domingo, julho 30, 2023

MALCATA TEM ONDE COMER E ONDE DORMIR E MUITO MAIS

    

Ainda pode comer nos Minimercados Armindo e Cantinho do Ludo,
ou no Bar da Zona de Lazer, naturalmente!

Alojamentos locais e espaço para autocaravanas



   Na aldeia os cafés e os largos sempre desempenharam um papel importante para a vida social das pessoas. E apesar de todas as dificuldades económicas, de contínua saída de gente para fora, mesmo com o que se aguentou por causa da pandemia, das guerras e a subida dos preços em tudo, sejam em bens e/ou serviços, na nossa terra continuam todos com as portas abertas. Como nem toda a gente vai até à Zona de Lazer, na falta de outros espaços com condições para conviver descansadamente resguardados do calor, vão para os cafés a fazer o que é costume. Os homens jogam às cartas, seja ao “jogo da sueca”, à “bisca de 3 ou de 9” e quem sabe, joga ao “invido” ou “imbido” que os emigrantes argentinos espalharam pela terra. Como não jogam a dinheiro, os que perdem pagam os copos que ao longo da tarde se vão despejando.
 Já 
com as mulheres, que costumam as mais novas ir com os seus maridos tomar o café, juntam-se ali a uma mesa a conversar de tudo e mais não sei o quê…é conversas engatadas umas às outras, porque como só se encontram por altura das festas, já podemos imaginar a quantidade de matérias a revisar!
   Portanto, lá pela aldeia está tudo bem, tudo como de costume, haja saúde e dinheiro para as coisas essenciais não faltarem, venha a festa que o resto em Malcata, está como está em Abrantes, tudo como dantes!

   Boas férias.
                               José Nunes Martins

sábado, junho 24, 2023

MALCATA: SÃO JOÃO É NA MOITA

   

Festejar para não esquecer

 

   

   Recordo-me dos meus tempos de garoto na aldeia, onde se celebrava o São João, popular santo e que o povo gostava de festejar. Nesses anos sessenta, na aldeia sentia-se e vivia-se aquele espírito de “povo unido” e pronto para festa ou trabalho. Talvez por esses motivos as festas eram tão alegres e divertidas.
   E o São João, esse popular festivaleiro, punha toda a aldeia em alvoroço durante pelo menos um mês antes de 23 de Junho. As noites eram para cada rua juntar os seus moradores e fazerem os arcos mais bonitos e mais vistosos para a festa. O empenho era muito e todo o trabalho era feito em segredo, isto para que as outras ruas não copiassem as ideias da nossa! Noite após noite, à luz das candeias e dos candeeiros, entre montes de papeis coloridos, tesouras e cordões, a sala ou lá onde fosse, transformava-se num atelier de costura e artesanato de papel. Era preciso muitos cuidados na Confecção e principalmente no enrolar dos arcos. Um mal enrolado podia resultar num arco partido, emaranhado e tirava a pessoa do sério quando andava a enfeitar a rua.
   E no dia da festa, todos apareciam no Rossio para dar um pé de dança ao som do tocador de concertina!  

 

   São João para ver as moças
   Fez uma fonte de prata
   As moças não vão a ela
   São João todo se mata.

                                             José Nunes Martins

quinta-feira, junho 15, 2023

MALCATA DESPERTA PARA O TURISMO DA NATUREZA

      

Malcata Naturalmente Alojamento (Foto JFM)
                                                                                


   Eu sou a favor do alojamento local, contudo, sou contra a gestão desse alojamento local vir a ser da responsabilidade da Junta de Freguesia. Mesmo que esta decisão tenha sido assumida com a melhor das intenções, estamos perante a forte possibilidade de se fazer uma concorrência desleal aos outros alojamentos locais que já estão no mercado e aos que possam vir a surgir. Porquê? Por diversas razões que me escuso de referir, lembrando apenas aquelas que me parecem importantes: prácticas e preços. Basta que estes dois factores não reflictam os custos verdadeiros, os custos reais e são mais que suficientes para retirar clientes dos privados para o alojamento da autarquia.

   E a Junta de Freguesia, que me pareceu bem aquilo que fez em relação à exploração do Bar da Zona de Lazer a empresas privadas, anunciando concurso e depois assinando um protocolo, podia da mesma forma ou em hasta pública, socorrer-se da mesma solução para a exploração do alojamento local.
   A notícia da abertura do AL-Malcata Naturalmente Alojamento foi do agrado de todos e de mim próprio. Lendo essa mesma notícia fiquei a pensar nas motivações e nas futuras estratégias que a autarquia pensa implementar. Dizem que “é desta forma, a aposta na criação deste alojamento local, visa reforçar o alojamento já disponível e estabelecer um meio para dinamizar a economia local e promover o nosso concelho”.
  
Sim tudo é verdade, como escrevem. Só que todos sabemos o número de trabalhadores que a Junta de Freguesia dispõe. E também sabemos que são insuficientes para manter uma estrutura de AL em regular funcionamento. Dizem que visa reforçar o que já existe e ambicionam dinamizar a economia local. Nunca referem na criação de postos de trabalho ou na criação de novos investidores. O que está em jogo é o interesse maior da freguesia ou da Junta de Freguesia? Quando a Junta responde ao cidadão que pergunta acerca das “reservas”, respondendo com “Sim”, fico com a sensação de que a pergunta é incómoda! Pois, na minha opinião, o que aqui está em causa é precisamente a pouca informação, a resposta ser tão taxativa e sem mais explicações. No meu entender, existe aqui falta de mais esclarecimentos, até para desfazer as dúvidas de quem leu o que escreveram. O quartel é então um alojamento local, mais concretamente um hostel. Continuo a dizer que foi boa essa ideia e apoio essa saída para a valorização daquele edifício, que tanto dinheiro já absorveu dos cidadãos do nosso concelho. O que eu volto a repetir é que sou contra a exploração desse novo alojamento estar a cargo da Junta de Freguesia. Sugiro que façam uma avaliação da situação, pensem em protocolos, concursos, hasta pública, com os privados da freguesia e da região e libertem a autarquia de mais uma gestão e dores de cabeça.
   Ah! A Assembleia de Freguesia também deve ser consultada e as decisões futuras devem ser assumidas com responsabilidade política, tendo em conta as leis e a democracia, bem como os limites temporais do poder que agora governa a freguesia.

                                                       
José Nunes Martins

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