14/03/2026

MALCATA ERA ASSIM . E HOJE?

 


 Somos uma aldeia cada vez mais adormecida e desajeitada.

  Tudo vai desaparecendo e até as memórias e histórias se esquecem. Será que ainda há tempo para remediar alguma coisa?
  Temos de concordar que em Malcata alguns locais e algumas pessoas já não se podem recuperar. Sim, ainda há outros locais e pessoas que residem na aldeia e felizmente, foram recuperando lugares, monumentos e cuidando das pessoas.
  Ainda acredito que há muito para recuperar e preservar. Mas não podemos demorar, há que aproveitar enquanto é tempo. Deixem-se de coisas e comecemos todos a interessar-nos mais com toda a freguesia. É doloroso ver as casas a cair, com telhados vergados e esburacados, janelas com vidros partidos, portas semiabertas e fechadas com teias de aranha, paredes barrigudas que nos alertam para algo de terrível pode acontecer numa noite de chuva e vento.
  As pessoas e as casas têm o seu prazo de validade e é sabido que um dia as casas cairão de vez e as pessoas morrerão antes ou depois das casas. Com fim anunciado, mesmo sem saber o dia e a hora certa, resta-nos cuidar das casas e das pessoas. São heranças que necessitam da nossa estima, do nosso cuidado.
 Como era a nossa aldeia até há um anos?
 E como está agora?














11/03/2026

A PESCADINHA DE RABO NA BOCA

 


  A participação activa dos cidadãos na vida da freguesia é uma das coisas que qualquer Junta de Freguesia diz que se farta de anunciar para que isso aconteça.
  Só que para que isso possa mesmo acontecer, a Junta de Freguesia deve disponibilizar informação e incentivar as pessoas a participar mais na resolução dos problemas da freguesia. E nada melhor que informar do que se está a passar, talvez assim consigam levar os moradores às reuniões para ouvires os esclarecimentos e as respostas da Junta de Freguesia. Mas o grande problema na nossa aldeia, é que não se faz nada para mudar, não se faz nada para dar a volta a esta falta de interesse das pessoas. Mas por que razão as coisas são assim? Por que razão as pessoas não aparecem nas reuniões da Junta de Freguesia? Porque a própria Junta de Freguesia é defensora de quanto menos informação houver, menos interesse as pessoas têm em participar nas reuniões. E quanto menos informação for dada, as pessoas mais alienadas e esquecidas vão ficando e nem sequer se esforçam por procurar informação, começam até a ter medo de falar dos assuntos que não conhecem e logo, não têm opinião. E com vergonha de se envergonharem em público, acham que o melhor é ficar quieto e calado. Nada pior do que esta atitude e este tipo de comportamento, é como estar a comer a “pescadinha de rabo na boca”. Quanto menos a Junta falar, informar, mais calados andam na
freguesia e antes ignorante que envergonhado ou acusado de apontar o dedo.
  Para que serve então a Junta de Freguesia?
  Para que servem as duas páginas da Freguesia na internet?
  Para que servem as vitrines à Torrinha, ao Camões e na Junta de Freguesia?
  Quem perde são os malcatenhos, a freguesia e os cidadãos que nos visitam.



CARLOS CLEMENTE: UM HOMEM DE CAUSAS

 



  A ASSM – Associação de Solidariedade Social bem conhecida em Malcata e arredores. Tem a seu cargo a gestão da ERPI (Edifício Residência Permanente Para Idosos), mais vulgarmente chamado Lar de Idosos.
  A gestão da ASSM, ao longo dos anos, foi exercida por várias equipas de pessoas e até Agosto de 2020, sob a presidência de Carlos Clemente. Decorrente das eleições realizadas entrou em funções uma nova administração, presidida por Vítor Fernandes. E aqui veio ao de cima a faceta desta pessoa, ex-presidente da Junta de Freguesia, esgotados que foram os seus três consecutivos mandatos, saltou para a presidência da ACDM (Associação Cultural e Desportiva de Malcata) e presentemente continua como Presidente dos Corpos Sociais da ASSM, onde já vai no seu segundo mandato.
  E, entretanto, em 2017 pela sua mão e do partido Social Democrata, conseguiu arranjar o lugar de Presidente de Junta para o filho, que se encontra no seu último mandato consecutivo.
  Ou seja, a freguesia de Malcata e respectivas instituições, desde 2005 que é governada pela mesma família. Portanto, estão a ser os “governos” desta família e as medidas tomadas que levaram a freguesia, a ACDM e a ASSM para o patamar onde se encontram actualmente.
 
  A solidariedade só faz sentido quando se pratica, quando passa a ser um acto concreto, expresso através de acções e decisões.
  A ASSM é uma associação de solidariedade social, que respeita a pessoa como ela é e que diariamente coloca em prática, com espírito de doação e serviço voluntário, de respeito ao próximo e de gratidão.
  O Lar de Malcata é a obra mais visível que a Associação de Solidariedade Social construiu na freguesia. Desde 1991, de uma forma singular e com reconhecimento de todo o povo, pelo Lar, destaco a pessoa que pela sua iniciativa e a sua capacidade de organizar, planear e entusiasmar o nascimento da ASSM, que o Lar de idosos materializa, instituição de acolhimento de idosos com reconhecimento em todo o Distrito da Guarda, concelho do Sabugal, como um modelo a seguir, com a prestação de serviços com qualidade e carinho, destacando o apoio ao domicílio, sendo ainda hoje a entidade que mais pessoas oferece trabalho (emprego), um pilar importante na vida das famílias e da economia da aldeia. Estou a falar-vos do senhor Carlos Clemente, primeiro presidente da ASSM e grande mentor desta obra.
  Já expressei o meu sincero agradecimento várias vezes, tendo a última vez feito uma intervenção pública na Assembleia Geral da ASSM, realizada no passado dia 7 de Março de 2026. É uma pessoa que conhece e lutou pela vida saudável e merecidos cuidados de saúde, de alimentação, de bem-estar e conforto dos nossos idosos, tantas vezes sós e sem mais apoio de rectaguarda familiar. Sei que encontraram muitas dificuldades e o caminho nem sempre foi fácil, mas conseguiram. Foi deixado um legado patrimonial de valor incalculável, pago à custa de muito trabalho, de constante inquietação e procura de ajuda e entreajuda. Entregou uma gerência com independência financeira, facilitando a continuação da aposta na inovação, novos equipamentos e serviços. Tudo pronto a caminhar rumo a bom destino.
  Termino esta singela homenagem a uma pessoa ainda viva e que diariamente cuida da sua princesa Graciete, mulher que ama e que está numa fase mais frágil da sua vida. Talvez algumas dores ficassem mais aliviadas se lhes dissermos que a amamos e a reconhecemos tanto como ao marido.
  Ao povo e a quem de associa a mim, o meu mais sincero bem-haja.
  Em especial, ao Carlos Clemente pela sua coragem e determinação em lutar pela justiça e pelas causas em que acredita.