18/01/2026

QUALIDADE DA ÁGUA EM MALCATA

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      ÁGUA DA FREGUESIA NÃO É TOTOLOTO!
              Pode estar em risco
                  a saúde pública.
                
 


Reservatório de água


 As pessoas que residem permanentemente na nossa aldeia, devem mostrar maior interesse e preocupação pelo que vai acontecendo na freguesia, por exemplo, sobre a água da rede pública que abastece a aldeia.

 A água nem sempre se encontra nas melhores condições de ser consumida pelas pessoas e animais. O ano passado ficou marcado pelo corte da água da rede. A presença de coliformes e outras bactérias associadas, puseram em risco a saúde dos consumidores. A empresa que faz a gestão da rede de abastecimento viu-se forçada a difundir um aviso a proibir o consumo de água da rede, nem mesmo fervida, devia ser utilizada para confeccionar alimentos! As queixas foram aparecendo e algumas pessoas manifestaram publicamente os problemas por que estavam a passar ou passaram e nunca os associaram à água da rede pública. Foram precisos vários dias e duas análises para ser reposta a água nos canos da rede pública. Felizmente que a Junta de Freguesia se preocupou com a situação e tudo fez para resolver favoravelmente a situação. Foram dias difíceis e de grande preocupação para todos. Agora que a água já corre na rede há quatro meses, alguém já quis saber sobre a qualidade da água que agora está a consumir? A APAL-SIM, empresa responsável pelas redes de água pública no concelho do Sabugal, tem no seu calendário anual, a obrigatoriedade de efectuar recolhas de amostra da água e enviar para análises trimestralmente e deve publicar os resultados obtidos e caso necessário, agir em conformidade. Ora como o quarto trimestre já passou, já os consumidores deviam ter acesso aos resultados das análises que fizeram. Visitei o site da APAL-SIM e a Zona de Abastecimento de Água na nossa freguesia não consta o último trimestre de 2025, o trimestre posterior ao período da contaminação. E já se
deviam conhecer as análises que incluem os últimos três meses do ano passado! A ausência de informação deve deixar as pessoas da nossa freguesia em alerta, pois é importante conhecer as análises á água da rede.
 Já agora, quem sabe a proveniência da água que abastece actualmente a nossa aldeia? Eu lembro que, em Setembro de 2025, foi afirmado e confirmado por escrito, que a nova adutora (conduta) de abastecimento de água até ao reservatório da Rasa, estaria para muito breve, estava somente à espera da chegada e respectiva montagem do contador da entrada de água no reservatório! De Setembro de 2025 ao dia de hoje, passaram mais de 90 dias.
Qual é o Local de Abastecimento da água da rede pública que se consome na freguesia de Malcata?
 É dever, do poder local e da APAL-SIM, prestar esclarecimentos aos cidadãos.
 Nota: ainda não está disponível o resultado das análises da água da rede pública, da Zona de abastecimento de Malcata, relativa ao quarto trimestre de 2025. E é preocupante verificar que o quarto trimestre do ano de 2025 se seguir o caminho dos anteriores boletins de análises de 2024, só estarão visíveis e para consulta no Site da APAL-SIM em Março de 2026... digamos que é tarde demais para a divulgação dos resultados dos meses de Outubro, Novembro e Dezembro!
 

10/01/2026

ASSEMBLEIA GERAL DA ACDM - Malcata

   


 No próximo dia 24 de Janeiro vai realizar-se a Assembleia Geral da Associação Cultural e Desportiva de Malcata. A convocatória já foi publicada nas redes sociais. É a oportunidade dos sócios interessados em cumprir o seu dever cívico de associado, como os Estatutos determinam. Não era e não é fácil a muitos sócios deslocarem-se às Assembleias, mas deixo aqui o apelo aos que se encontram nas proximidades do concelho do Sabugal ou os que vivem na nossa terra, para pensarem na sua participação, pois é importante para o futuro da Associação que assim aconteça. O lugar da assembleia é no sítio do costume, não precisam de ir no comboio ou transporte público, chegam lá mesmo a pé e rápido.

 A participação dos sócios nas assembleias é importante e é sempre um contributo positivo para continuação da associação de portas abertas. É nestas ocasiões das assembleias que se reforçam os conhecimentos e os debates dos assuntos em discussão e muitos outros que apareçam. Tudo e todos juntos contribuem para o debate, o esclarecimento e ajudam na resolução dos problemas e dos programas futuros.
  Nesta assembleia de Janeiro vão estar na ordem de trabalhos pontos importantes para a associação. A apresentação das contas do ano que passou e a sua aprovação; segue-se a apresentação, votação do Plano de Actividades para 2026 e termina com aqueles assuntos que os sócios acharem por bem discutir.
 Eu, pecador confesso e assumido, sei que não tenho sido bom exemplo como sócio e estou em falta no que diz respeito ao pagamento das quotas anuais. Tenho as minhas justificações e não vou estar em pessoa na reunião agora anunciada para Janeiro. A verdade é que nunca me foi solicitado que procedesse ao meu pagamento. Também é verdade que nunca me perguntaram se havia ou existe alguma razão para não regularizar a situação. Sou sócio não pagante e não participante nas assembleias e nas actividades que a associação vem fazendo desde 2016, sim já vai para dez anos. Muitas coisas mudaram e muita água já passou por baixo da ponte. Também ultimamente nada muda porque nada se faz para mudar ou acrescentar, pois as actividades anuais que são aprovadas repetem-se todos os anos e não espelham as tradições, os costumes e os saberes malcatenhos, valores que nos legaram os nossos antepassados. Quando decidirem caminhar juntos por outros caminhos e para alcançar outros objectivos que promovam a freguesia, a sua cultura e desporto, podem convidar e irei.
 Bom ano para todos. 

