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19/06/2026

SABUGAL: ESTRATÉGIA OU FESTA?

 

Abertura das Festas da Cidade 

 Começaram as Festas da Cidade do Sabugal 2026 e que se vão prolongar até ao próximo domingo.
 Para muitas pessoas as festas medem-se pelos nomes dos artistas que se convidam, muitas vezes associados ou agenciados por empresas ligadas ao negócio de eventos por todo o país e principalmente, contratos de ajuste directo com as autarquias locais. Há ainda que incluir os artistas e bandas locais, que as entidades organizadoras da festa se preocupam em contratar, algumas vezes, através de ajustes combinados e nem sempre com divulgação pública dos valores envolvidos, acabando por essas despesas não constarem na soma dos custos reais da festa e talvez assim dar a sensação de controlo dos custos. E para não serem acusados de não “surfar” a onda e a moda, pagam aos DJs umas centenas de euros para nas horas finais da noite estoirarem os crânios da malta resistente e que aguenta até ao nascer do sol.

 Este ano, estarão 40 expositores no recinto das Festas da Cidade e nas palavras do presidente da Câmara Municipal, Vítor Proença, diz que
“representa um investimento de 200.000 euros por parte do município”.
 A verdade é que ultrapassa em muito este valor, pois numa consulta que realizei aos contratos publicados no Portal Base, somei 386 000 euros, a que se deve acrescentar o IVA.
 E como já é costume, o dinheiro que se gasta nas Festas da Cidade, causa sempre controvérsia, pois nunca há números exactos. O município, organizador das Festas da Cidade, tem escondido do conhecimento público algumas contratações de artistas locais e que participam nas festas como bandas de apoio aos grandes da música.
 A este investimento somam-se outros que tem a ver com as horas, os recursos humanos e materiais que são suportados pelo Município. Estas realidades não devem ser esquecidas e deviam entrar também na contabilidade da festa que o Município quis açambarcar.
 As Festas da Cidade têm de ser feitas, nelas tem de se gastar dinheiro, mas há que ter um controlo dos gastos. É que o dinheiro faz falta !
 Quando uma Câmara Municipal aposta na realização e promoção das Festas da Cidade, que é só a cidade capital do concelho, tem de ter sempre presente o que essa decisão pode causar na tesouraria municipal.
 Num território com 12000 habitantes, 500.000 euros para uma festa de quatro dias, se não houver retorno económico, se os ganhos não superarem as despesas, estamos perante um buracão financeiro. São quatro noites de folia e umas horas durante a tarde, porque nas outras horas dos festejos, as pessoas, na sua grande maioria, estão a trabalhar.
 No fundo e sem rodeios, o que ganha o município com 4 dias de festa?
 Alegria, boa disposição, convívio, noites de ressacas seguidas, dias de trabalho de baixa produtividade, vendem-se milhões de litros de álcool, pratos de comida e reutilizam-se os copos antecipadamente pagos a um euro cada um…tudo decorre num recinto vedado e só os comerciantes presentes no espaço ganham com a festa. Ou seja, a festa é o que é e quem quer estar na festa tem de pagar as vezes que for preciso. Mesmo quem não ponha lá os pés é obrigado a contribuir, porque é com os impostos e taxas municipais que se pagam as despesas da festa. E a pergunta que devemos todos fazer ao senhor Vítor Proença, é esta:
 A Festa da Cidade do Sabugal 2026 paga-se a ela própria?
 Vou deixar alguns números:
 Pórtico e palco.................... 49.900,00 euros
 Diogo Piçarra e Vizinhos........... 46.000,00 euros
 Emanuel e Maxi..................... 17.400,00 euros
 Ana Bacalhau....................... 13.150,00 euros
 Espaço Infantil.................... 14.900,00 euros
 Tenda.............................. 74.485,00 euros
 Montar e desmontar equipamentos.... 25.700,00 euros
 Brindes,cartazes, flyers........... 22.470,00 euros
                       TOTAL :      264.005,00 euros + IVA
Nota 1:
Estes valores estão disponíveis no Portal Base. Há mais       ainda que não estão nesta amostra.

Nota 2:
OUTROS INVESTIMENTOS COM VALORES DESCONHECIDOS e que não
       estão disponíveis no Portal Base até ao dia de 18-06-2026,
       mas que estão contratados para a festa:

 - Brasa Doirada
- Dj Denix
- Prós & Contras
- Game Over
- Dj Piratas
- Armando Almeida
- Banda Índice
- Djs Squid
- Virgílio Faleiro
 Os números são só números!


A TRADIÇÃO...É TRADIÇÃO PARA FICAR!

 

Santos Populares em Malcata

 Uma festa popular é um momento de celebração, de convívio e de alegrias, que tem um impacto positivo nas pessoas que participam.
 São momentos de alegrar o coração e que fazem bem à mente!
 
 A música, o baile, as palmas e as tradições ajudam a promover boa disposição e quando a festa acontece num meio pequeno, tudo nos faz sentir parte integrante e acabamos por nos sentir parte da comunidade local. E o bom que a festa tem é que devemos aproveitar o momento, esquecer as pressas e cuidar dos excessos.

