13/09/2025

QUANTOS DIAS ESTÃO SEM ÁGUA EM MALCATA?

   

    Será que a população da freguesia continua sem água nas torneiras?
    A água da rede pública foi considerada imprópria para consumo nas análises realizadas no passado dia 2 de Setembro. A APAL-SIM, entidade que gere os serviços municipais de abastecimento de água ao concelho do Sabugal, que se saiba, limitou-se a difundir um aviso à população. Quantos dias andou a aldeia a beber água contaminada? Há ou não pessoas que foram apanhadas pelas bactérias de e. coli e coliformes encontrados na água e daí andarem com problemas de saúde? Depois do aviso à população feito no dia 7 de Setembro, informaram-me que a junta de freguesia meteu os pés ao caminho e procurou encontrar alternativas de abastecimento de água potável para a freguesia. Nem a realização de novas análises e nem a sugestão de menorizar o problema da falta de água, através do recurso a cisterna, conseguiram colocar no terreno. Há um pedido às entidades responsáveis pela distribuição da água para que sejam céleres nas contra-análises e na divulgação dos resultados à população.    Eu próprio, no meu papel de cidadão, já enviei pedidos de esclarecimentos à APAL-SIM e à Câmara Municipal do Sabugal, mas até este momento também não obtive qualquer informação. Por agora, o que eu sei, tem sido através das redes sociais e das respostas às minhas perguntas feitas à junta de freguesia de Malcata e que tem merecido respostas. Esta é uma história que ainda não está terminada.

   
Sinalização de ocorrência em Malcata


A situação exige respostas urgentes de todas as entidades e autoridades. Até hoje, estamos sem saber onde foram realizadas as colheitas, em que ponto da rede e se foi encontrado alguma anomalia estrutural na rede pública, designadamente rupturas ou infiltrações de águas sujas. Também não se divulgam as acções que até agora foram levadas a cabo pelas diversas entidades públicas, incluindo as sanitárias. E para além da informação, que é importante, como tem sido garantido o abastecimento de água potável ao lar da freguesia, instituição especialmente prioritária pelos idosos que cuida. 
   Já passámos o tempo de a freguesia ser abastecida pela água das fontes. Foram úteis durante muitos anos, mas como sabemos, esse bem comum que é a água, hoje está contaminada. Durante muitos anos, a fonte das bicas à Torrinha matou a sede a Malcata. Agora, que a nova conduta está terminada,
chegamos a uma triste realidade de ficar sem gota de água potável porque falta o contador da água. 
   
   
Análises de rotina em Malcata



Esquema do circuito da água na rede
(APAL-SIM)



10/09/2025

MALCATA SEM ÁGUA POTÁVEL NAS TORNEIRAS

  

