8/18/2025

O QUE LEVA AS PESSOAS A PROCURAR O FOGO?

                                 VÍDEO RECORTADO E DESCONTEXTUALISADO


Vídeo a circular na internet, depois de ser retirado do seu
contexto através de corte "malicioso" está a causar
uma grande onda de indignação e sem razão.

                                 VÍDEO VERDADEIRO E SIM, A  VERDADE DOS FACTOS

Basta ver a diferença dos tempos da entrevista para
ficarmos a conhecer o corte e a forma maliciosa
para deitar mais gasolina na fogueira.


                   Há que estar atento. 
                   Os autores desta confusão é que estão em dívida para com a jornalista.
E para mais esclarecimentos, convido-vos a rever, pausadamente, sem distrações ou pressas, 
o vídeo que é da responsabilidade da CNN-Portugal. Por favor, estejam atentos. Mais coisas destas vão chegar e nem tudo vai ser verdadeiro. 
 Estejam atentos.
              

"Com o isolamento brutal das pessoas no interior, o fogo surge quase como o último reduto para dizer 'estou aqui'" - CNN Portugal

                                                  José Nunes Martins

8/14/2025

UMA BIBLIOTECA EM MALCATA? NEM SABEM O BEM QUE FAZIA!

A Biblioteca da Freguesia de Malcata
é mesmo pobrezinha!


Ler e escrever é bom, dá-nos liberdade e ferramentas para viver melhor.
Quantos sabem ler e escrever, mas não leem e nem escrevem?
 

   A questão que aqui deixo é esta: mas chegará para que as pessoas intervenham e participem nos vários processos e chamadas que vão aparecendo na nossa aldeia?  Justificações abundam e apesar de saber ler e escrever, muitas pessoas raramente têm vontade em ler para ficar a saber o que os outros lhes querem dizer, como é o meu caso quando escrevo no blog Malcata.net -aqui: (www.aldeiademalcata.blogspot.com), Para além da falta de vontade, é preguiça de querer saber o que se escreve, ou então, sabem ler, escrever e contar e nunca tiveram um telemóvel nas mãos, quanto mais um computador em casa para se ligarem ao mundo através da internet. Toda a gente está viva e todos respiramos oxigénio que nos mantém
com vida. Mas, estamos a viver ou vivemos porque não temos outra saída, mesmo desinteressados do conhecimento e de nos enriquecermos mais e mais.
   A este desinteresse, na busca do conhecimento e do saber, há quem lhe chame iliteracia, novo analfabetismo que mantém muita gente na sua santa ignorância e que os oportunistas sabem aproveitar em seu favor.
   Há na nossa aldeia a necessidade de estimular as pessoas a ler, a escrever, a deixarem de ser menos ignorantes e aprender a conhecer os oportunistas, que nos embrulham coisas más em bonito papel de embrulho. Cada malcatenho tem a inteligência suficiente para se considerar importante, útil à comunidade e com ele podem contar para o bem da terra. A nossa junta de freguesia há muito que ignora esta área importante dos malcatenhos. Não me lembro, nestes últimos anos, de se ter levado a efeito um programa de incentivo e de combater o analfabetismo dos nossos dias. Será que as pessoas comuns da nossa terra se desinteressam verdadeiramente de saber, de ler e escrever? Eu assim não acho e é mesmo urgente melhorar o conhecimento e praticar a leitura e a escrita, mais agora que a candeia é melhor, com luz mais clara e segura, que os mais velhos aguentaram quando tinham que fazer os trabalhos da escola primária.
   Deixemo-nos de lágrimas e de lamentos, o passado já foi e voltar atrás, é impossível.
   Como curiosidade, convido os malcatenhos que tenham internet, entrar na página da internet da responsabilidade da Junta de Freguesia, aqui:
https://www.jf-malcata.pt/freguesia/imprensa  . A Biblioteca da freguesia é rica e merece 
uma visita ou não?

                                                         José Nunes Martins
   
   
   

                                                       

8/12/2025

MALCATA É O MEU NINHO



 

   As andorinhas costumam chegar ao nosso país na Primavera, quando o frio do Inverno dá lugar a temperaturas mais amenas. Elas chegam sem avisar e voltam normalmente ao ninho onde já procriaram nos anos passados. Vêm sem saber se está tudo igual, voam para a aldeia confiantes nos bons ventos, na convicção que encontrarão casa para descansar e passar os meses de mais calor.
   O silêncio e as pessoas não incomodam, regressam porque se sentiram bem das outras vezes. O importante é conseguir voltar.
   Muitos dos malcatenhos partimos da aldeia e vivemos durante anos, longe da terra. Alguns foram com os bolsos vazios e o cérebro cheio de sonhos e promessas. O trabalho que encontravam nunca custava tanto como aquele que faziam nos campos, agarrados ao arado, à charrua para lavrar as terras. Os dias de trabalho eram mais bem divididos. Tinham horas para começar e para terminar a jornada, não estavam dependentes da luz do sol, apesar de alguns começarem muito cedo ou trabalharem durante toda a noite.
   Lembro algumas das cartas que recebia dando conta de que “as andorinhas já chegaram” ao ninho da varanda do Tio Zé Pires. Eu sorria e imaginava a varanda da casa dos meus tios povoados de andorinhas. Ainda este ano elas regressaram ao ninho. Quem já não regressa mais a esta casa são os meus tios, os dois voaram livremente para outros mundos infinitos, levando consigo as memórias das andorinhas.
   Quando este ano cheguei à aldeia, as casas estavam ainda mais velhas, vazias, sem vidros nas janelas e com as portas entre abertas, nada impedia que eu entrasse. O que eu vi nalgumas dessas casas, não foram pessoas, foram andorinhas. Nos beirais das casas, do minimercado Armindo, lá andavam elas de um lado para o outro. Chilreavam como se estivessem a conversar umas com as outras, pareciam todas da mesma família e raramente desciam ao chão, lá se equilibravam nos beirais e cabos que atravessam o espaço aéreo e em todas as direcções.
   Ao passar pela Torrinha, lá estavam os rostos de gente que se habituou às andorinhas.    
    Aceno com a mão e abro um sorriso a um grupo de gente que não esconde as rugas do rosto que testemunham cada ano de vida. Depois de subir a rua, cheguei à casa da minha infância, ao ninho onde nasci. Porque as minhas memórias também voam e o meu coração sabe o caminho, lá vou enfrentando os ventos e as pedras que me vão aparecendo quando ando pelas ruas e caminhos da aldeia. Tal como as andorinhas, sou pequeno em tamanho, mas teimoso o suficiente, persistente e enfrento aqueles pássaros que se acham donos de tudo e lutam por manter o seu domínio sobre os mais frágeis. Que nunca me falte a coragem para regressar, porque também pertenço ao ninho onde nasci e se as andorinhas são capazes de regressar, eu também nunca terei medo de voltar, porque as minhas asas sabem sempre onde pousar.

  

                                                          José Nunes Martins