21/08/2026

COMO VIVEU MALCATA A FESTA DE SÃO BARNABÉ?

 

Festa de Malcata para recordar

 A Festa de Malcata 2026 já está nos anais da história da nossa aldeia. Os dias seguintes são dedicados às arrumações e às conversas sobre o filme da festa deste ano. Apesar de cansadas as pessoas arranjam sempre vontade de contar aos vizinhos, amigos e familiares a sua opinião sobre a festa em honra de São Barnabé. Enquanto se vão arrumando as coisas e limpam as casas, há sempre momentos de pausa obrigatória e então é nesses momentos que se fala da festa, como correu, as surpresas que aconteceram e o juízo de cada um.
 As Festas de Malcata são, muito provavelmente, o momento mais alto e mais popular do ano que se realiza na nossa aldeia.

 Há uns anos, lembro-me das conversas, dos mordomos, acerca dos bailes e dos “conjuntos de música” e da recomendação que o padre Lourenço lhes fazia: os bailaricos e tudo o que não fosse de carácter religioso só podia começar no fim das pregações na igreja. Os mordomos cumpriam esta ordem do senhor prior e o povo também acatava, apesar de alguns não gostarem lá muito, pois, muitas vezes, as cerimónias demoravam mais tempo do que o previsto e o recinto das festas estava vazio e sem ninguém, o bar estava às moscas e não fazia dinheiro, etc. etc.
  Nesses tempos, a festa da aldeia era algo de muito importante. Hoje é difícil explicar esse sentimento aos mais novos. Apesar de eles ainda virem a Malcata por altura da festa, antigamente era o maior encontro do povo na aldeia e era quase uma “obrigação” dos malcatenhos virem à terra para marcar presença na festa. A festa de Agosto faziam-se no adro da igreja e já não são da minha memória quando começaram a ser feitas no Rossio.
 Havia momentos que marcavam a festa todos os anos: alvorada, banda da música filarmónica, missa solene, procissões e ramo das ofertas com baile.
 Vale a pena partilhar as palavras do José Rei no livro que escreveu sobre Malcata e a Serra:
  “Enquanto o Ramo decorria, as crianças amontoavam-se à volta do homem das amêndoas e dos santinhos de açúcar. Nas pausas do Ramo. O tocador do acordeão abrilhantava o baile. De vez enquanto também tocava a Banda da Música, porque o mais importante era que o Ramo corresse bem. Pouco se dançava na tarde da Festa, ficando o baile adiado para depois da ceia.
 Só a partir da década de 60 começaram a aparecer os conjuntos de música. A Música, a Banda da Música, ao por do sol abalava e todos ficavam um pouco mais tristes. Contudo, num derradeiro esforço anímico, a mocidade ainda acompanhava efusivamente a Música até ao momento da partida. Quando os mordomos eram rijos, a festa acabava como havia começado: com foguetes, mas de lágrimas, que a pequenada tentava em vão agarrar”. 

 Sobre a Festa em Honra de São Barnabé 2026, deixo estas perguntas:

 1-  Como foi a festa deste ano?
 2-  Qual o verdadeiro sentido da Festa em Honra de S. Barnabé?
 3-  Se fosse mordomo o que propunha para a festa?
 
 

14/08/2026

MALCATA FESTEJOU SÃO BARNABÉ

  


 A Festa de Malcata em honra de São Barnabé em 2026 chegou ao fim no domingo passado, após uma semana de múltiplas actividades de todo o género e para todos os públicos.

 Segundo o que tenho observado nas redes sociais, nomeadamente aqui:

 https://www.facebook.com/festasmalcata( página oficial da mordomia),acorreram a Malcata muitas pessoas e participaram nos vários eventos do programa festivo. E este ano os mordomos podem finalmente descansar mais umas horas, depois da quinzena bem cheia de trabalho.

 

 A Festa terminou no Domingo à noite e desde então, agora que passou a festa, os mordomos têm publicado imagens e vídeos sobre a mesma. Até agora, sexta-feira de manhã, estou a gostar de ver através das imagens e tudo indica que a festa foi boa, participada e deixou as pessoas felizes.

 Fico ainda a aguardar mais algumas publicações e opiniões daqueles que participaram na festa.

 Para memória futura das festas de Malcata, em jeito de balanço, muito gostaria que as pessoas de Malcata ou que visitaram a aldeia durante as festas, partilhassem alguma ideia, experiência, louvor, aplauso ou o que acharam da festa deste ano, do seu programa, dos mordomos e da sua organização, falassem um pouco daquilo que lhes vai na alma.

 Eu durante a festa fui seguindo à distância e pacientemente aguardei por notícias. Apresento aqui os meus elogios aos mordomos o plano das publicações. Agora é mesmo chegado o momento certo para partilhar informação, experiências, desabafos, agradecimentos, desafios para futuro.

