Pesquisar:

22/01/2026

VIVER A VIDA SEM PASSADO NÃO PRESTA



 Não deixem que o passado se apague, devemos todos fazer alguma coisa para que tal não aconteça. E essa luta não a podemos atirar para cima das costas da Junta de Freguesia. Há pessoas na aldeia, logo há cérebros e inteligência humana. Por isso, as pessoas de Malcata devem manifestar e exigir o que é melhor para todos, para os filhos e netos.

 Veja-se alguns exemplos de investimentos de milhares de euros, dinheiro de todos nós, e que resultados estão à vista?  O alojamento local instalado no antigo quartel da Guarda Fiscal, o rebanho das cabras sapadoras, dois empreendimentos avultados e importantes para o desenvolvimento económico e social da nossa terra. Alguém sabe como estão, como funcionam, quem os procura? Poucos estão informados e parece que também não lhe dão importância. Há muito a ganhar e Malcata tem muito a ganhar se as pessoas de Malcata mostrarem interesse em ganhar e dar a ganhar.

 

21/01/2026

MALCATA : LUGAR ÀS TRADIÇÕES DA MATANÇA

 


No dia 25 de Janeiro, próximo domingo, a ACDM (Associação Cultural e Desportiva de Malcata), vai realizar um Almoço Convívio centrado na Matança do Porco. A poucos dias do evento, com toda a certeza, já alguns associados estão a tratar do que há a tratar, e bem, porque preparar um almoço para muitas pessoas é sempre trabalhoso, ou seja, precisa-se de tempo e muita loiça para bem servir. E quando a associação convida, há que receber bem.
 O convite é claro, convida-se para participar um almoço de convívio, com comida e boa disposição. Não se exige ou pede colaboração para ajudar a queimar o marrano com palha ou lavar a pele do bicho com água aquecida. Essa tarefa já está atribuída a um grupo e eles e elas tratam de todas as coisas, aos convidados basta reservar o lugar à mesa e sentar para comer.
 Ora assim sim, é um almoço convívio, festivaleiro e a matança é mesmo o que menos interessa…o que não deixa de ser engraçado e preocupante diria eu! É claro que para os participantes o que importa é haver o que comer, mesmo que seja a pagar, é pelo convívio que ali vão. Bem, mas por onde estou eu a caminhar a escrita? Valha-me Deus, os almoços das matanças, mais chamados “jantares” davam cá uma trabalheira à minha mãe, vou-vos contar, a pobre mulher acabava tão cansada, mas contente por tudo ter corrido bem e já tinha sustento para o ano.
 A nossa vida às vezes dá voltas e reviravoltas e por muitas coisas que aconteçam, regressamos aos momentos onde fomos felizes. E a época das matanças, ainda agora, chamam muita gente quando se anunciam.
 Mas quem liga à matança do porco? Quem se dispõe a percorrer quilómetros de estrada para comer carne de porco? Quem no seu juízo perfeito valoriza a matança tradicional, a que agora envergonha e em vez de preservar o que defendem é esconder, suavizar o que antigamente era como pão para a boca, era a regra da boa sustentabilidade familiar? Todas estas perguntas não existiriam se as pessoas fossem convidadas a participar numa matança tradicional, daquelas cenas da nossa aldeia que se matavam porcos todos os dias, durante uma a duas semanas não se fazia outra coisa, matança hoje na casa da Ti Irene, amanhã era o Ti Manel, depois a da Benvinda, a da Ti Rosa, do Ti Quim Triste…ia-se ajudar para ser ajudado. E depois do trabalho, então sim, era hora do jantar e do convívio.
 Hoje organizam-se almoços de convívio, não se diz que primeiro há trabalho para se fazer, carne a aprontar e que vai ser para comer fresca, logo assada na brasa só com umas areias de sal grosso e em cima do naco do pão, meter na boca, mastigar e beber para ajudar a ir… cheiro a carne por todo o lado, pele queimada, unhas negras e rabo esfolado, mas o bicho bem lavadinho e limpo pelo troço da couve, levado por quatro homens que antes de o pendurarem no chambaril, deve ser pesado e bem pesado com a balança “romana” essa barra de ferro com umas marcas e um peso, sem grandes instruções de uso, mas certeira para revelar as arrobas do marrano.  
 E isto é só uma pequena parte do trabalho que dava uma matança tradicional! Portanto, um almoço convívio como o de 25 de Janeiro, não tem nada a ver com a tradição da matança do porco! As tradições e os usos dão muito trabalho, mesmo quando se trata de demonstração, recriação! No almoço convívio não se ensina quase nada sobre a matança, está tudo morto e pronto à mesa, é só comer. Já me imagino um garoto a perguntar ao avô o que era a matança dos tempos quando andava na escola e ele simplesmente lhe responde que era a vida, era preciso matar o porco se queriam comer carne e agora, se o neto quiser saber mais, que abra a janela do computador e espreite com atenção, lá ensinam tudo, até dizem como faziam a matança!!!!
 Pois é meus caros, a pressa da nossa sociedade é inimiga da tradição. Por isso mesmo e porque não se preserva a tradição da matança, não sou eu que me meto à estrada para participar num almoço convívio, mais uma das actividades habituais organizadas por uma associação cultural…mas na verdade a cultura não é da mesma casta que eu conheci. Estamos a caminhar para o esquecimento da tradição genuína e que representava a essência do nosso povo, identificava os costumes e os usos e esses valores de convívio e entreajuda só se encontram e sentem cada vez que há celebrações nesse sentido e com esse propósito de continuar a mostrar as nossas raízes, as nossas identidades e o nosso amor aos nossos antepassados, à nossa terra.
 Eu tanto gostava de estar a escrever sobre o trabalho árduo mas essencial, do programa das actividades culturais da associação e o seu objectivo de promover e preservar a cultura dos malcatenhos, tenho que me contentar pela divulgação habitual de mais um almoço convívio em Malcata. Bom almoço para todos! Deixo aqui o cartaz:





 


 

 

OS SEGREDOS DA SUSTENTABILIDADE DAS FAMÍLIAS DE MALCATA

  

          Foi durante séculos um dos pilares
   da sustentabilidade económica de muitas famílias.

O marrano era também porco

 

 
A matança do porco era uma tradição que se fazia em muitas aldeias do nosso país. Por várias razões e mais alguma que eu não sei, esta tradição, pelo menos em Malcata, está a desaparecer. Agora já se contam pelos dedos de uma mão as famílias que ainda criam porcos para a matança. As facas para matar o porco ainda existem à venda. Mas a tecnologia também já chegou ao povoado, até o chamuscar do animal deixou de ser com palha e agora usam um maçarico a gás que tosta mais depressa os pelos e para o lavarem, ainda não vi usar aquelas máquinas de lavar automóveis, mas se calhar estou enganado e já se lavam os porcos como se lavam os automóveis, sem sabão mas como muita água e a sair com pressão para limpar de vez sem esfregar com carqueja ou pedras.

 Eu em criança nunca gostei de ver ou ouvir o porco a morrer. Outros garotos faziam a festa logo pela manhã, brincavam e entretinham-se a segurar o porco pelo rabo…não fosse ele fugir.
 O período das matanças eram dias e dias a comer e a fazer o mesmo. Os homens e as mulheres já faziam aquilo de olhos fechados.
 Hoje a lei já permite a realização da matança. Claro que há regras a respeitar e as autoridades andam vigilantes, as associações de defesa dos direitos dos animais também espreitam estas épocas para se dar a conhecer.
 Em Malcata, há é a necessidade de defender melhor esta tradição, mesmo que com as alterações a que a lei faz referência, hoje é possível reviver o espírito da tradicional matança do porco.
 E embora a matança já não signifique o arrecadar da carne para o ano inteiro, as pessoas continuam a gostar da carne de porco, das morcelas, chouriças e presuntos. Outras iguarias são também apreciadas, como os rojões, o cozido português, o vinho, um entrecosto grelhado e claro a festa. 
 PS: enviem as suas histórias sobre o tema.

18/01/2026

QUALIDADE DA ÁGUA EM MALCATA

    ´

      ÁGUA DA FREGUESIA NÃO É TOTOLOTO!
              Pode estar em risco
                  a saúde pública.
                
 


Reservatório de água


 As pessoas que residem permanentemente na nossa aldeia, devem mostrar maior interesse e preocupação pelo que vai acontecendo na freguesia, por exemplo, sobre a água da rede pública que abastece a aldeia.

