12/09/2024

O QUE FAZER NUM MOMENTO DE APERTO?

 

                                             A realidade que o presépio
                                                     esconde e ninguém fala: contentor w.c.

   Uma cidade deve permitir que os que nela vivem e os que a visitam, tenham acesso a serviços públicos que uma Vila não oferece. As instalações sanitárias públicas, particularmente em zonas de espaços como é o Largo da Fonte, onde as pessoas passam mais tempo e, muitas vezes com crianças, sem esquecer os grandes eventos com afluência de multidões. Desde 2021 que o Largo da Fonte não possui instalações de casas de banho dignas. Toda a gente sente a dificuldade em encontrar instalações sanitárias públicas naquela zona da cidade. A solução encontrada pela Câmara Municipal não tem as condições exigidas e o acesso não é para todos os cidadãos.
   É urgente que a Câmara Municipal do Sabugal instale no Largo da Fonte instalações sanitárias públicas, com todas as condições de funcionamento e acesso para todos os cidadãos.
   Os políticos de hoje andam mais ocupados com eventos populares e com marcar presença em todos eles, porque já estão com o pensamento no futuro, que está longe de ser a construção necessária. Eles sabem que o povo aguenta até às últimas e quando não houver mais papel higiénico nos cafés, encontrarão escuridão numa qualquer esquina. 
  


NATAL NATURAL: AMAR

  

                                 Presidente do Município do Sabugal discursa 
                                 na inauguração do Sabugal Presépio"2024

   Dei-me ao trabalho de pegar numa calculadora e fazer a soma dos gastos da Câmara Municipal do Sabugal já fez durante a época deste Natal. Consultei a página dos ajustes directos  https://www.base.gov.pt/Base4/pt ), e pesquisei por "Sabugal" e até ao dia de Dezembro, a soma dos valores dos contratos publicados contabilizavam  despesas no valor de 205.727,50 euros, ao que há acrescentar o valos do Iva.

   O último ajuste directo é relativo ao fogo de artifício para os 5 castelos das Vilas Medievais de Sortelha, Alfaiates, Vilar Maior, Vila de Touro e Sabugal, no valor de 30.000,00 euros.
   Quantos dos sabugalenses viveriam um Natal melhor com alguma fatia deste bolo?
   É mesmo um grande presépio natural que desde o seu nascimento, tem vindo a crescer em tudo, a começar pela divulgação do evento. E cada ano os habitantes do concelho são surpreendidos com a oferta de presentes disfarçados de brinquedos grandes e vistosos, como a  pista dos carrinhos de choque, a tenda climatizada, a cadeira do Pai Natal, esta safada figura que nas palavras dos autarcas, não entram nesta história, porque o natural é haver o menino Jesus .
   
  
Em trinta dias gastam à farta, porque o povo gosta de festa, quer sair de casa e ir ao Sabugal viver o Natal. No final da festa,  regressam às suas aldeias em noites frias e inundadas de solidão.  
   
   Será que o mundo se está a transformar em num grande negócio, onde as  empresas de aquisições de bens e serviços vendem sonhos de Natal às Câmaras Municipais?  Colam-se ao poder local como se fossem uma espécie de lapas que se colam às rochas e dali ninguém as tira e sempre que se aproxima uma data festiva, apresentam-se prontas a servir ? 
   Tanta festa promovida pelos senhores do poder local, para quem não há limites de gastos e
se as pessoas gostam de festas e bolos, então que seja tudo à grande e à francesa!
   O Presépio já abriu as portas para o povo entrar e quanto aos custos, ainda ninguém sabe.
   O que eu sei é que as coisas simples muitas vezes têm mais beleza e maior valor porque se fazem para mostrar que o amor é simplesmente amar.

   
   

  
 

12/07/2024

NATAL NA MINHA ALDEIA _ MALCATA

    


   As ruas da minha aldeia continuam tristes nesta época de festa. Vem aí mais um Natal e o presépio. Lembro-me de em criança ir aos musgos e paus velhos cobertos de uma espécie de musgo e uma ida ao pinhal procurar o pinheirinho mais perfeito de todos, com ramos verdes e bem composto.
   Actualmente o Natal é mais plástico que imita o que antes era natural. Já são muito poucos que ainda se juntam e de cesta na mão, vão aos musgos para depois fazer o presépio, com aquelas figuras de barro, pontes, casas, moinhos…um mundo de faz de conta em barro.
   O Natal é um delírio comercial e político vestido de carneiro manso e mãos largas. Desde Outubro que andam a enviar para publicação as compras que vão fazendo para fazer a festa de Natal. Como são poucos, falta quem ligue as luzes de Natal, monte todo o circo, pense e dê vida às ideias dos colaboradores incumbidos de montar todo o evento natalício.
   Como nesta época do ano os dias têm menos luz solar, a noite chega mais cedo e é muito bonito andar pelas ruas com tantas luzinhas a piscar. A entrada da nossa aldeia está toda iluminada, com a Senhora dos Caminhos em destaque, não precisava de tantas luzes, porque as árvores estão iluminadas e o recinto deixou de estar às escuras como sempre está no resto do ano. Aqui há a luz que não existe  
nas ruas da aldeia que, por falta de não sei de quê, não mereceram ficar enfeitadas, por razões que desconheço e alguém sabe porque enfeitam a entrada da aldeia, a Torre do Relógio e a Sede da autarquia. A magia das luzes de Natal nas ruas deixam as pessoas mais alegres, mais convidativas a sair de casa.
   Noutros tempos, para iluminar as igrejas, acendiam-se velas, enquanto cá fora, a escuridão escondia os rostos de quem por necessidade caminhava nas ruas. Com a chegada da luz eléctrica, tudo mudou, mas depois destes anos todos, talvez uns 52 anos, as ruas da aldeia continuam às escuras no Natal. Vivem e encolhem os ombros, aceitando e não resmungando, não perguntando, pensam que se a aldeia está às escuras, é porque ninguém as iluminou!
    A aldeia é a que os seus habitantes desejam que seja, é onde as pessoas vivem com o que têm.  Há que ganhar coragem de encarar a realidade e questionarem-se uns aos outros se alguma coisa podem fazer para mudar, mesmo que seja cada casa ficar iluminada durante este mês de Dezembro.


                    Luzes e música em Matosinhos: