É sempre bom falar
das coisas que acontecem.
Eu tive conhecimento do que estava a passar o senhor
Carlos Clemente e a sua mulher Graciete.
Quando soube da situação que estavam os
dois a passar, não me alheei do problema e solidarizei-me com eles. Tanto
quanto sei, Carlos Clemente trabalhou muitos anos para o bem da comunidade de
Malcata.
A Olinda e o Manel são gente de trabalho
e de poucas posses materiais, mas talvez a maior pobreza não seja a material.
Há quem esteja à espera de vaga e tempo para trabalhar, mesmo que se trate de
biscates, as pessoas recorrem ao rapaz para executar pequenos trabalhos. E como
é que se ajudam estas pessoas? Fazemos alguma coisa por eles ou simplesmente
ignoramos a sua situação? Eu entendo que todos devemos auxiliar na medida das
possibilidades de cada um de nós. mas este tipo de situações necessitam de
apoios contínuos e com regularidade, sem esperar resposta, mas simplesmente
passar às acções concretas e aos apoios que podem ser dados, como entregar
refeições de comida quente e em boas condições de consumo, cuidar quando é
preciso e acompanhar essas mesmas pessoas.
Foi este trabalho que o Lar de Malcata
fez e que a Segurança Social
pagou à Associação de Solidariedade Social de Malcata. Acção de solidariedade diária
e durante todos os dias do ano, foi o que Carlos Clemente decidiu incluir nos
apoios ao domicílio prestados pelo lar. Não lhes era lavavam a roupa e não
limpavam as casas, apesar de o tentarem fazer, sem concordância dos
interessados não lhes era prestado esse apoio e essas migalhas a mais que a
Segurança Social andou a pagar ao Lar entraram na tesouraria da instituição e
nunca dela saíram, foram sempre para a conta do lar.
As eleições para os corpos sociais
trouxe mudanças e entraram em funções novos elementos. Carlos Clemente, com
orgulho e coração alegre, entregou aos novos gestores uma instituição com obra edificada
e administrativamente livre de dívidas e em boas condições financeiras para
continuar o seu caminho.
O tempo passou e tudo
estava a correr bem. Passaram quase dois anos e surpreendentemente, Carlos Clemente
viu-se num processo de incumprimento e de recebimento indevido de verbas pagas
pela Segurança Social, ocorrido durante a sua presidência e os mesmos
procedimentos continuaram a ser levados a cabo pela nova presidência, sob os
comandos de Vítor Fernandes, prática essa interrompida pela entrada em cena de
uma inspecão da Segurança Social, em resposta a uma denúncia que alertou para
irregularidades administrativas.
Na verdade, foi por causa dessa denúncia,
que a nova administração foi surpreendida e pasme-se, só mais tarde foi
informado o ex-presidente da associação destes acontecimentos.
Tendo eu já escrito
sobre este assunto, sabendo eu que mais de uma centena de pessoas leram/tomaram
conhecimento desta situação, apenas duas pessoas se pronunciaram respondendo em
forma de comentário.
Ou seja, a mensagem que retiro é que, na
nossa freguesia, pensa-se de forma estranha: “não me incomodem, estou tão bem
no meu canto, não me chateiem!” Ou então pensam que o melhor é que “a mão
esquerda não saiba o que anda a fazer a direita”!
Será que as gentes de
Malcata são tão insensíveis e não sentem um pingo de vergonha ou falta de amor
ao próximo?
Por ser uma pessoa
afectuosa e solidária e por ter em conta o amor ao próximo, no cumprimento da
missão de caridade e de solidariedade,
Carlos Clemente nunca rejeitou ou desprezou as pessoas da nossa freguesia. A
sua missão era ser solidário com quem necessitava de apoio e preocupou-se em
passar a acções concretas de auxílio através do apoio domiciliário que o lar
disponibiliza a todos.
E chegados aqui, só lamento que as
coisas não sejam tratadas como devem ser, sem prejuízo para nenhuma das partes.
Assim vamos andando…
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