05/11/2026

O CANTONEIRO E AS CABRAS SAPADORAS

 A dedicação que merece respeito e segurança.


Na última assembleia de freguesia, realizada em 28 de Setembro, o senhor presidente da junta partilhou uma informação importante: um trabalhador assinou um contrato de trabalho a termo certo, sendo renovável.
  Ora todos sabemos que esse trabalhador tem sido a pessoa que anda com as cabras, ou seja, tem exercido as funções de pastor. Também todos sabemos que, antes da chegada das cabras, esse mesmo trabalhador, já exercia as funções de Assistente Operacional-Cantoneiro, na área da nossa freguesia. Era ele que limpava as ruas e os espaços públicos, que fazia tudo o que lhe dissessem para fazer. 
  Com a leitura da minuta da acta da reunião de Setembro, fiquei a saber que o trabalhador que anda a pastorear, tratar e assegurar o bem estar das cabras do rebanho, teve que enfrentar uma forte e violenta praga de pulgas com origem nos animais do rebanho. E a situação foi mesmo grave, pois a empresa de desinfestação teve que visitar a residência do trabalhador que pernoita na sua casa, que se encontra no núcleo central da nossa freguesia. De repente e de um dia para outro, o homem que limpava ruas e praças, fontes, tanques e áreas de lazer, foi deslocado para a serra e todos os dias a fazer de pastor, sem que ninguém se tenha preocupado em garantir e aplicar todas as garantias e condições para esta mudança de tarefas, nomeadamente aqueles procedimentos de assegurar roupas, calçado, medicamentos de prevenção, vacinas em dia e apropriadas para aquele género de trabalho...bastou uma conversa e um salário mensal, um sorriso e desejos de boa sorte e que não lhe faltariam apoios. 
  No início de Outubro, a Junta de Freguesia abriu um procedimento para recrutar um Assistente Operacional-Cantoneiro, para integrar o mapa de pessoal da Freguesia no ano de 2026, com contrato de trabalho em funções públicas, sem termo. Este concurso ainda está a decorrer, pois é um processo lento e demora a chegar à decisão final do júri. No melhor dos cenários, a pessoa escolhida para ocupar o lugar de assistente operacional-cantoneiro ( e também pode vir a tratar de animais ), iniciará o seu contrato nos princípios de Janeiro de 2027, mesmo com o contrato assinado até 31 de Dezembro de 2026! Tudo isto acontece no mesmo espaço de tempo em que as malditas pulgas decidiram atacar o rebanho e o pastor. Ou seja, juntaram-se dois contratos e uma praga de pulgas e o tempo já está muito apertado para as coisas terem um fim feliz ainda este ano.
  Será que quando vieram as cabras, o cantoneiro, que todos os dias de sol ou chuva, trabalhava com as mãos e a ajuda de uma pá e um carro-de-mão, a limpar as ruas e outros lugares públicos, recebeu ordens e sendo pessoa obediente, trabalhadora, leal e dedicado, simples e humilde, aceitou as mudanças de funções e de espaço?
  Conhecendo a pessoa em causa, sabendo que guardar animais/cabras no monte é trabalho que já tinha feito, quando aceitou mudar estava longe de imaginar que fosse vítima de tão feroz ataque de pulgas. O importante era garantir trabalho e dinheiro no fim do mês! E tudo o resto ia-se vendo como corria...só que estes acontecimentos ocorrem sob a responsabilidade de uma autarquia, uma Junta de Freguesia. Eu até posso compreender a intenção da junta de freguesia em querer fazer o que já devia ter feito. Os dois lados sabem o que andam a fazer dia a dia com as cabras, com o subir e descer a serra, limpar instalações, acompanhar as mães e as crias, chamar e acompanhar o veterinário responsável pela exploração, comprar ração e feno para a alimentação, comprar brincos de várias cores, etc, etc,...mas sendo muitas coisas, não chega, não são todas mais importantes que garantir boa protecção, assistência médica, saúde vigiada (vacinas em dia) e constante preocupação com algum sintoma anormal dos animais e do pastor e uma constante preocupação com a implementação de todos os procedimentos exigidos para estes trabalhos ligados à pecuária e ao cumprimento de todas as obrigações legais.
  O trabalhador, cantoneiro, pastor e tudo o que o contrato mencione, merece estabilidade no seu trabalho, mas acima de tudo, merece protecção contratual e dignidade. Quem conhece o homem, sabe que estamos na presença de um cidadão simples, humilde e leal a quem lhe dá a mão e meios de ganhar o pão. Trabalha sem reclamar e obedece. Por ser assim e por já ter andado a guardar animais, pertença da família, não deve ser nunca desculpa para as entidades públicas facilitarem os procedimentos que devem ser levados a cabo. 
  Desejo a total recuperação ao Luís e espero que o susto sirva de aviso definitivo para que o trabalhador, a saúde e protecção individual ganhe maior importância e seja uma acção prioritária, por cumprimento das regras e por respeito que todos os trabalhadores merecem ser tratados. 
  Malcata merece ter os seus baldios limpos e protegidos, as ruas e praças limpas, mas nunca à custa da saúde e do sacrifício silencioso de quem trabalha. Esperamos que os próximos tempos tragam boas notícias, fardamentos novos, ferramentas dignas e, acima de tudo, o reconhecimento merecido para este homem simples que nunca soube dizer não à sua terra. Que o futuro lhe traga a estabilidade e a segurança que tanto plantou ao longo de anos de serviço. 
  

