8/02/2023

FESTA EM HONRA DE SÃO BARNABÉ EM MALCATA

 

Festas de Malcata 2023

   Nas aldeias portuguesas os meses do Verão há muito tempo que estão marcados pelas festas populares e religiosas. E Malcata não é diferente das outras terras no que respeita às Festas de Agosto. Durante muitos anos e gerações a nossa freguesia celebrou as suas festividades de Verão em honra de várias imagens santas: Senhora do Rosário, Coração de Jesus, São Domingos e Senhora dos Caminhos. Em 2015 ficou acordado que a festa de Varão passava a ser em honra de Barnabé, o santo padroeiro da paróquia e freguesia.
A esta mudança veio juntar-se outra alteração na forma de organizar as festas e desde então o programa religioso fica à responsabilidade da Fábrica da Igreja. Todo o programa não religioso continua entregue aos mordomos. E estas foram mudanças que para muitas pessoas foi de compreensão um pouco difícil de entender. No primeiro ano que esta espécie de “divórcio” se materializou, foi normal e natural o surgimento de algumas dúvidas, de incertezas e até uns desconfortos interiores, que nunca resultaram em movimentos de protesto. Até porque as festas pagãs continuaram a realizar-se nos moldes que tinham sido assumidos nos anos anteriores.
   As festas de Verão na nossa terra sempre foram promovidas e organizadas pelos mordomos, mesmo após a cisão entre o religioso e o pagão. A Fábrica da Igreja é conhecida por todos os cristãos e também por todas as pessoas que não praticam o catolicismo. Já no que diz respeito aos mordomos, cada ano é um grupo diferente e às vezes nem os próprios se conhecem uns aos outros, sabendo que todos têm uma coisa em comum: Malcata.
   Não pretendo denegrir ou desvalorizar as Festas de Malcata, nunca o fiz e não vou fazer. Muito menos a mordomia que este ano de 2023 assumiu a responsabilidade de as organizar. Também quero deixar bem claro que não há e não tenho nada em concreto contra quem quer que seja. Escrevo umas palavras sobre os valores e os princípios, sobre o espírito das festas, das tradições e dos costumes que todos conhecemos. A história das festas e as tradições do nosso povo, da nossa aldeia mostra que existem algumas regras quando voluntariamente se aceita uma missão para fazer parte da equipa, da comissão dos mordomos. E cada vez estamos mais próximos de vivenciar uns dias de alegria, de diversão, de confraternização e também de oração. Os programas já são conhecidos e penso que todos desejamos que corra como planearam. Muito trabalho, sacrifícios, menos horas de descanso porque o objectivo principal é organizar bem a festa, proporcionando alegria às pessoas que nela participam.
   O que desejo à Comissão de Mordomos 2023 é que a crença e a fé, o trabalho e a aceitação de colaboração, esteja sempre em linha de conta e presente nas acções que fomentam a harmonia e entreajuda com todas as instituições e com todos os cidadãos.
   Sabemos que não há festas iguais, não há uma melhor ou maior, porque o tempo também nunca é o mesmo, as dificuldades também nunca são as mesmas e até as circunstâncias que envolvem a festa são as mesmas. Esquecer aquele espírito competitivo e os juízos de comparar com outras festas.
    Antes de pousar a caneta de escrever gostava que os Mordomos de Malcata 2023 divulgassem os nomes dos seus elementos. Este meu apelo penso que também vai ao encontro e ao esclarecimento desejado por mais pessoas.
    Parabéns aos Mordomos de Malcata 2023 por tudo, mas sobretudo pela vontade que mostram de levar em frente este belo projecto para o povo de Malcata.

                                      José Nunes Martins


7/30/2023

MALCATA TEM ONDE COMER E ONDE DORMIR E MUITO MAIS

    

Ainda pode comer nos Minimercados Armindo e Cantinho do Ludo,
ou no Bar da Zona de Lazer, naturalmente!

Alojamentos locais e espaço para autocaravanas



   Na aldeia os cafés e os largos sempre desempenharam um papel importante para a vida social das pessoas. E apesar de todas as dificuldades económicas, de contínua saída de gente para fora, mesmo com o que se aguentou por causa da pandemia, das guerras e a subida dos preços em tudo, sejam em bens e/ou serviços, na nossa terra continuam todos com as portas abertas. Como nem toda a gente vai até à Zona de Lazer, na falta de outros espaços com condições para conviver descansadamente resguardados do calor, vão para os cafés a fazer o que é costume. Os homens jogam às cartas, seja ao “jogo da sueca”, à “bisca de 3 ou de 9” e quem sabe, joga ao “invido” ou “imbido” que os emigrantes argentinos espalharam pela terra. Como não jogam a dinheiro, os que perdem pagam os copos que ao longo da tarde se vão despejando.
 Já 
com as mulheres, que costumam as mais novas ir com os seus maridos tomar o café, juntam-se ali a uma mesa a conversar de tudo e mais não sei o quê…é conversas engatadas umas às outras, porque como só se encontram por altura das festas, já podemos imaginar a quantidade de matérias a revisar!
   Portanto, lá pela aldeia está tudo bem, tudo como de costume, haja saúde e dinheiro para as coisas essenciais não faltarem, venha a festa que o resto em Malcata, está como está em Abrantes, tudo como dantes!

   Boas férias.
                               José Nunes Martins

6/24/2023

MALCATA: SÃO JOÃO É NA MOITA

   

Festejar para não esquecer

 

   

   Recordo-me dos meus tempos de garoto na aldeia, onde se celebrava o São João, popular santo e que o povo gostava de festejar. Nesses anos sessenta, na aldeia sentia-se e vivia-se aquele espírito de “povo unido” e pronto para festa ou trabalho. Talvez por esses motivos as festas eram tão alegres e divertidas.
   E o São João, esse popular festivaleiro, punha toda a aldeia em alvoroço durante pelo menos um mês antes de 23 de Junho. As noites eram para cada rua juntar os seus moradores e fazerem os arcos mais bonitos e mais vistosos para a festa. O empenho era muito e todo o trabalho era feito em segredo, isto para que as outras ruas não copiassem as ideias da nossa! Noite após noite, à luz das candeias e dos candeeiros, entre montes de papeis coloridos, tesouras e cordões, a sala ou lá onde fosse, transformava-se num atelier de costura e artesanato de papel. Era preciso muitos cuidados na Confecção e principalmente no enrolar dos arcos. Um mal enrolado podia resultar num arco partido, emaranhado e tirava a pessoa do sério quando andava a enfeitar a rua.
   E no dia da festa, todos apareciam no Rossio para dar um pé de dança ao som do tocador de concertina!  

 

   São João para ver as moças
   Fez uma fonte de prata
   As moças não vão a ela
   São João todo se mata.

                                             José Nunes Martins