 A água nem sempre se encontra nas melhores condições de ser consumida pelas pessoas e animais. O ano passado ficou marcado pelo corte da água da rede. A presença de coliformes e outras bactérias associadas, puseram em risco a saúde dos consumidores. A empresa que faz a gestão da rede de abastecimento viu-se forçada a difundir um aviso a proibir o consumo de água da rede, nem mesmo fervida, devia ser utilizada para confeccionar alimentos! As queixas foram aparecendo e algumas pessoas manifestaram publicamente os problemas por que estavam a passar ou passaram e nunca os associaram à água da rede pública. Foram precisos vários dias e duas análises para ser reposta a água nos canos da rede pública. Felizmente que a Junta de Freguesia se preocupou com a situação e tudo fez para resolver favoravelmente a situação. Foram dias difíceis e de grande preocupação para todos. Agora que a água já corre na rede há quatro meses, alguém já quis saber sobre a qualidade da água que agora está a consumir? A APAL-SIM, empresa responsável pelas redes de água pública no concelho do Sabugal, tem no seu calendário anual, a obrigatoriedade de efectuar recolhas de amostra da água e enviar para análises trimestralmente e deve publicar os resultados obtidos e caso necessário, agir em conformidade. Ora como o quarto trimestre já passou, já os consumidores deviam ter acesso aos resultados das análises que fizeram. Visitei o site da APAL-SIM e a Zona de Abastecimento de Água na nossa freguesia não consta o último trimestre de 2025, o trimestre posterior ao período da contaminação. E já se
deviam conhecer as análises que incluem os últimos três meses do ano passado! A ausência de informação deve deixar as pessoas da nossa freguesia em alerta, pois é importante conhecer as análises á água da rede.
 Já agora, quem sabe a proveniência da água que abastece actualmente a nossa aldeia? Eu lembro que, em Setembro de 2025, foi afirmado e confirmado por escrito, que a nova adutora (conduta) de abastecimento de água até ao reservatório da Rasa, estaria para muito breve, estava somente à espera da chegada e respectiva montagem do contador da entrada de água no reservatório! De Setembro de 2025 ao dia de hoje, passaram mais de 90 dias.
Qual é o Local de Abastecimento da água da rede pública que se consome na freguesia de Malcata?
 É dever, do poder local e da APAL-SIM, prestar esclarecimentos aos cidadãos.
 Nota: ainda não está disponível o resultado das análises da água da rede pública, da Zona de abastecimento de Malcata, relativa ao quarto trimestre de 2025. E é preocupante verificar que o quarto trimestre do ano de 2025 se seguir o caminho dos anteriores boletins de análises de 2024, só estarão visíveis e para consulta no Site da APAL-SIM em Março de 2026... digamos que é tarde demais para a divulgação dos resultados dos meses de Outubro, Novembro e Dezembro!
 

10/01/2026

ASSEMBLEIA GERAL DA ACDM - Malcata

   


 No próximo dia 24 de Janeiro vai realizar-se a Assembleia Geral da Associação Cultural e Desportiva de Malcata. A convocatória já foi publicada nas redes sociais. É a oportunidade dos sócios interessados em cumprir o seu dever cívico de associado, como os Estatutos determinam. Não era e não é fácil a muitos sócios deslocarem-se às Assembleias, mas deixo aqui o apelo aos que se encontram nas proximidades do concelho do Sabugal ou os que vivem na nossa terra, para pensarem na sua participação, pois é importante para o futuro da Associação que assim aconteça. O lugar da assembleia é no sítio do costume, não precisam de ir no comboio ou transporte público, chegam lá mesmo a pé e rápido.

 A participação dos sócios nas assembleias é importante e é sempre um contributo positivo para continuação da associação de portas abertas. É nestas ocasiões das assembleias que se reforçam os conhecimentos e os debates dos assuntos em discussão e muitos outros que apareçam. Tudo e todos juntos contribuem para o debate, o esclarecimento e ajudam na resolução dos problemas e dos programas futuros.
  Nesta assembleia de Janeiro vão estar na ordem de trabalhos pontos importantes para a associação. A apresentação das contas do ano que passou e a sua aprovação; segue-se a apresentação, votação do Plano de Actividades para 2026 e termina com aqueles assuntos que os sócios acharem por bem discutir.
 Eu, pecador confesso e assumido, sei que não tenho sido bom exemplo como sócio e estou em falta no que diz respeito ao pagamento das quotas anuais. Tenho as minhas justificações e não vou estar em pessoa na reunião agora anunciada para Janeiro. A verdade é que nunca me foi solicitado que procedesse ao meu pagamento. Também é verdade que nunca me perguntaram se havia ou existe alguma razão para não regularizar a situação. Sou sócio não pagante e não participante nas assembleias e nas actividades que a associação vem fazendo desde 2016, sim já vai para dez anos. Muitas coisas mudaram e muita água já passou por baixo da ponte. Também ultimamente nada muda porque nada se faz para mudar ou acrescentar, pois as actividades anuais que são aprovadas repetem-se todos os anos e não espelham as tradições, os costumes e os saberes malcatenhos, valores que nos legaram os nossos antepassados. Quando decidirem caminhar juntos por outros caminhos e para alcançar outros objectivos que promovam a freguesia, a sua cultura e desporto, podem convidar e irei.
 Bom ano para todos.