Em Malcata tudo é normal
mesmo quando faz mal

   A situação foi agora dada a conhecer. Para além da informação através de aviso, a APAL-SIM e as autarquias que acções estão a desencadear? Os residentes na freguesia de Malcata já foram contactados por alguma equipa da APAL-SIM ou da junta de freguesia/câmara do Sabugal? Já alguém acompanhou a situação e prestou esclarecimentos às pessoas afectadas?
   Pela informação conhecida, parece que tudo se resume à publicação e afixação do aviso que a APAL-SIM enviou para a junta de freguesia! A pergunta que aqui vos deixo para pensarmos é esta: a empresa todos os meses tem enviado a factura com o valor em débito à empresa? Se a resposta for positiva, não há desculpa para não terem já sido contactados!
   É certo que a APAL-SIM está a resolver a situação. E informar os seus clientes dos procedimentos que devem ter em consideração? Estou a pensar na água que ainda está presente nos tubos das casas, por exemplo! Abrir as torneiras para permitir a saída da água contaminada não será uma boa medida a lembrar? Mesmo depois de reposto o abastecimento da água na rede pública, penso que por motivos de segurança sanitária, descarregar a água durante alguns minutos, ajudaria a limpar as águas que antes estavam contaminadas.
   E já agora, era bom que a APAL-SIM pensasse em medidas a aplicar aos consumidores da freguesia, nomeadamente o cancelamento da factura relativa ao consumo de dois ou três meses e as despesas que possam ter pagado para cuidar da sua saúde. Seria uma forma de minimizar os prejuízos e os dias que não podem consumir água da rede pública.
   Por último, quando a restrição for levantada, que os consumidores sejam o mais
rápido possível.
    Depois disto tudo escrito saltou-me esta dúvida: desde Julho que algumas pessoas de Malcata se queixam de má disposição intestinal, diarreias, vómitos, etc., etc., e com a sensação que foi causado pela ingestão da água da rede pública da freguesia. Quem fez queixa á junta de freguesia ou à empresa APAL-SIM, às autoridades de saúde...? Foi oralmente ou escreveram e assinaram?
   Como remate final, que medidas e procedimentos estão a ser realizados na freguesia,
sob orientação da Unidade Local de Saúde do Sabugal, em colaboração com a junta de freguesia e a APAL-SIM ?
   A água é um dos recursos naturais mais valorizados e cujo valor é incalculável. As pessoas conseguem viver alguns dias sem energia eléctrica, ao contrário dos automóveis movidos a baterias carregadas à electricidade, que ficam parados depois de percorrer umas centenas de quilómetros. E isto explica-se porque as pessoas não estão ligadas a uma fonte de energia eléctrica, mas se não houver água durante uns tempos, o cenário é bem pior, é que não existem maneiras de nos mantermos vivos e saudáveis. 
   A água tem mais valor do que muitas outras coisas.




                                     


Não está nada a sair, mas há vestígios
da enxurrada de águas sujas. 



                                                                Trancas à porta, quanto menos se souber 
                                                                       mais descansado se dorme!


                                      

06/09/2025

MALCATA: aldeia deste admirável mundo



   Terminou o prazo de Consulta Pública sobre o reequipamento do Parque Eólico de Penamacor 3B, do qual faz parte as eólicas instaladas na freguesia de Malcata e Meimão.
   A Câmara Municipal do Sabugal e a Junta de Freguesia de Malcata, têm a obrigação legal de garantir o acesso às informações e à participação pública, envolvendo as pessoas do concelho e em particular, os habitantes da freguesia de Malcata, território onde vai decorrer a obra. Uma consulta pública desta importância, devia ser divulgada pela junta de freguesia de Malcata e até promover um encontro aberto com a população para apreciar o documento, ouvir as pessoas e até apresentar opiniões e sugestões por escrito, para serem depois enviadas para a APA (Agência Portuguesa do Ambiente).
   Eu como cidadão nascido em Malcata, estou surpreendido com o comportamento da Câmara Municipal e da nossa junta de freguesia. Na internet, os interessados podiam consultar aqui:

   https://participa.pt/pt/consulta/reequipamento-do-parque-eolico-de-penamacor-3b


 O prazo para consultar e participar foi desde 25 de Julho a 5 de Setembro deste ano. 
   

  

   Quando é que os residentes na nossa aldeia vão acordar para a realidade? Esta obra que vai ter lugar nos terrenos da freguesia e vão criar alguma movimentação anormal nas proximidades da aldeia, aumento da circulação de camiões, máquinas, gruas, mais ruído, mais pessoas e também algumas oportunidades de trabalho, de alojamento e alimentação. Durante os 21 meses que a obra vai decorrer, a aldeia do Meimão e a de Malcata vão sentir o impacto que este novo reequipamento do parque eólico vai causar. 
   O que foi feito pela junta de Freguesia de Malcata? 
   Foi proposto alguma medida para minimizar os efeitos negativos desta obra?
   Propuseram alguma contrapartida para esta nova fase do Parque Eólico? 


    

   Eu sei que a APA (Agência Portuguesa do Ambiente), como é seu dever, informou, previamente que as obras de Reequipamento do Parque Eólico de Penamacor 3B, todas as entidades importantes cujas actividades se realizam nas proximidades das eólicas, nomeadamente a Câmara Municipal do Sabugal, a junta de freguesia do Meimão e a  junta de freguesia de Malcata.

