31/01/2026

SABUGAL : SEM MÉDICO DURANTE O DIA DE HOJE

   

O aviso voltou este domingo ao 
Centro de Saúde do Sabugal. 






 É com tristeza e preocupação que leio estes avisos nas redes sociais. O Centro de Saúde do Sabugal ultimamente encontra-se de portas fechadas, com um aviso afixado na porta principal a avisar que das 8H até às 20H está sem atendimento a emergências.   O aviso já não espanta quem ali chega e bate com o nariz no vidro. O que me surpreende é a apatia dos senhores governantes do poder local, isso sim surpreende e magoa tanta ligeireza como estão a tratar da saúde dos habitantes deste território.

Sei que o assunto não é da responsabilidade do Município, que o Município não tem e não pode (segundo os senhores ) interferir no funcionamento daquele “departamento” que a ULSGuarda tem que gerir e manter em funcionamento.

É uma tristeza. E o povo do Sabugal vive feliz e contente,  não é para preocupação, se chegar à porta do Centro de Saúde e estiver fechada a porta, paciência, volta-se para casa com as mesmas dores e menos uns euros na bolsa. Coitados, se calhar os doutores e os enfermeiros foram chamados para acudir aos de Leiria, esses coitados, esses é que estão a sofrer…
E assim andamos, não se grita, não se exige o cumprimento do dever de cuidar da saúde do cidadão. Arranja-se sim a troco de pagar o que é um direito básico ao mais comum ser humano.
Para que sonham em multiusos e coisas grandes, quando as pessoas fogem das terras que não lhes asseguram os serviços de saúde básicos? Tudo será brevemente encerrado e algum nem aviso na porta. Compreendo o aviso, mas não aceito que o afixem tantas e tantas vezes ali e só na porta que está tão distante de Malcata, de Inguias ou Bendada…deixem-se de subsídios que não resolvem o problema e apenas enche os egos pessoais. Saúde é uma necessidade, não é luxo, não é a fazer de conta que me dói um dente ou um dedo da mão.
Quando é que o povo se mobiliza a sério?
Onde estão aqueles senhores que anunciaram a chegada de novos médicos ao Centro de Saúde do Sabugal, a quem lhes foi oferecido casa e mais regalias?
Será que a saúde não importa?
O Sabugal e todos os residentes e visitantes do concelho necessitam de Serviços de Apoio Permanente aberto 24 horas. 
Deixem de ser mesquinhos e egoístas! Muitos não têm dinheiro para usufruir de serviços de saúde em estabelecimentos particulares ou de meios de mobilidade próprios, são idosos, sem carta de condução, sem forças e sem saúde…

24/01/2026

PRESERVAR A TRADIÇÃO DA MATANÇA DO PORCO

 

Desmancha do porco em Malcata
(Tio Manel Augusto, avô João Pires e Carmo, minha companheira)

 A Associação Cultural e Desportiva de Malcata, na freguesia de Malcata, organizou para amanhã, 25 de Janeiro de 2026, mais um almoço convívio, (matança do porco).
 Neste almoço é o porco o rei da ementa, a fazer lembrar as matanças. O cartaz limita-se a publicitar o almoço e claro que está subentendido que os participantes poderão saborear pratos associados à carne do porco. O programa é omisso e não revela qualquer animação ou actividade para além do dito almoço convívio entre os participantes. 