 Em Malcata, os arraiais dedicados ao São João, têm registos muito antigos e essa tradição tem-se continuado ao longo dos tempos, mas ao que parece, pode estar em vias de desaparecer. O problema não é deste ano, mas já se vem arrastando há uns tempos. Os voluntários “mordomos” têm-se repetido quase sempre todos os anos, a idade é sempre um dado a considerar e a saúde é a prioridade maior.
 O fulgor das pessoas continua em alta, não com a rivalidade e o despique de outros tempos entre os da Moita e os da Torrinha, mas é importante preservar esta festa tão típica na nossa terra.  Sou defensor desta festa popular e lanço daqui o apelo aos malcatenhos para não desistirem dos festejos do São João ou do São Pedro.
                                        Deus quer,
                                        o Homem sonha
                                        e a festa faz-se!

18/06/2026

ACESSO AOS SERVIÇOS BANCÁRIOS

 


      O Governo quer implementar a instalação de Caixas Multibanco nas freguesias mais isoladas e com dificuldades no acesso aos serviços bancários. O objectivo passa por proceder à colocação de máquinas Multibanco nas freguesias onde não existem. Os locais mais indicados parece ser nos edifícios das Juntas de Freguesia.
 O assunto está ainda a ser estudado e fala-se que ainda este ano, vai arrancar um projecto piloto em 20 freguesias. A Associação Nacional de Freguesias está disponível a ser parceiro, bem como o Ministério da Economia e o Banco de Portugal.
  Para além das normais caixas de multibanco, as Juntas de Freguesia que não adiram às caixas Multibanco, poderão disponibilizar dinheiro vivo aos habitantes da aldeia.
 O que se pretende com estas medidas é oferecer o acesso aos serviços bancários nas mais de 1000 freguesias que ainda não dispõem de qualquer caixa automática.
  A possibilidade de pessoas mais idosas, que não têm tanta familiaridade com os telemóveis e aplicações, a possibilidade de aceder a um Multibanco, é hoje, algo mesmo importante e essencial para se tratar de vários assuntos da sua vida, do seu dia a dia, da sua relação com o próprio Estado e serviços públicos.
 
 Qual é a intenção da Junta de Freguesia em relação à instalação, ou não, da Caixa Multibanco?
 Esta é uma situação que tem de ser tratada e claro, alguma coisa tem de se fazer para alterar e facilitar o acesso das pessoas a estes serviços.



12/06/2026

MUDAR SIM, ESTRAGAR NÃO !

 


  Camões é uma das figuras da literatura portuguesa e foi na poesia que ele se notabilizou. Um pouco por todo o país foram erigidos, ao longo dos anos, inúmeros monumentos alusivos a Luís de Camões, escolhido como símbolo de portugalidade, que todos os anos os portugueses comemoram a 10 de Junho.
 Por isso, não é de admirar, que se encontrem muitos monumentos erigidos em seu nome, marcando a paisagem de muitos espaços públicos de cidades e vilas de Portugal e também em vários países.
 No dia 13 de Junho de 1912 foi inaugurada a primeira estátua de Camões em Paris. Está suportado por um pedestal com cerca de 5 metros de altura, pode ser admirado no Jardim Camões, na Casa de Portugal.
 A cidade de Lisboa tem uma estátua desde 1867; na cidade do Porto foi inaugurada em 1980. Na cidade de Coimbra, Viseu, Leira, Peniche, tem monumento dedicado ao poeta. No Canadá, onde vivem milhares de portugueses, desde 2013, que se encontra no centro da maior cidade do país. Também no Brasil, Moçambique, Macau, Goa…são monumentos que se encontram nas terras de acolhimento dos portugueses espalhados pelo mundo.
 Isto é realmente sinal da universalidade desta figura da cultura portuguesa e com a qual os portugueses se identificam.
 O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que é celebrado anualmente a 10 de Junho, data da morte do poeta, é uma homenagem à nossa cultura e aos portugueses emigrantes pelo mundo. Por isso, surgiram ao longo dos anos, inúmeros monumentos dedicados a Camões, que perpetuam a ligação dos nossos emigrantes ao seu país. Foi por isso e a pensar no legado e no agradecimento, que a família Corceiro, emigrante na Argentina há muitos anos, surpreendeu a população de Malcata, uma pequena aldeia da beira, com a oferta do busto de Camões. Inaugurado em 12 de Setembro de 1969, o busto está colocado sobre um pedestal em pedra de granito e numa placa lemos:
 “A Luís de Camões imortal poeta cantor da raça
mandado erigir por José Manuel Corceiro e esposa
Domingas F. Nozeti, argentina, em memória de seus pais,
Manuel José Corceiro e Rosalina Gonçalves,
filhos desta terra e homenagem aos naturais
e emigrantes de Malcata”.



 No Verão de 2015, na aldeia de Malcata, aconteceu uma pequena homenagem com a participação da família Corceiro residente  Argentina, que numa noite de festa, prestou tributo a esta família de gente emigrante e que ainda hoje, tem
familiares vivos na nossa aldeia.

