Pesquisar neste blogue

QUANDO O FUTURO É A REPETIÇÃO DO PASSADO, ENTÃO ONDE ESTÁ A MUDANÇA?

   

   Estamos presos na rotunda da vida da nossa aldeia e não sabemos como sair deste ciclo repetitivo, que de justo pouco mostra e a história mostra a evidência que assim não há saída e apesar disso, não há quem mostre uma saída diferente, arrojada e de alguma loucura!

   

Sede da Junta de Freguesia de Malcata

   Nas próximas eleições autárquicas, a 12 de Outubro de 2025,  o povo de Malcata vai reviver o filme de 2021, não será surpresa e sim, vai voltar a repetir-se a entrega do troféu à única lista de candidatos que arranja sempre o número de pessoas interessadas ou interesseiras para participar nas cenas do filme das eleições autárquicas.

   Em 2017, a concorrência foi maior e mais animada e durante quatro anos houve dois actores que representaram o público que os apoiou. Sempre trabalharam no interesse e pelo interesse colectivo e o executivo, nunca a oposição foi obstáculo para a junta executar os seus programas, apresentar e aprovar os seus orçamentos anuais, organizar os eventos e convívios, foram bons serviçais da coisa comum.
   Com um presidente jovem e formado em engenharia, a Junta de Freguesia de Malcata aparentava ter todas as condições para deixar a sua acção governativa gravada a ouro.

   No primeiro mandato, quis dar continuidade ao trabalho, às ideias e promessas de quem o precedeu, nomeadamente as obras prometidas e adiadas, sistematicamente de ano para ano e de mandato para mandato e nada aconteceu. No fim de 2021 toda a freguesia dizia que foram anos perdidos, sem grandes feitos e sim uma espécie de prolongamento alongado do que aconteceu nos mandatos anteriores. Ou seja, fizeram de conta que estavam a fazer coisas novas, mantendo a forma de executar do passado.
   Ao fim de 8 anos de trabalho, o que há para mostrar? Os primeiros quatro anos foram dedicados a dar continuidade aos projectos e actividades repetidos pelos executivos anteriores. Foi desbloqueado o grande investimento que traria a freguesia para a ribalta das aldeias que ainda apostavam na pastorícia e na sua riqueza, finalmente as cabras iam regressar à serra da Malcata. Os jornais e a Lusa espalharam a notícia e o entusiasmo com que a Junta de Freguesia falou, muitos de nós acreditaram que era coisa séria, com dinheiro dado pela União Europeia, com o apoio da Câmara do Sabugal, não ficavam dúvidas e venham lá construir os edifícios e que as cabras apareçam porque comida não lhes falta…aquela tarde de Julho de 2019, em plena AgroRaia realizada em Malcata, ficou a marcar o presente e o futuro da freguesia. Seguiu-se a pandemia do “Covid19”, depois a subida do preço dos materiais, da repetição do Concurso Público e finalmente, soubemos que uma empresa agarrou a obra e ergueu o edifício de apoio à exploração pecuária das cabras serranas.
Pagou-se a arquitectos, engenheiros de projectos topográficos, especialistas em instalações de água, luz e outras máquinas, ergueu-se uma vedação em todo o perímetro do lugar, a Câmara ajudou na instalação de painéis solares, abriu-se o furo de água e pronto, voilà!
   Feita a construção do edifício e mais uns apêndices, toca a fechar as janelas e portões. Para maior segurança e tranquilidade da Junta de Freguesia, procedeu-se à instalação de sistema de videovigilância, que imediatamente aciona e faz soar o alarme num escritório ou quartel dos arredores.
   Um ano passa depressa, amanhã serão mais sete! Se em seis anos,
não se formaram pastores, não se compraram as cabras e os machos,
não se criaram estruturas físicas e associativas, só se construiu o edifício, quanto mais tempo é necessário para contar toda a verdade ao
povo que votou em 2017?
                                               
José Nunes Martins, malcatenho

Sem comentários:

Enviar um comentário