09/01/2026

O MAIOR REBANHO DE CABRAS NA SERRA DA MALCATA

 

   


Rebanho na Malcata
 (Foto JFM)

  Será que em Malcata já se falou sobre a necessidade de haver cabras nos montes?
  Há poucos dias, nos finais do ano passado, surgiu a notícia que as cabras estavam de regresso à serra da nossa aldeia. E o anúncio veio acompanhado de algumas fotografias do novo rebanho. Ora as cabras para os malcatenhos não é novidade, pois noutros tempos as cabras eram um dos sustentos para as famílias. Por isso, pelo menos duas ou três cabeças era o habitual ver nas lojas. A notícia é importante por causa do número de animais que chegaram ao mesmo tempo, são muitas cabeças e realmente pelas imagens o rebanho ultrapassa a centena de exemplares. As tão faladas cabras sapadoras finalmente instalaram-se no novo curral/bardo que a Junta de Freguesia mandou construir nos terrenos dos baldios da aldeia.
  É provavelmente o único rebanho na nossa freguesia. Já dá para perceber que vão dar muito trabalho aos pastores e outras pessoas da nossa terra. A grandeza do rebanho, para além do número de cabras, está plasmada no enorme potencial que ainda está por explorar. E gerir bem é meio caminho para alcançar os objectivos pretendidos com o projecto em causa. Estão feitos os primeiros passos para que se faça renascer a pastorícia.  E isto faz-me recuar aos meus tempos de escola primária, que era normal encontrar o pastor com o seu rebanho pelas ruas da aldeia a caminho dos montes. Via cabras nas ruas, nos lameiros, nas bermas dos caminhos a devorar silvas e ramalhos e se havia petisco que elas apreciavam, era roubar de vez em quando umas folhas de couve ou nabo do chão do vizinho.
  Quando apareceram as empresas de celulose a fazer plantações lá para os Alísios, a Machoca, os Forninhos, Espigal, Chãos da Serra, parece que trouxeram maus ventos, foi uma debandada de pessoas, animais, desapareceu a agricultura e as pastagens nas clareiras dos pinhais, tudo ficou plantado com espécies novas e da mesma família das resinosas, mas cresciam muito mais em direcção aos céus. Foram plantados milhares de pinheiros, bem alinhados e com bons caminhos para as máquinas das limpezas. O que ninguém vislumbrou foi o que se seguiu anos depois. Os pinhos cresceram, foram bem mantidos e por lá se desenvolveram e desenvolvem. O pior foi o restante da floresta, dos bichos e dos humanos. Nos pinhais não cresceu e não cresce quase mais nada, o que havia foi sendo engolido, o solo está cheio de caruma, pinhas e pequenos arbustos, os coelhos deram à sola e os gatos bravios e linces, os lobos e as raposas não se ficaram a rir, abalaram também porque não tinham o que comer. Os humanos foram empurrados para fora da serra porque era mais importante preservar o habitat natural do lince ibérico. Qualquer tentativa de cultivo ou intrusão na floresta natural da serra, era castigada com repreensões e desagrados. O mato foi crescendo ao lado dos pinhos e das giestas. Os carvoeiros foram embora e partiram para a França, lá eram mais bem pagos e reconhecido o seu trabalho. Tudo foi caindo e morrendo, esquecido e o povo voltou as costas à floresta.

  Agora, quando olho para as imagens deste rebanho, já me estou a ver a comer queijo com pão. E estou a sonhar com aquele queijo fresco, de dois dias de cura, feito em casa, com a coalhada dentro do acincho e o soro a escorrer pelo bico da francela até cair no alguidar. Esse é que é o verdadeiro queijo fresco, feito de leite e algum cardo, sem farinha, mas com algumas pedrinhas de sal grosso. Quem não tem essas imagens na cabeça e a boca a salivar, nunca passou pela boa experiência do que é comer queijo fresco. E é disto que fico à espera de um dia voltar a experimentar. Eu ficarei satisfeito e quem estivar comigo, sentirá que vale a pena consumir produto bom, genuíno e além da excelente qualidade e sabor, alegra a comunidade, aconchega o estomago e faz aumentar a autoestima de todos.
  As cabras, os que as tratam e cuidam, são por isso importantes em todo esta fileira da pastorícia.
  Acredito que o rebanho das cabras serranas pode alterar a vida das pessoas que residem na nossa aldeia. É um projecto que a nossa gente tem de acarinhar, valorizar e estar disposto a colaborar no crescimento desta empreitada. Que ele seja uma das alavancas do desenvolvimento sustentável e da criação de uma rede económica baseada na ideia da economia circular.
  Deus ajuda sempre, nós é que temos de fazer a nossa parte.
  Vamos lá apoiar as cabras e os pastores.