 E ao longo dos anos, o mundo vai mudando. A vontade dos homens em mudar para acompanhar o mundo e preservar o monumento nem sempre teve decisões acertadas. Algumas dessas mudanças deixaram os malcatenhos preocupados, irrequietos e apreensivos quanto ao futuro da estátua de Camões e sobre o seu papel na freguesia.
 
 Oxalá os problemas se fiquem por aqui e de uma vez por todas se assuma o compromisso sério de preservar, manter e cuidar deste monumento tão peculiar e tão raro ser visto em terras pequenas. Os malcatenhos têm o dever de cuidar bem do legado que lhes foi oferecido. É importante transmitir às futuras gerações a importância e o simbolismo do busto de Camões na nossa aldeia. No conjunto dos elementos patrimoniais da freguesia, este monumento é, sem qualquer sombra de dúvidas, uma marca identitária da nossa terra, que nos une e nos glorifica como comunidade. Não é só e apenas um busto em cima de um bloco de granito, é o compromisso que a freguesia aceitou cuidar e respeitar e que continua a representar a nossa memória histórica. A escolha de não esquecermos este legado está nas mentes de cada malcatenho e também na Junta de Freguesia, entidade que oficialmente representa toda a aldeia. Continuar a transmitir estes valores às novas gerações, defendendo sempre o pensamento de Camões e da família Corceiro, como caminho da união dos malcatenhos, há que continuar a ser cada um de nós, portugueses e malcatenhos, a ser o elo que é preciso para manter a união entre todos.
 Algumas imagens históricas:




04/06/2026

PONTOS DE INTERESSE EM MALCATA


 

 Em Malcata existem paisagem natural, água e História que está por contar. Não basta tudo isto para os malcatenhos nos sentirmos felizes e convencidos que somos os melhores.
 Uma coisa é verdade: há floresta, há água e isso vai acompanhar-nos sempre, mesmo que não se faça nada.
 O contacto com a natureza e com a água é feita por caminhos de terra, que nos levam a caminhar sós ou em grupo, em ambiente seguro e descontraído.
 Mas isto que vos falei é o que há em todos os lugares rurais do nosso país. Então como nos podemos diferenciar das outras terras?   Através das nossas gentes, sim as pessoas são a pedra de toque e abraçar quem nos vem visitar, levar essa gente a conhecer os lugares, o património, os sabores e a cultura do nosso povo.
 Então o que temos para oferecer aos que nos visitam?
 Que está a ser preparado para quem nos visitar nos próximos dias, meses?
 É certo que vai haver festas populares e que muitos vão repetir a ida à Zona de Lazer. Este lugar tem sido um dos nossos cartões de visita e isso tem sido bom. É um lugar tranquilo, óptimo para descansar e conviver com os amigos e família. Lá mais para a frente, na semana das festas, estamos a contar com animação e a feira de artesanato. São eventos que ajudam a chamar gente, animam os negócios locais e enchem as ruas de vida e crianças. Motivos suficientes para a aldeia transbordar de alegria. Mas, insuficiente para atrair visitantes de outras paragens, com mais poder de compra e interesses bem mais refinados.
 Sendo a natureza, a água e o território importante para alavancar o desenvolvimento económico e social da nossa terra, estamos ainda muito aquém do que precisamos para atrair visitantes. Onde estamos a apostar para aumentar o interesse dos turistas? Vamos continuar a cuidar apenas da Zona de Lazer? Que outros pontos de interesse e de visita obrigatória, queremos nós malcatenhos, dar a conhecer aos que nos visitam? Para mim Malcata é falar de cabrito assado, queijo e pão, mel de rosmaninho ou de urze, flor de carqueja e de lince da Malcata, é mostrar a torre e o forno, organizar visitas ao moinho e sentar o turista na Praça do Rossio a comer pão com chouriço, um doce e uma fatia de
pão-leve cozido em forma de barro. E eu pergunto: onde existem estas coisas deliciosas? Porque não se vendem?
 A falta destas iguarias à mão de todos, à vista de quem passa nas ruas, deixa-me a pensar nas razões de não haver sítio onde provar, comprar para si e para oferecer aos amigos.
 Porque não se criam oportunidades de negócio? Quem está a pensar e a preparar o futuro?   
 Que investimento está a ser feito, apoiado e acarinhado para fazer dinheiro, para criar empregos, para objectivamente desenvolver a freguesia?
 Que tipo de apoios estão a ser oferecidos aos que todos os dias trabalham e vivem na nossa aldeia?
 
A tranquilidade e a segurança, a paz e o sossego, a natureza e a água que a albufeira armazena, não chega. Isto há por muitos outros territórios e não é preciso viajar até à Serra de Sintra, as aldeias vizinhas têm o mesmo que Malcata.

 Então como atrair para Malcata quem gosta da natureza, água e tranquilidade durante as férias ou num fim-de-semana prolongado?
 Uma coisa eu tenho a certeza, Malcata não é só a área de lazer e dar a conhecer o que de melhor tem Malcata. Há muito mais!