas de quem o precedeu, nomeadamente as obras prometidas e adiadas, sistematicamente de ano para ano e de mandato para mandato e nada aconteceu. No fim de 2021 toda a freguesia dizia que foram anos perdidos, sem grandes feitos e sim uma espécie de prolongamento alongado do que aconteceu nos mandatos anteriores. Ou seja, fizeram de conta que estavam a fazer coisas novas, mantendo a forma de executar do passado.
   Ao fim de 8 anos de trabalho, o que há para mostrar? Os primeiros quatro anos foram dedicados a dar continuidade aos projectos e actividades repetidos pelos executivos anteriores. Foi desbloqueado o grande investimento que traria a freguesia para a ribalta das aldeias que ainda apostavam na pastorícia e na sua riqueza, finalmente as cabras iam regressar à serra da Malcata. Os jornais e a Lusa espalharam a notícia e o entusiasmo com que a Junta de Freguesia falou, muitos de nós acreditaram que era coisa séria, com dinheiro dado pela União Europeia, com o apoio da Câmara do Sabugal, não ficavam dúvidas e venham lá construir os edifícios e que as cabras apareçam porque comida não lhes falta…aquela tarde de Julho de 2019, em plena AgroRaia realizada em Malcata, ficou a marcar o presente e o futuro da freguesia. Seguiu-se a pandemia do “Covid19”, depois a subida do preço dos materiais, da repetição do Concurso Público e finalmente, soubemos que uma empresa agarrou a obra e ergueu o edifício de apoio à exploração pecuária das cabras serranas.
Pagou-se a arquitectos, engenheiros de projectos topográficos, especialistas em instalações de água, luz e outras máquinas, ergueu-se uma vedação em todo o perímetro do lugar, a Câmara ajudou na instalação de painéis solares, abriu-se o furo de água e pronto, voilà!
   Feita a construção do edifício e mais uns apêndices, toca a fechar as janelas e portões. Para maior segurança e tranquilidade da Junta de Freguesia, procedeu-se à instalação de sistema de videovigilância, que imediatamente aciona e faz soar o alarme num escritório ou quartel dos arredores.
   Um ano passa depressa, amanhã serão mais sete! Se em seis anos,
não se formaram pastores, não se compraram as cabras e os machos,
não se criaram estruturas físicas e associativas, só se construiu o edifício, quanto mais tempo é necessário para contar toda a verdade ao
povo que votou em 2017?
                                               
José Nunes Martins, malcatenho