 Vou aguardar então mais uns dias para depois de conhecer as imagens e as vossas opiniões, fazer o meu comentário. Os tempos de agora são de análise e reflexão.

 

07/08/2026

A MAIOR FESTA ERA EM AGOSTO

  

A aldeia fica toda enfeitada


 A festa no mês de Agosto era a maior do ano e todos apareciam para celebrar.
 Antes da abalada dos malcatenhos para o estrangeiro, já regressavam todos aqueles que tinham deixado a aldeia e viviam nos arredores das grandes cidades de Lisboa, Porto ou Coimbra. Mas com a "pandemia" da emigração tudo mudou. Mantém-se ainda a tradição de celebrar a festa no segundo domingo de Agosto.
 O regresso dos emigrantes à aldeia enche de alegria e vivacidade, conforme está a acontecer na nossa. Claro que no resto do ano a vida na aldeia continua a viver-se, mas num ritmo mais brando e mais triste.

 Os emigrantes ainda mantêm o costume de passar a festa à sua terra. Continuam a chegar no mês de Agosto, com bons carros, muitas malas e
com vontade de alegrar toda a gente. A igreja enche aos domingos e é mais difícil aos atrasados encontrar um assento livre, nada que os incomode, pois assistem à missa encostados às paredes laterais ou tentam a sorte subindo até ao coro.
 Durante uma semana, os mordomos da festa andam de um lado para o outro e trabalham para que tudo fique perfeito e as pessoas se divirtam.
 As pessoas encontram-se nas ruas, no minimercado e nos cafés. As crianças a
correr à vontade pela calçada, de bicicleta ou trotinete, deixando os pais de olho nos perigos que possam aparecer. Há abraços, beijos a dobrar, cumprimentos de mão, sorrisos e conversas sobre os mais variados temas e
que há muito esperavam ficar em dia. Â noite o ponto de encontro é o Rossio, onde decorre o bailarico, a feira de artesanato e o
nde há muita música  variada, luzes coloridas, bar sempre aberto com alguns petiscos para retemperar as forças.  São pelo menos três a cinco noites de música e bailarico até altas horas da madrugada.
 As festas trazem à memórias recordações e nem sempre felizes e alegres. Quem não se lembra das zaragatas ao Rossio? A rivalidade entre famílias, entre as aldeias vizinhas, zangas entre dois homens desconhecidos um do outro, mas com uns "copos" a mais? Tenho na minha memória a imagem de uma torre de 5 grades de minis, empilhadas umas em cima das outras, rodeadas por um grupo de rapazes, todos da mesma aldeia vizinha da nossa, que não pararam de dar conta do recado e de barriga a transbordar, desataram aos murros e pontapés a um jovem da terra, simplesmente por passar e ter mostrado todo o seu sorriso? Foi levado como "mangação" e daí nasceu a porrada...
 Outros tempos, outras formas de encarar a vida e a festa, pois mesmo em dia de festa grande, tinham quase sempre de haver porrada da boa. Ainda bem que a tradição agora mudou e a liberdade ajudou muito. 
 E a festa em Malcata vai acontecendo. No segundo domingo de Agosto os malcatenhos já esperam pela festa em honra de São Barnabé., o Orago da Freguesia de Malcata. O Santo Barnabé, natural do Chipre, foi companheiro de Paulo (Santo) e viveu a sua vida a evangelizar as comunidades.  
  Para já e por agora, ainda regressam muitos emigrantes à nossa aldeia para o gozo das suas férias. O problema é que começa a verificar-se que os mais jovens já optam por partir para outros destinos, logo após o dia da festa. E esta tendência vai ainda acentuar-se mais quando as crianças já forem mais crescidas e o facto de não terem nascido na aldeia, com a influência da sociedade consumista em que crescem, a partilha de informação turística e oferta de novas experiências, vão afastar-se ainda mais da aldeia dos seus pais e avós.
 Mas este movimento e tendência não acontece só na nossa aldeia, também se verifica nas outras terras. 
 O mês de Agosto é complicado para os novos e mais idosos. Uns e outros encontram pela frente a barreira da linguagem e o entendimento entre avós e netos nem sempre é fácil. 
 A tarefa dos mordomos não é fácil, nunca é fácil. Parabéns a todos os mordomos de 2026, os dias estão a decorrer e o que desejo é que o vosso trabalho valha o esforço de vários meses e de algumas noites sem descanso.   Ainda vos espera muito trabalho e algumas preocupações, mas será uma missão em prol das gentes de Malcata e que com toda a certeza, saberão reconhecer e valorizar o vosso trabalho em favor da comunidade. 
  
O vendedor de amêndoas era presença certa.