 Mais uma almoço que se destaca apenas pelo ajuntamento de algumas pessoas que a organização aceitou durante o prazo de inscrição.
 O foco desta actividade está bem longe da tradicional matança e da preocupação na preservação cultural da matança do porco. Ao valorizar o convívio de comer carne de porco, a convite da associação, nada tem de especial, pois em qualquer altura do ano se pode comer carne de porco. Sim, é verdade que valoriza o convívio entre as pessoas que participam e a associação quer mostrar que está a defender e a preservar as tradições da matança. Estará mesmo interessada em lutar pela preservação da tradição? O convívio à mesa é sempre bom e deve ser sempre cultivado. Preservar, valorizar, enaltecer, divulgar os saberes e sabores da matança à moda da nossa aldeia, é muito mais trabalhoso e exigente, tanto na sua preparação como na apresentação e realização no dia combinado. Assim como vai fazer a ACDM, é pouco ambicioso e perde-se a oportunidade de transmitir às gerações do futuro uma tradição que nos foi legada pelos nossos antepassados (avós, pais). Porque uma matança do porco não é apenas comer carne de porco. E a associação, que tem nos seus estatutos defender, preservar, valorizar a cultura e o desporto, preocupa-se somente em juntar os sócios e não sócios para conviver e comer.
 É claro que para comer e conviver, num evento que junta pessoas de todas as idades e que até vêm de vários pontos do país para comer e conviver umas horas, a sala tem enchente garantida.
 A mim o que me deixa preocupado não é o almoço e as pessoas que nele vão participar. O que me deixa um pouco triste e cabisbaixo é verificar que as tradições que são a minha identidade com a aldeia onde nasci e cujas tradições vivi na minha infância com os meus familiares, vizinhos e todos os habitantes da aldeia, se esteja a desvalorizar, a aligeirar e a esquecer
toda a sua autenticidade. É por isto que participar num mero almoço convívio, que se pretende “colar”, “fazer crer”, que se está a preservar e a recriar a matança do porco de antigamente, teria que haver momentos bem mais ambiciosos e diferentes dos que estão no programa de amanhã. Mesmo com as imposições das leis, mesmo que o “marrano” tenha que ser abatido no matadouro autorizado, todos os passos seguintes da matança tradicional podem e devem ser feitos. E são tantos os passos da matança que dão para os participantes observar e até viver a experiência única de ajudar a “grande família de Malcata” a preservar a tradição da matança. Pegar na palha para queimar a pelugem, com a ajuda da carqueja ou de uma pedra, esfregar a pele do porco ao mesmo tempo que lhe deitam água quente em cima, entregar um troço enrolado de palha a um dos forasteiros, para ele levantar o rabo do animal e proceder à limpeza interna…ou então introduzir um par de unhas do animal, no bolso do casaco do emproado e distraído e soltar umas gargalhadas quando ele metesse as mãos ao bolso…ajudar a levar aos ombros o porco para ser pesado com a roldana e segurar no chambaril que o  vai sustentar de cabeça para baixo, por dois ou três dias…e a desmancha?
 Ah, isso é coisa de homens. E as mulheres ficam a ver? Calma Manel, sossega que para as mulheres não ficarem a olhar os homens a trabalhar e a rir, para elas e as filhas, está uma tarefa diferente, mais delicada e com responsabilidade muito grande. A tarefa das mulheres é acompanhar as Marias da aldeia até ao ribeiro e ajudar a lavar as tripas…enquanto outras ficam na cozinha da associação com a tarefa de olhar e aprender a cozinhar nas panelas de ferro.
 E isto que acabo de lembrar é apenas parte da matança do porco, à moda dos nossos antepassados. A desmancha, por exemplo, é também uma parte importante da matança. O pegar na “enchideira” e na tripa numa mão e com a outra cheia de carnes, enfiar tripa abaixo até cima, atar o baraço e sorrir pelo ter conseguido encher uma morcela, chouriça ou mesmo um “colhoto”…
 A matança dava muito trabalho. E preservar a cultura popular também.
 Vale a pena pensar nestas tradições, nos convívios e nos valores que as tradições têm na identidade cultural e social da nossa terra.
 Com um programa cultural como o que descrevi ou mesmo mais bem pensado ou até aligeirado, a freguesia de Malcata ganhava outra importância e a união e entre ajuda contribuiriam para a transmissão destes princípios de vida aos malcatenhos vindouros.
 Para comer carne de porco, fico-me por aqui, que diga-se a verdade, os rojões de porco à moda do Minho, estavam no ponto!
 Bom apetite para amanhã.

22/01/2026

VIVER A VIDA SEM PASSADO NÃO PRESTA



 Não deixem que o passado se apague, devemos todos fazer alguma coisa para que tal não aconteça. E essa luta não a podemos atirar para cima das costas da Junta de Freguesia. Há pessoas na aldeia, logo há cérebros e inteligência humana. Por isso, as pessoas de Malcata devem manifestar e exigir o que é melhor para todos, para os filhos e netos.

 Veja-se alguns exemplos de investimentos de milhares de euros, dinheiro de todos nós, e que resultados estão à vista?  O alojamento local instalado no antigo quartel da Guarda Fiscal, o rebanho das cabras sapadoras, dois empreendimentos avultados e importantes para o desenvolvimento económico e social da nossa terra. Alguém sabe como estão, como funcionam, quem os procura? Poucos estão informados e parece que também não lhe dão importância. Há muito a ganhar e Malcata tem muito a ganhar se as pessoas de Malcata mostrarem interesse em ganhar e dar a ganhar.