07/04/2010

TORRES EÓLICAS EM MALCATA


   "...muitos são os casos de descaracterização paisagística (existência
de pedreiras, instalação de parques eólicos, mau ordenamento das Áreas Protegidas,
desadequação arquitectónica), de delapidação dos recursos naturais, ao nível da floresta
(espécies endémicas) e da agricultura e ainda uma forte susceptibilidade a riscos

naturais, como os incêndios ou os deslizamentos de massa em vertente, muitas vezes em

consequência da desflorestação e posterior abandono agrícola. Ainda neste domínio, não

podemos deixar de referir as consequências inerentes aos territórios de baixa densidade,

tais como a degradação do tecido social e cultural, o encerramento de infraestruturas e

serviços básicos e, a médio prazo, o desaparecimento do carácter de cada lugar:
A utilização da paisagem como recurso de desenvolvimento social constitui uma


dimensão essencial. A identificação do potencial de cada lugar em função da identidade

e carácter da paisagem pressupõe um conhecimento profundo e integrado do território, a

partir do qual se pode valorizar, de modo sustentável, os recursos paisagísticos

existentes, principalmente em territórios onde pouco mais existe que a sua paisagem,

como é o caso da Raia Central Portuguesa. Um território “carregado” de história e

simbolismo, no qual a paisagem oferece um carácter bem vincado, e é por este recurso

que deve começar qualquer projecto de dinamismo, desenvolvimento, ou simplesmente

de refuncionalização. "

Copiado daqui:http://www.apdr.pt/congresso/2009/pdf/Premio%20Bartolomeu/148A.pdf

06/04/2010

SORTELHA: NEVOEIRO E RELEVO ACENTUADO ESCONDEM AS EÓLICAS

A aldeia histórica de Sortelha, no concelho do Sabugal, é a mais visitada de Portugal. Quem passa por esta região pára obrigatoriamente nesta povoação. Quem entra em Sortelha, esquece o presente e enquanto caminha pelas ruas e sobe à muralha, tudo lhe parece diferente.
O concelho do Sabugal,  conhecido  pelos seus castelos, corre agora o risco de ser conhecido pela "terra das eólicas". As torres estão a surgir como uma praga de cogumelos e começo a pensar que as aldeias desta região suplicam que lhes proponham esta nova plantação, mesmo que apenas recebam uns trocados por tal permissão nos seus terrenos. O pouco que recebem ( para eles é muito ) e a despreocupação completa pela desvalorização dos terrenos, a ausência de valorização da natureza e meio ambiente e o património, facilmente embarcam sem qualquer oposição e adoptam  uma atitude de encolher os ombros e pensar "se  os outros têm...porque nós não?!"
Hoje a notícia está presente em vários meios de informação:

Petição quer afastar torres eólicas das imediações da aldeia histórica de Sortelha

http://aeiou.visao.pt/sabugal-peticao-quer-afastar-torres-eolicas-das-imediacoes-da-aldeia-historica-de-sortelha=f554287


http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=114&id_news=443973


O concelho do Sabugal, no final de 2010, estará inundado de parques eólicos. E a aldeia de Sortelha vai também ter o seu "parque". O projecto foi aprovado e a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia de Sortelha aceitaram este projecto. Contudo, ambos os responsáveis autárquicos parece estar na disposição de repensar, a crer nas declarações que o Presidente Engº. António Robalo, fez ao "Sol" dizendo que,
«as entidades oficiais que licenciam os parques eólicos» o fazem «no devido cumprimento da legislação em vigor».
O autarca explicou que a autarquia aprovou o projecto, que contempla a instalação de 50 torres eólicas na região, mas prometeu analisar novamente o assunto.
«Qualquer situação de alerta que chegue ao conhecimento da Câmara Municipal terá uma análise cuidada tendo em conta todos os pressupostos que ela referir», assegurou.

Já o ex-presidente da Junta de Sortelha, Luís Paulo, que aprovou a instalação do parque eólico, adiantou à Lusa que está prevista a colocação de «17 ou 18 torres na área da Freguesia mas muitas delas não se vêem de Sortelha».
Apontou que aquelas que serão visíveis da aldeia histórica ficarão «a uma grande distância» e recordou que já existem equipamentos idênticos nas imediações da localidade.
«Estamos cercados delas e vêem-se todas de Sortelha», garantiu Luís Paulo, que desvalorizou a polémica em torno do assunto por considerar que a instalação do parque eólico «não irá mexer no património».

Ora, estes parques eólicos estão enquadrados no Programa de Investimentos em Infra-estruturas Prioritárias ( PIIP ) aprovado pelo Governo em 30 de Junho de 2005.
Com este programa o Governo promove e incentiva a construção de parques eólicos em Portugal e oferece generosos subsídios e um enquadramento jurídico favorável às empresas. E depois? Qual vai ser o impacto da energia eólica no ambiente? A energia eólica é mais barata? Os parques eólicos custam milhares de euros a construir, o vento é de borla, mas as torres, os aerogeradores, as linhas de transporte de energia custam dinheiro e tudo tem custos de manutenção. Quem vai pagar todos estes gastos durante 20 anos ( tempo de vida útil de cada parque )? Ou quem vai pagar a reconversão dos parques? Nós, os contribuintes portugueses.
Portanto, a energia eólica não é assim tão benéfica como a querem vender.
Dizem os entendidos que " a nível de paisagem ocorrerão impactes negativos, que serão sentidos em função da adaptabilidade e integração do projecto na paisagem. A qualidade visual e absorção visual intrínsecas de cada uma das áreas de implantação das infra-estruturas determinam a magnitude e significado dos impactes. Com efeito, os aerogeradores são visualizados de vários pontos, nomeadamente a partir de várias povoações. No entanto, trata-se de uma área onde existem diversos factores que atenuam em grande parte do ano a sua perceptibilidade ( nevoeiro ) e onde o relevo acentuado condiciona a acessibilidade e inibe claramente o potencial de observadores."
Ora tomem lá, o nevoeiro e o relevo acentuado vai afastar o nosso olhar das eólicas à volta da Aldeia Histórica de Sortelha. É desta que vamos conhecer o D.Sebastião...
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CONTEM-ME COMO FOI

  Contem-me quem foi este artista. Posso dar umas pistas: nasceu em Malcata, no silêncio da noite ouvia os movimentos dos ponteiros do relógio da torre e quando o forno cozia pão, sentia-se mais quentinho em casa. Foi negociador de gado e também gostava de cavalgar. Era mais conhecido na Raia do que o Bucho raiano. Quem estou a lembrar?