   Na freguesia de Malcata o que foi feito até ontem? Foi esta consulta pública colocada ao dispor dos fregueses/malcatenhos, a fim de que pudessem conhecer, consultar, fazer sugestões sobre a obra e todas as outras coisas relacionadas? Sabe o povo da freguesia que tinha a oportunidade de marcar a sua posição, participar nos relatórios dando ideias ou reclamando do que a empresa está a propor?
   E esqueçam os protocolos já assinados e as contrapartidas já pagas. Tudo terminou em 2024, não sou eu que faço esta afirmação, é o promotor do parque. O que muitos desconhecem é que os compromissos assumidos pela Tecneira e Lestenergia, que previam o pagamento de contrapartidas à Associação Malcata Com Futuro, não foi totalmente cumprido causando enormes dificuldades ao normal funcionamento da instituição e dos seus objectivos a médio e longo prazo no que respeita aos projectos e actividades em curso. Foi um balde de água gelada que não se esperava que acontecesse.
   Hoje sabe-se que algo estranho e poderoso aconteceu durante este ano de 2025, com os aplausos e  silêncios comprometedores dos senhores do poder local autárquico. Agora entendo "a assinatura de Protocolos Adicionais com cada junta de freguesia, ao qual se soma a doação de 4 ambulâncias às 
corporações de bombeiros presentes na zona, tendo 2 delas sido já entregues durante o primeiro semestre de 2025". 
   Voltando ao assunto da Consulta Pública do Reequipamento do Parque Eólico de Penamacor 3B, 
tem importância quando se dá a conhecer, quando as juntas de freguesia exercem as suas influências e o seu trabalho político baseado nos valores da democracia participativa. Neste caso concreto das eólicas em Malcata, trata-se de uma obra com grande impacto visual, económico e social que afectará a vida das pessoas daqui para a frente. 
   Era a oportunidade de propor a construção do reclamado, do tão prometido paredão de Malcata. Os resíduos que vão resultar da substituição dos aerogeradores mais antigos, a instalação de novas eólicas que vão gerar muito mais energia, muito mais lucro, obriga a empresa responsável pela obra,
a elaborar um Plano para Tratar os Resíduos de Construção e Demolição ( por exemplo, o cimento das sapatas que fixam a torre), que depois de tratados, poderiam servir para a realização do paredão. 
E se a freguesia conseguisse uma decisão favorável da utilização desses entulhos ou por outras fontes financeiras, construir a barreira/paredão, junto aos pilares da ponte, toda a freguesia beneficiaria com a requalificação da Zona de Lazer, a começar pela lagoa de água com níveis constantes de enchimento, sem haver o perigo de estarmos a invadir os espaços de segurança das estruturas da albufeira da barragem. 
   Espero com esta opinião/crítica, contribua que os malcatenhos passem a ser mais exigentes e mais participativos quando estão em causa assuntos de interesse da comunidade. Teimosamente continuamos a viver em silêncio e a pensar que cabe aos senhores e senhoras da junta e da câmara municipal a responsabilidade de dar solução a tudo, sim a tudo mesmo, até tomar ou omitir decisões que empurram as pessoas e o território para o fundo do precipício.
   Por amor à terra e às suas gentes, não deixem que Malcata seja transformada numa das mais seguras prisões do país. A nossa aldeia já não é o que foi, deixou de ser o santuário onde tudo vive bem e em paz com todos. A prisão apresenta-se tão fortificada e tão dissimulada que não é visível à vista humana, é uma prisão com paredes invisíveis e celas disfarçadas. Cada pessoa que vive na aldeia pensa que anda em liberdade e eu é que só sei criticar. Eu luto por ser livre e cultivo essa liberdade, sem nunca deixar de estar vigilante às manobras das pessoas manipuladoras. Cuidado aí pela aldeia, conversem, debatam, sorriam e trabalhem com alegria e vontade de viver livremente. 
   O vosso mundo, a nossa terra, é ainda maravilhosa. Aprendamos todos a cuidar bem dela.
   Malcata é uma aldeia deste admirável mundo.

                                                                      José Nunes Martins