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19/03/2026

MÃOS SOLIDÁRIAS TRABALHAM UNIDAS

 


 É sempre bom falar das coisas que acontecem.
 Eu tive conhecimento do que estava a passar o senhor Carlos Clemente e a sua mulher Graciete.
 Quando soube da situação que estavam os dois a passar, não me alheei do problema e solidarizei-me com eles. Tanto quanto sei, Carlos Clemente trabalhou muitos anos para o bem da comunidade de Malcata.
 A Olinda e o Manel são gente de trabalho e de poucas posses materiais, mas talvez a maior pobreza não seja a material. Há quem esteja à espera de vaga e tempo para trabalhar, mesmo que se trate de biscates, as pessoas recorrem ao rapaz para executar pequenos trabalhos. E como é que se ajudam estas pessoas? Fazemos alguma coisa por eles ou simplesmente ignoramos a sua situação? Eu entendo que todos devemos auxiliar na medida das possibilidades de cada um de nós. mas este tipo de situações necessitam de apoios contínuos e com regularidade, sem esperar resposta, mas simplesmente passar às acções concretas e aos apoios que podem ser dados, como entregar refeições de comida quente e em boas condições de consumo, cuidar quando é preciso e acompanhar essas mesmas pessoas.
 Foi este trabalho que o Lar de Malcata fez e que a Segurança Social
pagou à Associação de Solidariedade Social de Malcata. Acção de solidariedade diária e durante todos os dias do ano, foi o que Carlos Clemente decidiu incluir nos apoios ao domicílio prestados pelo lar. Não lhes era lavavam a roupa e não limpavam as casas, apesar de o tentarem fazer, sem concordância dos interessados não lhes era prestado esse apoio e essas migalhas a mais que a Segurança Social andou a pagar ao Lar entraram na tesouraria da instituição e nunca dela saíram, foram sempre para a conta do lar.
 As eleições para os corpos sociais trouxe mudanças e entraram em funções novos elementos. Carlos Clemente, com orgulho e coração alegre, entregou aos novos gestores uma instituição com obra edificada e administrativamente livre de dívidas e em boas condições financeiras para continuar o seu caminho.

 O tempo passou e tudo estava a correr bem. Passaram quase dois anos e surpreendentemente, Carlos Clemente viu-se num processo de incumprimento e de recebimento indevido de verbas pagas pela Segurança Social, ocorrido durante a sua presidência e os mesmos procedimentos continuaram a ser levados a cabo pela nova presidência, sob os comandos de Vítor Fernandes, prática essa interrompida pela entrada em cena de uma inspecão da Segurança Social, em resposta a uma denúncia que alertou para irregularidades administrativas.
 



 Na verdade, foi por causa dessa denúncia, que a nova administração foi surpreendida e pasme-se, só mais tarde foi informado o ex-presidente da associação destes acontecimentos.

 Tendo eu já escrito sobre este assunto, sabendo eu que mais de uma centena de pessoas leram/tomaram conhecimento desta situação, apenas duas pessoas se pronunciaram respondendo em forma de comentário.
 Ou seja, a mensagem que retiro é que, na nossa freguesia, pensa-se de forma estranha: “não me incomodem, estou tão bem no meu canto, não me chateiem!” Ou então pensam que o melhor é que “a mão esquerda não saiba o que anda a fazer a direita”!

 Será que as gentes de Malcata são tão insensíveis e não sentem um pingo de vergonha ou falta de amor ao próximo?

 Por ser uma pessoa afectuosa e solidária e por ter em conta o amor ao próximo, no cumprimento da missão de caridade e de solidariedade,
Carlos Clemente nunca rejeitou ou desprezou as pessoas da nossa freguesia. A sua missão era ser solidário com quem necessitava de apoio e preocupou-se em passar a acções concretas de auxílio através do apoio domiciliário que o lar disponibiliza a todos.
 E chegados aqui, só lamento que as coisas não sejam tratadas como devem ser, sem prejuízo para nenhuma das partes.

 Assim vamos andando…

 

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