03/11/2026

MALCATA PARTICIPOU NA FEIRA DOS SANTOS QUE ANIMOU ALDEIA VELHA DURANTE TRÊS DIAS

Freguesia de Malcata com o seu
stand na Feira dos Santos 2026



 Atrás de cada uma das panelas das freguesias que participaram na prova das sopas que as 14 Juntas de Freguesia apresentaram na Feira dos Santos de Aldeia Velha, o que há a destacar?
 Para além do estômago cheio e da tijela como lembrança, a Feira dos Santos também serve para valorizar o capital humano, económico e cultural das nossas terras e das suas gentes.
 O que ficou depois da última panela vazia?
 Foi um grandioso evento, bons momentos de convívio, animação e as Juntas de Freguesia participantes com o seu stand orgulhosos pelo trabalho realizado e entusiasmados com o povo que tantos elogios expressou. Mostrou-se o melhor que cada terra se orgulha de produzir e que herdaram dos seus antepassados. A tijela da sopa e o stand é a cara que cada freguesia diz ter.
 A Feira dos Santos deste ano já acabou. O balanço, pelas imagens partilhadas, foi bastante positivo. É com estas presenças que a nossa terra é valorizada, pois mostra a força da nossa singular identidade.
 Parabéns pelo trabalho, pela dedicação e pelo orgulho que trouxeram à nossa aldeia.
 E para o ano, que sopa vai ser?
 Fotos da Feira dos Santos que foram publicadas na página da Freguesia de Malcata:

1-Produtos da terra




Queijo 

 









 


02/11/2026

UM LUGAR RICO DE MEMÓRIAS



  Hoje é o Dia dos Fiéis Defuntos e em muitas aldeias e cidades as pessoas vão para os cemitérios rezar, conversar e chorar. Neste dia, as pessoas são chamadas a fazer uma reflexão sobre o verdadeiro sentido da vida humana: de onde vimos e para onde estamos a ir?
  Esta tradição de ir rezar aos cemitérios no dia 2 de Novembro, já vem do século X, quando um abade de Cluny, em França, apelou aos seus paroquianos para rezarem pelos mortos. O Purgatório foi assim que apareceu e as pessoas começaram a acreditar que havia uma "sala" intermédia, mesmo antes do Céu, onde as almas das pessoas falecidas aguardavam a sua vez para entrar no Paraíso. E para que essa espera fosse mais breve, acreditava-se que se os vivos rezassem pelos mortos, essa espera seria mais breve. 
  Em 2013 o Estado português decretou o fim do feriado no Dia de Todos os Santos. Portanto, desde 2012 que o dia 1 de Novembro deixou de ser um dos feriados em Portugal. Por conveniência, as pessoas passaram a visitar os cemitérios no dia 1 de Novembro e não no dia 2, pois é dia de trabalho normal. 
  Estes dias do início de Novembro continuam a trazer muitas pessoas às suas terras de origem. Vão para visitar os cemitérios onde repousam os corpos dos amigos e familiares, reencontram gente amiga e conterrâneos, aproveitam para arrecadar umas castanhas, nozes e marmelos, produtos caseiros e sempre muito apreciados.
  O cemitério é o lugar onde estão guardadas as memórias da nossa gente, das pessoas que nos marcaram e nos legaram o modo de vida da nossa aldeia. Em Malcata houve tempos em que as pessoas falecidas, eram enterradas no chão da igreja ou no adro. Há arquivos históricos de óbitos e registos de enterramentos no chão da nossa igreja de São Barnabé que estão guardados no Arquivo Distrital da Guarda. Ainda agora, existem vestígios do primeiro cemitério da nossa aldeia e nele ainda são visíveis algumas lápides de pedra. Mais tarde, este espaço ao lado da igreja ficou cheio e também empurrados pelas novas leis do Estado, que obrigavam a afastar os cemitérios do meio das povoações, em Malcata construiu-se o actual cemitério.